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domingo, 16 de outubro de 2011

A História da EC Comics – Fim

“Vocês vêm nos sacaneando e tornando impossível que coloquemos qualquer coisa na rua simplesmente porque vocês nos querem fora dos negócios”
Editor/Roteirista Al Feldstein para o Juiz Charles Murphy





Tema Macabro:




Foram diversas as batalhas que Willian Gaines teve que travar com o Comics Code Authority para manter suas publicações livres de censura, e diversas as vezes que ele teve que encarar perguntas constrangedoras de pessoas que não estavam preocupadas em cuidar da segurança nacional, e sim apontar o dedo e colocar alguém como culpado pelos problemas da América na época (não que os problemas tenham mudado, mas os “culpados” passaram a ser agora os filmes e os games).

Num dos casos mais notórios relacionados ao caso EC/Comics Code, Gaines ameaçou processar o juiz Charles Murphy, que era o administrador do Comic Code na época, por conta da ordem que o juiz dera de alterar a história de ficção científica “Judgment Day”, publicada em “Incredible Science Fiction #33”, que era uma reimpressão de uma história de Weird Fantasy pré-Comics Code e inserida após a história que seria publicada nesta edição ter sido rejeitada pelo código. O problema com esta HQ era que o personagem principal era negro.

A edição em questão contava a história de um astronauta humano, um representante da república galáctica, visitando um planeta habitado por robôs e encontrando-os divididos entre raças laranja e azul funcionalmente idênticas, sendo que uma das raças tinha menos direitos e privilégios que outras. O astronauta decide que, devido ao preconceito encontrado entre os robôs a República Galáctica não poderia admitir o planeta em suas fileiras. No quadro final, ele remove seu capacete, revelando ser um negro. Murphy queria que o astronauta negro fosse removido, mesmo que isso não fosse um motivo real dentro das regras do código, o que era bizarro porque, removendo a etnia do personagem, toda a história perderia o sentido. Gaines e o roteirista da história, Al Feldstein brigaram e ameaçaram processar o juiz, que mesmo tendo insistido e ordenado a remoção do personagem negro, acabou vendo a história ser impressa do jeito original.

Esta não foi a única briga que a EC Comics teve para evitar seu fim e combater a censura. Quando foi criado o Subcomitê de Investigação da Delinquência Juvenil do Senado, presidido pelo Senador Estes Kefauver (que nada mais era do que um oportunista em busca de autopromoção – anos antes ele havia alcançado notoriedade por ter presidido a audiência com o mafioso Frank Costelo, que fora transmitida pela televisão), a audiência foi marcada na mesma corte que anos antes havia dado fama ao Senador, que intimou várias testeminhas a depor sobre o assunto, todas contra os quadrinhos (incluindo aí Fredric Wertham). A favor dos quadrinhos o único que se propôs a depor foi Willian Gaines, que estava sozinho contra uma horda de gigantes.

Obviamente, Gaines foi massacrado pelos seus inimigos. Incredible Science Ficion # 33 foi a última HQ publicada pela EC. Gaines mais uma vez mudou o foco da EC para “Picto-Ficção”, que era uma linha de revistas em preto e branco com histórias ilustradas, além da tentativa de reescrever histórias publicadas anteriormente em outras revistas da EC. Mas a mudança de foco não rendeu e, quando o distribuidor nacional da EC foi à falência, Gaines encerrou todos os títulos com exceção da MAD que, já em formato magazine, podia escapar do crivo do Comic Code Authority. Foi o fim de uma era.


Tradução (do site Universo HQ) do discurso que Willian Gaines leu diante do Subcomitê de Investigação da Delinquência Juvenil do Senado (antes de prestar depoimento):

Meu nome é William Gaines. Sou graduado pela School of Education of New York University. Tenho qualificação para dar aulas na escola secundária.
Então, o que estou fazendo diante desse comitê?
Eu publico histórias em quadrinhos. Meu grupo é conhecido como EC - Entertaining Comics. Vim voluntariamente como testemunha. Pedi e vocês me deram essa chance de ser ouvido.
Duas décadas atrás, meu falecido pai foi o instrumento que iniciou a indústria dos quadrinhos. Foi ele quem editou as edições iniciais da primeira revista em quadrinhos, a Famous Funnies.
Meu pai estava orgulhoso da indústria que ajudou a criar. Ele levou diversão a milhões de pessoas. A herança que deixou, a vasta indústria das histórias em quadrinhos, emprega milhares de escritores, artistas, estampadores e impressores. Ela levou milhares de crianças ao costume da leitura. Ela sacudiu a sua imaginação, criou uma válvula de escape para seus problemas e frustrações... Mas o mais importante: deu a elas horas e horas de diversão.
Meu pai, que comandava a editora antes de mim, estava orgulhoso daquilo que publicava. Ele via os quadrinhos como um instrumento potencial para a educação visual. Ele foi um pioneiro, algumas vezes à frente do seu tempo.
Ele publicou títulos como Picture Stories from Science, Picture Stories from World History e Picture Stories from American History. E também Picture Stories from the Bible.
Desde 1942 vendemos mais de cinco milhões de cópias da Picture Stories from the Bible. Essa revista é largamente usada em igrejas e escolas para tornar a religião mais interessante, vívida e real. Picture Stories from Bible está sendo agora publicada pelo mundo, em dezenas de línguas. E trata-se de, nada mais, nada menos, que uma revista em quadrinhos.
Além da Picture Stories from the Bible, eu publico muitas outras revistas.
Por exemplo, publico histórias de terror. Fui o primeiro nos Estados Unidos a publicá-las. Eu sou o responsável! Eu as iniciei!
Alguns podem não gostar delas. É uma questão de gosto pessoal. Mas é difícil explicar a inofensiva emoção que uma história de terror causa numa pessoa como o Dr. Wertham, assim como seria difícil explicar a sublimidade do amor a uma frígida solteirona.
Meu pai estava orgulhoso das revistas que publicava e eu estou orgulhoso das que publico agora. Nós temos os melhores escritores e artistas. Nós nos esmeramos para que cada revista, cada história, cada página seja uma obra de arte.
Como resultado, temos os maiores índices de vendagem.
Uma revista em quadrinhos é um dos poucos prazeres que uma pessoa ainda pode comprar com uma moeda de dez centavos.
Nós vendemos prazer. Diversão. Recreação escrita.
As crianças americanas são, em sua maioria, normais. São crianças inteligentes. Mas aqueles que querem proibir as histórias em quadrinhos parecem ver nossas crianças como sujas, pervertidas e depravadas, pequenos monstros que usam os quadrinhos como modelo de suas ações.
O que tememos? Temos medo de nossas próprias crianças? Será que estamos nos esquecendo que elas também são cidadãos e, por isso, são livres para ler e julgar o que quiserem?
Ou achamos nossas crianças tão distorcidas e com a mente tão pequena a ponto de uma história sobre assassinato as levar a cometer assassinato... ou uma sobre roubo as levar a cometer roubo?
Jimmy Walker (ex-prefeito de Nova York) disse uma vez que nunca viu uma garota estragar sua vida por causa de um livro.
Assim, também ninguém vai destruir sua vida por causa de uma revista em quadrinhos. Já foi visto em testemunhos anteriores que nenhuma criança saudável e normal se tornou uma pessoa pior só por ter lido uma revista em quadrinhos...
Acredito que nada que já foi escrito até hoje pode fazer uma criança se tornar agressiva, hostil ou delinquente. As raízes dessas características são muito mais profundas.
A grande verdade é que a delinquência é produto do ambiente em que a criança vive; e não da ficção que ela lê.



Nota Macabra:
A partir de agora, por motivos de força maior, o Madrugada Macabra será uma coluna MENSAL.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A História da EC Comics – Queda

Senador Kefauver: Aqui está a edição de maio, a número 22. Parece ser um homem com um machado ensanguentado, segurando a cabeça de uma mulher que parece ter sido decepada de seu corpo. Acha que isso é bom gosto?

Willian Gaines: Sim, senhor, acho, por ser a capa de uma revista de terror. Uma capa de mau gosto poderia ser, por exemplo, do mesmo homem segurando a cabeça da mulher um pouco mais acima mostrando o pescoço pingando sangue. Também o corpo da mulher poderia estar um pouco mais à frente, fazendo com que o pescoço sem a cabeça aparecesse mais, mostrando ainda mais sangue.


Trecho do depoimento de Willian Gaines
ao Subcomitê de Investigação da Delinquência Juvenil do Senado Americano.




Tema Macabro




Ainda no início dos anos 40, a indústria de quadrinhos estava sendo bastante criticada pelo seu conteúdo e seus potenciais efeitos negativos para as crianças. Mas a situação foi de certa forma encabeçada e certamente potencializada pela publicação de dois artigos do Dr. Fredric Wertham em 1948: “Horror in the Nursery” e "The Psychopathology of Comic Books". À época, alguns crimes cometidos por adolescentes se assemelhavam aos vistos nas histórias em quadrinhos, o que fez os pais olharem com maus olhos para os comics (numa situação não muito diferente de polêmicas mais recentes, relacionados à jogos eletrônicos e RPG).

Mas foi realmente em 1954 que a coisa ficou feia, com a publicação do famigerado "A Sedução do Inocente", do mesmo autor que publicara aqueles dois artigos anos antes. O que aconteceu é que Wertham, percebendo que seus piores pacientes eram leitores de quadrinhos, deduziu que eram estes que estavam levando os jovens à delinqüência (o que, para a época, seria mais ou menos o mesmo que hoje em dia um psiquiatra resolver dizer que os piores pacientes dele jogam vídeo-game e por isso os games são a causa do problema deles). Somando a isso, a criação de uma audiência do congresso americano sobre delinqüência juvenil, altamente divulgada e que acabou colocando os quadrinhos em sua mira, fez com que a indústria de quadrinhos estremecesse, prejudicando distribuidoras de quadrinhos e colocando editoras fora do negócio. Estava criado o Comics Code Authority, selo que serviria como ferramenta para regulamentar o que podia e o que não podia ser colocado em uma história em quadrinhos.

Willian Gaines e a EC Comics foram provavelmente os maiores prejudicados, já que eventualmente o selo passou a ser o que os perseguidores dos quadrinhos queriam: uma arma para censurar tudo o que eles quisessem. E o “tudo o que eles quisessem” era bastante abrangente e incluía situações absurdas, como a proibição do uso das palavras “horror”, “terror” e “weird” (algo como “esquisito”, “estranho”, em tradução livre) nas capas de qualquer comic. Quando, por conta disso, distribuidores se recusaram a distribuir muitas das revistas da EC (algumas inclusive das mais famosas e vendáveis), Gaines encerrou a publicação de suas 3 revistas de terror e seus dois títulos “SuspenStory”. Tudo isso ainda em 1954.

Para tentar sobreviver, a EC mudou o foco das suas revistas para histórias mais realistas como M.D (sobre medicina) e Psychoanalysis. Também renomeou suas revistas de Sci-fi remanescentes mas, já que as edições iniciais não carregavam o selo do Comic Code, os revendedores se recusaram a vendê-las. Após consultar sua equipe, Gaines, mesmo relutante, enviou as HQs para avaliação do Comic Code e então todos os títulos desta “nova direção” da EC receberam o selo a partir das segundas edições, mas as revistas não tiveram boas vendas e acabaram sendo canceladas em poucas edições.

Na próxima Madrugada:
Uma mudança na coluna, as batalhas travadas pela EC Comics e o fim desta sequência de matérias em A História da EC Comics – Derrota.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A História da EC Comics – Auge

“Hoje em dia, o crime perfeito é ser pego e depois vender sua história para a TV”
Revista MAD





Tema Macabro




A EC comics, em seus primeiros anos contou com uma leva de publicações de muito sucesso. Algumas delas já foram citadas no post sobre Contos da Cripta, como a HQ homônima, The Vault of Horror e The Haunt of Fear, mas ainda havia muitas outras. Quadrinhos de guerra como Frontline Combat e Two-Fisted Tales geralmente focavam-se em histórias nada heróicas que fugiam do americanismo tradicional, enquanto Shock SuspenStories lidavam com temas como racismo, sexo, drogas e o “American Way of Life”, com uma pegada que lembrava os filmes noir. Mas a editora publicamente se orgulhava de seus títulos voltadas para a ficção científica, como Weird Science e Weird Fantasy, que publicavam histórias inusitadas em relação às “space operas” publicadas em em título sci-fi de outras editoras.

Entre os temas mais comuns das revistas da EC, estavam situações comuns com uma reviravolta irônica ou sinistra, geralmente uma justiça poética pelos crimes do protagonista; Gêmeos Siameses (sim, este era um tema popular e bastante recorrente nos primeiros anos da EC); adaptações de histórias de ficção científica de Ray Bradbury e histórias com uma mensagem política, que se tornou comum nas histórias de ficção científica e suspense da EC (entre os tópicos dentro deste tema encontravam-se condenações sem julgamento, antissemitismo e corrupção política).

Mas com certeza o tema mais proeminente na EC Comics era, de longe a sátira que, ora era encontrada na crítica política, ora no humor negro das situações cotidianas que acabavam mal, mas que deram origem àquela que talvez seja a revista mais famosa da editora: MAD.

Criada em 1952, a MAD tinha como foco específico a sátira e a paródia. Começou como uma HQ e dois anos depois se tornou uma revista no formato magazine, mas sempre com o mesmo foco. A popularidade da MAD se deu porque ela foi publicada em um momento bastante propício, onde os americanos careciam de revistas com teor de sátira política uma vez que, em meio da paranóia da Guerra Fria, a censura aos meios de comunicação era uma realidade presente. Mas nem tudo foram flores para a MAD, que recebeu diversos processos por conta de seu humor ácido, crítico e muitas vezes ridicularizador. A revista MAD, como vocês devem saber, dura até hoje, mesmo após a desativação da EC Comics, o que mostra a força da publicação.

Infelizmente, mesmo com o sucesso e com temas populares, um monstro muito pior do que qualquer um que figuraria nas histórias da EC iria pôr um fim à editora.


Curiosidades:
- MAD foi, por muito tempo, a revista mais bem-sucedida do mercado americano a publicar totalmente sem a ajuda de publicidade. Isto era ótimo para os artistas, que poderia criticar sem dó a cultura de massa e do consumismo sem sofrer represálias nem ter que se conter;
- Alfred Newman, o rosto famoso que estampa as capas da MAD apareceu na revista pela primeira vez em 1954. O que pouca gente sabe é que este rosto não foi criado pela editora, ele já existia nas pictografias americanas há décadas, sendo de uso comum e autoria desconhecida até a EC veiculá-la na revista e passar a ter domínio sobre a imagem;
Na próxima Madrugada:
O fim da EC Comics nas mãos do pior mal que a arte pode conhecer: A censura. Na próxima semana, A História da EC Comics – Queda.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Contos da Cripta - Nos Comics

“Parece que eu acabo de trazer 7 anos de azar! Falando em azar, é hora de outro sinistro conto de terror de minha rastejante coleção...”
O Guardião da Cripta





Tema Macabro




Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os atos heróicos dos Super-Heróis deixaram de ser tão relevantes, fazendo com que as HQs do gênero caíssem no esquecimento (o que causou o cancelamento de diversas séries, que só seriam retomadas uma década depois, com o advento da chamada Era de Prata dos Quadrinhos). No seu lugar, um espírito de cinismo e tensão (já caracterizando a Guerra Fria) se abateu sobre o povo americano, fazendo com que outro tipo de HQ se popularizasse, tornando-se um gênero à parte: As HQs de Terror.

É neste contexto que surge a revista Contos da Cripta que, junto com The Haunt of Fear e The Vault of Horror, formava a tríade de publicações bimestrais da EC Comics voltada para o gênero.

As origens da revista Contos da Cripta (e de seu apavorante anfitrião, o Guardião da Cripta) remonta às Hqs policiais publicadas pela EC Comics no fim dos anos 40, onde William Gaines (o grande nome da EC) e seu editor começaram a experimentar o terror (gênero do qual gostavam muito) aos poucos nas histórias. Estas experimentações levaram à história “Return from the Grave”, na revista policial Crime Patrol, que era uma história de terror já nos moldes do que se veria depois, e também apresentava pela primeira vez o guardião da cripta, que se tornaria a cara (trocadilho não intencional) dos Contos da Cripta. Como a edição posterior já contava com mais histórias de terror do que policiais, seu título foi alterado de Crime Patrol para “Tales from the Crypt of Horror”, mantendo seu formato original por mais 4 edições, até se tornar a revista de terror como ficou conhecida.

Tales From The Crypt, The Vault of Horror e The Haunt of Fear foram 3 revistas de muito sucesso durante os anos 50, mas que infelizmente não passaram das 30 edições (tendo sido publicadas até a edição 27, 29 e 28, respectivamente), tudo por conta da “caça às bruxas” liderada por Fredric Wertham, que levou à criação do Subcomitê do Senado Americano sobre Delinquência Juvenil, cujo principal alvo foram as histórias policiais e de terror da EC Comics, o que infelizmente acarretou no fechamento da editora com a instituição do Comics Code Authority, um “código de conduta” do que podia e não podia se fazer nos comics (mas que era apenas um outro sinônimo para “censura”) e que simplesmente invalidava todas as histórias da EC Comics, já que esta se focava em títulos com temas adultos.

Assim, a EC Comics, e consequentemente a revista Contos da Cripta chegaram ao fim, lamentavelmente. Mas esta não seria a última vez que veríamos o Guardião da Cripta e suas histórias macabras.

Curiosidades:
- Eerie Comics, uma revista “one-shot” (edição única) de 1947 é considerada a primeira revista em quadrinhos de terror americana, além da “semente” de toda a mania dos quadrinhos de terror que aconteceu nos anos subseqüentes a sua publicação. A publicação contava com 6 histórias, entre as quais uma desenhada por Joe Kubert;
- Não era apenas Contos da Cripta que tinha seu anfitrião macabro: The Vault of Horror contava com o Guardião do Jazigo (The Vault Keeper) e The Haunt of Fear contava com a Velha Bruxa (The Old Witch);
- Para vocês terem uma ideia do sucesso que as histórias de terror faziam na época, a EC lançou, em 1954, a Three Dimensional Tales from The Crypt of Horror, uma antologia trimestral que reciclava histórias já publicadas na revista principal, com a diferença de serem impressas em 3D anaglifico (aqueles que você precisa de um óculos de papel com lentes de papel celofane azul e vermelho – E isso nos ANOS 50, para você que pensa que 3D é uma moda recente). Cada edição vinha com um óculos 3D. A publicação é considerada um clássico, embora não tenha durado muito por uma série de fatores (não só a questão do Comic Code mencionada na matéria, mas principalmente fatores técnicos, como o custo da impressão, entre outros);
- Harvey Kurtzman, mais famoso por ter sido o editor e criador da revista MAD foi um dos artistas de Contos da Cripta;
- Em 2007, uma editora independente chamada Papercutz decidiu ressuscitar o título mostrando novas histórias. A primeira edição contou com capa de Kyle Baker e trazia os 3 anfitriões mais famosos da EC (O Guardião da Cripta, o Guardião do Jazido e a Velha Bruxa);

Na próxima Madrugada:
Continuamos nos aventurando pelo universo dos Contos da Cripta, agora Na TV.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Kick Fuckin' Ass!

Fala, molecada!
Sei que já teve resenha do filme por aqui, mas nunca é demais, certo?
Aliás, essa resenha já tinha sido escrita em Maio, quando eu assisti o filme pela primeira vez.
Então, pra quem assistiu tá tranquilo quanto a spoilers... porque aqui tem bastante!


Depois de ter dúvidas quanto a qualidade e enredo do filme e logo após ter tido notícias esperançosas de que ele era bom, não me aguentei de curiosidade e resolvi pegar meu Learjet particular e dar uma passadinha rápida em qualquer cinema de NY para assistir ao filme Kick- Ass!
Agora, depois de estrear aqui no Brasil, resolvi compartilhar com os pequenos padawans desse blog o quanto eu curti esse filme.
Vamos deixar de enrolação e vamos partir pra resenha!!!


Antes de mais nada, para aqueles que não sabem o que é Kick-Ass, porque não leram ainda, deixa eu explicar rapidinho...
Dave Lizewski, o personagem principal, é o típico garoto excluído de seu colégio, que mora com o pai solteiro e que é louco por comics de super-heróis. Isso acaba o influenciando na ideia de se transformar em um "herói de verdade", combatendo o crime em Nova Iorque.


Isso é tanto o enredo das histórias como também do filme. Coisa simples. E nem teria necessidade de mudar. Mas outras coisas da história foram mudadas no filme. Coisas que eu já até imaginava que seriam.
E isso por acaso detonou o filme? Maaano, não!

Conseguiram fazer com que um roteiro bem diferente das HQs (diferente mesmo, não estou exagerando) funcionasse perfeitamente!
É lógico que as histórias em quadrinhos escritas pelo Mark Millar e desenhadas pelo John Romita Jr. são 10 vezes melhores que o filme. E isso eu já tinha falado também. Mas o fato é que conseguiram fazer um filme engraçado, cheio de referências nerds, cheio de porrada e ação!


E na parte da porrada senti um pouco de falta da mesma quantidade de sangue que tem nos quadrinhos, mas para um filme até que tá bom.
Aliás, o nome do filme deveria ser Hit Girl: Detonando tudo!

Putaqueopareo! As melhores cenas de ação são com uma garotinha de 11 anos!
Ela sim quebrou tudo!


Mas isso, quem leu os quadrinhos, já sabia também. Kick-Ass é um bundão até como herói. Ele é o melhor exemplo de sidekick que eu conheço. E sidekick bucha ainda, que só se ferra!
Mas esse é o charme do personagem. Ser um loser até quando se está vestindo um uniforme de herói. E Aaron Jonhson faz com que você realmente acredite nisso!
Totalmente ao contrário do Homem Aranha das antigas, que era um nerd que apanhava na escola e quando vestia a roupa de teias, virava o Mr. Fodão de NY, combatendo vilões do "naipe" do Rhino ou do Fanático.

Isso fez com que o personagem estivesse num patamar diferente dos heróis de que estamos acostumados a ver nos filmes.
Cara, como é bom assistir um filme baseado em super-heróis onde eles respeitam as características da HQ!


Mas não espere personagens idênticos aos quadrinhos. Big Daddy é um exemplo. O que o fez legal na série, ser um biruta perdedor com uma maleta de aço cheia de gibis antigos e que morre, cagando de medo, com um balaço na cabeça, foi totalmente mudado para dar sentido ao personagem. Pelo menos um sentido do qual estamos mais acostumados em filmes desse tipo: Ex-policial, perde a mulher para a bandidagem, vira um justiceiro sanguinário que se utiliza todos os meios para executar sua vingança. A diferença é que nesse ele usa a própria filha como arma!

Ah! E ainda temos uma parte da história, exatamente essa onde são explicadas as motivações do Big Daddy, inteiramente em animação e no estilo e traços do grande Romitinha!

Simplesmente fantástico!


Nicolas Cage está muito bem no papel, mas eu ainda preferia que tivessem chamado um troncudão bigodudo igual nas Hqs.
Outra coisa que vocês não verão é a pequena Hit Girl estraçalhando com todos no final depois de cheirar uma dose de um "composto químico" ou em suas palavras, "ativar a condição vermelha", mas cara, com certeza, vocês vão pirar no que esssa menina faz com os capangas no final. É como se ela tivesse cheirado a casa inteira do Pablo Escobar!
Filhote de Kill Bill mesmo! Como já haviam dito!


Acho que quiseram pegar leve com o lance de drogas, afinal a menina só tem uns 11 anos. Agora, matar, decepar, furar, rasgar... é outro papo, né?

Christopher Mintz-Plasse, o famoso McLovin, fazendo as vezes de Red Mist também está bem legal, apesar de ter perdido um pouco da graça do personagem por conta de mudanças no roteiro. Uma das sub-tramas que envolve o personagem, a sua traição, que na HQ é bem obscura, foram tiradas porque logo no começo do filme mostram o cara como sendo filho do mafioso, vilão do filme. Outra coisa que dispensaram foi o seu vício em maconha. Mas uma vez, problemas no roteiro em relação à drogas.
Mas deram um jeito disso ficar legal no filme. Pode crê.

Enfim, ele serve tanto pra quem leu e gostou das HQs como para o público que nunca o viu pela frente!


Uma coisa não resta dúvida: Muita gente vai sair impressionada do cinema!
Principalmente quem tá esperando mais "um desses filminhos de super-heróis".

Parabéns aos caras mesmo! Conseguiram fazer um filme redondo. Diferente das HQs, que ainda considero bem melhores, mas que pelo menos agrada bastante!
Legal ver todas aquelas referências de quadrinhos tanto da DC quanto da Marvel no filme. Porém foi o que eu comentei antes, utilizaram as mais "pops" possíveis!
A revista Empire acertou, realmente é brilhante!

Fazer um filme onde a história gira em torno de um bando de malucos que resolvem combater o crime apenas usando fantasias de super-herói, sem superpoderes? Há um tempo atrás seria uma comédia desprezível ou uma cópia barata de Watchmen.
Fizeram um filme cheio de ação onde você ainda dá boas risadas, tanto das cenas com piadas e referências, quanto aquelas de porradaria desenfreada onde um sorrisinho  bem sinistro te escapa da boca.

Realmente Kick-Ass chegou pra Quebrar Tudo!


Nota: 8
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