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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Agents of Shield - Episódio Piloto

Resenha porca do primeiro 
episódio de Agents of Shield
                                                             Por Alex Matos



Sossega que não tem spoilers, aerofólios ou quarqué tunage!



Assisti a todos os filmes da Marvel, apesar de não colecionar e nem ler mais quadrinhos mainstream a uns bons 3 anos, sempre fui uma putinha lazarenta dos personagens chubidubamente batutas dos quadrinhos, pois eles tinham essa pegada mais pé no chão, mais jogo de várzea. Super herói se fodia para pagar contas, ter relacionamentos, conciliar seu tempo para passar com a família, enfim, tinha problemas pessoais que gerava certa identificação desse pau d'água aqui.

Nem preciso dizer que curtia muito o Homem Aranha por ser um cara fudido como eu, cuja única diferença é ter poderes. Ok, pegar mulher gostosa também...



Caramba, dane-se os poderes, pegar mulher gostosa já tava bom pra mim!

Os filmes da Marvel mantiveram essa pegada mais pé no chão que sempre curtia nos quadrinhos, muitos dizem que os filmes são superficiais e medíocres. Concordo, mas são divertidos bacarai, não curto filme iraniano mesmo então foda-se!

A série Agents of Shield mantém a mesma pegada dos filmes da Marvel: leve, com diálogos supimpas, frases de efeito e personagens superficialmente complexos e bacanas. Para um primeiro episódio é normal os gringos exagerarem nos estereótipos para o povo zé ruela entender, então estão lá: Os nerds que mexem com tecnologia exatamente como todos os nerds que mexem com tecnologia de todos os filmes e seriados com interpretação irritantemente exagerada Emmett Brown do paraguai; Temos a fodona artista marcial oriental misteriosa pica das galáxias; O galã de quermesse superespião reclamão e certinho; A hacker engraçadinha que poderia ser modelo ou figurante de clipe de rap; E finalmente, o Agente fanboy Coulson interpretado do mesmo jeito que foi interpretado nos filmes, igualzinho, só que com uma pegada mais escoteiro gente boa excêntrico que toma leite e salva gatinhos.



Sobre a série em si, os diálogos estão bem bacaninhas, quase tão bons quanto os do filme Vingadores, com tiradinhas engraçadinhas e discursos rápidos. O desenvolvimento do plot é bem nhézinho, tradicional recrutamento dos personagens pelo velho da taverna, blá blá, uma breve apresentação do que cada um faz, blá blá, adiciona alguns mistérios, põe umas ceninhas de ação para mostrar que são fodões, apresenta a organização do mal e os objetivos do grupo.

 O personagem com superpoderes serve exatamente para esse fim de apresentar o teor da série: Depois do pega pra capar de nova York com alienígenas tretando com gente com superpoderes, o mundo está diferente e para cobrir essa mudança de paradigma, surge o grupo da Shield para catalogar, controlar e ajudar tanto os normais, quanto os super humanos. Esse grupo faz de tudo para não dar merda, para que todos possam continuar suas vidas normalmente, pagando suas contas, reclamando do governo e falando mal de seus vizinhos.



A série tem potencial, tirando os nerds irritantes (morram), senti que todos os personagens têm algo a ser desenvolvido, tem uma pegada misteriosa bacana. O que é muito bom para um primeiro episódio. Vou assistir mais episódios e rezar para que não seja mais um Heroes da vida.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Uzumaki

Uaréview
por Kural King


CENTÉSIMO "De fora da Panela" aqui no Uarévaa! Faz tanto tempo que não tem um que nem parece, hein? 

Mas hoje nós chegamos (ou melhor, nossos leitores chegaram) a essa marca através da resenha do mangá Uzumaki, que o maior criador de montagens da galeria do facebook do Uarévaa, Kural King, leu após a indicação do Romenique no Podcast Uarévaa #139 - Terror nos Quadrinhos.

Confira ai mas esteja aviado que, segundo o próprio Kural King, pode conter spoilers.




Pelo que foi apresentado em Uzumaki a história se passa numa cidade onde padrões em espirais está presente em quase tudo e de forma exagerada, e em cada edição seguimos a vida de Kirie (personagem principal) e algum outro personagem e eventos relacionados aos espirais, eventos que a principio são plantas em forma de espirais, redemoinhos nos riachos e correntezas, ciclones vão se evoluindo para cinzas em forma de espirais, cabelos, até mesmo corpos.

Tem 2 personagens principais a história:


Kirie – menina que vive sua vida cotidiana normalmente rodeada de eventos bizarros e o mangá relata esses eventos. Depois de ser alertada pelo Shuichi, Kirie começa a se aperceber desses eventos e acaba por se envolver ainda mais nas bizarrices quando o pai dela ficou obcecado também com espirais e depois quando ela mesma se encontra possuída pelo padrão espiral.



Shuichi – amigo da Kirie, ele se mostrou consciente da bizarrice que existe na cidade e acaba por se envolver (indiretamente) em alguns dos acontecimentos bizarros da cidade, o pai dele que tinha uma obsessão com espirais acabou por se matar partindo os seus ossos e tomando a forma de um espiral em um recipiente circular, com isso a mãe do Shuichi desenvolveu uma fobia a espirais que levou ela a cortar a pele dos dedos, os cabelos e no fim os próprios tímpanos de forma a se livrar dos espirais no corpo dela, Shuichi é depois arrastado para mais um acontecimento bizarro envolvendo espirais ao ser apresentado a Azami (é uma moça que possui uma cicatriz na testa e existia um rumor estranho de que ela lida com magia negra e sai por ai encantando meninos jovens adolescentes.


Ela desenvolve uma obsessão por Shuichi por ele ter sido o primeiro a não cair pelos seus encantos e com o passar do tempo a cicatriz dela foi crescendo em forma de espiral e pouco a pouco foi consumindo o corpo dela até isso levar a morte dela e outro carinha.) e depois desenvolve capacidade de reconhecer e conseguir identificar onde e quem está possuído pelos espirais.

Bom enfim, cara, devo falar que a principio eu não tava achando grandes coisas a hq porque a edição 1 é bem fraquinha, mas pqp, da edição 2 com a morte da mãe do Shuichi para frente a porra fica louca, a estranheza do mangá só aumenta e até mesmo uma re-imaginação de um Romeu & Julieta (na edição 5) dentro do universo do mangá ficou fodasticamente bizarro e legal ao mesmo tempo e a edição 6 apesar de ter sido menos horrifico que o resto das edições, o final foi estranho.

O desenho de Junji Ito é bem simples e ficou perfeito em Uzumaki, baixarei o volume 2 e 3 depois para continuar a leitura, mas darei um tempinho para a mente assimilar Uzumaki antes de prosseguir para as outras obras do Ito porque se forem do mesmo calibre, ler tudo de uma vez vai me deixar ainda mais maluco das ideias.

Já agora agradeço ao Romenique pela recomendação.  :)

Kural King

Agora vou a ler Usagi Drop novamente. Até a próxima.

Uarévaaa


Também quer colaborar com o Uarévaa? Então nos mande o seu post, com texto e imagens pro e-mail contato@uarevaa.com que nós publicamos ele aqui no "De fora da panela".

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Duro de Matar 5

Uaréview
                                            por Alex Matos


Resenha meia boca do filme Duro de matar... 5? É isso? 5?



Eu curto filme pipocão, gosto bastante de filme de ação desencanado como Mercenários. Acho muito batuta as frases prontas, as cenas impossíveis, câmera lenta, explosões, final previsível, e toda essa besteira exacerbada. Não tenho essa frescura de pensar que esse tipo de filme exige roteiros mirabolantes, tramas sobre tramas, enfim, me divirto mesmo a história sendo uma verdadeira bosta o que vale é a diversão!


Fui assistir duro de matar, esse último ai. O primeiro filme é mó pipocão, com cenas fodonas, vilões clichê, cenas impossíveis e uma interpretação sarcástica e chubiduba do Bruce Willis, o cara derrota sozinho uma trupe de malfeitores e salva um prédio totalmente descalço! No segundo, mesmo estilão, agora salva um aeroporto e desce o sarrafo sozinho em todo mundo! No terceiro é a vez de Nova York ser salva e no quarto, o Estados Unidos! O que faz duro de matar divertido são as cenas de ação, as frases de efeito, a pau no cuzice do personagem principal , as cenas mirabolantes a reviravolta do roteiro e principalmente o carisma e fodicidade de Bruce Willis! Yippee Ki-Yay mother focker!


Já o último filme tu pode riscar tudo o que tinha de chubiduba nos filmes anteriores, enrolar em papel higiênico reciclado e limpar a bunda do Godzilla! Ok, não vamos ser injustos: As frases feitas estavam lá? Sim, mas soam tão artificiais, tão desconexas que tu percebe que o ator tá cagando pro filme e o filme tá cagando pra ele! A fodicidade do personagem estava lá? Até tava, mas novamente sem paixão, com cenas jogadas, cortes escrotos tiram o tesão de quem assiste. É mais ou menos como sexo, o buraco tá lá, mas é tanto pelo que tu desanima!


E o enredo? Velho, primeiro tem aquela babaquice de pai e filho, papai procura o filho, filho rebelde revoltadinho pau na zorba e todo aquele mimimi desgraçado, quem já assistiu alguma coisa com esse elemento já saca tudo que virá, até as frases e como se reconciliam no final, com direito a cena cliché onde o filhinho ouve o papai desabafar que ama o filho e se arrepende de não ter dado atenção a sua cria... buááá... Fresco demais, viram homi cês dois caramba! Cadê o John Mclane de antes? Só faltou ele lavar louça e discutir relação enquanto assiste novela com seus gatos...


E a história é pereba demais! Beleza, eu sei que é um filme de ação, sei que a história nem tem de ser assim tão aprofundada, mas pelamor, tá muito ruim! Não curti. Não vou ficar falando dela, pois não sou um caboclo spoilerzento, mas é muito mal feita a coitadinha!

Gostei não.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Animação: Uma História de Amor e Fúria

Uaréview
Por Vini

“Viver sem conhecer o passado é viver no escuro"
   

Quando assisti pela primeira vez ao trailer da animação “Uma história de Amor e Fúria” fiquei com o sentimento de que algo novo e possivelmente bom estava nascendo ali, mas sabe como é, a gente sempre fica com um pé atrás. Ainda mais se tratando de uma animação nacional. Não que a animação nacional seja ruim, não é isso não... é que essa se tratava de um longa!
Peraí, um longa metragem de animação nacional? Um longa de animação num país que não tem patrocinio pra isso porque justamente não temos um mercado formado desse tipo de linguagem cinematografica?



Quando fui convidado para a sessão de imprensa da animação, desejei de todo coração que fosse, pelo menos, uma experiência válida e realmente tava torncendo para que a animação fosse boa!

Bom, não vou fazer suspense... “Uma história de Amor e Fúria” está além do que eu esperava!

Mas, por incrível que pareça, não foi a animação em si que me cativou e sim o roteiro!

Um fantástico roteiro elaborado por Luiz Bolognesi, que por acaso, também dirigiu o filme e estava lá para nos recepcionar e receber as primeiras impressões sobre seu filme. Para quem não sabe, Luiz é um premiado roteirista de cinema e é reconhecido pelos trabalhos como “Bicho de Sete Cabeças”, “Chega de Saudade”, Terra Vermelha e “As Melhores Coisas do Mundo”. Então, por aí, já dá pra perceber o quanto o roteiro é bom.
Tanto que, graças as pesquisas realizadas para esse filme, inspirou a realização de um livro chamado “Meus Heróis Não Viraram Estátua” (que é também uma forte frase presente no filme) e um documentário, “Lutas.Doc”, que acompanha o livro (que ganhei do próprio Luiz e será devidamente resenhado em breve!!!).


O filme narra a história de amor entre Janaína e Abeguar, um guerreiro tupinambá, que após a morte de sua amada se transforma em pássaro e sai a procura de sua próxima encarnação. Uma história que sobrevive a 600 anos e atravessa a própria (e verdadeira) História do Brasil, como na época do pós-descobrimento, na colonização, alguns anos antes da abolição da Escravidão, no Maranhão, mostrando ele agora como um negro, Manuel do Balaio que é um dos responsáveis pela Balaiada, guerra civil que originou o exército brasileiro e também responsável pelo começo do cangaço nos sertões, como na época da Ditadura Militar (ele agora como um estudante que luta contra a opressão) e finalmente num futuro não tão próximo, em 2096, quando o cenário futurista, não é nada agradável e as pessoas lutam por água.


O interessante desse roteiro é que além de mostrar como mote principal uma história de amor, o pano de fundo mostra, além da inspiração em uma lenda indígena nacional específica e desconhecida por muitos, o outro lado da moeda da própria história brasileira, contando o lado que os livros de história e a escola não ensinam, ou seja, o lado que não tinha influência e poder para prevalecer como verdade!
Os traços da animação lembram muito algo da Disney, como Mulan e/ou Hércules com uma pitada de algo inspirado nas HQs européias, especialmente aquelas que costumávamos ver em revistas como a Heavy Metal, como o próprio diretor me revelou em entrevista. As paletas de cores da produção foi totalmente baseada nelas. Com esse toque de história em quadrinho, Luiz Bolognesi foi capaz de criar algo intenso, com a linguagem peculiar de uma HQ misturada com história do Brasil (antropologia), fazer algo extremamente sincero e original.

Os cinematics foram inspirados em animes japoneses onde são necessários apenas 8 desenhos por segundo, ao contrário dos normais 24 desenhos/seg., que além de baratear a produção, traz para tela uma maneira menos fluida de animação, mas com mais intensidade, mais força emocional, caracteristica muito própria desse tipo de animação.

Foram 6 anos de produção, mais dois de elaboração de roteiro, junto com sua esposa Laís Bodanzky,  somando 10 anos para ser concretizado, com um sensacional empenho tanto do diretor, como dos produtores, dos animadores que se mantiveram até o final mesmo com propostas de emprego e ganhos maiores em outros lugares e principalmente dos atores que fazem o filme. Sim, o filme de animação ganhou absurdamente com as participações de Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro. E isso não foi só uma questão de marketing pro filme, como eu havia pensado antes e sim porque, obviamente, os três foram escolhidos por serem grandes atores/atriz. Uma coisa digna de nota, toda a animação foi desenvolvida em cima da atuação deles, então nesse caso, não houve dublagem propriamente dita, e sim uma representação do roteiro que depois foi transformado em animação com técnica em 2D.


O longa que custou R$4,5 milhões é produzido pela Buriti Filmes e Guilane e estreará nos cinemas brasileiros em 05 de Abril de 2013.



Durante a apresentação do filme e logo após, numa conversa com o diretor que tivemos, tive uma forte sensação de que estava presenciando o começo de uma coisa grandiosa que o cinema nacional está prestes a ganhar, um mercado, uma cena, o reconhecimento de que: Sim, nós podemos (Yes, We Can!) fazer animações de qualidade e com conteúdo!!!
Assistam, vale muito a pena!


Nota: 9

Mais informações aqui.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Baby's in Black - O 5º Beatle, de Arne Bellstorff

Uaréview 
por Jana Gamba (com a colaboração de Rodolfo Pizzi)



No meio de tantas biografias, publicações e afins sobre os Fab Four, é realmente um encanto ter em mãos uma história alternativa, ou um outro ponto de vista sobre os meninos de Liverpool.


A balada de Atsrid e Stu. É assim que poderíamos facilmente chamar a graphic novel Baby's in Black publicada em 2010 pelo alemão Arne Bellstorf cujo lançamento aqui no Brasil se deu apenas em novembro do ano passado.

A graphic conta a história do curto, porém significativo romance entre a alemã Astrid Kirchherr (a primeira fotógrafa a fazer fotos profissionais dos rapazes no início da carreira) e Stuart Sutcliffe, o Stu, o primeiro baixista dos Beatles.


Com um estilo único, o premiado Bellstorff enche a obra de referências que são facilmente identificáveis pelos fãs, que vão desde o título da obra até o famoso auto-retrato de Astrid e que enriquecem a trama.

Alguns dos fãs mais ardorosos vão estranhar a falta de um roteiro mais contextualizado, que parece jogar o leitor de paraquedas de um avião a 3 mil pés. Porém, a simplicidade do roteiro e a beleza lúdica dos traços (todos monocromáticos, com uso de giz de cera e que muitas vezes não obedece a regra e sai do quadro) acertam em cheio e cativam até o mais estranhos dos leitores, que com certeza vai querer se familiarizar com a história dos Beatles.


Baby’s In Black – O 5º Beatle

Arne Bellstorff

208 páginas

Editora 8Inverso














Fazia tempo que não rolava um "De fora da panela" aqui, hein? Pois é, isso é que dá chamar metade dos que colaboravam pra entrar de vez pro Uarévaa... Depois disso eles param de escrever (salvo a Camila Téo) e a outra metade monta seus próprios blogs nos deixam a ver navios, rs..

Mas eis que finalmente chegou no nosso e-mail essa ótima resenha feita pela Jana Gamba (também conhecida como Penny Lane), lá do www.modernomundo.com.br. Valeu, Jana!

Então pessoal, se coçem um pouquinho ai também! Nos mande o seu post, com texto e imagens pro e-mail contato@uarevaa.com que nós publicamos ele aqui no "De fora da panela".

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Surfista Prateado: A Origem e Trilogia Galactus

Uaréview
Por Vini


Nessa semana, resolvemos postar aqui algo sobre as revistas mais relevantes do Surfista Prateado, e como nosso bom velhinho Freud, decidiu ficar com as mais legais (maldito estatuto do idoso!) resolvi falar um pouco de alguns momentos do personagem e de sua origem, não só aquela das HQs, mas também da sua primeira aparição no Brasil.



Bom, vocês já devem ter ouvido o nosso podcast sobre o personagem, porém sou obrigado a repetir algumas coisas que foi falada por lá...

O Surfista Prateado surgiu pela primeira vez num arco de histórias do Quarteto Fantástico, escritas por Stan Lee em parceria com Jack Kirby, o verdadeiro criador do personagem, onde eles enfrentam uma ameaça vinda do espaço, o devorador de planetas com um balde esquisitão na cabeça, GalactusNa época Kirby justificou que a presença do Surfista era muito necessária, para que a faminta entidade não passasse vergonha sozinha, digo, porque alguém tão poderoso quanto Galactus, deveria ter um arauto.
No Brasil, a primeira aparição do Surfista foi na revista Super X #16 da Ebal em1968, no ano seguinte apareceu pela editora Gep, na edição nº 9, em duas histórias, uma lutando contra Mefisto e outra contra Thor e os Asgardianos. Os licenciamentos de alguns personagens da Marvel, incluindo o Surfista, ficaram pipocando entre as revistas GEP e Super X até Julho de 1974, quando entra na parada a editora Ebal, publicando uma participação sua na revista do Homem Aranha. Logo após ele foi publicado pela Bloch, na revista # 1 do Hulk, numa história que antecede a formação dos Defensores no Almanaque do Homem Aranha, e por fim na própria revista d´Os Defensores, em Maio de 76, o grupo do qual também participava Namor, Hulk e Doutor Estranho.
Em Abril de 79, pela RGE, na revista do Quarteto Fantástico(que na época era chamada de Os Quatro Fantásticos), a primeira história do Surfista, escrita por Stan Lee e desenhada por Kirby, originalmente publicada em 68 é recontada. Na nº 2, até onde eu tenho conhecimento, foi a revista que trouxe o inicio da chamada Trilogia de Galactus. Essas histórias seriam todas republicadas na extinta Heróis da TV, [modo velho leitor saudosista on] uma das melhores e mais legais séries de revistas já publicadas no país! A extinta revista fez merecida fama, assim como SAM* e GHM**, e trazia todo mês histórias de vários personagens. [modo velho leitor saudosista off]
Em Heróis da TV #1 de 1979, Galactus aparece na 1ª história da revista, com o personagem Thor, onde enfrentam a ameaça conhecida como Ego, o planeta vivo. Ainda vestindo um modelito sem mangas e sem calça, Galactus aparece num tom azul-esverdeado e amarelo, problema mais do que recorrente nas revistas da época... as cores! Cores que também foram trocadas nos uniformes do Quarteto Fantástico, que aqui aparecem vermelhos!!! Mas o problema não era só com uniformes... nessa revista o Tocha Humana é ruivo dos olhos verdes!
 
Show de cores para dar ataque epilético em qualquer criança!
Na historia seguinte entra em cena o Surfista Prateado que relembra os momentos e as lutas das quais passou, contra o Estranho, Mefisto, etc., inclusive da batalha entre ele e Galactus que culminou em seu exílio na Terra. Ele busca tentar viver entre os humanos e procura a ajuda de um alfaiate para arrumar umas roupas que disfarcem sua presença entre nós. Sim, caro leitor, um cara de pele prateada, com um sobretudo e chapéu e com uma prancha de surf debaixo do braço, em plena Nova Iorque, querendo passar sem ser notado!
Êêê, Stan! Tá vendo a merda aí não?
Ele então pensa em recorrer ao Quarteto Fantástico para ajudá-lo. Lá encontra um general que quer contratar o grupo para auxiliá-los, pois aparentemente o governo tem algum interesse no alienígena.
Enfim, é mais uma dessas histórias bobinhas onde existe um mal entendido no começo que faz com que os heróis lutem entre si. No final o Surfista descobre que o governo só estava interessado na sua ajuda para o programa espacial. A história termina com ele se indagando sobre a humanidade e seu papel nesse planeta. Coisa que se repetiria até os dias de hoje...
Nessa época, graças aos deuses, quem tomou conta dos pincéis foi o desenhista John Buscema (artista que ficou mais conhecido em seu trabalho com o bárbaro Conan), pois deu mais fluidez às histórias. Nada contra Kirby, mas acho que o traço de John Buscema é bem mais leve, redondo e com detalhes mais agradáveis.
Nas duas edições seguintes o Surfista esbarra com o Abominável e luta contra o Dráculaem parceria de Blade!
Só na Heróis da TV #4 é que realmente a maioria dos leitores brasileiros conhecem a origem do personagem. Sim, a Editora Abril foi a grande responsável pela popularização dos personagens Marvel por aqui e acho que a maioria das pessoas que curtem quadrinhos hoje começaram a acompanhar esses heróis através desta editora.
Originalmente, essa série teve 18 edições (nos EUA) e contou a saga de quando o devorador de mundos chegou ao planeta Zenn-La, e de como o nobre e jovem astrônomo, outrora conhecido como Norrin Radd, se sacrifica não só pelo seu planeta, mas por amor a Shalla Bal, se tornando o Surfista Prateado, o arauto que fica responsável por vagar pelo Universo a procura de outros planetas para satisfazer a vontade de seu mestre, Galactus.
Na história, curiosamente o Surfista enfrenta Yetis, relembra a treta com o Hulk e com o Doutor Maldição (nessa época, além de uma vestimenta azul e vermelho e ter o corpo todo roxo (novamente os problemas de cores), era assim que o personagem Doutor Destino era conhecido!!!) que lhe drena todo seu poder cósmico almejando conquistar o mundo.
Galactus (já com mangas e calça comprida) aparece todo de vermelho e azul também.
A Heróis da TV acaba virando a casa do personagem, mostrando várias histórias não tão impactantes, mas uma coisinha aqui e ali se sobressai, como quando ele enfrenta Thor na edição #7Em Heróis da TV #54, mostra um “O que aconteceria se...” com o Surfista sendo transformado em Norrin Radd e ficando preso na Terra e tentando achar uma maneira de retornar a Zenn-La com a ajuda do Quarteto. Para se vingar, Galactus vai até seu planeta natal, saciar sua fome e Shalla-Ball acaba também se oferecendo virar sua arauto, Luminaris, para poupar seu planeta. História bem interessante e que vale dar uma conferida!
Finalmente em HTV #58 e 59, através do selo Grandes Momentos Marvel, é mostrada a “Chegada do Surfista Prateado” e a “Fantástica Saga do Surfista Prateado”, ambas de 1966 (aqui no Brasil Abril/Maio de 84), desenhada por Kirby e que mostra a famosa e já citada “Trilogia de Galactus”, as histórias que mostram o inicio de tudo, a chegada de Galactus, a extensa conversa com o Vigia, a revolta do arauto contra seu mestre, a notável viagem que o Tocha desprende através do universo absorvendo um conhecimento que o deixa transtornado, até a derrota do gigante espacial através do inenarrável e famoso Nulificador Total, o abridor de garrafas mais foda do universo.

Galactus fica todo com medo de que o Sr. Fantástico destrua todo o universo com a arminha (será que em MIB, aquela arma usada pelo agente J é baseada no Nulificador?) e acaba fazendo um acordo com o Vigia (nessa época sem a cabeçorra e aparentando ser um monge gordão), aceitando ir embora, deixando a Terra livre de sua fome voraz. Porém, antes ele retira do Surfista o poder de viajar pelo espaço, criando uma bolha em volta do planeta para que ele não saia.

E por que, apesar de não serem memoráveis, essas histórias são tão importantes? Bom, é o começo de tudo, conseguimos observar através dessas histórias o ponto de vista da editora sobre seus personagens e como era o “Marvel Way” nos roteiros e desenhos. Quem é leitor novo e for ler essas HQs, vai perceber que muita coisa continua a mesma, e vez ou outra esses personagens acabam caindo no mesmo tipo de roteiro, formando um ciclo. Tipo, toda vez que tem uma história do Wolverine, Capitão América ou do Surfista o tema "origem" vem a tona... ou, por exemplo, a necessidade de sempre adaptar a origem do Homem de Ferro. E essas "recontagens" de histórias são necessários para atrair e agregar novo público, então, para quem já acompanha a muito tempo, qualquer coisa que saia fora disso, deste ciclo, acaba se tornando fantástico!
Isso não quer dizer que estou depreciando todo o material feito com o personagem. Acontece é que evoluímos bastante das décadas passadas, do começo da criação desses personagens até hoje e algumas coisas podem soar infantis e toscas e por isso mesmo que é interessante reler esse material, principalmente porque dá pra entender um pouco mais de como eram as coisas naquela época. Atitudes, roupas, pensamentos e até situação política!
Mas também tem muita coisa boa no meio, tirando a maioria das histórias feitas com o personagem na década de 90, onde poucas foram boas, como a hilária história de SAM 123 que ele encontra o Homem Impossível (por Jim Valentino e Ron Lim), Desafio Infinito, série muito boa da qual ele tem uma participação não tão significativa, mas tá valendo... e todas as revistas da volta dos Defensores, escrita por Peter David e desenhadas por Kevin Maguire!
Pra você ter uma ideia de como os anos 90 e início dos 2000 foram ruins com o Surfista, basta dizer que foi a década onde houveram alguns crossovers (encontros) das editoras DC e Marvel e bombas como o encontro dele com o Lanterna Verde, com o Superman e com a tchurminha da Top Cow que foram realizadas, além da lamentável Heróis Renascem! E o pior é que eu comprava es-ta-mer-daaa!..
 Troféu cocô de prata pros anos 90!
E qual foi a lição de hoje, amiguinhos? É a de que, nós, os leitores das antigas, até o início da década de 90, sofríamos muito com os mandos e desmandos das editoras. Edições confusas, com cortes e principalmente com a cronologia bagunçada, além de um papel de m* que fazia com que acabassem com a qualidade gráfica da coisa. Principalmente, em relação as cores!
Deem uma olhada na série Marvel Masterworks - Silver Surfer (ou qualquer uma da série) que pode ser encontrada facilmente na internet e faça um comparativo com as cores feitas na gringa. É outra coisa!

Mas, olha só, nós sobrevivemos!



Pra você que tem curiosidade de começar a ler as histórias do Surfista, eu indico primeiro ler as edições históricas #1 e #2 lançadas pela Mythos Editora e acompanhar a semana especial de posts aqui no Uarévaa, que daremos muito mais indicações de leitura boa!


Notas de rodapé:
* SAM - Super Aventuras Marvel
** Grandes Heróis Marvel

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Surfista Prateado: Parábola

Uaréview 
                                 por Freud


Para iniciar a pequena sequência de reviews (citada no último podcast) que faremos essa semana sobre o Surfista Prateado, escolhi uma das melhores hqs já feitas com o personagem: a  inusitada parceria entre Stan Lee e Moebius.


Galactus volta a Terra, planeta que jurou não atacar mais, com uma abordagem diferente: se proclamar o salvador da humanidade, aquele que os levará a uma nova era, mas com uma mensagem que na verdade instaura o caos total.


Se te soa estranho ver o personagem agir assim, é preciso antes de tudo informar que se trata de uma história totalmente fora da continuidade do universo Marvel. Nela o Surfista Prateado é inicialmente lembrado pelas pessoas apenas como uma lenda e nenhum outro herói sequer é citado.

Podemos presumir que se passa num futuro em que todos já se esqueceram da primeira vinda de Galactus e que o Surfista nunca se libertou de seu exílio aqui, sendo o único "super herói" remanescente. E as aspas são mesmo importantes ao citá-lo como um super herói pois definitivamente aqui ele não é, e nem se trata de uma hq convencional de super heróis. Parábola é muito mais voltada para o questionamento sobre o comportamento humano do que para uma grande batalha e, mesmo quando a ação acontece, não deixa de lado esses questionamentos.


Moebius foi sem dúvida um grande mestre e, embora ele mesmo tenha falado sobre as dificuldades e incertezas que teve ao trabalhar com um herói dos quadrinhos norte-americanos e usando o "método Marvel", é um grande privilégio poder ver sua incrível e inconfundível arte criando belos quadros do Surfista e de Galactus.

O plot e, obviamente, os diálogos escritos por Stan Lee garantem que o Surfista seja perfeitamente caracterizado com sua "voz"  e  suas já conhecidas indagações que aqui soam mais relevantes do que nunca, acredito, por ser uma obra fechada e fora da continuidade. Como o Rafael disse em nosso podcast, o Surfista é um desses personagens que parecem feitos para histórias como essa.


Essa obra foi publicada no Brasil pela Editora Abril em 1989, na revista Graphic Novel #11 e trazia, além da história, uma introdução de Stan Lee e um texto de Moebius falando sobre o processo de criação da hq que incluem esboços, layouts e artes não utilizadas. Um material que merecia uma nova e caprichada edição por aqui, especialmente agora que a Editora Nemo está publicando grande parte da obra de Moebius em belos álbuns em capa dura.

Graphic Novel #11 - Surfista Prateado

Autores: Stan Lee e Moebius 

Data de publicação: maio de 1989

Editora: Abril

Número de páginas: 68

Formato: 17 x 26 cm

Preço de capa: Cz$ 2,90
  
Nota: 10