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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Nazismo e a busca pelo sobrenatural


O Nazismo como conhecemos não nasceu somente das idéias e carisma de Hitler. Era uma ideologia e como tal, cheia de símbolos e misticismo. Na matéria anterior nós discutimos as origens do maior símbolo nazista, a suástica e no podcast sobre a Segunda Guerra (parte 1 e parte 2), falamos um pouco sobre suas origens políticas, para fechar com chave de ouro essa série de matérias, hoje iremos conversar sobre as origens místicas do nazismo e o seu contexto histórico.

Os nazistas acreditam que descendiam da raça ariana, superior a todas as demais, que estava enfraquecida por se misturar com as raças inferiores. Suas origens variam desde a Atlântida, Thule na Escandinávia, Hyperborea na Grécia e Shambhala no Tibet. Pregavam que a Atlântida só caiu levando a humanidade a escuridão, graças aos Judeus e outras raças inferiores. Os sobreviventes arianos se espalharam pela Escandinávia dando origem ao povo nórdico-germânico.

O lance dos Arianos começou em 1912 com a fundação da ordem dos Teutões (Germanenorden), místicos que tinham como base a origem ariana, profundamente influenciados pelos escritos de Madame Blavatsky (fundadora da Sociedade Teosófica e racista lazarenta nas horas vagas), via uma conspiração judia contra a raça ariana e se orientava pelo poder mágico do antigo alfabeto escandinavo.

Em 1915 o fundador da ordem dos novos templários cunhou o termo ariosofia para descrever as teorias de ocultimos e racismo. Neste mesmo ano a sociedade Vril foi formada para estudar as origens da raça, diziam que tinham entrado em contato com uma antiga raça subterrânea e que tinham a fórmula tibetana para se criar superhomens, além de terem aprendido com os sufis islâmicos, com os Lamas Tibetanos e os ensinamentos zen da Sociedade japonesa do Dragão Verde. Ao se envolverem na política, disseminando propaganda anti-republicana e anti-semítica, fundaram o que mais tarde seria conhecido como o Partido nacional-socialista dos Trabalhadores Alemães. Do nome Nationalsozialismus surgiria a abreviatura alemã Nazismus, Nazismo, Nazi.

Os nazistas buscavam de forma séria e metódica as origens do arianismo, a sociedade Ahnenerbe buscava as origens Atlântianas, a Sociedade de Thule era incumbida da busca na Escandinávia da cidade construída pelos arianos advindos da estrela Aldebaran, e o Sol Negro buscava objetos místicos de poder como o Santo Graal, Lança do destino (aquela que o centurião Longinus usou para espetar Jesus na cruz), ambos braços da SS.

São várias as sociedades secretas que afirmam que esta terra era habitada pelos hiperbóreos. A lenda dos hiperbóreos aparece também na obra Fausto (1831), do escritor alemão Johann W. Goethe. Quando jovem, Hitler foi devoto das óperas do compositor alemão Richard Wagner, que sempre glorificava os furiosos e tenebrosos titãs. Wagner compôs uma série de óperas baseadas nos mitos germanos. Em sua ópera Parsifal, Wagner exalta a existência dos hipérboreos.

Entre 1883-1885, o filósofo alemão Friedrich W. Nietzsche escreveu Assim falou Zarathustra. Nele, Nietzsche desenvolveu uma moral anticristã e atéia, exaltando a vontade do grande indivíduo (super-homem) e celebrando a vida que sempre se renova em eterno retorno. Com base nisto, Hitler formulou a concepção da raça superior.

Já vi muita ficção que dita que se matássemos o tiu do bigodinho enquanto este era ainda um pintor medíocre, não teria acontecido a segunda grande guerra. Eu já não acredito nisso. A guerra iria ocorrer de qualquer forma, pois a sociedade Alemã depois da primeira guerra estava quebrada, desempregada, sem esperanças, envergonhada e desiludida. O Alto escalão acreditava na origem mística dos arianos como nítida válvula de escape. O povo alemão neste contexto engoliria qualquer coisa para sair literalmente da merda onde vivia, Hitler se tivesse nascido cinqüenta anos antes ou depois seria somente mais um na multidão, o contexto da época propiciou sua importância, como teria propiciado para qualquer um com um alto carisma e um discurso utópico como ele. A história ocorre por um contexto e não por um indivíduo isolado, se não fosse Hitler, seria outro. O que mudaria, talvez fosse a forma que a guerra se desenvolveu, os massacres ainda ocorreriam, pois o alto escalão acreditava que as raças inferiores como os judeus eram misticamente, financeiramente e politicamente os responsáveis por todos os problemas da Alemanha.

Para não ter a Segunda Grande Guerra, bastaria voltar no tempo e não deixar os vencedores da Primeira estuprarem os derrotados...

Curiosidades
- Miguel Serrano era um diplomata chileno que defendia que Hitler estava em Shambhala, um centro subterrâneo na Antártida onde estava em contato com os deuses de Hyperborea, de onde emergiria com uma frota de OVNIs para liderar as Forças da Luz contras as Forças das Trevas, dando origem ao Quarto Reich (!!!)

- Poucos dias depois que a Alemanha invadiu a Polônia, iniciando a segunda guerra, a esposa de Joseph Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler, encontrou nas profecias de Nostradamus “evidências” da guerra que iniciava. Motivado, Goebbels determinou o estudo completo de todas as 942 quartenas escritas pelo adivinho francês.

“Ele (Goebbels) se apropriou de uma suposta profecia da centúria 3, quadra 8, que parecia indicar uma derrota total da França, para incentivar seus soldados de que a vitória já estava garantida. Quando ele começou a campanha contra a França, Nostradamus estava em todas as bocas. Até nos EUA se ouvia dizer: ‘Ele predisse tudo’. (Revista Defesa da fé. Edição 69)

Goebbels escreveu em seu diário: "Foi traçado um plano, mostrando como podemos obter ajuda do ocultismo em nossa propaganda. Estamos realmente fazendo progressos (...) Portanto, estamos contratando os serviços de todos os peritos que podemos encontrar em ocultismo, profecias, etc.” Nostradamus terá, novamente, de conformar-se em ser citado". (Roger Manvell e Heintich Fraenkel. Doutor Goebbels. Pág. 203. 1960) Entre as profecias mais utilizadas estava a de Santa Odila que dizia: “... o tempo em que a Alemanha será chamada a nação mais belicosa da Terra. É a época que surgirá em seu seio o guerreiro terrível, o qual empreenderá a guerra contra o mundo, e a quem os homens que estão sob as armas chamarão de o Anticristo...O conquistador surgirá nas margens do Danúbio. Ele será um chefe notável entre todos os homens: a guerra que empreenderá será a mais terrível que os homens jamais sofreram, até o cume das montanhas...”

Na próxima matéria: A origem secreta dos Puteiros

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Invenção do Bem e do Mal, ou como as coisas mudam!

Por Alex Matos

Aproveitando essa semana de consciência, vou escrever nesta matéria de hoje sobre um conceito que varia de acordo com a época, a sociedade e com a vontade: a invenção do bem e do mal.


O Bem e o mal não existem! São recursos inventados pela sociedade para controlar o comportamento do indivíduo para que esse possa viver de forma aceitável e de acordo com as regras impostas pelo contexto social da época. Portanto, a moral, os bons costumes, o certo, o errado são vistos de forma diferente conforme a sociedade, conforme a época e conforme a moda.

A poligamia é proibida na sociedade ocidental e condenada pelos defensores dos bons costumes, é considerada uma maldade. Entretanto, existem muitas sociedades onde o costume antigo de guerra deixava centenas de mulheres viúvas com suas crianças sem sustento, então os homens sobreviventes se casavam com o maior número delas para salvá-las, a poligamia então é considerada bondade.

O Sexo no mundo ocidental cristão é visto como tabu, só para fins de reprodução, sodomia é pecado, usar camisinha é o mesmo que matar uma criança, sexo antes do casamento é pecado. Até a algumas décadas, casar com uma menininha de 12 anos era natural e ninguém falava que pedofilia era crime, certas culturas africanas ainda mantém essa prática. No mundo antigo, homossexualismo era tão normal quanto mulher usar calça jeans hoje em dia. Sempre que havia uma batalha, mulheres de todas as idades eram estupradas pelo lado vencedor, era costume e não era errado. Afinal, mulher era cria de satã, logo, era costume encerrar seus corpos em burcas, mutilá-las, depreciá-las... Era? Em nosso belo país sul-americano, até a pouco tempo matar uma esposa adúltera não era condenável pela lei. Ignorância é atemporal.

Escravidão já foi uma coisa natural, os religiosos até fundamentavam e sacramentalizavam a servidão obrigatória, segundo eles os negros eram seres inferiores condenados por Moisés. Até um tempo atrás os negros de um certo país desenvolvido eram obrigados a andar sempre nos últimos bancos do ônibus e em uma certa parte da áfrica, existia algo chamado apartheid, mesmo a escravidão já estivesse abolida há décadas! Hitler tinha o aval do Vaticano para fazer sua limpeza étnica, os cruzados e a inquisição tinham permissão de cometer genocídio contra os que não seguiam suas religiões. Intolerância é atemporal.

Drogas até o começo do século passado não era um problema, não existiam traficantes, não existia crime. A Inglaterra foi o maior comerciante de ópio do mundo. Isso mudou quando as empresas de drogas passaram a pressionar pela proibição das drogas não regulamentadas. Al Capone surgiu quando proibiram o álcool, os traficantes vieram logo após e hoje a criminalidade reina em nossos morros e vielas. O cigarro já foi um símbolo de masculinidade, de liberdade, de vigor e atitude, hoje dá câncer e tem fotos simpáticas em seu verso.

O homem desmatava para plantar, para se aquecer do frio, matava animais para comer. Hoje matamos baleias para extrair seu perfume, quebramos crânios para vestirmos madames, mijamos em nossos rios. Ficamos mais humanos com o passar dos tempos?

E as frases: "Não faça para os outros o que você não quer que façam em você", "Respeite o próximo como respeita a si mesmo", "Sua liberdade acaba quando a do outro termina", "Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades"?

O Bem e o mal é só uma invenção?


segunda-feira, 21 de março de 2011

Suástica, sua origem e seus mistérios!


Desde que foi adotado pelos Nazistas, a suástica passou a ser associada ao fascismo, ao racismo, à supremacia branca, à Grande Guerra Mundial e ao Holocausto. Proibido em muitos países, odiado e repudiado, foi no pior momento da história da humanidade. Mas o que é esse símbolo? De onde veio?


A primeira vez que a suástica apareceu foi em vasos de cerâmicas datados de 4.000 AC, acredita-se que simbolizava os solstício e equinócios, ou as quatro direções, quatro elementos, e os quatro deuses guardiães do mundo.


É encontrado em diversas culturas antigas, como os Astecas, Celtas, Budistas, Gregos e Hindus. A dos nazistas tem os braços em sentido horário, a dos Astecas e Budistas é exatamente ao contrário, a dos Celtas é meio estilizado e a dos Islâmicos parecem mais com hélices. Existem diversas teorias sobre como tantas culturas misteriosamente possuírem o mesmo símbolo sem terem contatos umas com as outras. As mais conhecidas é a teoria do inconsciente coletivo de Jung e a fantástica teoria de Carl Sagan que dita que foi trazida por aliens que visitavam constantemente a china.

A Índia a utiliza para decorar seus templos, casamentos, festivais e celebrações, significando uma boa marca de felicidade. A Suástica é considerada extremamente santa e auspiciosa por todos os hindus, e seu uso decorativo está presente em todos os tipos de artigos relativos à sua cultura. O Japão a usa para representar templos e santuários em mapas. O número dez mil é escrito com esse símbolo na china. Na Europa antiga era considerado um amuleto de sorte e sucesso. No sânscrito significa felicidade, prazer e boa sorte.

O Partido Nazista bebeu da cultura oriental para montar suas ideologias. A raça Ariana é tida como a mais antiga e perfeita versão da humanidade segundo Helena Blavasky, após gerações essa raça foi se diluindo ao se misturar com as raças impuras e inferiores. A suástica era, portanto, é associada aos arianos ancestrais puros que deram origem ao povo germânico, provindo da Atlântida e difundido em diversas culturas inferiores ao longo do tempo. Por causa disto, o mundo deveria ser subordinado à Alemanha, pois era do direito da melhor raça dominar e guiar as raças impuras. A suástica então se tornou um símbolo de orgulho racial.

Além da Suástica, Hitler também acrescentou cuidadosamente outras idéias simbólicas, como o vermelho expressando o pensamento social que está sob o movimento, Branco, o pensamento nacionalista, formando a luta pela vitória da raça humana ariana.

Desde a II Guerra Mundial a maior parte do mundo tem a suástica apenas como um símbolo nazista, um símbolo do mal, ignorando o seu papel sagrado e histórico em diversas outras culturas que ainda a utiliza como primordialmente.

Curiosidades:
- O Símbolo já era usado pela sociedade de Thule, a ordem dos novos templários e também não oficialmente pelo partido trabalhista alemão antes de Hitler a vincular ao Partido Nazista.
- Em 2002 a China exportou para o Canadá alguns brinquedos em que a suástica aparecia, o que provocou muitas reclamações naquele país. Antes, em 1995 a cidade norte-americana de Glendale, na Califórnia, teve de cobrir mais de 900 postes de iluminação, marcados com a suástica - embora estes tenham sido fabricados por uma companhia norte-americana antes dos anos 20, e nada tivessem a ver com o nazismo.


Na próxima Semana: Nazismo e a busca pelo sobrenatural

quinta-feira, 3 de março de 2011

A História da História

Como todo começo tem um início, a história também!




Era uma vez um homem chamado Grunk. Sua vida se resumia entre acordar em sua caverna, caçar, comer, defecar e tentar se reproduzir. Essa última parte era difícil, pois Grunk era loiro, olhos azuis, nariz e queixo proporcional e dentes brancos alinhados e sem nenhuma marca de doença, em resumo, um péssimo partido para as mulheres da região que o consideravam delicado demais para proteger seus filhos contra os predadores. Grunk, que infelizmente era inteligente, resolveu contar sobre suas grandes caçadas para impressionar a mulherada. Nascia ali a arte de contar histórias.


Com o passar do tempo, além de se reunirem diante das grandes fogueiras para contar seus feitos, também passaram a desenhar. Os egípcios eram mestres nessa arte e emporcalhavam cada pedacinho de suas paredes com desenhos. A colheita foi boa? Bora escrever nas paredes! Por isso que as pirâmides eram tão grandes! Depois eles descobriram o papiro e pararam de fazer pirâmides... Meu professor de antiguidade chutaria minhas brancas nádegas se lesse isso! (Brincadeira viu seu Rui!)
A história sempre existiu, seja na forma de pequenos contos que exaltavam a criação do universo, os deuses e suas aventuras sexuais, às grandes epopéias megalomaníacas chinesas que exaltavam seus grandes imperadores. Mas a história como conhecemos hoje, que se desenvolve de forma linear (começo, meio e fim de forma processual), começou com um rapaz chamado Heródoto que escreveu sobre a invasão Persa na Grécia do século V antes de cristo. Portanto, foi o primeiro a gravar os acontecimentos de forma contínua.

Agora quem complicou a história, ao definir métodos para seu registro foi Tucídides. Quando resolveu contar sobre a Guerra do Peloponeso do qual participou, preocupou-se em tentar ser imparcial, procurando explicar as causas, fazendo muita pesquisa e reunindo bastante fontes. Antes desses caras, podemos chamar a história de pré-história, pois não temos muitos documentos para montar o quebra cabeça dos acontecimentos, somente vasos, estátuas e alguns rabiscos, aqui e acolá. Trabalho de arqueólogos.

Os historiadores de hoje, como toda ciência, usam toda uma metodologia, preocupados com a verdade dos fatos, usam várias fontes de informação para construir a sucessão de processos históricos: escritos, gravações, entrevistas, notinhas de supermercado, achados arqueológicos ou o google.

Essa nova coluna irá contar histórias todas as quartas feiras. Pequenas curiosidades, mistérios da humanidade, presepadas históricas e origem das coisas. Até quarta que vem!




Na próxima Quarta: Suástica, sua origem e seus mistérios!