Social Icons

Pages

Mostrando postagens com marcador Trailers. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trailers. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

DST é vírus zumbi em "Contracted"


Contracted é um filme de terror inglês narra a história aterrorizante de uma jovem que tem um caso de uma noite com um estranho e contrai o que ela imagina ser uma doença sexualmente transmissível, mas na verdade é algo muito pior. Conforme as coisas começam a desmoronar ao seu redor, ela é enviada a uma sangrenta e perturbadora jornada que, certamente, deixará o público de cabelo em pé. O curioso longa será lançado digitalmente em 22 de novembro de 2013. Confira o trailer:


Dica bem antenada da leitora Juli Mendes

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Primeiro episódio da websérie "Dracula Rising"


A NBC está trazendo de volta para as telinhas Drácula em uma nova roupagem do livro de Bram Stocker, por um dos produtores de Carnivàle. Para fazer um "aquecimento" antes de iniciar a série, o canal lançou uma websérie em animação chamada "Dracula Rising", que explora as origens do vampiro no século 15. A série, no entanto, se pasará na Era Vitoriana, onde Drácula vai até Londres se fazendo passar por um empresário Americano que quer levar os "novos tempos" para a Europa.

Confira o mais recente teaser da série:



E o primeiro episódio de Dracula Rising

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A serpente e o Arco-Íris

“Nas lendas do vodu, a serpente simboliza a Terra.
O arco-íris simboliza o céu.
Entre os dois, todas as criaturas devem viver e morrer.
Mas por ter uma alma, o homem pode ficar preso em um lugar terrível...
Onde a morte é apenas o começo”
Dizem que a vida imita a arte. Mas a verdade é que, na maior parte das vezes, o contrário é que está mais próximo da verdade. Não importa o quão estranhas sejam as histórias contadas por nossos antepassados, ou quão inacreditáveis sejam as lendas e superstições enraizadas em nossa cultura, é seguro afirmar que deve haver alguma fonte original, ainda que mínima, de onde provém tais histórias e superstições.

Seja a hipertricose, que explicara o surgimento do mito dos lobisomens; as exumações de cadáveres com catalepsia (quando o problema ainda não era conhecido), que por vezes acordavam dentro de um caixão e arranhavam-no por dentro no desespero de fugir, para explicar a crença dos vampiros; ou a velha e conhecida dos céticos, a pareidolia, que nos permite enxergar rostos e formas em qualquer coisa minimamente semelhante, para explicar as histórias de espíritos, fantasmas e demônios; é bem possível que exista algum fundo de verdade em cada história embora, é claro, o fundo de verdade provavelmente seja algo ridiculamente simples absurdamente exagerado.

Para os ocidentais, um dos temas mais exóticos e bizarros eram os zumbis. Antes do termo ser vinculado aos mortos-vivos criados por George Romero em A Noite dos Mortos Vivos, ele se referia principalmente aos corpos sem vida das crenças do Haiti, ressuscitados por um líder místico conhecido como mestre zumbi. Em resumo, um zumbi é um ser humano comum, que após a morte tem seu corpo (e apenas o corpo), trazido de volta à vida pelo tal mestre zumbi. Como o corpo ressuscitado não possui alma, ele se torna uma espécie de “robô”, sem sentimentos, capacidade de raciocínio ou vontade própria, que é controlado pelo mestre.

Um dos pesquisadores que mais tentou se aprofundar no tema foi Wade Davis, um antropólogo e etnobotânico da National Geographic Society que foi até o Haiti nos anos 80 a fim de pesquisar mais sobre o tema. Sua hipótese sobre como funciona o processo de “zumbificação”, que mistura uma complexa interação entre alucinógenos, toxinas e os poderes da sugestão e a força cultural, são lembradas até hoje, mesmo com algumas controvérsias.

Segundo a hipótese de Davis, os mestres zumbis produziam um tipo de poção feito de uma mistura de ingredientes exóticos, como baiacu, matéria vinda de cadáveres (Davis presenciou um xamã esmagar o crânio de uma criança morta há um mês ou dois, para adicionar à poção), lagartos frescos recém mortos, um sapo seco com um verme marinho ao redor dele (preparado antes), “ tcha-tcha” (uma espécie de leguminosa chamada albizzia) e "itching pea" (uma espécie de mucuna, outra planta leguminosa).

Aliado à poção, os mestes zumbis também faziam uso de Datura, uma planta que possui compostos com propriedades alucinógenas, e TTX (tetrodoxina), uma toxina vinda de um tipo de baiacu (tetraodontídeo), que bloqueia os potenciais de ação nos nervos. Esta substância liga-se aos poros dos canais de sódio voltagem-dependentes existentes nas membranas das células nervosas. Os sintomas do envenenamento por TTX são dormência/paralisação dos lábios e da língua, o aumento de parestesia (sensação de formigamento, picada, queimadura) de face e extremidades, que pode ser acompanhada de sensação de leveza ou flutuação. A fala é afetada e a pessoa envenenada apresenta comumente cianose (azul-arroxeada) e hipotensão, com convulsões, contração muscular, pupilas dilatadas, bradicardia e insuficiência respiratória. O paciente, embora totalmente paralisado, permanece consciente e lúcido até o período próximo da morte.

O processo de zumbificação era marcado pela teatralidade típica de rituais religiosos, o que garantia a atmosfera necessária à sugestão e proporcionava o ambiente para potencializar a crença. Assim, as pessoas afetadas pela TTX eram dadas como mortas e enterradas, para serem secretamente desenterradas durante à madrugada, longe dos olhos de curiosos, onde o zumbi era deixado dopado a fim de manter sua vontade própria dormente. E assim estava criado um zumbi.

Os “zumbis” podiam ser usados para os motivos mais diversos (todos altamente questionáveis, segundo nossos padrões), como vingança, disputa de terras e até como trabalhadores braçais em fazendas de homens poderosos ou até mesmo dos mestres zumbis.

A pesquisa de Wade Davis no Haiti gerou um livro chamado The Serpent And The Rainbow (A Serpente e o Arco-Íris, atualmente fora de catálogo no Brasil), publicado em 1985, onde Davis acompanha o caso de Clairvius Narcisse, um homem que alega ter sido um zumbi durante dois anos. Mais tarde, Davis publicou também Passage of Darkness – The Ethnobiology of the Haitian Zombie (Passagem para as Trevas – A Etnobiologia do Zumbi Haitiano, em tradução livre – não publicado no Brasil), de 1988, onde o autor basicamente expande sua pesquisa e se aprofunda mais na cultura, política e sociedade haitiana, mostrando também os aspectos sociais do fenômeno zumbi.


Com todas estas fascinantes informações sobre o tema, talvez o mais curioso de tudo isso seja o fato de que A Serpente e o Arco-Íris, um livro acadêmico, deu origem a um filme de terror de Hollywood de mesmo nome.

Dirigido por ninguém menos que Wes Craven (A Hora do Pesadelo, As Criaturas Atrás das Paredes, A Maldição de Samantha), The Serpent and the Rainbow (A Maldição dos Mortos Vivos, no título em português) acompanha o Etnobotânico e Antropólogo Dennis Allan (Bill Pulmann), e sua interação com a cultura do Haiti, ao ser enviado para a região por uma empresa farmacêutica a fim de investigar uma droga usada no vodu haitiano, na esperança de usá-la como anestésico e comercializá-la no ocidente. A exploração de Alan o leva a conhecer a estrutura social e cultura do Haiti, e sua relação com o sobrenatual, o místico e com o fenômeno zumbi.



Embora apenas levemente baseado no livro de Davis, o filme vale por trazer uma história de terror (e de zumbi) buscando uma explicação científica e mais realista, sem apelar tanto para os aspectos sobrenaturais. Um ponto bastante positivo de Wes Craven, que durante os anos 80 estava sempre buscando reinventar histórias clássicas dando um ponto de vista diferente. Nem sempre o resultado era bom – A Maldição dos Mortos Vivos, de fato, não é lá um filmaço –, mas valem sempre pela curiosidade.

Atualmente, as pesquisas de Wade Davis são objeto de controvérsia, devido a possíveis falhas no método usado pelo cientista para coletar seus dados e informações imprecisas. Ainda assim, seu estudo serve como uma base interessante para se tentar compreender essa rica e complexa cultura zumbi que existe até hoje no Haiti.

Mais sobre zumbis no podcast Uarévaa sobre o tema.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Elvira

“E, se algum dia perguntarem a meu respeito, diga a eles que eu fui mais do que um belo par de peitos. Eu fui também um belo par de pernas. E diga a eles...Diga a eles que eu nunca deixei um amigo na mão. Nem um estranho, na verdade. E diga a eles...diga a eles que tudo o que fiz e disse, ta dito e feito, e que só peço para que as pessoas lembrem de mim por estas duas simples palavras... [pausa] quaisquer duas palavras, contanto que sejam simples.”
Elvira

Mais conhecida aqui no Brasil por aqueles que cresceram nos anos 80 e 90, Elvira é uma das icônicas personagens de terror americanas junto com o Guardião da Cripta. Mas, sua história começa muito antes do filme exibido à exaustão na sessão da tarde – e antes mesmo da própria criação da personagem.

Entre os programas temáticos mais comuns nos EUA nos anos 50, 60 e 70 estavam, os “horror film programs”, isto é, programas que exibiam filmes de terror, muitas vezes de monstros, mas haviam também aqueles que exibiam filmes B, filmes antigos e filmes sci-fi de baixo orçamento.. Estes programas contavam geralmente com um apresentador com um visual adequado ao clima, que comentava e introduzia os filmes que seriam apresentados.

Um destes programas era “The Vampira Show”, o primeiro a usar o formato de exibir filmes com um apresentador introduzindo-os. O programa era apresentado por Vampira, interpretada pela atriz Maila Nurmi, que também criou a ideia do visual da personagem.


Após The Vampira Show, o formato foi repetido diversas vezes, e nos anos 70, um dos mais populares era Fright Night. O programa foi ao ar de 1970 a 1981 e era apresentado por Larry Vincent, que interpretava o personagem “Sinister Seymour”. O personagem ficou conhecido pelo seu estilo de criticar os filmes que apresentava, de forma divertida, geralmente aparecendo numa pequena janela onde surgia no canto, fazia um gracejo e sumia de novo.


Após a morte de Larry Vincent, em 1981, o estúdio procurou um substituto para manter este tipo de programa no ar. Acharam que seria uma boa ideia usar uma apresentadora feminina, e tentaram trazer de volta The Vampira Show, mas não conseguiram entrar num acordo com Maila Nurmi. Começaram a procurar por mulheres que pudessem fazer algo parecido. Encontraram Cassandra Peterson, e deixaram para a atriz definir como seria o visual da Personagem. Com a ajuda de um amigo, ela criou o visual clássico que ficou até hoje.

O programa foi exibido com o nome de Elvira’s Movie Macabre (às vezes era apenas “Movie Macabre”) e tinha um formato voltado para o “terrir”, pois além de exibir filmes B de terror, tinha Elvira como apresentadora de roupas bastante apertadas, um decote difícil de ignorar e um corpo bastante...avantajado. Além disso, seu estilo satírico envolvia piadas consigo própria, com seu visual, com os filmes, com o gênero e tudo o mais que pudesse ser alvo de seus comentários ácidos.


Logo, a personagem entrou no imaginário popular e se tornou cult, virando, é claro, uma lucrativa marca para publicidade e mershandising, vendendo action figures, cards, máquinas de pinball, decoração de Halloween, model kits, calendários, perfumes e bonecas associadas à imagem de Elvira.

Elvira’s Movie Macabra teve 5 temporadas até mais ou menos 1987, mas sua popularidade continuou crescendo e chegou ao auge em 1988, quando foi lançado Elvira, Mistress of the Dark (conhecido aqui como Elvira, a Rainha das Trevas). Na história, Elvira é a anfitriã de um programa de baixo orçamento sobre filmes de terror que herda da tia uma velha mansão em Fallwell, Massachusetts, uma pequena cidade com apenas 1313 habitantes e bastante conservadora. Ela sonha em vender a casa e ir para Las Vegas, mas encontra dois sérios problemas: o primeiro são os adultos da cidade, que ficam espantados com o modo de como ela se veste e se comporta. Liderados por Chastity Pariah, eles fazem forte oposição à presença de Elvira na cidade. O segundo problema é um tio de Elvira que não herdou nada, mas deseja obter de qualquer maneira um "livro de receitas" que também foi herdado por Elvira, que dará a ele imensos poderes para fazer diversos tipos de bruxarias. Aqui, o filme se tornou um clássico cult da sessão da tarde. O filem também gerou uma série de TV, que não teve o mesmo sucesso, e uma sequência (que não é exatamente uma sequência, já que se passa no século XIX), em 2001, entitulada Elvira's Haunted Hills (As Loucas Aventuras de Elvira).


Cassandra Peterson continuou com seu personagem se apresentando em palestras e eventos de terror, cinema e quadrinhos, e levou Elvira novamente para a TV num revival de Movie Macabre em 2010, que desta vez apresentava apenas filmes em domínio público. Este revival durou 20 episódios.


Elvira também apareceu diversas vezes em DVDs, com lançamentos chamados “Double feature”, em que cada DVD continha dois filmes. Num destes era possível inclusive escolher entre assistir com as interrupções de Elvira, ou direto.

Embora Cassandra Peterson tenha trabalhado em outros filmes, Elvira é a personagem de uma vida para a atriz que até hoje contabiliza com a marca e é presença frequente em festivais de terror mundo afora, além de ainda contar com um grande número de fãs (dos quais me incluo).

Curiosidades:
- Maila Nurmi, criou o visual da personagem que interpretou, Vampira, a partir de Mortícia Adams, personagem das tiras de Charles Addams;
- Maila Nurmi também é vista como sua persoangem Vampira em Plano 9 do Espaço Sideral, de Ed Wood;
- A principal diferença criativa que impediu Nurmi de retomar The Vampira Show nos anos 80 foi a recusa do estúdio de colocar Lola Falana, uma cantora, dançarina e atriz afro-americana;
- Fright Night é, não por acaso, o título original do filme “A Hora do Espanto”, que traz como protagonista um adolescente que é fã do programa Fright Night apresentado por Peter Vincent, numa alusão á Larry Vincent, ator que apresentava o programa original;
- Cassandra queria originalmente que o visual de Elvira fosse inspirado no filme The Fearless Vampire Killers (A Dança dos Vampiros), de Roman Polanski, mais especificamente pela personagem de Sharon Tate. Mas a ideia foi recusada pelos produtores;
- Elvira também apareceu nos quadrinhos: Na DC, com uma série de vida curta em meados dos anos 80 entitulado Elvira’s House of Mistery, que foi adquirida pela Claypool Comics, que nos anos 90 publicou uma nova série chamada Elvira: Mistress of the Dark, cuja marca era compartilhada com a Eclipse Comics, que a distribuía. A série teve artistas conhecidos como Kurt Busiek, Steve Leialoha e outros, e contou com 166 edições. Mais recentemente, foi anunciada para 2013 uma série, também intitulada Mistress of the Dark escrita por R.H. Stavis e desenhada por Jeff Zarnow;
- Cassandra Peterson também estreou em filmes populares sem ser a Elvira, como Pee-wee's Big Adventure e em Allan Quartermain e a Cidade do Ouro Perdido;
- Elvira também lançou álbuns musicais: Elvira and the Vitones 3-D TV (1982), Vinyl Macabre (1983), Elvira Presents: Haunted Hits (1987), Elvira Presents: Monster Hits (1994) e Elvira Presents: Revenge of the Monster Hits (1995);
- Cassandra Peterson mantém uma webstore com produtos da Elvira, que também é o site oficial da personagem. Se quiser conferir, clique aqui.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Abecedário da morte

Geralmente antologias de terror são uma boa forma para os iniciantes adentrarem no gênero, já que é nestes casos que pode-se perceber as influências, diferenças de estilos, temas e subgêneros que constituem uma história de terror.

A grande vantagem de uma antologia (e o principal motivo pelo qual eu gosto muito desse formato) é poder fazer histórias diferentes, sem nenhuma conexão cronológica aparente, ligando apenas por um ou outro denominador comum. Contos da Cripta, por exemplo, tinha em comum apenas o apresentador. Já Além da Imaginação tinha em comum principalmente os finais inusitados e surpreendentes, e por aí vai.

No caso de The ABC’s of Death (O Abecedário da morte, em tradução livre), o que liga as histórias é o alfabeto. A antologia, produzida por Ant Timpson e Tim League, é uma sequência de 26 curta-metragens cujo tema principal é a morte.

A sistemática do projeto foi a seguinte: Chamar 26 diretores ao redor do mundo e dar, a cada um, uma letra. A partir dessa letra, seria escolhida uma palavra, e o diretor deveria basear seu curta de terror nesta palavra. Por isso o nome “abecedário da morte”.

Mas embora eu tenha dito no começo que antologias de terror são geralmente uma boa forma do iniciante adentrar no terror, creio que “The ABC’s of Death” seja o caso inverso. Os curtas apresentados nesse projeto são dos mais variados, mas numa espécia de “competição sadia”, cada diretor parece ter tido a intenção de superar o outro, e o resultado é desde histórias padrão até conceitos realmente surreais, passando por coisas bem doentias e bizarras.


Por conta dessa pegada, eu recomendo The ABC’s of Death para quem já está bem habituado ao cinema de terror, pois tem muita coisa que vai mexer com sua moralidade, com sua imaginação e com seu bom gosto. Tem coisas MUITO RUINS (alguns filmes pareceram trabalho de final de curso de faculdade de cinema), mas tem algumas coisas bem interessantes (como a metalinguagem usada em Q is for Quack, onde o diretor está com o prazo apertado e não sabe como fazer o seu curta). Mas como é comum em qualquer antologia, esta tem seus altos e baixos.


Os segmentos do projeto foram os seguintes:

A is for Apocalypse (A é de Apocalipse), dirigido por Nacho Vigalondo
B is for Bigfoot (B é de Pé Grande), dirigido por Adrian Garcia Bogliano
C is for Cycle (C é de Ciclo), dirigido por Ernesto Diaz Espinoza
D is for Dogfight (D é de Rinha de cães), dirigido por Marcel Sarmiento
E is for Exterminate (E é de Exterminar), dirigido por Angela Bettis
F is for Fart (F é de peido), dirigido por Noboru Iguchi
G is for Gravity (G é de Gravidade), dirigido por Andrew Traucki
H is for Hydro-Electric Diffusion (H é de Difusão hidroelétrica), dirigido por Thomas Malling
I is for Ingrown (I é de encravado), dirigido por Jorge Michel Grau
J is for Jidai-geki (J é de Filme de Samurai), dirigido por Yûdai Yamaguchi
K is for Klutz (K é de Desajeitado), dirigido por Anders Morgenthaler
L is for Libido (L é de Libido), dirigido por Timo Tjahjanto
M is for Miscarriage (M é de aborto espontâneo), dirigido por Ti West
N is for Nuptials (N é de Núpcias), dirigido por Banjong Pisanthanakun
O is for Orgasm (O é de Orgasmo), dirigido por Bruno Forzani e Héléne Cattet
P is for Pressure (P é de Pressão), dirigido por Simon Rumley
Q is for Quack (Q é de “Quack”), dirigido por Adam Wingard e Simon Barrett
R is for Removed (R é de Removido), dirigido por Srdjan Spasojevic
S is for Speed (S é de Velocidade), dirigido por Jake West
T is for Toilet (T é de Toalete), dirigido por Lee Hardcastle
U is for Unearthed (U é de Desenterrado), dirigido por Ben Wheatley
V is for Vagitus (V é de Vagitus), dirigido por Kaare Andrews
W is for WTF! (W é de WTF!), dirigido por Jon Schnepp
X is for XXL (X é de GGG), dirigido por Xavier Gens
Y is for Youngbuck (Y é de Jovem adulto), dirigido por Jason Eisener
Z is for Zetsumetsu (Z é de Extinção), dirigido por Yoshihiro Nishimura

As críticas à iniciativa foram bem divididas, e eu concordo com muitas delas. Há algumas coisas realmente muito boas, mas outras são tão estranhas – até para o gênero - , que não consigo nem decidir se gostei ou não (como o segmento H is for Hydro-Electric Diffusion).

Minha sugestão é que o espectador não assista a todos os segmentos de uma vez só, pois é bem complicado de digerir. Assista a alguns, pegue um fôlego, e depois assista outros.

Curiosidade:
Para a escolha do 26º diretor, foi feito uma concurso, cujo vencedor foi o britânico Lee Hardcastle. Seu curta, T is for Toilet, é uma claymation (animação stop motion feita com argila), onde um menino encara seu medo de ir ao banheiro usar o vaso sanitário sozinho. É realmente um curta bem divertido.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Trailer de "Sob a Redoma", de Stephen King

Para quem não sabe, está sendo adaptado para uma série de TV o livro "Sob a Redoma", do Stephen King. Na história, uma pequena cidade se vê numa situação surreal quando de repente são isolados do resto do mundo através de uma redoma, que não se sabe de onde vem e nem quem - ou o que - foi responsável por isso. A série estreia em 24 de junhos nos EUA no canal CBS. Confiram o trailer (em inglês):

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Trailer do filme Calvin e Haroldo


Percebi que de uns anos pra cá tem saído algumas coisas não oficiais sobre o Calvin e Haroldo. São coisas que os fãs estão fazendo, como vídeos, animações e até tiras!



Já faz mais de 10 anos que não sai nada oficial do personagem, e volta e meia, quando sai alguma coisa "fanfic" assim, geralmente logo sai do ar por violar direitos autorais. O que eu acho uma besteira sem tamanho! Puxa-vida! É uma homenagem!
Será que Bill Watterson é tão anticapitalista e chato a ponto de ficar proibindo tudo que sai do personagem?

Bom, a galera do canal Gritty Reboot fez uma dessas homenagens, um trailer para um filme imaginário de Calvin & Haroldo… assista enquanto não tiram do ar!






segunda-feira, 1 de abril de 2013

Eles vivem

“Eles vivem. Nós dormimos” 


Não é de hoje que existe uma preocupação (ainda que, infelizmente, não venha acompanhada de alguma ação) sobre a possibilidade de nós, cidadãos comuns, estarmos sendo manipulados por algum pequeno grupo que se utiliza de técnicas escusas para controlar nosso comportamento, nossa mente e nos tornar robôs sem vontade própria. De fato, isso foi e ainda é tema de diversas histórias ao longo das eras. Não sei dizer quando este tipo de “paranoia” começou, mas talvez Francis Bacon e René Descartes tenham boa responsabilidade sobre isso. O primeiro sugeria que o ser humano reconhecia o mundo “filtrado” por vários aspectos da cultura e erros cognitivos, que nos impediam de ter uma real noção do que era a realidade. Já o segundo afirmou que sequer é possível dizer que conhecemos alguma realidade, já que não podemos dar certeza da existência de qualquer coisa além da nossa própria consciência.

São conceitos bem abstratos (e dependendo do ponto de vista, até absurdos) para quem conhece de forma superficial o pensamento destes dois filósofos. Mas a questão que permanece aqui é: como podemos saber que somo realmente livres, que tomamos as decisões por nós mesmos? Como podemos saber se não estamos sendo manipulados e tudo o que acreditamos não é uma mentira?

Não dá para dizer com certeza. E a abrangência cada vez maior do acesso à informação, que tanto nos liberta quanto nos aliena, apenas aumentam as dúvidas quanto à autonomia de nossa mente. Podemos pensar em diversas técnicas e maneiras supostamente usadas por quem quer que seja para manipular a sociedade, mas talvez a mais suja delas – se funcionar – seja a mensagem subliminar.

Para quem não sabe, mensagem subliminar é toda mensagem enviada por qualquer meio de comunicação que não é captada por nossa percepção consciente, mas que ainda assim é registrada no cérebro. Bem, até aí isso não é algo tão assustador, se pensarmos que grande parte (se não a maioria) dos dados que nossos sentidos recebem do mundo são subliminares (sons, cores, etc). O problema está quando os dados são mensagens inteligíveis para o cérebro que, quando as registra, pode acabar obedecendo estas mensagens, acreditando ser vontade da própria mente.

Existem evidências científicas de que nosso cérebro percebe e assimila mensagens subliminares, mas até hoje não foram encontradas evidências que demonstrem que elas de fato influenciam o ser humano e suas atitudes. De qualquer maneira, o ponto não é técnico, mas ético: funcionando ou não, o uso de mensagens subliminares já serve como uma tática baixa e desprezível por si só. Mas independente da eficiência das mensagens subliminares, é fato que boa parte dos países possuem legislação contra essa prática (no Brasil, no entanto, não há lei que regulamente o uso de mensagens subliminares, até onde eu sei) e diversas empresas ao longo das décadas foram acusadas, condenadas e multadas por propagandas contendo mensagens subliminares.

Agora imagine um mundo onde a mídia manipula as pessoas através das mensagens subliminares. Onde cada outdoor, cada comercial de TV, cada propaganda de rádio exibe, nas entrelinhas, mensagens que nosso cérebro assimila inconscientemente e que definem nossas atitudes e nos tornam robôs a serviço de uma pequena casta de seres acima da lei que controla tudo. Não é muito difícil imaginar isso, principalmente nos dias de hoje, onde temos protestos como os movimentos Ocuppy, e onde pesquisas científicas demonstram que todo o poder econômico mundial está concentrado em algumas poucas centenas de empresas multimilionárias. Mas fico pensando o quando essa perspectiva pareceria ficção científica há 30 anos atrás, algo fora da realidade e absurdo (assim como as teorias de Bacon e Descartes), pelo menos para o cidadão comum.




As histórias de terror, assim como qualquer gênero narrativo – e também qualquer forma de arte – acaba, inevitavelmente, como um reflexo de um contexto histórico. Muitas vezes este contexto permanece atemporal, mas outras vezes o conteúdo da narrativa torna o filme datado. Não é tão comum, no entanto, que uma obra passe a se tornar cada vez mais relevante com o passar do tempo. Para mim, este é exatamente o caso do filme “Eles Vivem”.

Dirigido por John Carpenter, “Eles Vivem” mistura crítica política e social com teorias de conspiração e estética de filmes B dos anos 50 para contar a história de John Nada, um trabalhador pobre que chega a Los Angeles e encontra trabalho num edifício em construção. Durante uma estranha operação repressiva, a polícia destrói um quarteirão inteiro do bairro miserável em que vive. Na confusão, Nada encontra óculos escuros aparentemente comuns, mas ao usá-los consegue enxergar horrendas criaturas alienígenas disfarçadas de seres humanos, bem como as mensagens subliminares que elas transmitem através da mídia em geral. Nada percebe que os invasores já estão controlando o planeta e, juntamente com seu companheiro de trabalho Frank, decide se engajar no movimento de resistência, que é perseguido como subversivo pela polícia.


Quem nunca ouviu falar de “Eles Vivem” pode ler a sinopse acima e pensar que é um filme atual, mas a película foi lançada no ano de 1988, ou seja, há cerca de 25 anos atrás. Compreensivelmente, o filme amargou baixa bilheteria e não foi muito entendido pelo público da época. Mas é impressionante como o filme se encaixa perfeitamente no contexto da sociedade atual, de consumo desenfreado, manipulação midiática e turbulência econômica. É claro que os efeitos especiais hoje estão bastante datados (até porque o filme também é uma homenagem aos filmes da década de 40/50) e a estrutura narrativa do John Carpenter, a exemplo de outro filme de terror oitentista, Criaturas Atrás das Paredes (de Wes Craven), é bem diferente da linearidade às vezes maçante e do ritmo enlatado dos dias de hoje. Mas é um filme altamente recomendado, tanto para os amantes do gênero de terror quanto para aqueles que gostam de algumas doses de crítica social.


No mês que vem, um tema de ficção científica bem interessante do qual já falamos no blog algumas vezes (teve até podcast sobre), mas que pode não ser exatamente "ficção".

Curiosidades:
- O filme é escrito e dirigido por John Carpenter, mas nos créditos do filme ele assinou com o pseudônimo de Frank Armitage;
- John Carpenter retirou o personagem John Nada da HQ Alien Encounters;
- A briga entre Nada e Frank no filme deveria ter apenas 20 segundos, mas os próprios atores decidiram por brigar de verdade quando fizessem a cena, evitando apenas socos nos rostos. John Carpenter ficou tão impressionado com a cena que decidiu por mantê-la intacta no filme.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulheres Marcantes e filmes sobre suas vidas

"A vida é um desdobramento e, quanto mais viajamos, mais verdade pode ser compreendida. Entender as coisas que estão na sua porta é a melhor preparação para entender aquelas que estão além dela."
Hipátia (355-415)



Como hoje é o Dia Internacional da Mulher, resolvi fazer este post em homenagem a elas. É um post tímido, confesso; a lista poderia ser muito maior, e eu poderia falar muito mais sobre estas grandes mulheres. Mas acredito que valha mesmo assim, seja para os homens que precisam aprender que uma mulher não se resume aos esteriótipos que a mídia enfia goela abaixo, seja para as mulheres que precisam de um pouco de inspiração e força em suas vidas.

Marylin Monroe
Norma Jeane Mortenson, mais conhecida como Marilyn Monroe, é talvez a atriz mais conhecida em todo o mundo e um ícone do show business no século XX. Uma mulher que teve uma infância difícil e trágica, e conseguiu se reinventar e alcançar o sonho de muitas mulheres. Fez filmes, arrebatou corações e até ficou amiga do presidente Kennedy (alguns dizem que foi muito mais). Embora Marilyn seja conhecida por seus atributos físicos (certamente era uma mulher linda), ela era muito mais do que isso.

Filme: A Verdadeira História de Marylin Monroe (Norma Jean and Marylin, no original)
Existem alguns filmes sobre a vida da Marylin Monroe, mas este eu acho particularmente bom porque dá uma visão interessante sobre a atriz, dividida em dois momentos, como Norma Jean (grafado errado) e como Marylin Monroe. A divisão é interessante por que coloca duas atrizes diferentes para encarnar cada uma delas: Ashley Judd é Norma Jean e Mira Sorvino é Marylin.





Anneliese Michel
Bem, esta é uma história bem triste, e fiquei pensando se colocaria aqui. Mas achei que a pobre Anneliese merecia esta homenagem. Ela é mais conhecida como a "Emily Rose", a menina que achava que estava possuída por demônios e morreu durante uma sessão de exorcismo. O caso ficou famoso por que os padres responsáveis pelo exorcismo foram condenados por negligência. Parece estranho citar um caso que inspirou um filme de terror, mas a vida de Anneliese é um ótimo exemplo do como o pensamento sobrenatural pode prejudicar uma pessoa que tem problemas.

Filme: Requiem
Este filme alemão é uma visão mais realista e apurada da história de Anneliese Michel, e ao invés de focar na parte sensacionalista (o exorcismo propriamente dito ou o julgamento dos padres), conta a vida da jovem e quando ela começou a ter tais problemas, até o momento em que ela decide passar pelo ritual de exorcismo. É um filme triste, muito triste mesmo, mas ao mesmo tempo muito bonito. Sandra Huller, atriz que interpretou Anneliese, ganhou prêmio por sua atuação (e merecido).





Jill Cornell Tarter
Não teria como não colocar alguma mulher da ciência nesta lista. Eu poderia, é claro, citar muitas outras (como Marie Curie), mas como o post é sobre mulheres que tem filmes sobre suas vidas, não dá para esquecer de Jill Cornell Tarter, astrônoma americana ganhadora de diversos prêmios e que hoje está com 69 anos. Suas maiores contribuições à astronomia estão na busca por vida extraterrestre.

Filme: Contato (Contact)
Bem, Contato não é um filme sobre a vida de Tarter, mas Carl Sagan declarou que a personagem do livro é profundamente inspirada na cientista e na busca de sua vida, a busca por contato com outras civilizações alienígenas.








Violeta Parra
Compositora, cantora, artista plástica e ceramista, Violeta Parra é uma importante folclorista e fundadora da música popular chilena. A vida de Violeta Parra foi calcada pela busca incessante em manter viva a cultura Chilena. Era uma mulher de personalidade forte, determinada, e com isso ela conseguiu colocar a música chilena no mapa mundial, chegando até a expor suas obras no Louvre. Uma mulher fantástica e com um legado impressionante.

Filme: Violeta foi para o Céu (Violeta se fue a los cielos, no original)
Neste filme bastante complexo, que vai e volta no tempo, ficamos conhecendo a complicada vida de Violeta Parra e sua visão de mundo. Seus relacionamentos, seu temperamento difícil e sua contribuição para a música chilena estão todos retratados neste filme muito bacana.




Hipátia de Alexandria
Filósofa neoplatônica, Astrônoma, Matemática e professora, Hipátia foi uma mulher extraordinária. Num mundo predominantemente masculino, ela se destacou como uma mulher respeitada. Num mundo onde a religião cristã estava dominando o mundo, ela foi ateia, contrariando inclusive os antigos (que era pagãos, mas acreditavam em deuses). Uma mulher que se envolveu com arte, religião, ciência e política, e foi assassinada provavelmente por conta deste conjunto de fatores.

Filme: Alexandria (Ágora, no original)
Este filme retrata a vida de Hipátia e sua relação com a época em que vivia, o fim do período Helenístico da Grécia Antiga e o advento e oficialização do cristianismo perante o Império Romano. Embora muitos critiquem o filme por ser "anticristão", é uma excelente história sobre fundamentalismo e uma boa representação (embora não exatamente fiel) do contexto histórico da época, e da influência que Hipátia teve em seu tempo.



Bem, sei que há muitas outras mulheres que poderiam ser citadas aqui (e vocês podem citar outras nos comentários). Mas espero que as vidas destas 5 mulheres seja uma inspiração para outras, para que continuem lutando e não se entreguem facilmente. Que busquem realizar seus sonhos e que, seja quem forem, sejam quem vocês quiserem.

Feliz Dia da Mulher!

segunda-feira, 4 de março de 2013

A morte – Na Ficção

“Morte é meio que como sexo no segundo grau. Se você soubesse quantas vezes quase aconteceu, ficaria perplexo”
Dead Like Me


Creio que posso dizer com segurança que, sem morte, não existiria o gênero de terror. Afinal de contas, o que é, em essência, o terror se não o medo instintivo da morte? Não só a morte é uma das bases das histórias de terror quanto o tema é explorado em suas mais diversas formas. Seja no assassinato, nas pessoas que insistem em deixar as coisas para trás, nas entidades que buscam vingança, nas criaturas vindas das profundezas ou nos mortos que retornam à vida, o conceito de morte já foi extensa e exaustivamente explorada na ficção, desde sempre. É por esta razão que, neste post, dando sequência à matéria anterior, vamos nos ater às histórias em que figuram a morte propriamente dita, sua personificação. Obviamente, não vai dar para abordar todas aqui (e vocês podem citar outras nos comentários), então fiz uma seleção das que considerei mais relevantes, diversificadas e/ou memoráveis.

As referências à morte personificada na literatura e poesia é, como se poderia imaginar, antigas. Há uma breve aparição de uma personificação feminina da morte em Rime of the Ancient Mariner, além do clássico Paraíso Perdido, de John Milton, em que Morte é um dos filhos de Satã. Partindo para a literatura “propriamente dita”, temos o ceifador como personagem importante de duas séries de fantasias distintas: Discworld e Incarnations of Immortality; além de Death and Dr Hornbrook, de Robert Burns, em que a Morte é um velho rabugento.

No cinema temos, em 1934, Death Takes a Holiday, filme que mostra a Morte tirando férias para conviver entre os humanos e as consequências desta decisão. Woody Allen colocou a morte personificada em seus filmes algumas vezes, como em A Última Noite de Boris Grushenko (1975) e Desconstruindo Harry (1997). Há também a versão macabra do ceifador em Os Espíritos, de Peter Jackson (1996) e, embora não apareça “em carne e osso”, a morte é o principal vilão da cinessérie “Premonição”. Além disso, a morte fez participação especial em diversos filmes ao longo das décadas, entre eles The Doors, de Oliver Stone (1991), O Último Grande Herói (1993), O Estranho Mundo de Jack, de Tim Burton e no filme do Monty Python O Sentido da Vida. Em Bill & Ted, Dois Loucos no Tempo (1991), os protagonistas vividos por Alex Winter e Keanu Reeves precisam enganar a morte para voltar á vida e salvar suas namoradas e o futuro. Mas o filme mais conhecido a retratar a personificação provavelmente seja O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman. Na história, um cavaleiro medieval volta para casa para encontrar apenas morte. Quando a própria morte vem buscá-lo, ele consegue propor um jogo de xadrez para ganhar tempo. Nesta versão, a morte é um ser humano com um manto negro.








Na TV, o personagem é participação recorrente em diversas séries: Em O Toque de um Anjo, ele é um anjo simpático; em Charmed, uma entidade neutra; em Supernatural, vemos o Grim Reaper; Em Medium a morte aparece como um homem comum. A morte também aparece em sequências de alucinação ou sonhos como em Nip/Tuck, Six Feet Under e Scrubs e como personagem em diversos episódios de Além da Imaginação, dos Simpsons e de South Park. Mas as versões lembradas com mais frequência atualmente provavelmente estão no desenho animado As Aventuras de Billy e Mandy, onde a morte (que visualmente é o típico ceifador) é o personagem principal que por vezes precisa lidar com as duas crianças, e em Dead Like Me, série de humor negro que retrata os ceifadores de forma diferente e bastante inusitada. O visual tradicional do ceifador é visto, no entanto, na sequência de abertura da série. Também não podemos esquecer da versão oriental da Morte, o Shinigami, retratado como o personagem Ryuk na animação Death Note, e das hilárias participações do ceifador em diversos episódios de Uma Família da Pesada.






Nos quadrinhos, a morte foi personificada de um sem número de formas diferentes. No Universo Marvel, é uma mulher, alvo do intenso amor de Thanos. Na DC, temos diversas versões: o Corredor Negro, que se assemelha ao Ankou da mitologia céltica, ou seja, ele não é a morte propriamente dita, e sim o seu “mensageiro”; o Black Flash, que é exclusivamente a morte dos velocistas da DC, por serem “rápidos demais para a morte” e Nekron, a personificação da morte vista recentemente na saga A Noite Mais Densa. Temos também o Juiz Morte, vilão das histórias do Juiz Dredd que, apesar de não ser uma personificação da morte no sentido essencialista, é uma criatura que pretende extinguir a vida na Terra, e a Dona Morte, personagem da Turma do Penadinho, de Maurício de Souza. Para finalizar, não podemos esquecer da versão da Morte criada por Neil Gaiman para o universo do personagem Sandman, retratada como uma pálida e dócil jovem com aspecto gótico.

Este foram alguns exemplos da morte como protagonista/antagonista ou personagem de histórias nas mais diversas mídias ao longo das eras. Se algum leitor lembrar de outros, citem nos comentários. Mês que vem falaremos sobre um filme que mistura filmes B, conspirações, alienígenas e...mensagens subliminares?


Curiosidades:
- The Rime of the Ancient Mariner, poema em que figura uma versão feminina da morte, é descrito por Bill Everett como inspiração para a criação do personagem Namor;
- Death Takes a Holiday teve uma refilmagem em 1998, o filme Encontro Marcado, com Brad Pitt e Antony Hopkins;

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sint (Saint)

“Cuidado ao abrir a porta esta noite.
Pode ser o maligno São Nicolau”



Amanhã é dia 5 de dezembro, e, se for lua cheia, é bom você tomar cuidado, pois São Nicolau pode estar por aí. Diz a lenda que, a cada 32 anos, quando o dia 5 de dezembro casa com a exibição de uma lua cheia no céu, São Nicolau surge para buscar você, não importa se é criança, adolescente ou adulto. Ele vem para pegar todos nós.


Não conhece essa lenda? Bem, eu me surpreenderia se você conhecesse, afinal esta lenda é parte da premissa do filme Sint (Saint, nos EUA), vindo dos países baixos e que conta uma história diferente da que conhecemos sobre o “bom velhinho” que entrega presentes para as crianças em dezembro.

Mas antes de falar sobre o filme, vale algumas considerações: Nos países baixos, comemora-se o que eles chamam de Sinterklass, celebração em homenagem a “São Nicolau” (Saint Nicholas), santo patrono das crianças, dos marinheiros e da cidade de Amsterdã. Esta é uma comemoração antiquíssima e – imagino que você já deve ter suspeitado – é uma das fontes que inspiraram a criação (especialmente o visual) do Papai Noel que conhecemos através da América (nos EUA, Santa Claus). Mas, ao invés do dia 25 de dezembro, que é o dia em que comemoramos o Natal, o Sinterklass é comemorado entre os dias 5 e 6 de dezembro, já que o dia 5 é o “Dia de Saint Nicholas”.

O Saint Nicholas holandês não é muito diferente do nosso Papai Noel, sendo considerado uma figura bondosa e que deixa presentes para as crianças. Mas a produtora de Amsterdã A-Film e o diretor Dick Maas trazem em Sint a “verdadeira” história de Saint Nicholas, que foi escondida da população, que até hoje pensa no personagem como uma figura bondosa. No filme, Saint Nicholas é um criminoso que lidera saques e mortes. Uma vila, cansada de seus abusos, decide queimar Saint Nicholas e seu comparsa até a morte. Isto aconteceu em 5 de dezembro de 1492, durante uma noite de lua cheia e, com o tempo, o incidente foi esquecido pela história e distorcido a ponto de a população hoje acreditar que dia 5 de dezembro se comemora o nascimento de Saint Nicholas, e que este era um santo homem que distribuia brinquedos para as crianças.

Mas o que pouquíssimas pessoas sabem é que Saint Nicholas retorna a cada 32 anos, sempre que o dia 5 de dezembro cai numa lua cheia, para a desforra, capturando e matando quem estiver em seu caminho, e esse pessoal vai ter que correr contra o tempo para convencer a polícia do problema, evitar mortes e vencer a maligna criatura. Tudo isso no dia em que diversas pessoas estarão fantasiadas de Saint Nicholas e seus ajudantes nas ruas, o que não ajuda em nada.


Sint é um dos filmes mais inusitados com o tema “Natal” (embora não seja, a rigor, sobre o Natal e o tipo de temática esteja longe de ser original) e, apesar de não ser um filme genial, é uma ótima diversão para quem não gosta de ver os mesmos filmes sobre Natal todo o ano (ou para quem, assim como eu, odeia Natal). Infelizmente, acho que não saiu por aqui, então se você tiver a fim de assistir, vai ter que procurar por outros canais que tenham o filme disponível.

Curiosidades:
- Na lenda de Saint Nicholas, seu ajudante é negro de pele. Em Sint, é explicado que que a cor negra não é por causa de sua etnia, e sim por conta dele ter sido queimado;

- O pôster do filme, exibido nas ruas das cidades causou polêmica por mostrar um Saint Nicholas cadavérico e macabro. Muitos pais reclamaram que as crianças que ainda acreditam em Saint Nicholas poderiam se confundir e ficar assustadas achando que aquele era o “verdadeiro”. O caso foi levado para a justiça, pedindo a remoção de todos os pôsteres; Dick Maas (o diretor do filme) argumento que, se os pais puderam fazer seus filhos acreditarem que SinterKlass existe, eles podem então informar suas crianças que o homem no pôster não é o “real” Sinterklass. A corte decidiu em favor do diretor, apontando também que o rosto macabro quase não era visível no pôster, encerrando o caso;

- A lenda verdadeira de São Nicolau conta a história de 3 moças que não poderiam se casar porque seu pai não tinha condições de pagar seus dotes, na época, indispensáveis. Assim, a sorte das moças estava lançada ao cruel destino de escravidão ou prostituição. São Nicolau, comovido com a situação, jogou três sacos de moedas de ouro pela chaminé da casa das moças. Os sacos caíram dentro das meias das moças que estavam secando junto ao fogo da lareira. Por essa razão, costuma-se dependurar meias nas lareiras das casas no dia 5 de dezembro à noite, véspera de São Nicolau, fazendo orações. Costuma-se também colocar sapatinhos na janela, para as crianças que não tem lareira. São Nicolau, durante a madrugada, enche de doces as meias ou os sapatinhos das crianças que se comportaram bem durante o ano. São Nicolau costuma andar acompanhado de Pedro Preto (Black Pete, Zwarte Piet, Svarte Petter), seu ajudante para verificar o comportamento das crianças e distribuir doces, pãezinhos de mel, bengalinhas coloridas de açúcar e moedas de chocolate envoltas em papel dourado.