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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A serpente e o Arco-Íris

“Nas lendas do vodu, a serpente simboliza a Terra.
O arco-íris simboliza o céu.
Entre os dois, todas as criaturas devem viver e morrer.
Mas por ter uma alma, o homem pode ficar preso em um lugar terrível...
Onde a morte é apenas o começo”
Dizem que a vida imita a arte. Mas a verdade é que, na maior parte das vezes, o contrário é que está mais próximo da verdade. Não importa o quão estranhas sejam as histórias contadas por nossos antepassados, ou quão inacreditáveis sejam as lendas e superstições enraizadas em nossa cultura, é seguro afirmar que deve haver alguma fonte original, ainda que mínima, de onde provém tais histórias e superstições.

Seja a hipertricose, que explicara o surgimento do mito dos lobisomens; as exumações de cadáveres com catalepsia (quando o problema ainda não era conhecido), que por vezes acordavam dentro de um caixão e arranhavam-no por dentro no desespero de fugir, para explicar a crença dos vampiros; ou a velha e conhecida dos céticos, a pareidolia, que nos permite enxergar rostos e formas em qualquer coisa minimamente semelhante, para explicar as histórias de espíritos, fantasmas e demônios; é bem possível que exista algum fundo de verdade em cada história embora, é claro, o fundo de verdade provavelmente seja algo ridiculamente simples absurdamente exagerado.

Para os ocidentais, um dos temas mais exóticos e bizarros eram os zumbis. Antes do termo ser vinculado aos mortos-vivos criados por George Romero em A Noite dos Mortos Vivos, ele se referia principalmente aos corpos sem vida das crenças do Haiti, ressuscitados por um líder místico conhecido como mestre zumbi. Em resumo, um zumbi é um ser humano comum, que após a morte tem seu corpo (e apenas o corpo), trazido de volta à vida pelo tal mestre zumbi. Como o corpo ressuscitado não possui alma, ele se torna uma espécie de “robô”, sem sentimentos, capacidade de raciocínio ou vontade própria, que é controlado pelo mestre.

Um dos pesquisadores que mais tentou se aprofundar no tema foi Wade Davis, um antropólogo e etnobotânico da National Geographic Society que foi até o Haiti nos anos 80 a fim de pesquisar mais sobre o tema. Sua hipótese sobre como funciona o processo de “zumbificação”, que mistura uma complexa interação entre alucinógenos, toxinas e os poderes da sugestão e a força cultural, são lembradas até hoje, mesmo com algumas controvérsias.

Segundo a hipótese de Davis, os mestres zumbis produziam um tipo de poção feito de uma mistura de ingredientes exóticos, como baiacu, matéria vinda de cadáveres (Davis presenciou um xamã esmagar o crânio de uma criança morta há um mês ou dois, para adicionar à poção), lagartos frescos recém mortos, um sapo seco com um verme marinho ao redor dele (preparado antes), “ tcha-tcha” (uma espécie de leguminosa chamada albizzia) e "itching pea" (uma espécie de mucuna, outra planta leguminosa).

Aliado à poção, os mestes zumbis também faziam uso de Datura, uma planta que possui compostos com propriedades alucinógenas, e TTX (tetrodoxina), uma toxina vinda de um tipo de baiacu (tetraodontídeo), que bloqueia os potenciais de ação nos nervos. Esta substância liga-se aos poros dos canais de sódio voltagem-dependentes existentes nas membranas das células nervosas. Os sintomas do envenenamento por TTX são dormência/paralisação dos lábios e da língua, o aumento de parestesia (sensação de formigamento, picada, queimadura) de face e extremidades, que pode ser acompanhada de sensação de leveza ou flutuação. A fala é afetada e a pessoa envenenada apresenta comumente cianose (azul-arroxeada) e hipotensão, com convulsões, contração muscular, pupilas dilatadas, bradicardia e insuficiência respiratória. O paciente, embora totalmente paralisado, permanece consciente e lúcido até o período próximo da morte.

O processo de zumbificação era marcado pela teatralidade típica de rituais religiosos, o que garantia a atmosfera necessária à sugestão e proporcionava o ambiente para potencializar a crença. Assim, as pessoas afetadas pela TTX eram dadas como mortas e enterradas, para serem secretamente desenterradas durante à madrugada, longe dos olhos de curiosos, onde o zumbi era deixado dopado a fim de manter sua vontade própria dormente. E assim estava criado um zumbi.

Os “zumbis” podiam ser usados para os motivos mais diversos (todos altamente questionáveis, segundo nossos padrões), como vingança, disputa de terras e até como trabalhadores braçais em fazendas de homens poderosos ou até mesmo dos mestres zumbis.

A pesquisa de Wade Davis no Haiti gerou um livro chamado The Serpent And The Rainbow (A Serpente e o Arco-Íris, atualmente fora de catálogo no Brasil), publicado em 1985, onde Davis acompanha o caso de Clairvius Narcisse, um homem que alega ter sido um zumbi durante dois anos. Mais tarde, Davis publicou também Passage of Darkness – The Ethnobiology of the Haitian Zombie (Passagem para as Trevas – A Etnobiologia do Zumbi Haitiano, em tradução livre – não publicado no Brasil), de 1988, onde o autor basicamente expande sua pesquisa e se aprofunda mais na cultura, política e sociedade haitiana, mostrando também os aspectos sociais do fenômeno zumbi.


Com todas estas fascinantes informações sobre o tema, talvez o mais curioso de tudo isso seja o fato de que A Serpente e o Arco-Íris, um livro acadêmico, deu origem a um filme de terror de Hollywood de mesmo nome.

Dirigido por ninguém menos que Wes Craven (A Hora do Pesadelo, As Criaturas Atrás das Paredes, A Maldição de Samantha), The Serpent and the Rainbow (A Maldição dos Mortos Vivos, no título em português) acompanha o Etnobotânico e Antropólogo Dennis Allan (Bill Pulmann), e sua interação com a cultura do Haiti, ao ser enviado para a região por uma empresa farmacêutica a fim de investigar uma droga usada no vodu haitiano, na esperança de usá-la como anestésico e comercializá-la no ocidente. A exploração de Alan o leva a conhecer a estrutura social e cultura do Haiti, e sua relação com o sobrenatual, o místico e com o fenômeno zumbi.



Embora apenas levemente baseado no livro de Davis, o filme vale por trazer uma história de terror (e de zumbi) buscando uma explicação científica e mais realista, sem apelar tanto para os aspectos sobrenaturais. Um ponto bastante positivo de Wes Craven, que durante os anos 80 estava sempre buscando reinventar histórias clássicas dando um ponto de vista diferente. Nem sempre o resultado era bom – A Maldição dos Mortos Vivos, de fato, não é lá um filmaço –, mas valem sempre pela curiosidade.

Atualmente, as pesquisas de Wade Davis são objeto de controvérsia, devido a possíveis falhas no método usado pelo cientista para coletar seus dados e informações imprecisas. Ainda assim, seu estudo serve como uma base interessante para se tentar compreender essa rica e complexa cultura zumbi que existe até hoje no Haiti.

Mais sobre zumbis no podcast Uarévaa sobre o tema.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Uma história da Ciência - Documentário


“A história da ciência é geralmente contada como uma série de momentos de revelação. O triunfo final da mente racional. Mas a verdade é que poder e paixão, disputa e acaso tiveram papéis igualmente significativos.(...)
Esta é a história de como a história fez ciência e como a ciência fez história, e de como as ideias geradas mudaram nosso mundo. É uma história de poder, prova e paixão.”


Eu sempre quis descobrir uma publicação que se dedicasse à história por trás das descobertas científica se que mostrasse a evolução da ciência dentro de um contexto histórico. Felizmente, encontrei algumas semanas atrás uma edição da Zahar chamada “Uma história da ciência”, de Michael Mosley e John Lynch, que era exatamente sobre isso (que é muito bom por sinal, recomendo – mas é caro).

Mas mais legal ainda foi descobrir que esse livro era baseado numa série de documentários da BBC apresentada por Michael Mosley. E, graças ao blog Astropt, fiquei sabendo que o documentário está disponível no Youtube. E com legendas em português!

Confiram aí o primeiro episódio (sobre “O que há lá fora?”). Vocês encontram outros episódios nos vídeos relacionados (Não é preciso necessariamente assistí-los em ordem).


Para quem gosta de ciência e de história, é uma excelente pedida. Enjoy.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Magia da Realidade – Como Sabemos o que é verdade

“Quero mostrar a você que o mundo real, como é entendido cientificamente, tem sua própria magia. Eu a chamo de magia poética, uma beleza inspiradora que é ainda mais mágica porque é real e podemos compreender como funciona. Em comparação à verdadeira beleza e magia do mundo real, o sobrenatural e os truques de palco parecem vulgares e sem graça. A magia da realidade não é sobrenatural, não é um truque. É absolutamente fascinante. Fascinante e real. Fascinante porque é real.”

É comum que as tradições humanas, com o tempo, acabem se apropriando de certos conceitos e por muitas vezes distorcendo-os ou usando-os sob outro contexto, que consolida-se no senso comum com um significado (às vezes completamente) diferente do que originalmente proposto.

Usemos como exemplo a linguagem. A palavra “espírito” vem do latim “spiritus”, que tem suas raízes também no grego e hebraico e significa, a rigor, “sopro, respiração, vigor”. Ou seja, originalmente, dizer que um ser vivo tem “espírito” era apenas dizer que este estava vivo. Talvez o caso mais conhecido popularmente seja a palavra “Lúcifer”, que significa “O portador da luz”, embora este título seja atribuído ao principal adversário do deus judaico-cristão. Se traçarmos um paralelo entre significados originais das palavras e o contexto em que elas são usadas hoje, vamos ver o quanto nós acabamos perdendo o sentido de certas coisas e, não raro, atribuindo a estes termos significados sobrenaturais e místicos que não lhe cabem.

Dito isso, podemos dizer que A Magia da Realidade, de Richard Dawkins, será provavelmente o caso de um livro cujo verdadeiro significado (no caso aqui uso arbitrariamente como sinônimo de “intenção”) será distorcido ou mal-interpretado. A começar pelo título, que usa a palavra “magia”, e que pode, já de cara, levar a críticas superficiais (aliás, a raiz etimológica da palavra magia vem do persa e quer dizer “sábio”). Depois porque, atualmente, quando se ouve falar em Richard Dawkins, lembramos apenas que ele é um militante pró-ateísmo. Ou seja, quem é crente terá uma rejeição automática às suas obras e quem não é o lerá com afinco. E acho que estes dois extremos tendem a perder partes importantes do que faz A Magia da Realidade ser tão bom.

Como estudante de Filosofia, acabo ficando em uma posição “privilegiada”, vamos dizer assim, de estar no “meio termo” entre ambas as correntes: a da fé e a da ciência. Digo privilegiada porque quando se olha as coisas de fora, fica muito mais fácil entender o que acontece e sugerir medidas eficientes de mudança. Explico.

O embate entre religião e ciência é antigo, mas compreensível. Quando a ciência surgiu, chegou com o pé na porta e dando soco na cara, sem pedir permissão ou perguntar se alguém estava interessado. E mudou tudo. Ainda hoje se discute o lugar da ciência e da religião, pelo fato de que, originalmente, era da religião a tarefa de explicar os acontecimentos e, por muito tempo, ela não teve concorrência neste quesito (a não ser outras religiões, mas todas dentro do mesmo processo). Quando a ciência chegou, ela foi muito mais eficiente em explicar a realidade, não só porque a explicação científica é mais detalhada, mas principalmente porque a “verdade” científica permite uma vantagem que a religião nunca teve: a de, a partir destes conhecimentos, prever eventos, controlá-los e, consequentemente, usá-los a nosso favor.

Só que a ciência é um instrumento, uma ferramenta e, como tal, é neutra. Por isso qualquer descoberta científica pode ser usada tanto para o “bem” quanto para o “mal”*. Ou seja, a ciência pode nos proporcionar muita coisa (e nos proporcionou, pois graças à ela temos aviões, smartphones, computadores e internet), mas nunca poderá dizer como usar um conhecimento. Isso é trabalho para outro tipo de ferramenta.**

Porque passei diversos parágrafos pisando em ovos e falando sobre o embate entre religião e ciência? Porque, para ler A Magia da Realidade, você terá que colocar de lado seu ponto de vista extremista a respeito do Dawkins (seja ele contra ou a favor) se quiser aproveitar a obra como um todo e evitar distorções da mensagem e do significado do livro.

A Magia da Realidade é descrito como um livro do Dawkins para crianças. Sinceramente, depois de ler a obra, considerei essa descrição bastante limitada. Isso porque A Magia da Realidade está longe de ser um “livrinho de ciências” do tipo que eu encontrava na época e que era criança, com passatempos, jogos e outras coisas. O livro de Dawkins não tem nada de infantil. O que ele faz é tentar usar uma linguagem mais simples para trazer a ciência para um público que não o compreende direito. E, neste ponto, pelo menos aqui no Brasil, as crianças são as que menos precisam desse livro.

A estrutura da obra é muito criativa e interessante: Cada capítulo é a resposta de uma pergunta (que é o título do capítulo), que explica cientificamente diversos aspectos da realidade, que vão desde quem foi a primeira pessoa, porque existem tantos animais, do que são feitas as coisas, porque existe noite e dia, inverno e verão e até se estamos sozinhos no universo. Cada capítulo inicia descrevendo mitos de diversas culturas e épocas a respeito daquele tema, que contrastam com a explicação científica.

É um livro bastante completo para quem conhece pouco de ciência, e tem um nível de detalhamento suficiente para suprir a curiosidade e tornar o conteúdo compreensível, mas ao mesmo tempo evita muitas tecnicalidades (especialmente as matemáticas, graças à Osíris – sou péssimo em matemática) que tornariam o conteúdo confuso e desinteressante. É verdade que, ainda assim, é bastante conteúdo (por isso eu recomendaria, se isso fosse dado a crianças, que elas lessem aos poucos para ir assimilando o conteúdo devagar), mas a forma como é descrito, pelo menos na maioria das vezes, deixa a leitura agradável.

Para quem é fã de quadrinhos (e também fã de ótimas ilustrações), há mais um motivo para adquirir A Magia da Realidade: a obra é ricamente ilustrada com fotos, fotomontagens e ilustrações de Dave Mckean, mais conhecido por ter ilustrado a Graphic Novel Asilo Arkham e pela parceria com Neil Gaiman em diversas de suas obras, incluindo Sandman. Posso dizer que as imagens são de encher os olhos e só por elas já valeria a pena ter o livro em mãos.

É claro que a intenção de Dawkins com A Magia da Realidade não é (tão) ingênua, a começar pelo subtítulo provocador ("como sabemos o que é verdade"). A obra busca também inspirar as crianças a verem a “magia” do conhecimento científico e do universo físico real, sem precisar apelar para crenças em superstições e mitos. Mas dizer que a obra é só isso seria simplificar demais o esforço que o autor tem para com a divulgação ciência, uma luta que vem de muito tempo e que já teve nomes como Carl Sagan em suas fileiras e hoje conta com o próprio Dawkins, Neil DeGrasse Tyson e muitos outros.

Ninguém em sã consciência discordaria que conhecimento não só é importante, como é fundamental para se mudar o mundo. Mas aí é que entra toda a discussão ao qual me aprofundei nos primeiros parágrafos dessa resenha, sobre religião e ciência: entenda A Magia da Realidade como um “manual de como as coisas funcionam na realidade”, e apenas isso. Afinal de contas, não há como negar a veracidade das informações ali contidas (até porque Dawkins deixa bem claro os muitos pontos onde a ciência não tem certeza ou onde ela não tem ideia da resposta). E deixem a religião de fora. Até porque, como eu já disse, a ciência é um instrumento e o conhecimento é neutro. Saber o que fazer com esse conhecimento requer um outro tipo de ferramenta, que nos ajude a distinguir o certo do errado e a discernir entre a melhor forma de se aproveitar uma descoberta. Esta poderia (e deveria) muito bem ser a tarefa da Religião. Não ir de encontro à ciência, mas complementá-la, preparando as pessoas para aprenderem a lidar com o conhecimento. Mas, para que isso acontecesse, seria importante que ambas parassem de tentar abraçar áreas nas quais não estão aptas a lidar e se ater às atribuições que lhes cabem: Uma a interpretar e explicar a realidade, e a outra a nos ajudar a entender o que fazer com esse conhecimento.

Talvez um dia isso seja possível. Por enquanto, recomendo A Magia da Realidade, seja para crianças, adolescentes ou adultos, e tanto para quem já conhece a ciência quanto para quem quer conhecer, por mostrar o quanto ela pode ser interessante e inspiradora. O livro é meio salgado, confesso, cerca de R$ 54,00. Mas vale cada centavo, especialmente se você tiver filhos e espera que um dia eles se interessem pelo mágico mundo da ciência.



*Coloquei as palavras “bem” e “mal” entre parênteses porque as considero relativas demais para se colocar como grandezas objetivas.
**A Filosofia possui uma disciplina para tratar disso, a ética, mas decidi deixar este assunto de lado.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Podcast Uarévaa #97 - A Ciência dos Super Heróis


NÃO CONTAVAM COM A MINHA ASTÚCIA!

Freud, Moura, Rafael Rodrigues, Vini e Marcelo Soares pseudo discutem a pseudo ciência pseudo embutida nos Super Heróis. Qual dos heróis com super poderes é o mais científicamente plausível, hein?

E nada de Momento Uarévaa hoje galera, o "prêmio" acumulou pra semana que vem.




(Clique na imagem com o botão direito do mouse
e depois em "Salvar link como..")

E o RSS? E o ITunes? Já tá tudo ok?

PORRA NENHUMA...

Nem vamos mais prometer prazo nenhum, porque tá brabo. Mas vamos resolver o mais breve possivel, galera, acreditem! Devemos e não negamos, pagaremos quando pudermos.

Comentado no Podcast

- A verdade sobre o Homem Aranha


- Uma verdadeira picada de Aranha. Veja por sua conta e risco clicando AQUI

- Primeiro episódio de Laser Fart (em inglês, acho que ninguém nunca legendou isso).



Comentem ai ou mandem e-mails (para contato@uarevaa.com) com críticas, elogios, sugestões e etc e tal sobre nosso podcast.


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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Crônicas do Sistema Solar: Mercúrio


Novidade no Uarévaa: agora, toda semana, vamos conferir aqui uma hq do projeto HQCX, da revista O Caxiense.


Pois é, tão ligados no HQCX? É um projeto de hqs que conta com a participação do nosso ilustre membro Rafael Rodrigues e também de Adan Marini, FTF, Luciana Lain e Thiago Danieli.

Já citamos esse projeto aqui em alguns podcasts, e eu sempre reclamava que queria ler as hqs do Rafael e não podia, mas agora isso não é mais problema, pois O Caxiense, que já publicou 40 hqs do projeto em formato impresso lá em Caxias do Sul, agora está disponibilizando as hqs online, e vamos passar a divulgá-las aqui também.

A primeira, Crônicas do Sistema Solar: Mercúrio, com roteiro do Rafael e arte de FTF pode ser conferida abaixo. Basta clicar no play e navegar usando as setas do teclado ou os botões e rolagem do mouse.



No site do O Caxiense vocês podem encontrar todas as hqs já disponibilizadas, basta clicar nesse link.

E não deixe de apoiar o projeto, curtindo a fanpage do facebook:


Freud, esse velhinho aqui que vos escreve, apóia e curte o projeto, e digo mais: ainda quero uma versão impressa e autografada disso ai, pra daqui a alguns anos poder provar pros meus bisnetinhos que conheci o laureado e trilionário roteirista Rafael Rodrigues.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Podcast Uarevaa #91 - Deuses Astronautas



"Que a força esteja convosco!"

Freud, Rafael Rodrigues, Zenon, Marcelo Soares e Geninho Moura conversam sobre a teoria hipótese científica dos Deuses Astronautas e dos filmes, séries e quadrinhos de ficção relacionados com ela.

E, no Momento Uarévaa, Duende Amarelo entra no lugar do Rafael (sem trocadilho) para a leitura de comentários e as costumeiras firuladas diversas.




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PORRA NENHUMA...

Nem vamos mais prometer prazo nenhum, porque tá brabo. Mas vamos resolver o mais breve possivel, galera, acreditem! Devemos e não negamos, pagaremos quando pudermos.

Comentado no Podcast

- Posts do Rafael relacionados ao podcast: Eram os Deuses Astronautas?, A Cor que caiu do Espaço e Os Vingadores, heróis da ciência.

- A imagem do "astronauta extraterrestre" onde o Zenon viu um inimigo do Megaman.


- A montagem com fotos do Zenon feita pelo leitor/ouvinte Gilberto Silva.



Para conhecer os livros infantis jabázados pelo Zenon, visite

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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os Vingadores, heróis da ciência

“São monstros e magia, nada para o qual fomos treinados”
Viúva Negra

“No fim, vocês sempre se ajoelham”
Loki

“Nós não somos uma equipe, somos uma mistura química que produz caos.”
Bruce Banner

(Nota: Este ensaio não é uma resenha e é, como todo ensaio, um ponto de vista pessoal e subjetivo acerca do tema)

“Qualquer ciência suficientemente avançada é indistinguível da magia”, disse uma vez, salvo engano, Arthur C. Clarke. Por trás dessa declaração, há uma mensagem muito importante e da qual poucas pessoas se dão conta: Conhecimento é poder. “Magia”, nada mais é do que algo fora do comum, alheio à nossa capacidade de julgamento e imprevisível, ou seja: algo que não entendemos, como toda a tecnologia de serpentes gigantes e criaturas demoníacas aliadas à Loki, o vilão de Os Vingadores. Já ciência é parte do ser humano, foi criada a partir de sua capacidade e serve justamente para permitir que compreendamos as coisas e as usemos em nosso favor, como Tony Stark fez para salvar sua própria vida (o que acarretou sua transformação em Homem de Ferro), e para criar um protótipo de torre autossustentável que eventualmente garantiria energia limpa para a população.

Enquanto a magia é hermética, fechada num mundo exterior além de nossos olhos (como Asgard e os outros mundos citados e apenas vistos indiretamente no filme), a ciência é democrática, tendo sido capaz tanto de transformar Steve Rogers em uma lenda viva quanto condenar Bruce Banner a uma vida fugindo dos outros e de si mesmo. Mas é nesta distinção entre magia e ciência que reside a importância da frase de Arthur C. Clarke: quando não entendemos algo, ficamos à mercê deste (ou de quem a entende). Mas, quando o compreendemos, podemos controlar nossos próprios destinos.

A ciência é libertadora. Pode parecer exagero, mas não é. Há um sem número de exemplos que eu poderia dar, mas é fato de que nossa sociedade progrediu muito nos últimos séculos, especialmente por causa da ciência. Deixamos (nem todos, mas isso não vem ao caso) de atribuir os eventos alheios a deuses e inteligências fora da nossa compreensão e passamos a entender como a realidade funciona. Assim, passamos a ter controle de nossas próprias vidas.

Mas ter controle sobre nossas próprias vidas é uma responsabilidade grande. Talvez grande demais para alguns de nós suportar. Talvez por isso Loki tenha sido incisivo para com a multidão que se ajoelhou diante dele, ao dizer que os humanos foram feitos para serem governados. Nem todo mundo quer a responsabilidade. Saber é pedir demais. Às vezes, é melhor ficar com a magia e deixar que outros decidam por nós.

É claro que a ciência cometeu alguns erros no caminho, como bem disse Nick Fury a Steve Rogers. Muitos, aliás. Afinal, a ciência não tem a intenção de ser infalível. Não podemos esquecer, no entanto, que a ciência é uma ferramenta: O uso dela depende exclusivamente de nós mesmos. Foi o que demonstrou Bruce Banner que, mesmo tendo sido condenado a uma vida dividindo espaço com um monstro enfurecido, aprendeu a controlá-lo e usá-lo para salvar vidas ao invés de destruí-las. Um efeito colateral negativo usado de forma positiva.

Em Os Vingadores, o embate Magia X Ciência é bem claro: Quase todos os mocinhos se valem da ciência para serem o que são (além, é claro, de suas próprias habilidades e personalidades pessoais), seja uma armadura, um soro do supersoldado, um monstro criado por radiação ou armamentos ultratecnológicos da S.H.I.E.L.D. O único dos mocinhos que está mais próximo da magia (dentro do conceito estabelecido neste texto) é Thor, que é indiretamente responsável por todo o caos que o filme retrata. Assim, a magia vem nos escravizar. Não somos capazes de controlar certas forças, não sabemos ser livres, precisamos de alguém que nos diga o que fazer, alguém mais poderoso que nós, que sabe mais do que nós. Estas foram certamente desculpas muito utilizadas ao longo da história por personagens reais para justificar ditaduras e transformar pessoas em “macacos voadores”, alegoria usada pelo diretor da Shield para se referir aos personagens manipulados por Loki.

E este é outro ponto a ser comentado: todos os personagens que auxiliam Loki em sua cruzada são pessoas bem-intencionadas, possivelmente de bom coração, que estão sendo manipuladas, tendo suas “mentes controladas” pelo vilão. Isso é o que aconteceu com muitas pessoas ao longo da história que seguiram pessoas como Hitler ou que ajudaram a queimar bruxas na inquisição. Foram manipulados pela “magia”. Mas a magia talvez não seja tão poderosa assim. Doutor Selvig, que havia sido manipulado para construir uma máquina capaz de usar o Tesseract para abrir um portal para outro mundo, conseguiu manter sua consciência o bastante para sabotar o próprio trabalho. Por mais que a magia seja tentadora, a ciência possui uma aliada forte: a possibilidade de conhecimento.

Os heróis vistos em Os Vingadores surgiram em uma época em que o cientificismo estava em alta (com exceção do Capitão América, mas deixemos o contexto histórico dos quadrinhos de lado): por essa razão, todos os personagens têm algum “pé” na ciência. Mas, ao mesmo tempo em que são heróis científicos, são pessoas difíceis: atormentadas, geniosas, sisudas, deslocadas... São pessoas convivendo com o fardo que a ciência carrega, o fardo do conhecimento, cujo bom uso depende de seu próprio discernimento. E, como acredito que todo adulto saiba, conhecimento é um fardo complicado, e nem sempre sabemos a melhor forma de usá-lo (sendo que, na maioria das vezes, apenas achamos que sabemos). Cada herói carrega sua “cruz” científica, mas fazem dela uma ferramenta para alçar vôos mais altos, para se tornar pessoas melhores e para vencer as adversidades. Mas é o conhecimento deste fardo, a capacidade de entender o que eles podem trazer de bom e de ruim, que faz ser possível discernir sobre a melhor forma de usá-los. E é isso o que, apesar dos tropeços e dos desentendimentos iniciais, os heróis de os Vingadores acabam percebendo para assim se unir por um bem maior.

Os Vingadores não são os super heróis típicos; Eles são poderosos, mas são problemáticos e imprevisíveis. São heróis que erram para poder acertar. São heróis da ciência. Mas mais do que uma visão positiva da ciência, Os Vingadores levam o público a refletir sobre um conceito simples, mas fundamental: liberdade. Liberdade esta que foi tirada pela magia de Loki e que só pôde ser retomada através da ciência e do conhecimento. Não é uma liberdade bonita: É uma liberdade onde todos podem tomar suas próprias decisões, onde todos podem errar e coisas imprevisíveis podem acontecer... Mas uma liberdade onde qualquer um pode ter controle de sua própria vida, ao invés de se ver obrigado a ajoelhar-se diante do desconhecido.


P.S.: Acredito que muita gente não saiba, então apenas em nível de curiosidade: Tesseract, título dado ao cubo cósmico que gera todos os problemas em Os Vingadores, é o nome (em português é “Tesserato”) de um “cubo” hipotético de quatro dimensões, uma forma geométrica que tenta, em 3 dimensões, ser um modelo do que seria um objeto quadridimensional. É também chamado de hipercubo 4D.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O Livro dos Milagres

“Só é válido aceitar um evento como milagroso se as hipóteses de mentira ou erro forem ainda mais improváveis que o milagre em si.”
David Hume

A ideia de que deus, no alto de sua onipotência, criou um universo no qual ele precisa interceder vez ou outra, desafiando as próprias leis que ele criou, para beneficiar uns poucos crédulos enquanto muitos outros passam por situações terríveis de abuso, violência e morte é algo logicamente difícil de acreditar – Até porque assumir isso implica admitir que o deus “todo poderoso” não é tão onipotente assim, já que tem que corrigir falhas na sua própria criação, o que derruba a própria divindade deste. Mas mesmo assim, muita gente, até hoje, acredita em milagres. Sejam milagres espetaculares (como os protagonizados nas igrejas evangélicas), sejam milagres do cotidiano, como ter saído de casa atrasado e conseguido pegar o ônibus porque este também se atrasou. “Graças à Deus”, costumamos dizer nesses casos, mesmo que conscientemente não atribuindo o incidente ao divino.

Os milagres estão por toda parte. Mas serão mesmo milagres, no sentido estrito da palavra? É desse assunto e outros relacionados que trata O Livro dos Milagres – A ciência por trás das curas pela fé, das relíquias sagradas e dos exorcismos, escrito pelo jornalista e escritor Carlos Orsi. Embora eu costume desconfiar de obras científicas escritas por jornalistas (não, não tenho nada contra jornalistas, mas infelizmente o projeto editorial de muitos desses profissionais é dar ao público "apenas o necessário" – sendo esse “necessário” o julgamento do próprio sobre o que deve ser informado ou não, o que às vezes conta mais como desinformação do que qualquer outra coisa), decidi adquirir o livro por dois motivos: Primeiro, porque é uma obra focada em temas que algumas vezes são deixados de lado em outras obras céticas; e segundo, porque é uma opção cética nacional, coisa raríssima de se ver por aqui.

A ideia por trás d’O Livro dos Milagres é simples, mas eficiente: demonstrar, através de nosso conhecimento histórico e científico, de nossas descobertas empíricas e de fatos comprovados, como diversos fenômenos atribuídos ao sobrenatural hoje em dia podem facilmente ser categorizados como algo bem longe de fantástico – e sim bastante mundano, tentando tornar essa informação acessível ao público em geral. O principal foco do livro são os fenômenos cristãos ou atribuídos ao cristianismo, como a abertura do Mar Vermelho, a ressurreição de Cristo, o Santo Sudário, as aparições de Maria, os estigmas, o poder da oração, a cura pela fé, entre outros (tem até espaço para falar sobre exorcismo).


Embora a obra pareça bater de frente com os cristãos, o livro está longe de querer questionar fé: a intenção principal é o objetivo – que deveria ser – de todo jornalista: Informar. E é fato que a maioria esmagadora dos fenômenos atribuídos ao sobrenatural ou ditos como inexplicáveis TEM SIM explicação plausível. Mas infelizmente essas explicações, ou são simplesmente ignoradas em prol de manter a fantasia viva no imaginário popular ou não são muito divulgadas (porque, convenhamos, verdade não vende jornal, a menos que seja apelativa). Quanto ao primeiro caso, não há muito o que se fazer; já quanto ao segundo, isso é de fato muito simples: É preciso divulgar. E é isso o que Carlos Orsi faz muito bem no livro. De forma simples e direta, sem se ater a tecnicalidades, o autor consegue demonstrar que os principais pilares do sobrenatural religioso não são assim tão sobrenaturais e o ser humano SABE disso atualmente. Cabe ao leitor aceitar as evidências ou simplesmente continuar fingindo que elas não existem (mas isso já é escolha de cada um).

Eu sou um grande defensor da popularização da ciência. Levo a sério a frase dita por, se não me engano, Albert Einstein de que, “se você não sabe explicar uma coisa de forma simples, é porque você não entendeu”. Acho que os cientistas em muitos casos se tornam arrogantes que querem que a população aprenda à força conceitos científicos complicadíssimos e não se esforçam em serem acessíveis. Acho que o cientista tem a OBRIGAÇÃO de conseguir explicar seu trabalho e suas teorias de forma que um leigo possa entender. Não é à toa que as pessoas ainda acreditem em milagres: para muitos, a ciência é tão misteriosa e inacessível quando qualquer fenômeno considerado sobrenatural. Só que muita gente acha que, para ser simples, deve ser reducionista. E isso não precisa corresponder com a realidade. É possível explicar o conceito básico, sem se ater a tecnicalidades confusas, e ainda assim não simplificar um conceito de forma que ele se torne outra coisa.

Esse é exatamente a vantagem d’O livro dos Milagres: ser simples, sem ser simplista. É uma leitura rápida, mas não superficial. A obra descreve extensos debates científicos e resume cronologias e contextos históricos de forma que seja de fácil compreensão para qualquer leitor, mas pautado pelas fontes das informações, para quem quiser se aprofundar no assunto. Neste caso, considere então O Livro dos Milagres como uma “introdução ao ceticismo”. Ótimo para quem precisa de explicações simples, recomendado para os que, para serem céticos, só precisam de um “empurrãozinho”.

O Livro dos Milagres é curto, agradável de ler e relativamente barato: Comprei por módicos R$ 30,00. Talvez não ofereça muita novidade para os “céticos hardcore”, mas certamente é uma leitura válida, especialmente para aqueles que estão a um passo do ceticismo. É (obviamente) mais um trabalho jornalístico do que científico (embora embasado cientificamente), mas isso não é de forma alguma algo ruim: é um trabalho de pesquisa muito bem feito e remete demais à “popularização da ciência” que eu comentei neste texto e pelo qual eu luto tanto. Por essa razão considero a obra extremamente recomendável.

Nota: 9

P.S.: A capa do livro, além de visualmente bacana (não tem título, e mostra apenas uma vela num fundo escuro), também faz uma alusão a O mundo assombrado pelos demônios – a ciência vista como uma vela no escuro, de Carl Sagan. Ótima sacada.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Eram os Deuses Astronautas?

“Os deuses do nebuloso passado deixaram inumeráveis pistas que só hoje podemos decifrar e interpretar, pela primeira vez, porque o problema das viagens interplanetárias, tão característico de nossa época, já não era problema, mas realidade rotineira, para homens que viveram há milhares de anos. Pois eu afirmo que nossos antepassados receberam visitas do espaço sideral na mais recuada Antiguidade embora não me seja ainda possível determinar a identidade dessas inteligências extraterrenas, ou o ponto exato de sua origem no Universo. Não obstante, proclamo que aqueles "estranhos" aniquilaram parte da humanidade existente na época e produziram um novo senão o primeiro Homo sapiens.”
Erich Von Daniken





Tema Macabro



Leitores assíduos do Madrugada Macabra (e especialmente os que acompanham a coluna há mais tempo) já perceberam que algumas vezes falo sobre assuntos que não tem necessariamente a ver com terror mas, que por motivos diversos, acabam sendo pertinentes ao gênero. Este é o caso do tema de hoje que, apesar de atualmente eu descartar como hipótese científica, foi um dos responsáveis pelo grande apreço que hoje tenho para com arqueologia, história, e principalmente civilizações antigas: A teoria dos “Deuses astronautas” (hoje também chamada de teoria dos Antigos astronautas).

Para quem não conhece a teoria (que na verdade é mais uma hipótese, mas estas terminologias não vêm ao caso agora), aí vai um resumo: Todos nós estamos familiarizados com as diversas mitologias e religiões ao redor do mundo. Alguns mais, outros menos, mas praticamente todo mundo conhece os deuses gregos, romanos, egípcios e qualquer ocidental está familiarizado em algum nível com as histórias da Bíblia. Teólogos, Mitólogos e psicólogos possuem um consenso sobre a veracidade dessas histórias, estabelecendo que se tratam de alegorias para os mais diversos temas, bem como “cautionary tales” e formas de discutir a moralidade em certas culturas (um pouco mais sobre isso você pode conferir no podcast Uarévaa sobre Mitologia – Parte 1 e Parte 2).

Mas e se estas histórias não fossem fictícias, e sim retratos de incidentes reais que ocorreram em um passado remoto? E se de fato os egípcios, quando se referiam aos seus deuses, estavam falando de seres físicos, que realmente vieram dos céus e interagiram com sua cultura, ensinando-lhes a escrita e sua tecnologia? Esta é a base da teoria dos Deuses astronautas: A de que todas (ou pelo menos a maior parte) das mitologias e religiões foram criadas a partir da visão de nossos ancestrais sobre encontros com “astronautas” vindos de outros planetas e cuja tecnologia e técnicas altamente avançadas da época foram confundidas pelos eles como magia, sinais divinos, aparições de anjos, demônios e até deus em pessoa.

Existem evidências para isso? Bom, os apoiadores da teoria alegam que sim. Não vou me estender nesta questão, pois não é o foco deste post, mas apenas em nível de conhecimento, as principais evidências apontadas são pinturas e esculturas retratando seres que parecem astronautas com roupas espaciais, além de objetos que parecem tecnológicos como lâmpadas e baterias, e construções que – alegam – até hoje seriam difíceis de serem construídas com a tecnologia atual (então atribui-se a isso que estas civilizações foram auxiliadas com tecnologia vinda de seres extraterrestres).

Esta teoria se tornou popular a partir de 1968, quando o suíço Erich Von Daniken publicou o livro “Erinnerungen an die Zukunft” (“Memórias ao futuro”), que no Brasil foi traduzido como “Eram os Deuses Astronautas?”, em que o autor teoriza a possibilidade de nossos antepassados terem confundido a visita de extraterrestres com deuses. O livro chama a atenção (além do tema controverso) por ser recheado de fotos de sítios arqueológicos e objetos de culturas antigas (imagine o que isso fez à cabeça de um garoto de, na época, uns 10 anos, como eu) e acabou virando uma mania, tanto que foi transformado em documentário logo depois (com uma trilha tremendamente assustadora, e disponível, em português, no Youtube):


“Eram os Deuses Astronautas” ficou tão popular que esta teoria acabou sendo inspiração para diversas histórias de ficção, em histórias em quadrinhos (a história do vilão Apocalipse, da Marvel e a mitologia do Quarto Mundo criado por Jack Kirby para a DC são dois exemplos), cinema (o exemplo mais óbvio é a aventura sci-fi Stargate, que também se tornou série de TV, e Alien X Predador) e televisão (um dos cernes da mitologia da série Arquivo X é a teoria dos antigos astronautas). Também podemos citar como exemplo mais recente o filme da Marvel Studios Thor, dirigido por Kenneth Branagh e baseado no personagem de quadrinhos da editora (Aliás, nos quadrinhos, os deuses nórdicos são uma raça alienígena que interagiu com o ser humano no passado). Mas o que pouca gente sabe é que a ideia de seres extraterrestres terem vindo até nosso planeta e interagido com as criaturas aqui existentes na época, e inclusive ajudando a moldar a nossa cultura, não é tão original assim. Pelo menos não na literatura.


Décadas antes, H.P. Lovecraft (sempre ele) já brincava com tais conceitos em suas histórias desde seu segundo conto publicado, Dagon, e foi explorado de forma muito mais aprofundada nas histórias relacionada aos “mitos do Cthulhu”, que detalham os “Antigos”, que são seres que estiveram no planeta Terra antes mesmo do surgimento da humanidade e influenciaram nossos ancestrais de diversas maneiras.

Não dá para saber se Erich Von Daniken de fato se “inspirou” em Lovecraft ou se foi totalmente uma coincidência; mas é importante perceber como a literatura e principalmente a literatura de terror já trabalhava com essas hipóteses bem antes de elas serem “levadas a sério”. Este post serve apenas para demostrar como alguns temas, por mais estranho que isso pareça, acabam se relacionando com o terror, de uma forma ou de outra.

A teoria dos Deuses astronautas foi revisitada mais recentemente, na série do History Channel “Anciente Aliens”, que apesar de dar sequência em grande parte às mesmas “evidências” de 40 anos atrás do livro de Daniken, figuram algumas perspectivas diferenciadas sobre o assunto.



Curiosidades:
- A ideia de que temos alguma relação com seres de outros planetas ou somos “filhos” de extraterrestres não é nova. Ela remonta à Grécia Antiga, mais especificamente aos filósofos pré-socráticos que já teorizavam sobre “sementes” cósmicas que caíram na terra e deu origem aos seres vivos (e que hoje é uma hipótese científica conhecida como panspermia, ou seja, a ideia de que a vida na verdade surge em alguma parte do universo e “caiu” aqui na Terra);
- Antes de Erich Von Daniken, antes mesmo de Lovecraft, Madame Helena Blavatsky (que mais tarde influenciaria profundamente o Espiritismo) deu sua contribuição ao assunto, tendo sido talvez a primeira pessoa a escrever sobre a influência de seres de outros planetas na terra e sua interação com o planeta e seus seres moldando nossa cultura, nossa história, e nossa evolução).
- O grande nome dos quadrinhos americanos, Jack Kirby, aparentemente era um fã deste tipo de assunto. Basta ver as influências desta ideia em diversas de suas criações (O Quarto Mundo, Os inumanos e até mesmo Thor têm esta influência. Aliás, é importante salientar que o Thor da Marvel foi criado em 1962, 6 anos antes do livro de Daniken).

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Paraíso ou esquecimento

“Reclamar apenas, sem propor alternativas, não adianta nada”
Jaques Fresco





Não sei se vocês conhecem o Projeto Vênus (tenho a impressão de já ter feito algum post sobre, mas não tenho certeza). Mas achei interessante postar este vídeo aqui. Para quem não sabe, é uma iniciativa de Jaques Fresco (Designer, arquiteto, Futurólogo e mais um monte de outras coisas) e Roxanne Meadows que há décadas trabalham na criação de um novo modelo de sociedade, diferente de tudo o que já foi visto antes.

Imagine um mundo onde todos as coisas necessárias para o ser humano (casa, comida, roupa, comunicação, transporte, etc), estejam disponíveis para todos, sem exceção, sem uma etiqueta de preço. Isso mesmo, assim, de graça. Um mundo que, segundo os criadores desta proposta, seria livre dos principais problemas que afligem a humanidade hoje, como egoísmo, ganância, pobreza, fome, ignorância, criminalidade, violência... É isto que é o Projeto Vênus.

Para quem não conhece, parece “bom demais para ser verdade”, não é? De fato, parece. Mas o que diferencia o Projeto Vênus de sistemas de governo como Socialismo/Comunismo ou de propostas semelhantes baseadas em fé religiosa, é que a economia baseada em recursos não é um ideal; é um estudo sistemático e planejado durante décadas de trabalho e dedicação sobre a melhor forma de utilizar nossos recursos em prol da sobrevivência do planeta e da humanidade, sempre atualizados com nossos conhecimentos científicos atuais.

É claro que existem detalhes que (pelo menos para mim) são discutíveis, mas o conceito básico por trás desta ideia me interessou bastante e é algo do qual concordo muito. O vídeo abaixo dá um panorama geral do nosso mundo e explica com detalhes o conceito da economia baseada em recursos e é bastante convincente, racionalmente falando.

Mas é importante comentar que atualmente o Projeto Vênus geralmente é vinculado ao Movimento Zeitgeist, que começou com um documentário cagador de regra sobre conspirações e por esta razão é mal visto em alguns círculos. Só que o Projeto Vênus não tem NADA A VER com o movimento Zeitgeist, pois já existe há décadas e há muito tempo antes. O que acontece é que o movimento descobriu o projeto Vênus e hoje é um dos seus divulgadores. Peço que deixem esta questão de lado e se foquem no vídeo, e a partir daí tirem suas próprias conclusões.

Um mundo melhor é possível? Com certeza. O projeto Vênus é o caminho? Bom, aí já é outra história, e eu não sou o mais indicado para dizer. De uma coisa eu estou convencido: Do jeito que as coisas estão atualmente no mundo, não dá para continuar.

(O vídeo tem legendas em português, é só apertar o botão “CC” no player e escolher o idioma - se não aparecer no player aqui, assistam direto no Youtube)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Symphony of Science

"Eu acho que a imaginação da natureza é tão maior que o homem que ela nunca nos permitirá relaxar"

A música já foi – e ainda é – usada para disseminar um sem número de mensagens, que vão de religião a problemas sociais, passando por sentimentos e críticas. Então já estava mais do que na hora de alguém usar a música para divulgar o que provavelmente é a mais importante criação do ser humano em todos os tempos – a ciência.


John D. Boswell é um músico que tem duas paixões, uma delas (óbvia), a música e outra, a ciência. Tanto que resolveu juntar as duas e desenvolveu The Symphony of Science, um projeto que busca divulgar o conhecimento científico e filosófico de forma musical.

Na prática, o músico cria remixes a partir de palestras, entrevistas e trechos de programas de cientistas – muitos deles renomados para criar uma colagem de informações que servem para mostrar, não só as possibilidades da mídia, mas também que ciência pode ser algo poético, transformando cientistas em cantores e compositores involuntários em uma verdadeira “Sinfonia da ciência”.

O resultado é criativíssimo e já conta com 13 vídeos, todos disponíveis no Youtube e os remixes para download em mp3 através do site oficial do projeto que, aliás, é totalmente independente e não tem fins lucrativos.

Vale a pena conferir alguns dos vídeos deste incrível projeto:

'We Are All Connected'


The Poetry of Reality (An Anthem for Science)


Onward to the Edge!


"Children of Africa" (The Story of Us)


Ode to the Brain


Symphony of Science - A Wave of Reason


The Greatest Show on Earth!


Agradecimentos ao Eduardo Witkoski, que postou um dos vídeos no Facebook e me fez procurar sobre isso.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Nosso cérebro chegou ao limite!!!

Drops - Notícias Nerds
Por Vini
Pois é, quando li essa matéria que foi publicada na revista Galileu, também fiquei de cara! Como assim a capacidade do ser humano está no limite?
Já tinha ouvido falar que na verdade utilizamos bem mais do que os 10% da capacidade cerebral que era costumeiro das pessoas comentarem, mas ser fato que a humanidade não tem mais a capacidade de evoluir sua atividade cerebral?... Cara, isso é muito broxante!
Ter que aturar pessoas que curtem Michel Teló, acreditam em Inri Cristo e compram TecPix pro resto de nossas vidas miseráveis nesse planeta? Sério, mesmo?


Bem, segundo uma pesquisa recém-publicada por uma equipe da Universidade de Cambridge, com base em um mapeamento de centenas de pessoas, reforçou a tese recorrente na neurociência de que sim, nossa inteligência chegou a seu limite. É lógico que os estudos ainda devem prosseguir por um tempo para realmente confirmá-la, mas este trabalho, somado aos que vinham sendo realizados nos últimos anos, não deixa margem para muitas dúvidas.
Nossa espécie passou os últimos 150 mil anos melhorando o cérebro. Foi o que garantiu que fossem criadas as pirâmides, ônibus espaciais, tratados de filosofia, computadores e outras cositas más.
Se nossa inteligência continuasse aumentando, segundo esse tratado, começaríamos a tirar muita energia de outros órgãos que garantem a nossa sobrevivência. Nosso sistema nervoso passaria a consumir energia e oxigênio a tal ponto que atrapalharia o funcionamento do resto do organismo. E isso não deve acontecer, a não ser que esse seja o fim de nossa espécie, pois inviabilizaria e comprometeria nossa existência aqui.
 
Veja só você, depois de uma longa evolução que ocorreu nesses últimos 200 anos, e que nos fez mais inteligentes do que nossos ancestrais, chegamos, enfim, ao limite da inteligência.
 
O cérebro humano tem a capacidade de nos tornar altamente adaptáveis a situações e ambientes, nos ajudando a sobreviver em lugares hostis e de mudanças bruscas, além de nos permitir fazer planos, resolver problemas e pensar estrategicamente. Para dar conta do recado, ele mantém uma vasta rede de neurônios (no caso de seres humanos não-loiras, kkkk).
O cérebro ajustou uma certa sintonia neste sistema, mantida por centenas de células, que ficam localizadas em diferentes lugares e oscilam de forma sincronizada. Ao longo do tempo, essa sincronia da rede cerebral ganhou nódulos intermediários, que garantem que a informação chegue a todos os pontos do corpo sem distorções. Tal evolução nos permitiu aumentar a velocidade das conexões, pensar mais rápido ou lembrar mais coisas sem fazer crescer demais o consumo energético. E esse tipo de mecanismo tem, infelizmente, um limite.
 
 
Sabe quando você se sente cansado após estudar muito para uma prova, fazer um trabalho de faculdade (menos a galera do Ctrl C + Ctrl V), ler algo que exige muito da cachola como Filosofia, por exemplo, e/ou jogar um jogo de memória complexo? Pois é, isso é natural e este processo demanda uma grande quantidade de energia e oxigênio. É impossível otimizá-lo a ponto de zerar o consumo energético. Tá entendendo agora porque aquele seu colega de trabalho de faculdade que não faz nada é tão lesado? Sim, na verdade, ele está sendo safo e otimizando sua capacidade para outras coisas como jogar video-game ou comer muito BigMac.
Existe um nível em que não é mais funcional alimentar o cérebro, afinal, o organismo também precisa realizar outras tarefas vitais, como digestão e respiração. É como se fosse uma espécie de balança comercial de energia. O custo mínimo não nos deixa muito inteligentes, enquanto que o investimento máximo custa caro demais para o organismo. Isso explica o excesso de cansaço depois de um trabalho muito cerebral ou então daquela falta de fome! Eu, pelo menos quando estou criando algo, trabalhando em meus projetos, não sinto muito a necessidade de mais nada além de terminar aquilo.
Portanto, a melhoria nas nossas conexões cerebrais, há certo momento da nossa escala evolutiva, pode gerar um custo para manter o sistema nervoso, causando assim uma pane nos outros órgãos.
Parece que chegamos a um ponto em que pra sermos ainda mais espertos, significaria ter um organismo com mal funcionamento! Taí o Stephen Hawking que não me deixa mentir... (tá, desculpa a piada de humor negro, não pude evitar).
Mas isso não significa que ainda não veremos outras grandes maravilhas feitas à partir do brilhantismo de uma mente humana. Ainda iremos evoluir muito em questões tecnológicas, mecânicas, filosóficas, sociais, etc. Acho que isso não nos torna piores, apenas chegamos a um limite. Isso até que inventem algo para turbinar o corpo e ele não precisar despender tanta energia para se alimentar. Disso eu não duvido nada!
 
 

Fonte: Revista Galileu (Ed Bullmore - neurocientista e professor de psiquiatria da Universidade de Cambridge, Inglaterra) 
Publicado originalmente no blog Submundo Mamão