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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Suspiria

“Má sorte não é trazida por espelhos partidos, mas por mentes partidas”
Suspiria





Tema Macabro




A existência do mal é sempre um tema interessante a ser discutido. Não é por acaso que é um tema universal na ficção. Não vem ao caso discorrer aqui sobre as possibilidades de que o mal seja de fato uma entidade, ou que existam pessoas que visem realmente apenas o mal. No gênero de terror, as histórias mais interessantes geralmente envolvem um mal sobrenatural e além do ser humano (que serve como catarse – afinal, fica fácil querer o fim de algo que você acredita não ter chance de redenção, sem se preocupar com nenhum remorso advindo deste sentimento), por isso mesmo as histórias de terror estão cheias de narrativas sobre este “mal”, seja na forma de vampiros, espíritos, zumbis, lobisomens, monstros ou Bruxas. E foram as bruxas o elemento encontrado pelo cineasta Dario Argento representar o mal em um dos seus filmes mais cultuados: Suspiria.

Susy Bannion é uma bailarina que decide aperfeiçoar seus estudos numa das maiores academias da Europa, a Academia de Freiburg, na Alemanha. Chegando lá, ele acaba conhecendo o local, os funcionários e as colegas e tudo parece normal. Até que (obviamente, ou não haveria história) coisas estranhs começam a acontecer na academia, além de mortes de alunos e colaboradores do local. Não demorará muito para descobrir que Susy se meteu em um lugar onde a realidade é regida por um mal antigo e aterrorizante: a Bruxaria.



Embora a filmagem em si pareça datada, é na estética e na narrativa que Suspiria encontra seu ponto forte. Mesmo com uma história simples, o filme consegue ser complexo e diferente, mesmo para os dias de hoje. Para os apreciadores mais novos do gênero, talvez mais acostumados a um estilo mais realista possível, Suspiria pode parecer completamente bizarro e surrealista. Mas é exatamente essa a ideia: fugir completamente do padrão de realismo e apresentar uma fantasia gótica perturbadora, com uma atmosfera onírica tanto na estética visual quanto sonora. Um filme que mais parece um pesadelo. Isso é Suspiria.


Curiosidades:
- Suspiria é o primeiro de uma trilogia de filmes que são e não são ao mesmo tempo uma sequência. Essa trilogia é conhecida como das “Três Mães”, e inclui os filmes Inferno (1980) e Mother of Tears (2007). Os três filmes, apesar de não serem sequências diretas, se passam dentro de um mesmo “universo” onde lidam com um triunvirato de Bruxas ancestrais (sendo que cada filme apresenta uma das “mães”);
- A trilha sonora foi composta toda praticamente pela banda de rock Italiana Goblin;
- Dario Argento está produzindo um remake americano de Suspiria;
- O estúdio japonês Gonzo também anunciou um remake de surpiria, no formato Anime;
- 2 bandas, uma de trash metal norueguesa e uma de gothic rock britânica têm seus nomes por causa do filme. Além disso, diversos álbuns de bandas usam o título do filme.

Na próxima Madrugada:
Um clássico cult para a Semana do Rock do Uarévaa: Rocky Horror Picture Show.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Holocausto Canibal

"Me pergunto quem são os verdadeiros canibais"
Professor Harold Monroe




Tema Macabro:



Há 11 anos atrás, em 1999 dois cineastas tiveram uma idéia: criar um filme em estilo documentário, com câmeras de mão, onde 4 estudantes adentram uma floresta em busca da lenda sobre uma bruxa que vive lá. Para aumentar o realismo da história, espalharam na internet a tal história da bruxa, e deixaram propositalmente as pessoas pensarem que as filmagens eram reais e que os estudantes haviam realmente desaparecido. E, com baixíssimo orçamento e muita cara de pau, esse projeto se tornou um dos filmes mais comentados das últimas décadas, A Bruxa de Blair. Após ele, seguiu-se uma onda de filmes com a mesma estética, como [REC], Diário dos Mortos e Atividade Paranormal, entre outros. Mas o que a maioria das pessoas não sabe, é que esse formato estilo documentário não era exatamente uma novidade. Aliás, ele havia sido feito 20 anos antes de Bruxa de Blair numa produção italiana que até hoje é considerada a mais ousada, polêmica, chocante, nojenta e perturbadora produção de terror de todos os tempos. E, dizem alguns, talvez o melhor filme de terror já produzido: Cannibal Holocaust.

Antes, um pouco de contexto histórico: Como eu já comentei ano passado, houve um tempo em que o cinema italiano produzia muito terror, e daí vieram diversos cineastas que são conhecidos até hoje. Mas o fato é que estes cineastas muitas vezes (para não dizer geralmente) tentavam ver o que os americanos estavam fazendo em termos de terror e procuravam fazer melhor (ou o melhor que pudessem). Em meados da década de 70, a “moda” no cinema de terror por um tempo foram filmes sobre canibalismo, pois, na época, era considerada a forma “definitiva” de terror, pois era muito mais “real”. Então os cineastas italianos também tiveram sua cota de filmes sobre canibalismo e, dizem as más línguas, competiam para ver quem fazia o filme mais violento sobre o tema. Então, em 1980, é produzido Cannibal Holocaust.



Dirigido por Ruggero Deodato, conta a história de um professor de Antropologia, Harold Monroe, que viaja até os cantos remotos da Amazônia à procura de um grupo de jovens que procurava fazer um “shockumentary” (documentário com cena repulsivas, feito para chocar) e nunca mais voltaram. A história é composta de duas narrativas: A busca do professor pelos jovens cineastas e a posterior avaliação do material encontrado que foi filmado pelos jovens.

Se a história hoje em dia não parece novidade, as cenas conseguem fazer o mais forte até hoje fechar os olhos frente aos horrores na tela. Por isso, já aviso: O filme não é para qualquer um, é preciso ter muito estômago.

Mas aí você me pergunta: “Então é só isso? Ele é considerado o melhor filme de terror de todos os tempos por causa de sua nojeira?” É claro que não. Mas o grande mérito do filme está em suas cenas. Ou melhor, no realismo delas. Em particular a cena de uma mulher encontrada empalada. Apavorante.

Mas além das cenas realistas e dos ótimos efeitos especiais, o filme ainda traz uma mensagem bastante perturbadora sobre a natureza humana e a nossa sociedade dita “avançada”. Quem são os verdadeiros monstros da história? Essa é a pergunta que o filme traz para seu espectador.

Cannibal Holocaust é um filme recomendadíssimo para fãs do gênero, mas não é para qualquer um. Quando digo que o filme é pra quem tem estômago, não estou brincando. Você pode conseguir o filme aqui, mas assista por sua própria conta e risco.

P.S.: Nunca coloquei links de filmes aqui, mas como você não encontrará esse em muitos lugares (ele foi proibido em diversos países, inclusive no Brasil), acho que dá para fazer uma exceção.

Curiosidades:
- A produção é tão forte e realista que, na época do seu lançamento, o filme foi retirado de cartaz e seu diretor teve que se explicar às autoridades, sob suspeita de que seus atores haviam sido mortos de verdade durante a realização do filme. Deodato teve que provar que o elenco estava vivo e bem para poder escapar da prisão.
- Uma das controvérsias do filme está em mortes reais de 6 animais ao longo do filme, algo que chocou os ambientalistas (e boa parte dos cineastas ao redor do mundo)
- Consta que Cannibal Holocaust foi proibido em 50 países, mas isso nunca foi verificado na prática.
- O filme passou por muitos cortes de censura, possuindo diversas versões diferentes, com mais ou menos cortes. A versão original do filme nunca chegou à ir às telas (mas está disponível no link acima).
- Diversas produções semelhantes lançadas na Itália e nos EUA, tiveram algumas cópias com o nome Cannibal Holocaust 2, numa estratégia safada para trazer mais público aos filmes, mas na verdade nunca houve uma sequência de fato da produção.



Na Próxima Madrugada:
Existe um lugar no mundo que passa 30 dias do ano sem o sol se pôr, e 30 dias do ano sem o sol nascer. E é justamente no último pôr do sol que os habitantes do lugar descobrirão o terror que se esconde nas sombras. Começamos o ano de 2010 com 30 dias de noite

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Black Sabbath (I Tre Volti Della Paura)

“Aproximem-se, por favor. Tenho algo a lhes contar. Senhoras e senhores, sou Boris Karloff. Estou aqui para lhes apresentar três pequenos contos de terror e do sobrenatural. Espero que não tenham vindo ao cinema sozinhos. Como perceberão vendo este filme, os espíritos, os vampiros, estão por toda parte. Talvez haja um sentado ao seu lado agora. Sim, porque eles também vão ao cinema, eu lhes asseguro. Os vampiros têm um aspecto perfeitamente normal e na verdade, o são. Apenas tem o estanho hábito de beber sangue, especialmente o sangue daqueles que amam... Mas estou falando e perdendo tempo... Portanto, vamos ao primeiro conto.”

Boris Karloff na abertura de I Tre Volti Della Paura




Tema Macabro:



Embora muito se fale na mídia (americana, claro) sobre grandes nomes do terror como Wes Craven, John Carpenter e Clive Barker, o cinema de terror deve muito, em grande parte, ao cinema ITALIANO. Na chamada “Era dourada” dos filmes de terror, muitos dos cineastas italianos produziram obras de terror inesquecíveis e até hoje são referência para o gênero. Entre os nomes imortalizados na história do gênero de terror, estão - Lamberto Bava, Dario Argento, Lucio Fulci, Ruggero Deodato e Mario Bava.

Este último foi responsável por uma obra prima do gênero, hoje não tão lembrada pelo público em geral, mas muito conhecido dos entusiastas do gênero: I Tre Volti Della Paura, ou, como ficou conhecido na Inglaterra e nos EUA, Black Sabbath.

Lançado em 1962, Black Sabbath, que conta com Boris Karloff como host, é na verdade uma antologia que apresenta 3 contos de terror: O Telefone, O Wurdalak e A Gota D’água.

“O Telefone” conta a história de uma bela mulher que é ameaçada pelo telefone.

"Il Telefono" (O telephone – audio original em italiano)



Em “O Woldulak”, uma família aguarda o retorno do seu patriarca que, quando volta ao lar, foi transformado num vampiro.

"I Wurdulak" (O wurdulak – Áudio original em italiano)


No último, “A Gota D’água”, durante os preparativo para o funeral de uma condessa, seu fantasma retorna do além para cobrar um anel roubado.

"La Goccia D'Acqua" (A gota D’água – Áudio original em italiano)


É possível encontrar este filme em DVD aqui no Brasil, em edição especial recheada de extras, inclusive. Procurem na cidade de vocês que vocês encontram.

Curiosidades:
- Na época em que o filme passou na Inglaterra, um jovem que integrava uma banda chamada Earth viu o cartaz do filme e achou que aquele seria um nome que tinha tudo a ver com a nova atitude e novo som da sua banda. O jovem era Ozzy Osbourne e o Earth passou então a se chamar Black Sabbath.
- Ozzy Osbourne nunca viu esse filme.
- O título italiano quer dizer “As três faces do medo”
- O primeiro conto, “O Telefone”, possui originalmente um subplot que sugere o lesbianismo da personagem principal, que foi cortado na versão americana do filme. Visionário como ele só, Bava usara um assunto que ainda hoje é considerado tabu em muitos lugares, imagina então na década de 60.
- O filme Pânico, de Wes Craven, se utiliza de um plot igual ao do conto “o Telefone”, só que mais amplo.


Na próxima Madrugada:
Porque esta é a noite de Thriller, e ninguém vai te salvar da criatura que está prestes a atacar. Semana que vem, Quando os mortos retornam.