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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Eles vivem

“Eles vivem. Nós dormimos” 


Não é de hoje que existe uma preocupação (ainda que, infelizmente, não venha acompanhada de alguma ação) sobre a possibilidade de nós, cidadãos comuns, estarmos sendo manipulados por algum pequeno grupo que se utiliza de técnicas escusas para controlar nosso comportamento, nossa mente e nos tornar robôs sem vontade própria. De fato, isso foi e ainda é tema de diversas histórias ao longo das eras. Não sei dizer quando este tipo de “paranoia” começou, mas talvez Francis Bacon e René Descartes tenham boa responsabilidade sobre isso. O primeiro sugeria que o ser humano reconhecia o mundo “filtrado” por vários aspectos da cultura e erros cognitivos, que nos impediam de ter uma real noção do que era a realidade. Já o segundo afirmou que sequer é possível dizer que conhecemos alguma realidade, já que não podemos dar certeza da existência de qualquer coisa além da nossa própria consciência.

São conceitos bem abstratos (e dependendo do ponto de vista, até absurdos) para quem conhece de forma superficial o pensamento destes dois filósofos. Mas a questão que permanece aqui é: como podemos saber que somo realmente livres, que tomamos as decisões por nós mesmos? Como podemos saber se não estamos sendo manipulados e tudo o que acreditamos não é uma mentira?

Não dá para dizer com certeza. E a abrangência cada vez maior do acesso à informação, que tanto nos liberta quanto nos aliena, apenas aumentam as dúvidas quanto à autonomia de nossa mente. Podemos pensar em diversas técnicas e maneiras supostamente usadas por quem quer que seja para manipular a sociedade, mas talvez a mais suja delas – se funcionar – seja a mensagem subliminar.

Para quem não sabe, mensagem subliminar é toda mensagem enviada por qualquer meio de comunicação que não é captada por nossa percepção consciente, mas que ainda assim é registrada no cérebro. Bem, até aí isso não é algo tão assustador, se pensarmos que grande parte (se não a maioria) dos dados que nossos sentidos recebem do mundo são subliminares (sons, cores, etc). O problema está quando os dados são mensagens inteligíveis para o cérebro que, quando as registra, pode acabar obedecendo estas mensagens, acreditando ser vontade da própria mente.

Existem evidências científicas de que nosso cérebro percebe e assimila mensagens subliminares, mas até hoje não foram encontradas evidências que demonstrem que elas de fato influenciam o ser humano e suas atitudes. De qualquer maneira, o ponto não é técnico, mas ético: funcionando ou não, o uso de mensagens subliminares já serve como uma tática baixa e desprezível por si só. Mas independente da eficiência das mensagens subliminares, é fato que boa parte dos países possuem legislação contra essa prática (no Brasil, no entanto, não há lei que regulamente o uso de mensagens subliminares, até onde eu sei) e diversas empresas ao longo das décadas foram acusadas, condenadas e multadas por propagandas contendo mensagens subliminares.

Agora imagine um mundo onde a mídia manipula as pessoas através das mensagens subliminares. Onde cada outdoor, cada comercial de TV, cada propaganda de rádio exibe, nas entrelinhas, mensagens que nosso cérebro assimila inconscientemente e que definem nossas atitudes e nos tornam robôs a serviço de uma pequena casta de seres acima da lei que controla tudo. Não é muito difícil imaginar isso, principalmente nos dias de hoje, onde temos protestos como os movimentos Ocuppy, e onde pesquisas científicas demonstram que todo o poder econômico mundial está concentrado em algumas poucas centenas de empresas multimilionárias. Mas fico pensando o quando essa perspectiva pareceria ficção científica há 30 anos atrás, algo fora da realidade e absurdo (assim como as teorias de Bacon e Descartes), pelo menos para o cidadão comum.




As histórias de terror, assim como qualquer gênero narrativo – e também qualquer forma de arte – acaba, inevitavelmente, como um reflexo de um contexto histórico. Muitas vezes este contexto permanece atemporal, mas outras vezes o conteúdo da narrativa torna o filme datado. Não é tão comum, no entanto, que uma obra passe a se tornar cada vez mais relevante com o passar do tempo. Para mim, este é exatamente o caso do filme “Eles Vivem”.

Dirigido por John Carpenter, “Eles Vivem” mistura crítica política e social com teorias de conspiração e estética de filmes B dos anos 50 para contar a história de John Nada, um trabalhador pobre que chega a Los Angeles e encontra trabalho num edifício em construção. Durante uma estranha operação repressiva, a polícia destrói um quarteirão inteiro do bairro miserável em que vive. Na confusão, Nada encontra óculos escuros aparentemente comuns, mas ao usá-los consegue enxergar horrendas criaturas alienígenas disfarçadas de seres humanos, bem como as mensagens subliminares que elas transmitem através da mídia em geral. Nada percebe que os invasores já estão controlando o planeta e, juntamente com seu companheiro de trabalho Frank, decide se engajar no movimento de resistência, que é perseguido como subversivo pela polícia.


Quem nunca ouviu falar de “Eles Vivem” pode ler a sinopse acima e pensar que é um filme atual, mas a película foi lançada no ano de 1988, ou seja, há cerca de 25 anos atrás. Compreensivelmente, o filme amargou baixa bilheteria e não foi muito entendido pelo público da época. Mas é impressionante como o filme se encaixa perfeitamente no contexto da sociedade atual, de consumo desenfreado, manipulação midiática e turbulência econômica. É claro que os efeitos especiais hoje estão bastante datados (até porque o filme também é uma homenagem aos filmes da década de 40/50) e a estrutura narrativa do John Carpenter, a exemplo de outro filme de terror oitentista, Criaturas Atrás das Paredes (de Wes Craven), é bem diferente da linearidade às vezes maçante e do ritmo enlatado dos dias de hoje. Mas é um filme altamente recomendado, tanto para os amantes do gênero de terror quanto para aqueles que gostam de algumas doses de crítica social.


No mês que vem, um tema de ficção científica bem interessante do qual já falamos no blog algumas vezes (teve até podcast sobre), mas que pode não ser exatamente "ficção".

Curiosidades:
- O filme é escrito e dirigido por John Carpenter, mas nos créditos do filme ele assinou com o pseudônimo de Frank Armitage;
- John Carpenter retirou o personagem John Nada da HQ Alien Encounters;
- A briga entre Nada e Frank no filme deveria ter apenas 20 segundos, mas os próprios atores decidiram por brigar de verdade quando fizessem a cena, evitando apenas socos nos rostos. John Carpenter ficou tão impressionado com a cena que decidiu por mantê-la intacta no filme.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Por que as pessoas acreditam em Teorias de Conspiração?

"Talvez eu e meu corpo formemos uma conspiração pelas costas de minha própria mente."
Friedrich Nietzsche
Quando eu era criança, estudava em uma pequena escola no meu bairro (comentei isso por alto no Podcast sobre os tempos de escola). Os fundos da escola faziam divisa com um terreno baldio e, por estar assim há bastante tempo, coberto por muito mato, sujeira largada por lá e animais peçonhentos (e provavelmente alguns humanos peçonhentos também). Era muito fácil para nós, alunos, pular dos fundos da escola para o terreno baldio e isso era um problema para as professoras. Até que um dia um grande buraco apareceu “da noite para o dia” no meio do terreno. Ninguém sabia exatamente o que era aquilo e o que havia acontecido. Em algum momento, surgiu o boato de que coisas estranhas aconteciam naquele buraco, como fumaça saindo do fundo, coisas luminosas rodando o lugar e até espíritos de uma mulher carregando um bebê pipocaram pela escola que, por ser pequena, teve estes rumores espalhados de forma absurdamente rápida. Até as professoras confirmaram terem visto algumas das coisas que se diziam ter visto por lá.

A coisa tomou uma proporção tão grande que os alunos ficaram assustados de verdade, o que obrigou as professoras a abrirem o jogo: foi tudo um boato inventado por uma delas, de forma automática e inocente, a fim de evitar que as crianças continuassem indo para o terreno baldio (e consequentemente, arriscassem se ferir). É claro que ninguém acreditou na história; todo mundo estava convencido de que os rumores sobre o buraco era verdade, e que as professoras estavam apenas querendo abafar a situação. Até que, um dia, o buraco foi fechado. Assim, sem mais nem menos. E, após alguma especulações durante um tempo, eventualmente quase todo mundo esqueceu da história (ou, se não esqueceu, pelo menos parou de levar tanto a sério).

É claro que as professoras não esperavam um simples comentário para tentar inibir as crianças de ir para o terreno baldio fosse tomar proporções tão absurdas. Mas este é um bom exemplo do que acontece quando as pessoas são facilmente impressionáveis e possuem a tendência a acreditar em qualquer coisa. É claro que aqui estamos falando de crianças, que logo deixarão estas ideias de lado. Mas e quando acontece com adultos?

Isto vai de encontro a teorias a respeito de como surgem as superstições, que evocam experimentos feitos por B.F Skinner com pombos nos anos 30, onde um pombo dentro de uma caixa, ao ficar desesperado e com fome, bicou sem querer um botão, e assim recebeu comida. Mais umas duas vezes fazendo o mesmo, ele passou a “pensar” que toda a vez que o botão fosse bicado, ele receberia comida. Mas o mais interessante é que, mesmo quando ele não recebia comida, continuava bicando o botão mesmo assim. Isso nos dá uma boa base do pensamento supersticioso e nos ajuda a entender um pouco sobre como funciona nossa mente. Mas o que superstição tem a ver com teorias de conspiração? Bem, na verdade, tudo.

Nós, seres humanos, costumamos nos ver como diferentes dos animais, estando inclusive num patamar “superior” a estes por sermos “inteligentes”. Bem, isso tudo é muito bonito, romântico, até, mas com nosso conhecimento atual este pensamento não se sustenta. Embora tenhamos características que nos diferenciem de outras espécies animais somos, na verdade, regidos pelos mesmos instintos biológicos básicos de qualquer criatura viva, sendo a principal delas a sobrevivência. Herdamos isso dos nossos ancestrais primitivos e nossa própria sociedade, por mais complexa que seja, ainda é criada considerando estas leis biológicas.

Na selva, diferente de nossa sociedade (supostamente) mais segura, não dá tempo para analisar cada situação particular. Parar para pensar, num cenário onde você está constantemente em perigo de ser atacado por um predador (ou que, sendo predador, você está constantemente sob a ameaça de não encontrar uma presa e passar fome), não é só perigoso; é burrice.

Para garantir rapidez de julgamento num mundo onde perder tempo pode ser fatal, os animais desenvolveram a capacidade de criar padrões que permitem identificar facilmente um perigo ou uma oportunidade. Por exemplo: algo se mexendo nos arbustos é sempre um perigo (mesmo que não seja, pense: é muito melhor achar que é um predador e não ser do que achar que não é nada e ser devorado), um reflexo de água, uma oportunidade. Foi assim que sobrevivemos e chegamos até aqui. Mas, como todo modelo evolutivo, este também tem seu lado ruim; um padrão criado a partir de uma falha de julgamento pode levar um animal a discernir um perigo ou uma oportunidade de forma errada e, assim, aquilo que servia para ajudar a mantê-lo vivo pode prejudicá-lo - e às vezes até matá-lo.

Em nossa sociedade complexa*, este “software criador de padrões” que temos em nosso cérebro também pode tanto nos ajudar quanto nos prejudicar. O que parece ser um vulto pode ser um intruso querendo roubar nossa casa... Ou pode não ser nada. É benéfico se ajudar você a tomar cuidado, mas pode prejudicar (seu bolso, principalmente) se você decidir que o vulto é um fantasma e pagar alguém para “exorcizar” sua casa**.

Este tipo de comportamento, embora não pareça, é semelhante à crença em teorias de conspiração. Psicólogos comportamentais e estudiosos do tema já conhecem este tipo de comportamento há um tempo. Nós, seres humanos, temos uma obsessão profunda (e provavelmente evolutiva) por dar sentido às coisas. Tudo tem que ter um sentido (dentro da nossa capacidade de compreensão). O problema é que nosso mundo não é tão simples assim. E, num mundo complexo que frequentemente não faz sentido (dentro de nossa concepção de sentido), tanto a superstição quanto a teoria de conspiração surgem como formas de “resumir” o mundo, de dar significado a ele e de simplificá-lo. É claro que no mundo dominado pela tecnologia de hoje, e onde provamos que tantas coisas, antigamente consideradas sobrenaturais, eram muito naturais e até mundanas, a superstição começa a ser deixada de lado. Mas nosso “software criador de padrões” e nossa obsessão por significados continua firme e forte, e acaba apenas trocando o foco e sendo atraído para outro caminho: o das teorias de conspiração.

Mas por que teorias de conspiração? Por que não outra coisa? Bem, por diversos motivos, dos quais posso elencar alguns. Mas primeiro, é preciso diferenciar os termos: Conspiração = reunião secreta de indivíduos com intenção de prejudicar/tirar vantagem de alguém ou muitos. Dentro desse prisma, conspiração é algo real, que aconteceu e acontece a todo momento. Já a “teoria de conspiração” se refere às hipóteses de possíveis conspirações existentes. O termo hoje em dia está bastante relacionado a conceitos como OVNIS e sociedades secretas, mas existem teorias de conspiração de todos os tipos, desde alegações de que celebridades não morreram até a ida à lua ter sido uma farsa, passando por hipóteses sobre 11 de setembro e a morte de Bin Laden.

Em todas estas (e outras) teorias de conspiração, temos os mesmos padrões: Partem de um pressuposto real (como, por exemplo, o incidente em Roswell), o que ajuda a dar verossimilhança para a história, envolvem um cronograma sinistro (que, não raro, é associado ao futuro/destruição da humanidade) que ajuda no caráter narrativo para despertar o interesse (quem não está interessado numa história de mistério sobre o futuro da humanidade?) e por último, mas não menos importante, possuem lacunas que podem ser rápida e facilmente preenchidas e que não podem ser verificadas*** em caso de contestação da teoria. Assim, acaba sendo virtualmente impossível ter provas incontestáveis de que uma teoria de conspiração é falsa, quando as evidências podem ser refutadas ou ignoradas simplesmente com a alegação de que são “manipuladas”, “fabricadas” ou “fazem parte do plano de desinformação para pensarmos que a conspiração não é real”. Na verdade, se trata de uma versão mais complexa do experimento com o pombo que eu citei no começo: Se, numa situação hipotética, outro pombo fosse colocado ali e pudesse perguntar por que o primeiro está bicando o botão quando não é sempre que a comida aparece, este provavelmente teria uma “desculpa” para manter a superstição: Ou não teria bicado forte o suficiente, ou não teria bicado no ponto certeiro do botão, ou ele precisa bicar e ciscar ao mesmo tempo. Enfim, explicações surgiriam eventualmente para justificar a crendice ao invés de simplesmente admitir suas falhas.

É claro que parece sacanagem dizer que teorias de conspiração servem para simplificar o mundo quando muitas delas são intrincadamente complexas. Mas a chave da teoria de conspiração não é sua complexidade (os mitos de muitas civilizações antigas também possuíam um nível de complexidade interessantíssimo; mas ainda assim continuavam sendoexplicações mais compreensíveis da realidade), mas sim o fato de que eles possuem sentido para o público leigo (por isso é fácil para alguém que não entende de física espacial aceitar que uma bandeira não tremularia no vácuo do espaço e, portanto, a bandeira americana supostamente tremulando na lua seria uma prova de que a viagem foi forjada, pois esta é uma explicação simples, que parece fazer muito sentido). Para quem não acredita, pode parecer estranho, mas faz mais sentido imaginar que um jovem doutorando em neurociência tenha sido manipulado para matar diversas pessoas no cinema do que um jovem simplesmente enlouquecer e resolver atirar em um monte de gente achando que é o Coringa. O mundo é aleatório demais para ter o sentido que queremos e, por vezes, também é decepcionante demais. É difícil suportar um mundo onde centenas de vítimas morrem em um tsunami que não discrimina justos de injustos, mocinhos de bandidos. É complicado admitir que não houve um grande plano maligno ou um teste de uma arma secreta, e que foi simplesmente uma tragédia caótica, aléatória, e o que é pior: inevitável. Assim, atribuir tais coisas a teorias de conspiração nos ajuda, não só a dar sentido, mas a digerir um mundo que por vezes é bastante difícil de engolir.


Mas afinal, é ruim acreditar em teorias de conspiração? Não necessariamente. De fato, às vezes pode até ser divertido. Quem lê o Uarévaa sabe que eu sou grande apreciador da teoria dos Deuses Astronautas. Também gosto de pensar que Elvis e Jim Morrison não morreram e que Marylin Monroe foi assassinada porque tinha um caso com o presidente. E, quem sabe uma dessas teorias que pipocam por aí não é verdade? (honestamente, adoraria descobrir que os tais OVNIS são mesmo naves pilotadas por alienígenas. Seria, de longe, o maior acontecimento da história da humanidade). Conspirações mais estranhas já ocorreram de verdade (como o Estudo da Sífilis não Tratada de Tuskegee) e nunca poderemos ter certeza absoluta da inveracidade de muitas das teorias populares que persistem até hoje.

Acreditar em teorias da conspiração, é claro, fica a cargo de cada um. O objetivo deste texto não é definir o que é e o que não é passivo de ser levado como verdade (até porque, quem sou eu para julgar?), e sim apenas esclarecer o tema à luz de estudos vigentes e do conhecimento atual que existe sobre o assunto. Mas é importante termos ciência da facilidade com que temos de enganar a nós mesmos, pois enquanto muitas vezes uma crença numa teoria de conspiração pode ser inofensiva, em outras pode acabar se tornando um problema e prejudicar a nossa vida e das pessoas ao nosso redor. Acreditem, já vi este tipo de paranoia acontecer com pessoas do meu convívio pessoal (é claro que potencializados pelo uso de drogas, mas enfim) e que hoje... Bem, essa é uma longa história e com certeza dará uma ótima teoria de conspiração para contar aos meus filhos futuramente. Mas fica para outra hora.



*Eu evito chamar nossa sociedade de avançada porque, convenhamos...
**É claro que aqui não entro no mérito, por exemplo, daexistência de coisas como espíritos; para efeitos de argumentação, parto do princípio que é uma dessas duas coisas: um intruso, ou um engano da mente.
***Existe uma falácia lógica relacionada, chamada “deus das lacunas”, mas eu não vou entrar em detalhes porque o texto já ficou extenso demais – mas este e qualquer dos assuntos e estudos comentadas neste texto podem ser encontradas em uma pesquisa na internet de forma relativamente fácil.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Podcast Uarévaa #31 - CONSPIRAÇÕES



NÃO CONFIE EM NINGUÉM!

Nesse pod, Marcelo, Rafael, Zenon e Moura, o Illuminati do Uarévaa, conversam sobre as conspirações e teorias mais legais e mais bizzarras.

E o Momento Uarévaa, com Zenon, Alex Matos e Shazam, ficou "altamente religioso" sem a presença do Freud (Bwahahaha). IMPERDÍVEL!!



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Comentado no Podcast

Michael Jackson não morreu, virou a Latoya Jackson!


"A verdade" sobre a Gripe Suína:



Saiba como diferenciar uma vaca normal de uma vaca louca aqui.

Mensagem subliminar na música da Xuxa:



Zeitgeist: conspirações sobre Jesus, 11 de setembro e a economia americana:


Vejam algumas das fotos de fadas que enganaram todos por 100 anos:



E veja a letra desta música gaúcha e tente cantar junto!


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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Podcast Uarévaa #18 - ALIENÍGENAS


BUSQUEM CONHECIMENTO!!

Nesse pod, Zenon, Rafael, Marcelo, Vini e Freud falam sobre vida fora da Terra, aparições, sondas anais e estranhos círculos nas plantações.

Confira logo antes que os Homens de Preto apaguem essa porra!!



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Comentado no Podcast

- Thyago, diz pra mim, assim... O QUE É VIDA?




- QUAL SUA MENSAGEM PARA A TERRA, BILU?




Confira tambem o VLOG do Bilu, rs... AQUI e AQUI


- ZORAIDE, NÃO DESLIGUE O TELEFONE!!




- Alex Collier expõe raças alíenigenas: AQUI


- Confira o blog ÁREA 51


- Vídeo sobre Alienígenas Ancestrais: AQUI


- Saiba como evitar ser abduzido: AQUI


- E comentado no Momento Uarévaa, o  Post do Rafael sobre os partidos políticos brasileiros: AQUI


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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Os Arquivos X – A Verdade

“Eu quero acreditar”





Tema Macabro




A nona temporada trouxe o fim da série que, durante quase toda a década de 90 marcou seus fãs e inspirou livros, filmes HQs e outras séries de TV. O episódio final, exibido originalmente com duas horas de duração (e nas reprises dividido como um episódio duplo) foi chamado, convenientemente de “A verdade” e trouxe de volta David Duchovny como Fox Mulder, que esteve ausente durante toda a temporada. Na história, Mulder está próximo de descobrir a verdade, mas ao invadir uma instalação militar, acaba levando um soldado à morte. Na verdade, este era um “supersoldado” e por esta razão não havia morrido de verdade, mas foi a desculpa que o exército precisava para encarcerar Mulder de vez. O ex-agente vai a julgamento em um tribunal militar, e aí temos a “desculpa” necessária para relembrar tudo o que foi visto da série até então e ligar os pontos, chegando finalmente à verdade tão procurada por Mulder.



Apesar da nona temporada ter sido bem abaixo das outras em termos de qualidade, o último episódio, pelo menos para mim, representou de forma satisfatória o encerramento da história dos agentes Fox Mulder e Dana Scully, conseguindo trazer virtualmente todos os personagens que tiveram importância na série de volta (mesmo os que morreram – que no caso é a maioria), explicaram toda a conspiração, ligaram todos os pontos (de forma até didática, mas creio que era necessário), conseguiram vincular à “nova” mitologia que havia sido criada nas últimas temporadas e ainda deu um gostinho de que a história não termina exatamente ali, como todo bom episódio da série. Era o fim do Arquivo X na TV, mas não o fim definitivo.

Em 2008 foi lançado nos cinemas Arquivo X – Eu quero Acreditar (The X-files: I Want to Believe). 10 anos após o primeiro filme (e 6 após o final da série), a história se passa um bom tempo depois do final da série e mostra Mulder e Scully tendo que ajudar dois agentes do FBI que estão às voltas com uma série de desaparecimentos de mulheres e as únicas pistas disponíveis vem das visões de um padre pedófilo (é sério).

Apesar do filme se passar dentro da cronologia “oficial” da série, a narrativa segue o formato “monstro da semana”, mostrando uma história que não tem nada a ver com a mitologia relacionada à alienígenas e conspirações governamentais que foi o grande foco da série e do primeiro filme. Arquivo X – Eu quero Acreditar não rendeu o esperado nas bilheterias, embora tenha sido considerado um bom episódio “monstro da semana” transposto para o cinema. Mas o ritmo característico dos primeiros anos da série talvez tenham se provado inadequados para o público de hoje.



O impacto de Arquivo X trouxe duas outras contribuições para a TV: Millennium, que apesar de não ter relação com a série (mesmo depois tendo sido integrada no mesmo universo na sétima temporada, com o episódio “Millennium”), só foi aceita pelo estúdio em decorrência do sucesso de Arquivo X. Um spin-off (série derivada de outra série) também foi lançado, The Lone Gunmen (os Pistoleiros Solitários), protagonizada pelo trio de nerd teóricos de conspiração que ajudaram Mulder e Scully durante toda série. Com um tom mais leve e humorístico e histórias inteligentes, Carter tentava levar os personagens para uma direção menos sombria, como já havia feito em dois episódios de Arquivo X. Infelizmente a série não caiu nas graças do público americano e só durou meia temporada (13 episódios).



Arquivo X pode ter chegado ao fim em 2002, mas para os fãs, continua mais viva do que nunca como uma das séries mais surpreendentes, assustadoras e interessantes já produzidas.


Na próxima Madrugada:
Um personagem que está na vanguarda de dois gêneros dentro dos quadrinhos brasileiros: As histórias de super-herói e as histórias de terror. Na próxima semana vamos conhecer O Garra Cinzenta.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Os Arquivos X – Recomeços

“Acredite para Entender”




Tema Macabro




Quando a quinta temporada acabou, Arquivo X estava no auge de sua popularidade, prova disso foi Arquivo X – O Filme (The X-files: Fight the Future no original). A produção, que foi levada aos cinemas em 1998, buscou trazer ainda mais fãs para o fenômeno que estava sendo a série. Por conta disso, a película deixou de lado a maior parte das complexas relações conspiratórias entre os personagens da série e se ateve a uma história mais simples, que envolvia a tal conspiração do governo, mas feito de forma a ser bem mais acessível para quem nunca tivesse assistido à série. Logo, o longa deixou de lado muitos dos eventos acontecidos no final da temporada anterior, pegando como gancho apenas o fato dos Arquivos X terem sido fechados e os relatórios destruídos.



Embora o filme tenha dado boa bilheteria e agradado aos fãs, a maioria concorda que a transição para o cinema ficou sendo considerado mais como um episódio duplo (como era comum na série, principalmente em inícios e encerramentos de temporada) do que propriamente um filme. E muitos episódios duplos da própria série foram bem melhores.



Após o filme, seguiu-se a Sexta Temporada da série, que começou ligando os eventos do final da quinta temporada com os elementos adicionados pelo longa-metragem, conseguindo manter a qualidade que a série apresentou ao longo dos anos. Foi nesta temporada que tudo o que precisava ser mostrado foi finalmente revelado: O porquê da conspiração, quem estava envolvido, como aconteceu e tudo o mais. A temporada terminou com novas descobertas, que permitiriam à série seguir adiante, mesmo com as principais respostas da série terem sido dadas.



A Sétima Temporada levou a série mais uma vez a uma nova direção. Com a conspiração desbaratada e alguns remanescentes tentando sobreviver, Mulder e Scully ainda encontram motivos para continuar suas buscas pela verdade que está lá fora. A relação entre Mulder e Scully estava cada vez mais íntima e neste período o ator David Duchovny, que interpretava o agente Mulder, decide sair da série, que ainda obtinha muita audiência, levando Chris Carter a buscar a mesma solução encontrada na segunda temporada para o sumiço de Dana Scully. Então, ao final da temporada, Fox Mulder é levado por um disco voador. Além disso, tivemos um desfecho para a história da irmã de Mulder, que misturou a mitologia da série com elementos metafísicos e religiosos, trazendo uma história que dividiu os fãs: Uns consideraram muito satisfatório, outros decepcionante.



Sem um dos atores principais, que só apareceria em alguns episódios desta nova temporada e, no caso de outras ele provavelmente estaria fora, Chris Carter começou a trabalhar na hipótese de continuar o Arquivo X sem a presença de seus protagonistas, levando a série adiante com novos agentes que substituiriam Mulder e Scully. Neste cenário surge então, na Oitava Temporada, os agentes John Doggett (Robert Patrick) e Monica Reyes (Annabeth Gish), que passam a liderar os Arquivos X, novamente reabertos, sendo ajudados eventualmente por Dana Scully, agora grávida – de quem eventualmente se deduz ser Mulder, embora possa ser um híbrido, longa história – e mais preocupada em encontrar seu parceiro – e que agora era muito mais. Esta temporada também contou com grande audiência. O episódio que traz o retorno de Fox Mulder teve alto índice de audiência e foi muito bem recebida por críticos e fãs. A história contou com o surgimento de uma “nova” mitologia, baseada na mitologia anterior, mas muito mais voltada à ficção científica e sem tanto aquela aura de mistério que permeava as primeiras temporadas da série, embora um dos grandes mistérios da temporada fosse a origem do bebê de Scully (que pode ser o messias que enfrentará os alienígenas, ou o destruidor da humanidade – infelizmente, vou evitar detalhes da história para que o texto não fique muito extenso).



A Nona Temporada foi a última da série e deu sequência aos eventos da temporada anterior. Agora totalmente sem Duchovny (que só apareceria no último episódio), a série tentava se manter com novas conspirações e os novos agentes, tirando gradualmente a personagem Scully de campo para acostumar os fãs aos novos protagonistas. Feliz ou infelizmente, a tática não deu muito certo e a nona temporada contou com baixíssimos índices de audiência que obrigaram a emissora a cancelar o programa. Felizmente, a FOX permitiu à série que tivesse uma temporada completa, a fim de poder fechar todas as pontas soltas e dar um final digno à história.





Curiosidades:
- A sexta temporada conta com um ótima episódio que se passa em dois períodos de tempo diferentes e se sustenta da técnica "one take", onde sequências longas e diversos acontecimentos são filmados com apenas uma tomada, como na clássica cena do corredor do filme Old Boy;
- A sétima temporada conta com um episódio “crossover” entre Arquivo X e outra série de Chris Carter, Millennium. O episódio tentou ser um desfecho para a série, que havia sido cancelada prematuramente, mas no fim acabo chamando atenção por trazer o primeiro beijo entre Mulder e Scully;
- Robert Patrick é famoso pelo seu papel como Robô T-1000 do filme “Exterminador do Futuro 2”;
- Os dois primeiros episódios da nona temporada contaram com a participação de Lucy “Xena” Lawless.



Na Próxima Madrugada:
Toda história tem um fim. Na próxima semana, Os arquivos X – A Verdade.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Os arquivos X – Trajetória

“Não confie em ninguém”










Tema Macabro









Embora seja considerada uma série Sci-fi, Arquivo X flertava com uma diversidade de gêneros, sendo o terror um dos principais gêneros abordados, junto com a própria ficção científica. Talvez por isso a série tenha sido um fenômeno tão grande durante a década em que foi lançada. Embora muitas séries depois tentarem seguir os mesmos passos na tentativa de repetir o sucesso de Arquivo X, apenas Lost conseguiu ser um fenômeno tão grande quanto (mas vale lembrar que Arquivo X é de uma época em que a Internet estava em seu início e não contava com o apelo de hoje).





Mas o caminho para o sucesso não aconteceu da noite para o dia. De fato, a Primeira Temporada da série não foi lá tão bem de audiência assim, principalmente devido aos seus temas obscuros e os finais de episódios que nunca ofereciam uma solução para o que havia sido apresentado. Com muita insistência, Chris Carter conseguiu convencer o estúdio a investir numa segunda temporada, mas não sem ter que enfrentar diversos problemas para manter a história funcionando.



O principal desses problemas, no entanto, não eram possíveis furos de roteiros, linearidade da história ou pressão dos executivos por histórias mais “acessíveis”, e sim um dos protagonistas. Gillian Anderson, que interpretava a agente Dana Scully ficara grávida, o que impediria sua aparição durante grande parte da segunda temporada. Como fazer a série funcionar sem uma das protagonistas principais? A Fox queria que Carter colocasse outros atores para interpetar os personagens, mas o criador se recusou. A resposta para Chris Carter então foi fazer disso parte da história, e assim a Segunda Temporada de Arquivo X se iniciou com um episódio duplo que trouxe novos mistérios e acarretou no desaparecimento de Scully, que só retornou no oitavo episódio da temporada. Este evento mudou completamente o rumo da série, e permitiu que ela continuasse por muito tempo. Agora, Scully não era mais antagonista de Mulder, e sim sua aliada. Apesar de continuar com seu ceticismo, a agente agora se tornara mais próxima de Mulder, e mais simpática com a causa do parceiro.







A Terceira Temporada consegue expandir consideravelmente a mitologia da série. Agora já estabelecida entre o público e ganhando as graças do estúdio, era possível soltar mais e mais mistérios que seriam deixados para serem explicados adiante, mas também havia a vantagem de um maior orçamento, que possibilitou também explicações (ou o mais próximo disso que a série se permitira) e aparições mais “explícitas” dos aliens. A conspiração se torna cada vez mais complexa, colocando inclusive o pai de Mulder como parte fundamental dela. Além disso, o envolvimento do governo americano na conspiração e no encobrimento da verdade sobre os discos voadores se torna cada vez mais evidente.







Enquanto a terceira temporada foca-se nas conspirações, a Quarta Temporada se torna mais dramática quando a história explora uma forma de câncer desenvolvido por Scully, provavelmente em decorrência de sua abdução na segunda temporada. Isso leva Mulder perto do limite, na busca desesperada pela cura para sua parceira, enquanto se depara com mais conspiração, o óleo negro (suposta substância alienígena que dominava as pessoas) e sua irmã desaparecida (que se provaram, mais tarde sendo farsas).







Mas uma grande – e surpreendente – reviravolta faz da Quinta Temporada uma das mais inesperadas de todas. Após conseguir curar sua parceira, Mulder se envolve num caso que deveria finalmente provar a existência de vida extraterrestre, mas a conclusão do caso é justamente o oposto: Agora Mulder tinha provas irrefutáveis de que, de fato, não existiam alienígenas. Tudo o que Mulder buscava não passava de um engodo, propositadamente perpetrado pelo governo para encobrir suas atividades escusas e antiéticas. Discos voadores, a abdução de Scully, os aliens greys e tudo o mais, nada disso era de outro planeta. Eram tudo parte de experimentos secretos governamentais. Tal descoberta levou Mulder a uma outra direção, passando de crente a totalmente cético com relação ao fenômeno OVNI. Obviamente, suas crenças voltam à tona quando outras investigações colocando em cheque suas descobertas recentes. Um garoto, jovem jogador de xadrez e que pode ler mentes pode ser a chave para tudo aquilo que Mulder sempre buscou, e muito mais. Esta temporada marca um ponto importante na série, pois termina com a desativação dos arquivos X (que já havia acontecido outras vezes na série) e a completa destruição de todos os arquivos até agora reportados pelos agentes.







A fim da quinta temporada leva diretamente à Arquivo X – O Filme, que foi lançado nos cinemas no verão americano, entre a quinta e a sexta temporada.



Curiosidades:

- O Político Richard Matheson, “amigo” de Mulder que apareceu na segunda temporada é uma homenagem ao autor homônimo;

- Um dos episódios da terceira temporada conta com a aparição de um jovem ator chamado Jack Black;

- Um episódio da quarta temporada, que conta a “origem” do Canceroso é inspirada na HQ Lex Luthor: Uma Biografia Não-Autorizada;

- Um dos episódios da quinta temporada é escrito por Stephen King, e coloca uma curiosa situação de inversão de papéis, onde Mulder é o cético e Scully a crente.




Na próxima Madrugada:

Nem sempre o fim encerra alguma coisa. Muitas vezes, ele é o começo de outra. Na próxima semana, Os Arquivos X – Recomeços.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Os Arquivos X – Início

“A verdade está lá fora”





Tema Macabro




Eu sinceramente não sei o que seria do terror sem o insólito. Talvez o gênero se tornasse apenas um subgênero das histórias policiais, ou uma versão mais explícita das narrativas noir. Mas é possível que talvez nem existisse tal é, penso eu, a importância dos elementos fantásticos para este tipo de história. Se o terror basicamente “sobrevive” em grande parte por conta disso, o que dizer de uma série que procura englobar tudo o que é considerado incomum, sobrenatural ou misterioso?

Tendo estreado em 1993, a série The X-files (Arquivo X, como ficou conhecida no Brasil) foi criada por Chris Carter e é lembrada hoje por ter sido um sucesso absoluto de público e crítica, tendo gerado 2 longas metragens, uma série relacionada e um spin-off, além de paródias diversas e frases de efeito lembradas até hoje.

A série conta a história de Fox Mulder, agente do FBI marcado por um grande trauma de infância: O desaparecimento de sua irmã, Samantha que, como ele lembra, foi levada por uma misteriosa luz que mais tarde ele atribuiu como parte de um fenômeno de abdução alienígena. Agora adulto, Mulder conseguiu ser designado para os Arquivos X, uma divisão da agência que reportava casos inexplicáveis, muitas vezes ligado ao paranormal e/ou sobrenatural. Mulder foi levado para este departamento porque era considerado um embaraço para o FBI, sendo apelidado de “Mulder, o estranho”, por sua fascinação com temas como discos voadores. Por conta disso, Dana Scully, outra agente que tinha maior inclinação para a medicina, foi designada para os Arquivos X para contrariar Mulder pois, como cética cientista, seu trabalho era contestar as teorias malucas do agente e encontrar soluções mais realistas e explicações científicas para os casos.



Um dos principais méritos da série foi o seu formato. Apesar de contar com uma linha cronológica coesa (que foi chamada de “mitologia da série”) que envolvia a investigação de casos relacionados à discos voadores e conspirações governamentais que supostamente tentavam encobrir sua existência, a série trazia diversos episódios isolados que, apesar de fazerem parte da cronologia da série, envolviam outros tipos de elementos fantásticos, como fantasmas, criaturas mitológicas, demônios, experiências secretas, entre outros e ajudaram a série a se consolidar, uma vez que tais episódios podiam ser vistos sem grande conhecimento da mitologia da série. Estes episódios foram chamados de “monstro da semana”.

Além dos protagonistas, a série contou com diversos personagens coadjuvantes que ajudaram a enriquecer a série e a manter o espírito conspiratório e sobrenatural das tramas. Entre os coadjuvantes mais lembrados estão o agente Skinner (superior de Mulder e Scully), os Pistoleiros Solitários (um trio de nerds teóricos de conspiração que sempre ajudavam os agentes) e do lado dos “vilões” podemos citar o mais proeminente deles, que por muito tempo foi chamado apenas de “O Canceroso”.



Com temas obscuros e histórias nada mastigadas, Arquivo X surgiu inspirada na série Kolchak e os Demônios da Noite e conseguiu conciliar formatos distintos utilizados em séries como Além da Imaginação e Twin Peaks, o que permitiu criar um programa em clima de seriado policial, mas com diversos elementos de ficção científica e terror.

Outro diferencial da série era que, diferente da maioria das histórias que visam a resolução de um mistério, Arquivo X tinha como principal intenção alimentar um clima de paranoia e conspiração, fazendo-nos duvidar da veracidade das informações. Muitas vezes ficava difícil saber se Mulder estava realmente certo naquilo que acreditava ou se ele era simplesmente louco. Além disso, uma das marcas da série eram os finais de episódios sem resolução, que deixavam os fãs ainda mais intrigados se aquilo era verdade ou não – ou em alguns casos se sequer tinha acontecido. As teorias de seus protagonistas também são características dos episódios: Mulder sempre tinha uma teoria fantástica, voltada para o paranormal/sobrenatural/ficção científica, enquanto Scully sempre fazia o contraponto, dando possíveis explicações científicas que não necessitavam do olhar sobrenatural.

Curiosidades:
- Chris Carter, como dito no post, inspirou-se na série da Carl Kolchak para a criação da série. Mas ele transformou os personagens em agentes do FBI porque achou que seria difícil fazer o público da época (contemporâneos da série de Kolchak) acreditar que jornalistas conseguissem esbarrar toda semana em casos insólitos;
- Quando Chris Carter apresentou a série à FOX, os executivos não gostaram da premissa inicial. Queriam, além de um interesse romântico para Scully, que a atriz escolhida fosse loira e mais peituda que Gillian Anderson (É sério). Mas no fim Carter conseguiu convencer os executivos a tentar do jeito que ele queria;
- A série foi nomeada, ao longo de sua trajetória a pelo menos 100 premiações, tendo sido vencedora de 26 deles (16 Emmys, 5 Globos de Ouro e diversas outras premiações do sindicato de atores, roteiristas e outras premiações de ficção científica);
- Desde que a série estreou as pessoas questionam o FBI sobre a existência de uma divisão como a do Arquivo X, ao que a agência nega veementemente. Chris Carter alega não ter conhecimento disso, e só usou o departamento pela conveniência da história;
- Darren McGavin, ator que interpretou Carl Kolchak apareceu em 2 episódios da série como o agente Arthur Dales, o homem que “descobriu” os Arquivos X, numa brincadeira de metalinguagem (pois a série só existe graças à Kolchak, assim como os arquivos X na história só existem por conta de Arthur Dales).



Na Próxima Madrugada:
A trajetória da série que marcou os anos 90. As conspirações, revelações e mais nOs Arquivos X – Trajetória

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A verdade está lá fora?

Scully: E onde isso levou você? Não para sua irmã, nem nada pelo qual você buscou. Mas você não desistiu, mesmo agora. Você sempre disse que queria acreditar. Mas acreditar em que, Mulder? Se essa é a verdade pelo qual você buscou, o que resta para acreditar?
Mulder: Eu quero acreditar que... Os mortos não estão longe de nós. Que eles falam conosco... Como parte de algo maior que nós – maior que qualquer força alienígena. E se você e eu estamos indefesos agora, Eu quero acreditar que, se ouvirmos o que estão dizendo, isso pode nos dar o poder de salvar a nós mesmos.
Scully: Então acreditamos na mesma coisa.
Mulder: Talvez haja esperança.
Arquivo X – Episódio final.




Tema Macabro


Chegamos ao fim da série de matérias sobre o sobrenatural (veja as outras matérias aqui, aqui e aqui) no mundo real trazendo talvez o tema mais controverso dentro do inexplicável: existiria vida inteligente em outros planetas, e eles estariam nos visitando? Digo que é um tema controverso porque, diferente dos temas tratados nos posts passados, esse é um assunto que se estende em uma rede de outros subtemas geralmente ligados a ele e que, ora é tratado como “ciência”, ora como sobrenatural, ora como questão espiritual. Esse conjunto de temas ligado à suposta existência de seres inteligentes de outros planetas que nos visitam é conhecido como Ufologia. Ufologia vem do nome UFO, que em inglês significa “Objeto voador não identificado” e, diferente do que muitos pensam, não é uma designação para “discos voadores”, e sim para qualquer objeto cuja identidade seja desconhecida. Ou seja, se você viu algo no céu e não sabe o que é, ele é classificado como UFO (ou OVNI, que é a sigla em português) até que seja identificado, mas não significa que seja obra de seres alienígenas ou algo sobrenatural; é apenas desconhecido.



Aparições inexplicáveis no céu não são novidade na história do mundo, mas a chamada ufologia “oficial” data do ano de 1898, onde uma cidade do Texas chamada Aurora foi palco da queda de um objeto desconhecido. Mas o termo em inglês para disco voador, “flying saucer” surgiu em 1941, quando o oficial da força aérea Kenneth Arnold durante um vôo avistou 8 objetos que descreveu como tendo formato de pires, e que faziam acrobacias que eram impossíveis para os veículos aéreos da época. Daí surgiu o termo, “flying saucer”, que na tradução literal, significa “pires voador”. Mas apesar do nome, nem todos os OVNIS tem o formado de discos ou pires.



Curiosidade:
A Guerra dos Mundos”, clássico de H.G. Wells que narra uma invasão alienígena na Terra, foi publicado, coincidentemente, no ano de 1898.
O período entre 1895 e 1899 contou com uma febre de avistamentos de objetos voadores no céu. A maioria descrevia os objetos como o que mais tarde seriam conhecidos como dirigíveis e, embora hoje se imagine que a maioria dos avistamentos tenham se dado por conta do fenômeno de “histeria coletiva”, alguns avistamentos ainda permanecem sem explicação.


Avistamentos de OVNIS já contaram com a descrição dos mais variados formatos, esféricos, ovais, triangulares, em forma de charuto, e até em formato de pirâmide, embora os em formato discóide ainda sejam os mais avistados. Embora alguns tenham avistado os objetos próximos o suficiente (ou eles eram grandes o suficiente para se perceber) para descrevê-los como objetos sólidos e supostamente mecânicos, a grande maioria dos avistamentos se referem à luzes que se movimentam no céu em trajetórias erráticas. Durante a Segunda Guerra Mundial, eram comuns histórias de pilotos que foram seguidos por globos de luzes, que ficaram conhecidos como “Foo Fighters”.



Curiosidades:
Na época da Segunda Guerra, os “Foo Fighters” eram tão freqüentes que preocuparam os soldados. Na época, os Aliados pensavam que aquilo poderia ser tecnologia secreta dos países do Eixo. Quando a guerra acabou, os Aliados descobriram que o Eixo também teve diversos encontros com foo fighters, e que pensavam que eram tecnologia secreta dos Aliados.
A banda de Dave Grohl tem o mesmo nome dessas esferas de luz que surgiaram durante a segunda guerra, e não por acaso: o vocalista e baterista é um grande apreciador da ufologia.


Mas os OVNIS só começaram a ser relacionados à seres extraterrestres em 1947, quando a cidade de americana de Roswell, no Novo México foi palco da queda de um objeto não identificado que causa controvérsia até hoje sobre sua verdadeira identidade. Existem tantas histórias e disse-que-me-disse sobre esta questão específica que não caberia citar em apenas um post. Basta saber que até hoje a história é envolta em mistérios e, mesmo o governo já tendo supostamente provado que o que caiu no lugar fora um tipo de máquina de testes militar, ainda há muita gente que acredita que de fato algo de outro planeta caiu lá. Tudo isso por causa da declaração do Oficial militar Jesse Marcel, que foi até o primeiro oficial a ir até o rancho onde a queda aconteceu, e divulgou para os jornais que havia capturado uma nave de tecnologia desconhecida, possivelmente alienígena. Porém, poucas horas depois, o próprio Marcel convocou uma nova coletiva de imprensa para dizer que havia se enganado e que aquilo que ele coletou eram destroços de um balão meteorológico. Muita gente diz que Marcel foi coagido pelos seus superiores a desmentir o que havia dito para encobrir a verdade. De fato, os repórteres que estiveram nas duas coletivas de imprensa disseram que os destroços mostrados na segunda coletiva eram diferentes das exibidas na primeira. Além disso, há o fato de um oficial militar laureado confundir um balão meteorológico (algo que ele conhecia muito bem, pois lidava com aquele tipo de coisa sempre) com uma tecnologia completamente desconhecida ser algo difícil de explicar até hoje. Há inclusive relatos de os militares teriam resgatado 4 (ou 5, depende da versão que você lê) seres de dentro da nave, supostamente seus tripulantes. Esse seres seriam pequenos, magros, cinzentos e com a cabeça avantajada em relação ao corpo, e daí veio a descrição básica do alienígena que conhecemos hoje, que na Ufologia é chamado de “Grey”.



Após o incidente em Roswell, UFOs se tornaram uma mania – e uma histeria – nos EUA e no mundo e começaram as histórias de que o governo americano sabia sobre os OVNIS, mas havia uma conspiração sinistra que visava esconder a verdade. Esse conceito cresceu tanto nos EUA que o governo abriu nos anos 50 uma comissão para investigar o fenômeno OVNI. A comissão foi chamada de Projeto “Blue Book”, e levou quase 10 anos investigando diversos relatos de avistamentos e fotos de OVNIS, e encerraram o programa sem uma resposta satisfatória. De todo o material investigado, 99% acabou sendo classificado como fenômenos atmosféricos, reflexos, gotículas de água mal-entendidos diversos ou fraude. 1% permaneceu sem explicação, ao que os diretores do projeto declararam que “seja lá o que for, não representa ameaça à segurança nacional”.

Mesmo tendo diminuído, a fascinação pelos OVNIS não cessou após isso. Histórias sobre bases secretas (as mais famosas são a Área 51 e o Hangar 18), governos paralelos, sociedades secretas, troca de informações entre governos e alienígenas, experiências com viagens no tempo e mais uma série de outras histórias podem ser encontradas na internet com uma legião de pessoas que juram que isso é verdade.







Mas o tema mais assustador relacionado a Ufologia é, sem dúvida, o da abdução, um fenômeno onde supostamente as pessoas são levadas por discos voadores e submetidas à diversos tipos de testes e depois devolvidos à terra, sem memória do que se passou. Alguns relatos dão conta inclusive de experiências com inseminação artificial dentro de naves. Em 2003, estimava-se que cerca de 1% da humanidade já havia sido vítima de abdução. Uma estatística apavorante.

O primeiro (pelo menos que se conhece) e mais famoso caso de abdução foi o do casal Betty e Barney Hill, em 1961, nos EUA. Os dois viajavam pela estrada durante a noite, quando foram surpreendidos por uma nave em forma de disco que capturou os dois e os submeteram à diversos testes, ao que foram logo depois devolvidos ao seu carro. Na verdade, toda essa odisséia durou cerca de duas horas, mas só foi lembrada por eles durante sessões com um renomado médico, pois essas memórias haviam sido reprimidas. Até hoje esse é um dos casos mais impressionantes de abdução alienígena. Outro caso impressionante é o de Travis Walton, que em novembro de 1975, foi levado por uma máquina em forma de disco na frente de seus colegas de trabalho. 6 dias depois, o irmão de Travis recebe uma ligação de seu irmão, que foi buscá-lo e descobriu que travis estava em uma cabine telefônica a 80 km, nu, desidratado e desorientado. Para ele, haviam se passado apenas algumas horas, e não dias.



Curiosidades:
Diversos fatos interessantes foram trazidos à tona no caso Betty e Barney Hill quando eles se “lembraram” da abdução. Entre elas, haviam 9 aliens na nave, sendo que um deles realizava os testes neles, e em dado momento, ele enfiou uma agulha em sua barriga, o qual foi explicado para ele que era um teste de gravidez. Curiosamente, era uma técnica muito semelhante à que ia ser usada mais tarde, nos anos 70, entre os médicos da Terra.
Betty perguntou para os aliens de onde eles eram, e eles mostraram para ela um mapa, que ela desenhou para o seu médico, e mais tarde foi confirmado por astrônomos como sendo a constelação de Reticuli, a 36 anos luz da Terra.
Sobre o caso Travis Walton, é interessante ressaltar que os envolvidos no caso (o próprio travis, seu irmão e os colegas de trabalho que presenciaram a abdução), foram entrevistados diversas vezes ao longo dos anos, juntos e separados, e nunca mudaram uma vírgula de seu testemunho. Foram inclusive submetidos diversas vezes ao detector de mentiras, e sempre passaram nos testes.
Existe um filme que conta a história de Travis Walton. Chamado de Fogo no Céu, com Robert Patrick, é extremamente recomendável. E assustador.


Mas o fenômeno UFO, para muitos, não é algo novo. Na verdade, existem aqueles que acreditam que isso vem desde o início dos tempos. Erick Von Daniken foi um dos primeiros a difundir essa idéia de forma “séria”. Segundo ele, existem diversas pistas no passado da humanidade que provam, não só que existe vida inteligente em outros planetas, como eles sempre nos visitaram, desde tempos imemoriais e tem deixado sua marca ao longo dos milênios. Além disso, Daniken também acredita que todas as crenças em deuses, demônios, e todas as mitologias e religiões foram criadas a partir do encontro de nossas civilizações primitivas com seres mais avançados. Esse conceito deu origem ao livro “Eram os Deuses Astronautas?”, um Best Seller que também virou um documentário, igualmente famoso.



Curiosidade:
Existe uma mini-série em quadrinhos chamada Batman: O livro dos Mortos (publicado no Brasil pela editora Abril), que explora de maneira bastante interessante o conceito dos “deuses astronautas” e misturando-a com a mitologia do personagem. Muito recomendável.


Mas não é só de histórias soturnas, misteriosas e assustadoras que vive a ufologia. Um dos mais belos “fenômenos” atribuídos à ufologia e que ainda permanecem um mistério são os Crop Circles. Também conhecidos como círculos ingleses (pois surgiram pela primeira vez nos campos da Inglaterra), são formas, muitas vezes complexas formadas nas plantações, de tamanho gigantesco e que só podem ser visto em sua plenitude de uma altitude elevada. Apesar de ser em sua maioria no formato circular (daí o nome), com o passar dos anos foram ficando cada vez mais complexos e assumindo formas das mais diversas.



Estima-se que surgem cerca de 20.000 círculos em plantações por ano só na Inglaterra, mas o fenômeno também ocorre em outros países, embora com menos freqüência. Mesmo tendo sido provado que muitos desses círculos foram na verdade feitos por pessoas, muitos outros deles ainda permanecem um mistério, principalmente devido às características peculiares: entre elas, o tamanho (alguns chegaram a ter até 200 metros), a simetria das formas e, principalmente, segundo os próprios donos das plantações, o fato de surgirem, literalmente, da noite para o dia.




Talvez chegue o dia em que iremos descobrir se estamos sós no universo, e se todas essas histórias são verdadeiras ou não. Mas, até lá, a questão que permanece não é se é verdade ou não. A verdadeira questão é: Você quer acreditar?



Na próxima Madrugada:
O terror também criou raízes na arte seqüencial. Na próxima semana, Terror e HQs.