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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Preview do livro "O Uso das Cores", de Cris Peter

Não sei se os leitores do Uarévaa estão sabendo (creio que sim), mas Cris Peter lançou no Catarse o livro O Uso das Cores, que felizmente teve os recursos captados e será lançado ano que vem.

O livro será uma mão na roda para quem quer entrar nesta área, não só de colorização de quadrinhos, mas para aprender sobre como usar cores como um todo, em qualquer área de comunicação ou artística. Em produção no momento, a Cris divulgou um preview do livro, que pode ser visto - e lido - no site da Marsupial Editora. A produção do livro também conta também com a colaboração de Ariane Rauber e Marina Garcia.Entre os assuntos que farão parte do conteúdo estão:

As ferramentas da cor (tintas, pincéis, PhotoShop, impressoras, etc)
Física das cores
RGB
CMY
Key
Roda cromática
Matiz, saturação, luminosidade
Pintura (Estilos, superficies, tipo guache, aquarela, …)
Iluminação, cores “reais” (paleta limitada)
Cores de luz e sombra
Profundidade e foco na combinação de cores
Ambientação
Emoções
Storytelling

Creio que aqui no Brasil, O Uso das Cores deverá ser o livro mais completo e com linguagem acessível sobre este tipo de assunto. Quem trabalha (ou pretender trabalhar) com comunicação, publicidade, design, ilustração, quadrinhos, etc, não poderá ficar sem esse livro na prateleira.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Tales of terror or, The mysteries of magic


Bem, recentemente me tornei mais um feliz usuário do sistema Android depois de ser vítima da obsolescência programada do iOS. Por conta disso, passei a dar mais atenção para o Google Play, a loja do Google. E, para minha surpresa, tem um monte de coisa bacana, e gratuita (infelizmente, a maioria em outras línguas que não o português).

Uma das coisas que eu achei foi uma antologia curiosa chamada Tales of terror; or, The mysteries of magic a selection of wonderful and supernatural stories translated from the Chinese, Turkish, and German. Comp. by Henry St. Clair (sim, o título é desse tamanho mesmo), que compila diversas histórias sobrenaturais antigas contadas ao redor do mundo e foi originalmente publicada em 1848 (e, portanto, está em domínio público).

As histórias curtas da antologia são:

The magic dice
The gored huntsman
The Nikkur Holl
Der Freischutz
The story of Judar
The boarwolf
The cavern of death
The mysterious bell
The dervise of Alfouran
Hassan Assar, caliph of Bagdat
The astrologer of the nineteenth century
The Flying Dutchman
The tiger's cave
Peter Rugg, the missing man
The haunted forest
The lonely man of the ocean
The Hungarian horse dealer
The wreckers of St. Agnes

A antologia, em inglês, requer certo esforço na leitura, por que são os textos originais do século XIX, que contém muito inglês arcaico e gírias antigas. Mas com um pouco de dedicação, não será tanto um problema. Como são várias histórias, dá para ir lendo aos poucos. Enjoy.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Cesta Básica de Quadrinhos #7


Salve salve simpatia! Sim eu estou vivo e serei um dos caras que vão escrever a CBQ! Na coluna de hoje teremos Diario de um Banana – Casa dos Horrores, Hunter x Hunter 30, Frequencia Global 2 e old but gold, V de Vingança! Curioso? Então clica ai no leia mais!

Diario de um Banana – Casa dos Horroes 

 O sexto volume desta serie de livros que é quase uma HQ chegou as livrarias em setembro. Ou foi quando eu vi. De qualquer forma é uma boa noticia para os fãs da série. Neste livro vemos mais um ano na vida de Greg Heffley. E como é de se esperar as coisas não vão nada bem para ele! Em casa ele começa a ficar sem grana após começar jogar um jogo virtual que necessita de créditos, ao melhor estilo de farmville. Na escola vão de maul a pior: Após uma pequena confusão ele é acusado de vandalizar a escola e ele crê piamente que é um foragido da policia! Para ajudar, uma forte nevasca atinge a cidade e ele fica preso dentro de casa junto da sua família, garantindo que a casa dos horrores. É um bom quadrinho/ livro, mas sendo sincero, não há nada de novo aqui para quem leu os outros livros. Arrancou-me algumas risadas e a arte é fenomenal, mas queria algo diferente após 6 volumes. É mais do mesmo, mas com qualidade. Nota 7

Hunter x Hunter 30 

Bem, pra quem não conhece esse, eu posso dizer que Hunter x Hunter é o melhor mangá de lutinha e porradaria livre que existe atualmente! Do mesmo criador de Yu Yu Hakusho, a historia até esta edição segue coesa, sem muita putaria e bem divertida. Para quem leu Yu Yu, certamente vai correlacionar as personalidades de uma historia com a outra, porem, asseguro que Hunter x Hunter tem muita personalidade!
Nesta edição finalmente chegamos ao fim do arco da NGL/ Chimera Ant. Como esperado (?) temos a morte do rei Meruem e o ex-presidente da associação Hunter, Netero, deixa seu testamento com instruções para a eleição do novo presidente. Com isso somos apresentados aos 12 Signos, um grupo especial de hunters.
Quem são eles, e qual a relação deles com Netero e a nova eleição? Se você esta comprando, lógico que há de comprar esta edição, se você ficou curioso, pode procurar as edições anteriores que vale a pena! Nota: 9

Frequencia Global 2 

Alo “fulano”, você está na Frequencia Global. É com essa frase marcante que apresento o segundo encadernado de Frequencia Global.
 Para quem não conhece a historia, a Frequencia Global é uma agência internacional com a missão de salvar o mundo sempre que os métodos convencionais não funcionam. A agência conta com mil e um agentes especiais, sendo que cada um é um destaque na sua área de atuação. Professores, detetives, atletas e qualquer outra pessoa de destaque faz parte do time liderado por Miranda Zero.
Nesse segundo e, infelizmente, ultimo volume, Warren Ellis nos apresenta seis histórias muito fodas: Na primeira história, temos uma organização terrorista a fim de explodir Londres e de quebra matar o diretor da M16, e dos serviços de espionagem alemão e russo.
Na sequencia Miranda Zero é sequestrada e os agentes da Frequencia Global devem descobrir quem foi o responsável por isso, porem eles tem somente uma hora para isto! Na terceira história temos um acontecimento macabro em uma clinica experimental em Osaka e um dos agentes local tem que tentar salvar as pessoas presas na clinica mais macabra do oriente. Quarta historia, durante uma missão de sabotagem, dois mercenários rivais se encontram e finalmente poderão resolver as diferenças. Seguindo, a central da Frequencia Global é descoberta e Aleph, que atua como a central telefônica da agencia, terá de cuidar dos invasores sozinha. E por ultimo temos um projeto de controle populacional esquecido que agora ameaça entrar em ação. Será que os agentes podem parar a ameaça quem vem do espaço?
Cara a sequencia é chutadora de bundas! Uma pena que frequência global não seguiu com mais edições. Não tem muito que falar, a não ser aproveite as duas edições luxuosas e tenha em suas mãos uma obra prima de Warren Ellis! Nota 10!

V de Vingança 

 Bem na parte old but gold, queria apenas falar que V de Vingança está novamente nas bancas! Aquele encadernadão bacana, mas que peca por não ser capa dura, foi posto a venda e se você leu e não comprou, ou pior, se não sabe do que se trata, ou ainda, se viu o filme e não sabia que tinha quadrinho disto, vá correndo comprar!

 E ficamos por aqui! Caso tenha se interessado e ta querendo comprar estes e outros quadrinhos, lembre-se que dias 19, 20 e 21 de outubro rola a Fest Comix com super descontos para aquisição de quadrinhos! Eu estarei lá na sexta a partir das 18:00!
@ORomenique

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Uma história da Ciência - Documentário


“A história da ciência é geralmente contada como uma série de momentos de revelação. O triunfo final da mente racional. Mas a verdade é que poder e paixão, disputa e acaso tiveram papéis igualmente significativos.(...)
Esta é a história de como a história fez ciência e como a ciência fez história, e de como as ideias geradas mudaram nosso mundo. É uma história de poder, prova e paixão.”


Eu sempre quis descobrir uma publicação que se dedicasse à história por trás das descobertas científica se que mostrasse a evolução da ciência dentro de um contexto histórico. Felizmente, encontrei algumas semanas atrás uma edição da Zahar chamada “Uma história da ciência”, de Michael Mosley e John Lynch, que era exatamente sobre isso (que é muito bom por sinal, recomendo – mas é caro).

Mas mais legal ainda foi descobrir que esse livro era baseado numa série de documentários da BBC apresentada por Michael Mosley. E, graças ao blog Astropt, fiquei sabendo que o documentário está disponível no Youtube. E com legendas em português!

Confiram aí o primeiro episódio (sobre “O que há lá fora?”). Vocês encontram outros episódios nos vídeos relacionados (Não é preciso necessariamente assistí-los em ordem).


Para quem gosta de ciência e de história, é uma excelente pedida. Enjoy.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Magia da Realidade – Como Sabemos o que é verdade

“Quero mostrar a você que o mundo real, como é entendido cientificamente, tem sua própria magia. Eu a chamo de magia poética, uma beleza inspiradora que é ainda mais mágica porque é real e podemos compreender como funciona. Em comparação à verdadeira beleza e magia do mundo real, o sobrenatural e os truques de palco parecem vulgares e sem graça. A magia da realidade não é sobrenatural, não é um truque. É absolutamente fascinante. Fascinante e real. Fascinante porque é real.”

É comum que as tradições humanas, com o tempo, acabem se apropriando de certos conceitos e por muitas vezes distorcendo-os ou usando-os sob outro contexto, que consolida-se no senso comum com um significado (às vezes completamente) diferente do que originalmente proposto.

Usemos como exemplo a linguagem. A palavra “espírito” vem do latim “spiritus”, que tem suas raízes também no grego e hebraico e significa, a rigor, “sopro, respiração, vigor”. Ou seja, originalmente, dizer que um ser vivo tem “espírito” era apenas dizer que este estava vivo. Talvez o caso mais conhecido popularmente seja a palavra “Lúcifer”, que significa “O portador da luz”, embora este título seja atribuído ao principal adversário do deus judaico-cristão. Se traçarmos um paralelo entre significados originais das palavras e o contexto em que elas são usadas hoje, vamos ver o quanto nós acabamos perdendo o sentido de certas coisas e, não raro, atribuindo a estes termos significados sobrenaturais e místicos que não lhe cabem.

Dito isso, podemos dizer que A Magia da Realidade, de Richard Dawkins, será provavelmente o caso de um livro cujo verdadeiro significado (no caso aqui uso arbitrariamente como sinônimo de “intenção”) será distorcido ou mal-interpretado. A começar pelo título, que usa a palavra “magia”, e que pode, já de cara, levar a críticas superficiais (aliás, a raiz etimológica da palavra magia vem do persa e quer dizer “sábio”). Depois porque, atualmente, quando se ouve falar em Richard Dawkins, lembramos apenas que ele é um militante pró-ateísmo. Ou seja, quem é crente terá uma rejeição automática às suas obras e quem não é o lerá com afinco. E acho que estes dois extremos tendem a perder partes importantes do que faz A Magia da Realidade ser tão bom.

Como estudante de Filosofia, acabo ficando em uma posição “privilegiada”, vamos dizer assim, de estar no “meio termo” entre ambas as correntes: a da fé e a da ciência. Digo privilegiada porque quando se olha as coisas de fora, fica muito mais fácil entender o que acontece e sugerir medidas eficientes de mudança. Explico.

O embate entre religião e ciência é antigo, mas compreensível. Quando a ciência surgiu, chegou com o pé na porta e dando soco na cara, sem pedir permissão ou perguntar se alguém estava interessado. E mudou tudo. Ainda hoje se discute o lugar da ciência e da religião, pelo fato de que, originalmente, era da religião a tarefa de explicar os acontecimentos e, por muito tempo, ela não teve concorrência neste quesito (a não ser outras religiões, mas todas dentro do mesmo processo). Quando a ciência chegou, ela foi muito mais eficiente em explicar a realidade, não só porque a explicação científica é mais detalhada, mas principalmente porque a “verdade” científica permite uma vantagem que a religião nunca teve: a de, a partir destes conhecimentos, prever eventos, controlá-los e, consequentemente, usá-los a nosso favor.

Só que a ciência é um instrumento, uma ferramenta e, como tal, é neutra. Por isso qualquer descoberta científica pode ser usada tanto para o “bem” quanto para o “mal”*. Ou seja, a ciência pode nos proporcionar muita coisa (e nos proporcionou, pois graças à ela temos aviões, smartphones, computadores e internet), mas nunca poderá dizer como usar um conhecimento. Isso é trabalho para outro tipo de ferramenta.**

Porque passei diversos parágrafos pisando em ovos e falando sobre o embate entre religião e ciência? Porque, para ler A Magia da Realidade, você terá que colocar de lado seu ponto de vista extremista a respeito do Dawkins (seja ele contra ou a favor) se quiser aproveitar a obra como um todo e evitar distorções da mensagem e do significado do livro.

A Magia da Realidade é descrito como um livro do Dawkins para crianças. Sinceramente, depois de ler a obra, considerei essa descrição bastante limitada. Isso porque A Magia da Realidade está longe de ser um “livrinho de ciências” do tipo que eu encontrava na época e que era criança, com passatempos, jogos e outras coisas. O livro de Dawkins não tem nada de infantil. O que ele faz é tentar usar uma linguagem mais simples para trazer a ciência para um público que não o compreende direito. E, neste ponto, pelo menos aqui no Brasil, as crianças são as que menos precisam desse livro.

A estrutura da obra é muito criativa e interessante: Cada capítulo é a resposta de uma pergunta (que é o título do capítulo), que explica cientificamente diversos aspectos da realidade, que vão desde quem foi a primeira pessoa, porque existem tantos animais, do que são feitas as coisas, porque existe noite e dia, inverno e verão e até se estamos sozinhos no universo. Cada capítulo inicia descrevendo mitos de diversas culturas e épocas a respeito daquele tema, que contrastam com a explicação científica.

É um livro bastante completo para quem conhece pouco de ciência, e tem um nível de detalhamento suficiente para suprir a curiosidade e tornar o conteúdo compreensível, mas ao mesmo tempo evita muitas tecnicalidades (especialmente as matemáticas, graças à Osíris – sou péssimo em matemática) que tornariam o conteúdo confuso e desinteressante. É verdade que, ainda assim, é bastante conteúdo (por isso eu recomendaria, se isso fosse dado a crianças, que elas lessem aos poucos para ir assimilando o conteúdo devagar), mas a forma como é descrito, pelo menos na maioria das vezes, deixa a leitura agradável.

Para quem é fã de quadrinhos (e também fã de ótimas ilustrações), há mais um motivo para adquirir A Magia da Realidade: a obra é ricamente ilustrada com fotos, fotomontagens e ilustrações de Dave Mckean, mais conhecido por ter ilustrado a Graphic Novel Asilo Arkham e pela parceria com Neil Gaiman em diversas de suas obras, incluindo Sandman. Posso dizer que as imagens são de encher os olhos e só por elas já valeria a pena ter o livro em mãos.

É claro que a intenção de Dawkins com A Magia da Realidade não é (tão) ingênua, a começar pelo subtítulo provocador ("como sabemos o que é verdade"). A obra busca também inspirar as crianças a verem a “magia” do conhecimento científico e do universo físico real, sem precisar apelar para crenças em superstições e mitos. Mas dizer que a obra é só isso seria simplificar demais o esforço que o autor tem para com a divulgação ciência, uma luta que vem de muito tempo e que já teve nomes como Carl Sagan em suas fileiras e hoje conta com o próprio Dawkins, Neil DeGrasse Tyson e muitos outros.

Ninguém em sã consciência discordaria que conhecimento não só é importante, como é fundamental para se mudar o mundo. Mas aí é que entra toda a discussão ao qual me aprofundei nos primeiros parágrafos dessa resenha, sobre religião e ciência: entenda A Magia da Realidade como um “manual de como as coisas funcionam na realidade”, e apenas isso. Afinal de contas, não há como negar a veracidade das informações ali contidas (até porque Dawkins deixa bem claro os muitos pontos onde a ciência não tem certeza ou onde ela não tem ideia da resposta). E deixem a religião de fora. Até porque, como eu já disse, a ciência é um instrumento e o conhecimento é neutro. Saber o que fazer com esse conhecimento requer um outro tipo de ferramenta, que nos ajude a distinguir o certo do errado e a discernir entre a melhor forma de se aproveitar uma descoberta. Esta poderia (e deveria) muito bem ser a tarefa da Religião. Não ir de encontro à ciência, mas complementá-la, preparando as pessoas para aprenderem a lidar com o conhecimento. Mas, para que isso acontecesse, seria importante que ambas parassem de tentar abraçar áreas nas quais não estão aptas a lidar e se ater às atribuições que lhes cabem: Uma a interpretar e explicar a realidade, e a outra a nos ajudar a entender o que fazer com esse conhecimento.

Talvez um dia isso seja possível. Por enquanto, recomendo A Magia da Realidade, seja para crianças, adolescentes ou adultos, e tanto para quem já conhece a ciência quanto para quem quer conhecer, por mostrar o quanto ela pode ser interessante e inspiradora. O livro é meio salgado, confesso, cerca de R$ 54,00. Mas vale cada centavo, especialmente se você tiver filhos e espera que um dia eles se interessem pelo mágico mundo da ciência.



*Coloquei as palavras “bem” e “mal” entre parênteses porque as considero relativas demais para se colocar como grandezas objetivas.
**A Filosofia possui uma disciplina para tratar disso, a ética, mas decidi deixar este assunto de lado.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Uarévaa Entrevista: Estevão Ribeiro


Roteirista, ilustrador, criador do personagem Tristão e das tirinhas Os Passarinhos, premiado por Pequenos Heróis, figura carimbada em eventos como Rio ComicCon (1 - 2), Estevão Ribeiro é natural de Vitória/ES, nascido em 2 de abril de 1979, mora atualmente em Nitéroi/RJ e a algum tempo se aventurou no mundo da literatura com dois lançamentos.




Você é bem conhecido pelo seu trabalho com quadrinhos, principalmente Os Passarinhos. Mas nos últimos anos se enveredou pelo mundo da literatura, o que lhe levou a fazer essa transição?

Inicialmente foi mesmo a falta de parcerias. Boa parte dos bons artistas geralmente está envolvida com seus próprios trabalhos ou com demanda de clientes. Parcerias do tipo que eu podia propor, que era uma história sem garantias de um retorno financeiro em curto prazo, tornava a coisa inviável. Claro que havia os que topavam, mas até hoje é preciso priorizar o que dá grana.

Já a literatura, você depende inicialmente de seu próprio esforço. É claro que existem mais pessoas envolvidas no processo de produção de uma história, como um preparador de textos, revisão, diagramação, designer para capa. Mas é mais fácil conseguir um contrato com um primeiro tratamento de um romance do que com um roteiro de quadrinhos.

A criação de um roteiro apesar de trabalhar com escrita, tem suas particularidades e difere até muito da escrita literária. Você acha que ser roteirista auxíliou na hora de produzir seus livros ou teve alguma dificuldade?

Na verdade as pessoas que lêem os meus livros os acham muito visuais, e isso é algo que trouxe da prática do roteiro para a prosa. Nem todos gostam do estilo, mas funciona bem em gêneros como terror e fantasia.

Seu primeiro romance foi o autobiográfico Enquanto ele estava morto, que conta os nove dias em que você passou procurando pelo seu irmão. Como foi por no papel uma história tão pessoal?

O livro foi um desabafo. Sim, é algo clichê de se dizer, mas garanto que, quem tiver a oportunidade de ler o livro entenderá o motivo da exposição de um assunto tão pessoal.

O texto fluiu de forma natural, pois eu tinha uma necessidade tremenda de contar o que passei e um pouco do meu passado. Eu queria responder perguntas que nunca me fizeram, mas que justificariam muitas das minhas atitudes.

Após algo mais realístico você lançou em 2010 o suspense sobrenatural A Corrente: passe adiante. Você sempre teve fascínio pelo desconhecido?

Sou muito medroso, me assusto com facilidade e tenho medo de morrer. Não é segredo que morrerei um dia, mas sofro de ataques de pânico durante o sono, por isso protelo a minha ida para cama. Esta entrevista está sendo respondida tarde da noite, por exemplo.

Em A Corrente coloco muito dos meus medos, assim como no meu próximo livro, “Rua M, 58”. Pago caro com isso, pois quando estou escrevendo, os pesadelos pioram.

E como tem sido a recepção ao livro?

O livro está há dois anos no mercado e vende bem, para o nicho. É terror com o objetivo de assustar mesmo, então muitas partes do livro chocam os leitores tradicionais. Mas o livro está a venda em todos os lugares e eu espero que, com a consolidação do mercado digital ele venda bem mais.

Só para variar um pouco, seu último trabalho foi em outro gênero totalmente diferente. O que lhe levou a escrever o infantil O Livro dos Gatos?

Eu ganhei um concurso de poesia aos 9 anos. Ganhei com um poema simples, rimando “mim” com “fim”, como a maioria das duplas sertanejas. Ganhei porque foi o único poema escrito de verdade por uma criança. Eu gosto de escrever rimas, que não vou chamar de poesia porque não entendo todas as regras, métricas e tudo mais.

Escrevi O Livro dos Gatos porque queria juntar duas vontades: a de me divertir, escrevendo para um público interessado em ler uma história sobre animais com perdas, magia, rimas e tudo mais e fazer um trato com a minha esposa, a escritora Ana Cristina, que trazia muitos gatos para casa. Eu disse que escreveria um livro sobre gatos e que daria metade dos direitos autorais para duas ONGs que recolhem e cuidam animais abandonados. Tenho trabalhado no segundo infantil da série, O Livro dos Cães.



Quais outros gêneros você tem vontade de trabalhar ainda?

Bem, gosto de fantasia e tenho algumas coisas ensaiadas aqui. Quero fazer algo de Ficção Científica, além de trabalhar mais em romances gráficos, soft novels e o que mais couber em meus projetos. O que quero é escrever.

O mercado brasileiro de literatura cresceu muito nos últimos anos, não só em vendas como em gêneros variados. Qual sua opinião sobre o cenário atual literário brasileiro?

Acho que houve uma democratização na produção de livros, graças a métodos mais práticos e baratos. As grandes editoras já não são as únicas a apostarem em autores, e isso é muito bom. Por outro lado, é mais difícil disputar espaço no mercado.

Não existe uma fórmula para ser reconhecido, virar sucesso. O fator qualidade? Questionável. Grande editora? Importante, mas não é o essencial. Estratégia de marketing? Talvez, mas se o produto não corresponder a idéia vendida ao público o próprio esquema perde credibilidade. Estamos no campo das experimentações, de sucessos instantâneos e um bocado de autores pondo a cara e disputando espaço com os vendedores de livrarias em eventos para defender o seu. Se isso é bom ou ruim, eu realmente não sei.


O mundo digital, com tablets, Iphones e etc. a disposição, tem muito destaque atualmente como meio de distribuição de obras. Para você, podemos dizer que é um bom lugar para autores investirem ou o “mundo físico” ainda é mais seguro?

Acho que é a leitura digital nem é mais o futuro, e sim o presente, mas ainda somos uma geração nascida e criada em meio aos livros físicos. O sonho do autor ainda vai manter os livros nas prateleiras por muito tempo. Mas eu acredito que a distribuição digital está aí para ajudar, não complicar.

Como roteirista de televisão, o que acha do processo de adaptação literária feito por ela e pelo cinema?

Uma adaptação audiovisual de uma obra literária é uma tarefa complicada porque nem todos interpretam uma leitura da mesma forma. Mas para mim a adaptação é por si só, uma obra à parte e deve ser encarada como tal, sem questionamento das suas diferenças da outra mídia. Não dá para adivinhar as feições guardadas na cabeça do leitor.

Nesse aspecto acho que os quadrinhos adaptados para o cinema são mais felizes, porém a necessidade de imprimir a própria assinatura na obra compromete parte do processo, levando muitas vezes os espectadores/leitores à decepção.

Gostaria de ver alguma de suas obras adaptadas para televisão ou cinema?

Por muito tempo achei que veria o Tristão em um seriado ou num filme com uma bilheteria interessante, e o que consegui foi um trabalho legal dos alunos de faculdade e cinema de Piracicaba (abaixo), mas eu tenho trabalhado para ver minhas criações adaptadas para o audiovisual. Filme de A Corrente, de “Enquanto...”, seriado animado de Os Passarinhos... além de produções originais que tenho trabalhado com afinco. Produzi uma sinopse de um seriado de vampiros... uma hora eu consigo mostrar à alguém.



Algum projeto literário já rodando em sua mente ou em desenvolvimento que possa nos contar?

Literário tem a “Rua M, 58”, um thriller sobre histórias que aconteceram em uma casa que um casal vai visitar. Além do “O Livro dos Cães”, já citado.

E para não passar em branco, em que projetos de quadrinhos andas envolvido ou criando?

Eu estou produzindo a adaptação/mashup “Da Terra à Lua”, baseado nos romances “Da terra à Lua” e “A Volta da Lua”, de Júlio Verne e “Viagem à Lua,” produção cinematográfica de George Mélies. Ainda utilizo elementos da história de H.G.Wells, Os Primeiros Homens na Lua.

Gostaríamos de agradecer sua participação em nosso blog, e qual mensagem gostaria de deixar para nossos leitores?

Eu que agradeço a oportunidade de poder falar mais dos meus trabalhos e convido a vocês a conhecerem outros, inclusive a reedição ampliada de “Contos Tristes e Algumas histórias de amor”, um álbum em quadrinhos com participação de diversos nomes do mercado independente brasileiro.

E parabéns a todos por cada vez mais prestigiarem autores nacionais. Ainda estamos longe de vivermos do ofício, mas já podemos ter orgulho do que fazemos, pois nos ajuda a pagar algumas contas.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Cor que caiu do Espaço

“Embora a província do desconhecido venha diminuindo sem nenhuma interrupção há milhares de anos, uma reserva infinita de mistério ainda paira sobre a maior parte do cosmo sideral.”
H.P. Lovecraft






Tema Macabro




H.P. Lovecraft é mais conhecido por sua contribuição para o realismo fantástico (nada me tira da cabeça a ideia de que ele influenciou de alguma forma Erick Von Daniken e sua teoria dos Deuses Astronautas) e para as histórias de terror cósmicas, mas nem sempre foi assim. De fato, inicialmente, o auto se limitava a obras e temas comuns ao gênero. Histórias como A tumba, O Caso de Charles Dexter Ward, o Depoimento de Randolph Carter e Herbert West: Reanimator se utilizavam dos temas mórbidos mais recorrentes ao gênero na época, mas em Dagon (que foi seu segundo conto publicado) o autor já demonstrava, embora de forma mais tímida, interesses que mais adiante ficariam claros: História, astronomia e arqueologia.

Mas, embora Lovecraft flertasse desde o começo com tais temas, foi com A Cor que caiu do Espaço que ele iniciou sua jornada pelos confins do cosmo a fim de trazer inspiração para seus escritos, o que acabou tornando-o conhecido por este tipo de história.

A trama de A Cor que Caiu do Espaço é simples – e talvez hoje soe até previsível, mas instigante (ainda mais para a época – estamos falando de um momento histórico marcado pelo cientificismo e por novas e inimagináveis descobertas científicas): Existe um terreno nos arredores da cidade de Arkham, que é evitado por todos na cidade. Possui uma atmosfera gótica e perturbadora, cinza e sem vida. Mas conta-se que antigamente o lugar já foi bem diferente, cheio de plantas, cheio de vida, habitado por uma família que era dona do terreno e inclusive sendo um lugar ótimo para se visitar (pelo local e também pelas pessoas). Mas tudo mudou com a queda de um estranho meteorito vindo do espaço.

O conto marca um importante ponto na vida literária de Lovecraft. Em seus ensaios “Horror Sobrenatural na Literatura” e “Notas sobre Ficção Interplanetária”, o autor defende que a verossimilhança lógica e emocional dentro deste tipo de trama é fundamental para garantir o engajamento do leitor a essas histórias. Coisas como reações humanas mais condizentes com a natureza do incidente fantástico (ele alegava que muitos autores banalizavam as reações das pessoas frente à acontecimentos extraordinários e que isso desacreditava as histórias) e a representação de coisas fantásticas, não como sendo coisas dentro de nossa perspectiva, mas como sendo o que o próprio nome diz, ou seja, fantásticas, estão entre as opiniões do autor quanto à direção que ele segue em suas histórias.

A Cor que Caiu do Espaço, por exemplo, surge da intenção de Lovecraft de retratar uma forma alienígena que fosse tão distinta daquilo que conhecemos que o máximo que podemos fazer é uma analogia sobre o que aquilo se parece, mas que, por sua completa falta de identificação com qualquer forma de vida já vista, ela acaba se tornando, de fato, alienígena, num sentido bem mais profundo. Por essa razão que a forma alienígena que vemos não parece nem sólido, nem líquido, e de fato nem gasoso, sendo a analogia mais próxima, apenas uma “cor”. Uma cor que veio do espaço.

A história ainda teve adaptações para o cinema: “Die, Monster, Die” é de 1965 e conta a história de um cientista americano que visita a cidade da família de sua noiva encontra durante a viagem um terreno destruído por uma enorme cratera, que é evitado fortemente pelos habitantes da cidade. O filme tem Boris Karloff no elenco e, bem, toma algumas liberdades no que se refere à história.








De 1987, “The Curse”, trata de um fazendeiro religioso que procura sustentar sua família e manter sua fazenda, a qual está em vias de perder para um rico comprador que quer a maior parte das fazendas do local para ser uma área de lazer, e uma noite de tempestade onde um objeto brilhante não identificado cai em sua propriedade desencadeando uma terrível “maldição” sobre a cidade.








Há ainda uma terceira adaptação, mais recente, de 2010: “Die Farbe” (A Cor), produção alemã e que parece ser a mais fiel e interessante das adaptações.








A Cor que caiu do espaço é sem dúvida um marco importante para os fãs do realismo fantástico, do terror interplanetário e, principalmente, os fãs do autor, pois marca definitivamente o rumo que Lovecraft tomaria no que tange aos seus principais interesses dentro de sua literatura. A versão brasileira foi publicada no formato pocket recentemente pela editora Hedra, que tem feito um ótimo trabalho com as publicações do autor.

Curiosidades:
- H.P. Lovecraft declarou que “A Cor que veio do Espaço” é, de seus escritos, a sua história preferida;
- No conto, o autor se refere à criatura como um tipo de cor que não existia na natureza. Existem de fato as chamadas “cores impossíveis”, que não são percebidas sob condições normais. São cores completamente “inéditas” que são observadas apenas em condições bem específicas.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O Livro dos Milagres

“Só é válido aceitar um evento como milagroso se as hipóteses de mentira ou erro forem ainda mais improváveis que o milagre em si.”
David Hume

A ideia de que deus, no alto de sua onipotência, criou um universo no qual ele precisa interceder vez ou outra, desafiando as próprias leis que ele criou, para beneficiar uns poucos crédulos enquanto muitos outros passam por situações terríveis de abuso, violência e morte é algo logicamente difícil de acreditar – Até porque assumir isso implica admitir que o deus “todo poderoso” não é tão onipotente assim, já que tem que corrigir falhas na sua própria criação, o que derruba a própria divindade deste. Mas mesmo assim, muita gente, até hoje, acredita em milagres. Sejam milagres espetaculares (como os protagonizados nas igrejas evangélicas), sejam milagres do cotidiano, como ter saído de casa atrasado e conseguido pegar o ônibus porque este também se atrasou. “Graças à Deus”, costumamos dizer nesses casos, mesmo que conscientemente não atribuindo o incidente ao divino.

Os milagres estão por toda parte. Mas serão mesmo milagres, no sentido estrito da palavra? É desse assunto e outros relacionados que trata O Livro dos Milagres – A ciência por trás das curas pela fé, das relíquias sagradas e dos exorcismos, escrito pelo jornalista e escritor Carlos Orsi. Embora eu costume desconfiar de obras científicas escritas por jornalistas (não, não tenho nada contra jornalistas, mas infelizmente o projeto editorial de muitos desses profissionais é dar ao público "apenas o necessário" – sendo esse “necessário” o julgamento do próprio sobre o que deve ser informado ou não, o que às vezes conta mais como desinformação do que qualquer outra coisa), decidi adquirir o livro por dois motivos: Primeiro, porque é uma obra focada em temas que algumas vezes são deixados de lado em outras obras céticas; e segundo, porque é uma opção cética nacional, coisa raríssima de se ver por aqui.

A ideia por trás d’O Livro dos Milagres é simples, mas eficiente: demonstrar, através de nosso conhecimento histórico e científico, de nossas descobertas empíricas e de fatos comprovados, como diversos fenômenos atribuídos ao sobrenatural hoje em dia podem facilmente ser categorizados como algo bem longe de fantástico – e sim bastante mundano, tentando tornar essa informação acessível ao público em geral. O principal foco do livro são os fenômenos cristãos ou atribuídos ao cristianismo, como a abertura do Mar Vermelho, a ressurreição de Cristo, o Santo Sudário, as aparições de Maria, os estigmas, o poder da oração, a cura pela fé, entre outros (tem até espaço para falar sobre exorcismo).


Embora a obra pareça bater de frente com os cristãos, o livro está longe de querer questionar fé: a intenção principal é o objetivo – que deveria ser – de todo jornalista: Informar. E é fato que a maioria esmagadora dos fenômenos atribuídos ao sobrenatural ou ditos como inexplicáveis TEM SIM explicação plausível. Mas infelizmente essas explicações, ou são simplesmente ignoradas em prol de manter a fantasia viva no imaginário popular ou não são muito divulgadas (porque, convenhamos, verdade não vende jornal, a menos que seja apelativa). Quanto ao primeiro caso, não há muito o que se fazer; já quanto ao segundo, isso é de fato muito simples: É preciso divulgar. E é isso o que Carlos Orsi faz muito bem no livro. De forma simples e direta, sem se ater a tecnicalidades, o autor consegue demonstrar que os principais pilares do sobrenatural religioso não são assim tão sobrenaturais e o ser humano SABE disso atualmente. Cabe ao leitor aceitar as evidências ou simplesmente continuar fingindo que elas não existem (mas isso já é escolha de cada um).

Eu sou um grande defensor da popularização da ciência. Levo a sério a frase dita por, se não me engano, Albert Einstein de que, “se você não sabe explicar uma coisa de forma simples, é porque você não entendeu”. Acho que os cientistas em muitos casos se tornam arrogantes que querem que a população aprenda à força conceitos científicos complicadíssimos e não se esforçam em serem acessíveis. Acho que o cientista tem a OBRIGAÇÃO de conseguir explicar seu trabalho e suas teorias de forma que um leigo possa entender. Não é à toa que as pessoas ainda acreditem em milagres: para muitos, a ciência é tão misteriosa e inacessível quando qualquer fenômeno considerado sobrenatural. Só que muita gente acha que, para ser simples, deve ser reducionista. E isso não precisa corresponder com a realidade. É possível explicar o conceito básico, sem se ater a tecnicalidades confusas, e ainda assim não simplificar um conceito de forma que ele se torne outra coisa.

Esse é exatamente a vantagem d’O livro dos Milagres: ser simples, sem ser simplista. É uma leitura rápida, mas não superficial. A obra descreve extensos debates científicos e resume cronologias e contextos históricos de forma que seja de fácil compreensão para qualquer leitor, mas pautado pelas fontes das informações, para quem quiser se aprofundar no assunto. Neste caso, considere então O Livro dos Milagres como uma “introdução ao ceticismo”. Ótimo para quem precisa de explicações simples, recomendado para os que, para serem céticos, só precisam de um “empurrãozinho”.

O Livro dos Milagres é curto, agradável de ler e relativamente barato: Comprei por módicos R$ 30,00. Talvez não ofereça muita novidade para os “céticos hardcore”, mas certamente é uma leitura válida, especialmente para aqueles que estão a um passo do ceticismo. É (obviamente) mais um trabalho jornalístico do que científico (embora embasado cientificamente), mas isso não é de forma alguma algo ruim: é um trabalho de pesquisa muito bem feito e remete demais à “popularização da ciência” que eu comentei neste texto e pelo qual eu luto tanto. Por essa razão considero a obra extremamente recomendável.

Nota: 9

P.S.: A capa do livro, além de visualmente bacana (não tem título, e mostra apenas uma vela num fundo escuro), também faz uma alusão a O mundo assombrado pelos demônios – a ciência vista como uma vela no escuro, de Carl Sagan. Ótima sacada.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Os Tommyknockers

“Late last night and the night before,
Tommyknockers, Tommyknockers, knocking at the door.
I want to go out, don't know if I can,
'Cause I'm so afraid of the Tommyknocker man.”





Tema Macabro




Um dos aspectos mais interessantes a respeito do terror (e de toda forma de ficção, na verdade), é o uso de uma história fantástica para representar problemas e situações reais. É uma prática comum, mas que nem sempre acaba sendo percebida pelo grande público, o que é uma pena, pois este tipo de noção nos dá uma visão muito mais aprofundada da obra e de suas intenções.

Embora Stephen King seja um escritor “pop”, por assim dizer, ele não “escapa” de usar seus histórias para falar sobre problemas humanos – e muitas vezes de seus próprios problemas. Dentro deste contexto podemos citar o tema do Madrugada Macabra de hoje, Os Tommyknockers.

Quando Bobbi Anderson, uma reclusa romancista descobre o casco de uma espaçonave enterrada próximo à sua casa, ela chama seu amigo mais próximo, um poeta alcoólatra Jim Gardener para dar uma olhada. Quando o poeta chega, descobre que Bobbi agora tem a capacidade de construir incríveis invenções mecânicas que irão digitar o texto de seu novo romance enquanto ela dorme, usando como combustível sua própria casa e realizando outras estranhas funções. Com o tempo, percebe-se que outras pessoas na cidade passam a agir da mesma maneira, construindo incessantemente e aparentemente sofrendo de sintomas semelhantes à quando expostos à radiação (perda de peso, dentes e cabelos caindo). Cabe aos poucos ainda não afetados por esta estranha condição descobrir o que está acontecendo.

Traduzido aqui como “Os Estranhos”, o livro é extenso (mais de 600 páginas) e busca trazer uma “vibe” semelhante à “A Coisa”. Embora seja considerado um dos livros mais chatos do autor por alguns, Tommyknockers tem seus méritos. Para os fãs de Stephen King, é uma ótima pedida, o livro segue seus padrões típicos. Para quem não é fã ou não conhece muito da obra do autor, é um bom lugar para começar, caso não tenha possibilidade de ler antes “A coisa” ou “O Iluminado”. É um livro que fala sobre frustração, sobre alienação, sobre nossa luta interior para nos libertar daquilo que nos deixa dependentes e que (apenas aparentemente) nos faz sentirmos melhor. É um romance que, apesar de uma ou outra informação datada, continua bastante atual. Assim como todas as grandes histórias que representam algo.

Tommyknockers também foi transformado em uma minissérie para a TV em 1993, e chegou aqui no Brasil em VHS (você pode encontrá-lo tanto com o título original como “Os Estranhos”). Apesar de ter algumas diferenças em relação ao livro, num geral é bastante fiel ao espírito da obra original.


Não sei dizer se a minissérie está disponível em DVD, pois assisti ainda na época do não tão saudoso VHS. Vale a pena para os entusiastas do gênero darem uma procurada, no entanto.


Curiosidades:
- O título se refere à lenda dos Tommyknockers, espíritos ou criaturas presas à minas subterrâneas que atacavam pessoas e animais;
- Em sua autobiografia, King revelou que escreveu Tommyknockers no período em que estava com problemas relacionado às drogas, e que depois que terminou o romance percebeu que o livro era basicamente sua luta interna contra os entorpecentes;
- King atribui como fontes de inspiração para Tommyknockers o livro “A cor que veio do espaço”, de H.P. Lovecraft (em breve num Madrugada Macabra perto de você), o filme Vampiros de Almas e uma história de ficção científica de 1959 chamada The Big Front Yard;
- No álbum Tales of the Twilight World da banda Blind Guardian, há uma faixa entitulada "Tommyknockers" que é, obviamente, baseada na novela (e que, não por acaso, é o tema macabro do post). Ainda, há outra faixa chamada "Altair 4", planeta para onde é mandado um dos personagens da novela;
- Altair 4, planeta citado no livro, é uma referência ao clássico “Planeta Proibido”, de 1959;
- Como Stephen King adora fazer referências a outras histórias e ao seu próprio trabalho, este livro também possui várias: Duas crianças vêem o palhaço Pennywise, de "A Coisa", enquanto estão em Derry atrás de baterias; Ev Hillman diz que ouve vozes e risadas vindos de um bueiro em Derry; Jim Gardener acorda numa praia de Nova Hampshire perto do Alhambra Hotel, lá encontra um menino chamado Jack. Trata-se de Jack Sawyer, protagonista de "O Talismã"; alienígenas foram levados para a "Oficina", e há uma referência à uma menina que foi levada para lá e pôs fogo em tudo, obviamente referências à novela "A Incendiária"; King faz uma menção à si mesmo, quando o personagem Ev Hillman diz que prefere os livros de Bobbi Anderson porque são realistas, "ao contrário do cara que escreve coisas fajutas lá de Bangor"; David Bright é contatado por Ev Hillman que tenta lhe dizer o que está acontecendo em Haven, Bright havia entrevistado John Smith, na novela "A Zona Morta", e até o menciona; Ev Hillman medita sobre as florestas em que está enterrada a nave, pensando também na floresta em Ludlow e na maldição dos índios Micmac, explorada na novela "O Cemitério". Um dos personagens escuta uma rádio de Arnette, cidade do protagonista de "A Dança da Morte"; Gard se compara à Jack Nicholson em "O Iluminado"; Gard escuta a WZON, rádio que pertence a Stephen King na vida real; enquanto viaja na van após seu encontro com Jack Sawyer, Gard conhece um jovem hippie chamado Beaver (que mais tarde também enfrentaria alienígenas em O Apanhador de Sonhos); como Os Estranhos foi escrito 13 anos antes de O Apanhador, não é claro se se trata do mesmo Beaver; o livro menciona que Gard está sendo dirigido por seu "ka", referência clara à Torre Negra; durante sua raiva numa festa, Gard menciona os perigos do uso da energia nuclear, mencionando o projeto "Ponta da Flecha", que foi responsável pelos eventos vistos na noveleta "O Nevoeiro".

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O Caminho Tortuoso Dos Deuses



Poxa, nunca mais teve o "De fora da panela"... Que sacanagem... Era tão legal... blá, blá, blá...

CLARO QUE NUNCA MAIS TEVE, PORRA!! Essa coluna é feita de posts enviados por vocês, leitores, se não mandam nada, não tem coluna, vagabundos!! Rs..

Ai vem outro vagabundo, o Renver, nosso crássico leitor Aruévaa e nos manda um post usado, quer requentar texto velho dele lá do Clímax por aqui..

PODE ESSA PORRA?

CLARO QUE PODE, BWAHAHAHAHA... O Freud mesmo já andou fazendo isso por ai, aquele velho preguicoso duma figa.

Então parem de mimimi, confiram ai o post do Renver sobre o livro O Caminho Tortuoso Dos Deuses de Bernard Cornwell e nos mande o seu post, com texto e imagens pro e-mail contato@uarevaa.com.




Lengar o caçador, Camaban o aleijado e Saban o último filho de Hengall (líder tribal de Ratharryn). Essa é história de Stonehenge - lançado em 2008 na Inglaterra e 2010 no Brasil - de Bernard Cornwell onde a trajetória desses 3 irmãos se choca diretamente com vontade dos deuses. Ambientado numa Inglaterra selvagem (2000 anos a.C.) as portas da idade do bronze, esse livro de um pouco mais de 500 páginas tenta elucidar toda razão e insanidade pro detrás da construção de Stonehenge.


Stonehenge segundo os historiadores:

Localizada ao sul da Inglaterra na planície de Salisbury, Stonehenge até hoje intriga a humanidade. A maioria dos historiadores concordam que o monumento foi usado pelo menos como observatório astronômico, no entanto, fica claro suas outras funções diante de achados arqueológicos (como restos humanos, por exemplo). O monumento teve várias formas antes de assumir sua provável forma final:


Estima-se que até Stonehenge ficar nessa forma foram pouco mais de 30 milhões de horas de trabalho num período 100 anos. Alguns tipos de pedras foram transportadas por mais de 20 km de regiões montanhosas. Nesse processo com certeza muitas vidas humanas foram tomadas.

Segundo o romance de Bernard Cornwell, Stonehenge surgiu do desejo dos homens de apaziguar os deuses em suas próprias intrigas. Lahanna (a deusa lua) e Slaol (o deus sol) a muito tempo tinham brigado e separado suas trajetórias (a diferença entre o calendário lunar = 354/355 dias e o calendário solar = 365/366 dias) assim cabia ao Templo dos Mortos (o que hoje conhecemos como Stonehenge) reconciliar os deuses. Trazendo aos homens uma nova era sem doenças, sem invernos, sem fome e para sempre livres da imposição da morte.

Formato atual de Stonehenge (hoje tombado como patrimônio mundial):

A história em si tem um desenvolvimento lento, no entanto, pega o leitor de surpresa em momentos chaves quando a história muda totalmente de rumo. Ponto pro autor. Os detalhes, como ele construiu cada um dos três personagens principais. Você fica com ódio de Lengar, se solidariza por Saban (o protagonista) acompanhando com grande entusiasmo a formação do seu caráter. Camaban, torna-se um personagem inquestionavelmente intrigante, alguém que parece totalmente alheio a situação a sua volta (tem uma hora que Saban tá quase sendo morto e ele simplesmente começa a brincar com um gato), no entanto, demonstra ser um planejador meticuloso e manipulador.

A ambientação é maravilhosa, todo o planejamento pra a construção do monumento (como as pedras eram arrastadas, moldadas, encaixadas). Lutas tribais sem frescura ou clima épico algum, onde se vencia pela intimidação e cansaço. O fator divino é um tanto ambíguo, não fica claro se certos eventos são intervenções divinas ou mera coincidência, essa sutileza do autor é um elemento presente em todas suas obras. E por fim a selvageria... sinceramente nunca senti tanta aflição como nesse livro ao descrever os sacrifícios humanos (sem contar outras atrocidades).

Ponto negativo, achei o final do livro um tanto simples... pra não dizer medíocre. Pra mim faltou mais ousadia. Mas de forma alguma estraga o conjunto da obra. Tanto que as últimas 200 páginas são simplesmente irresistíveis... vejam bem, eu tava com sono, era de madrugada, precisava acordar cedo. Simplesmente não consegui parar de ler! Novamente mérito pro autor.

Stonehenge durante o solstício de inverno (por volta de 22 de dezembro):

Recomendo fortemente essa leitura (claro, desde que você não tenha estômago fraco) principalmente pelos aficionados por historia. Gostei muito do estilo de Bernard Cornwell, e não vejo a hora de acompanhar os outros trabalhos dele.

Pra encerrar deixo uma recomendação. A trilha sonora obrigatória pra esse livro é o álbum Origins (de 2010) do Shaman. Um excelente trabalho conceitual, de heavy metal melódico, que de certa forma tem muitas similaridades emocionais com o Stonehenge. Ambas as historias narram a trajetória tortuosa dos seus protagonistas destinados à liderança.

Fiquem com a minha música favorita - Blind Messiah:



Até a próxima pessoal.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Caso de Charles Dexter Ward

“Per Adonai Eloim, Adonai Jehova,
Adonai Sabaoth, Metraton Ou Agla Methon,
verbum pythonicum, mysterlum salamandrae,
ceventus sylvorum, antra gnomorum,
daemonia Coeli God, Almonsin, Gibor,
Jehosua, Evam, Zariathnatmik, Veni, veni, veni”





Tema Macabro




Quem conhece alguma coisa de H.P. Lovecraft sabe que ele foi um autor muito injustiçado no seu tempo. Tanto que, além do número limitado de leitores, nunca teve um livro de capa dura publicado e seus escritos se resumiram, em grande parte, a contos publicados de forma seriada em jornais e revistas da época. Sua popularidade foi crescendo com o passar do tempo, mas o reconhecimento de verdade só veio após a sua morte.

O que nos traz ao Caso de Charles Dexter Ward, um conto que foi escrito pelo autor em 1927, mas que só foi publicado postumamente em 1941 na revista pulp Weird Tales (que publicou diversas histórias do autor). O conto nos mostra a história do jovem de um jovem chamado Charles Dexter Ward, que em 1918, acaba ficando intrigado com o passado devido à fascinação com a história de um ancestral seu, Joseph Curwen, que deixou Salem por Providence (a cidade onde se passa a história) em 1692 e conseguiu notoriedade pelas assombrações de túmulos, por ser aparentemente desprovido de envelhecimento e por seus experimentos em alquimia. Ward lembra Curwen fisicamente e tenta replicar os feitos cabalísticos e alquímicos, eventualmente encontrando os restos mortais de seu antepassado, o que acaba levando o personagem a lugares aterrorizantes, mas não geográficos, e sim da mente e do sobrenatural.

Entre as inspirações de Lovecraft para o conto estão Providence in Colonial Times, de Gertrude Selwyn Kimball, de onde ele tirou muito do contexto histórico, o livro The Return, de Walter de la Mare e o conto Count Magnus de M. R. James , citados no ensaio “O Horror Sobrenatural na Literatura” do autor.

O Caso de Charles Dexter Ward ainda foi levado para o cinema duas vezes: A primeira foi em 1963 por Roger Corman no filme The Haunted Palace e estrelado, é claro, por Vincent Price. O filme conte a história de um vilarejo em 1765 que se vê as voltas com a desconfiança de que seu mais novo morador, Joseph Curwen, seja um feiticeiro. Após eventos trágicos, a história salta para 1875, onde Charles Dexter Ward e a esposa herdam chegam a uma nova cidade ao herdar a casa de seu antepassado, Joseph Curwen.


Outra adaptação é The Ressurected (também conhecido como Shatterbraindon’t ask), lançada em 1992 diretamente para vídeo, que conta a história de Claire Ward, que contrata um detetive particular para investigar as atividades cada vez mais bizarras de seu marido, Charles Dexter Ward, que se tornou obcecado por práticas ocultistas como ressuscitar os mortos que já foram praticadas por seu ancestral, Joseph Curwen.


Para quem ainda não leu, O Caso de Charles Dexter Ward foi publicado no Brasil pela L&PM em versão pocket, assim como fizeram com outros contos do autor (Como A Tumba e Outras Histórias), por um preço bem baratinho (assim como todos os livros pockets da editora).

Curiosidades:
- No que se refere aos chamados “Mitos do Chtulhu”, o Caso de Charles Dexter Ward conta com a primeira menção à entidade Yog-Sothoth;
- Entre os escritores que figuravam junto com Lovecraft na revista Weird Tales estava Robert E. Howard com as histórias do Conan, o Bárbaro;
- Embora The Haunted Palace seja uma adaptação do conto de Lovecraft, ela era vendida como uma obra de Edgar Alan Poe. Mas a única coisa que o filme tem de Poe é o título, que vem de um poema dele;
- Curiosamente, o Caso de Charles Dexter Ward era uma das histórias que Lovecraft menos gostava, pois ficou bastante insatisfeito com o que ele memso havia escrito. Tanto que não se esforçou muito para que a história fosse publicada, deixando ela de lado e assim ela só foi resgatada quando o autor faleceu;
- Existe uma banda de Blues chamada Charles Dexter Ward And The Imagineers;
- A música “Borellus”, da banda HIM (o tema macabro de hoje) tem em seu primeiro verso uma leitura parcial do primeiro capítulo do Caso de Charles Dexter Ward;

Na próxima Madrugada:
Você vai conhecer um pouco mais sobre a editora de quadrinhos americana mais reconhecida por seu trabalho com o terror: A História da EC Comics.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Beber, Jogar, F@#er


Um tempo atrás nosso querido Moura me deu de presente um livro do qual ele dizia ter um pouco da sua própria filosofia de vida. O livro em questão falava sobre a vida de Bob Sulivan, um cara que havia sido traído pela esposa, se divorciado e que após esse choque começa a refletir sobre o que tem feito da própria vida. 

Decidido a não ficar parado resolveu juntar toda sua grana, vender tudo que tinha e partir em uma viagem de auto descobrimento para aproveitar sua recente solteirice indo a três lugares específicos do mundo para fazer três atividades bem especificas: Beber na Irlanda, Jogar em Las Vegas e Foder na Tailândia. Uma jornada que o levaria a novas experiências e aquilo que mais buscava.

Autor: Andrew Gottlieb

Beber, Jogar, F@#er é um livro de autoria de Andrew Gottlieb e já nasceu como uma sátira ao sucesso Best Selller Comer, Rezar, Amar, que mostra uma visão feminina de autodescoberta em viagens pelo mundo. Claro que uma obra feita para parodiar outra iria para o extremo oposto do que a primeira vez, e aqui não é diferente.

Andrew no mostra um Bob caído, frustrado não só com o fracasso de seu casamento, mas com a sua própria vida cotidiana, rotineira, morna, sem sal que vive há anos. Sempre com medo de arriscar, de chacoalhar o status quo, e tudo isso muito em prol da harmonia de seu relacionamento amoroso que agora era desfeito. Então o recém divorciado tira um ano de férias para viajar e se divertir.

A sua primeira parada é Irlanda, e é de longe a parte mais hilária da história, não que as outras não tenham graça, mas todo mundo sabe que bebida sempre traz coisas divertidas para contar. O interessante que Gottlieb não procura ser inovador em sua narrativa, criar coisas mirabolantes ou saídas super engenhosas, ele é muitas vezes bem simples – usando até de exageros de coincidências, que são normais a qualquer história, mas vamos combinar né! – e com um recurso básico de jornada do herói que é o mentor

Em todas as cidades visitadas pelo nosso herói ele conhece alguém, ou por acaso ou indicação, que se torna seu guia no mundo abordado. Na Irlanda esse guia o leva aos bares mais undergrounds existentes, levando-o a uma diversão, companheirismo, risadas, ressacas e aventuras como ele nunca tinha vivido antes. Já em Las Vegas, Bob se passa por um grande empresário por conta de uma amizade com alguém importante. Assim, consegue passe livre em cassinos, hotel de primeira classe, partidas de golfes em clubes privados, e jogos, muito jogos no famoso “é tudo ou nada”. Para mim foi a parte mais cansativa da viagem, provavelmente por eu não ser tão ligado em jogatina, mas não deixa de ter seu brilho.

No último lugar, Tailândia, Bob se vê em um mundo de antíteses. Ao mesmo tempo em que tem resorts luxuosos, cruzeiros de alta qualidade, a população local passa por dificuldades estruturais e financeiras gigantescas. E é nesse local de opostos que ele conhece uma nativa com quem aprende algumas coisas sobre sexo e liberdade, alias, essa parte apesar de tratar do tema sexual não trás algo pornográfico, vê o sexo mais como autodescoberta e transcedentalidade. 

Praia da Tailândia
Inclusive, todo o livro não faz uma apologia a nada, mas nos diz “faça suas escolhas, não deixe que escolham por você, e aproveite a vida”. Sendo mais um manual, um guia espiritual, digamos, que uma obra de auto-ajuda. Sua leitura é leve, descontraída e nos dá a vontade de ver mais aventuras de Bob Sullivan. É, definitivamente, um livro masculino em sua raiz, contudo, e diferente para mim de sua versão feminina – pelo menos o filme -, não é só para um público. Mulheres podem lê-lo e se divertir, até entender melhor a mente masculina, que não vão achar muito enjoativo.

Fica a dica de leitura, ela pode não mudar sua vida - eu mesmo não virei um nômade que sai bebendo, jogando e fudendo por aí, pelo menos não na quantidade do Bob - mas ajudará você a compreender uma coisa: a vida é muito mais que trabalho e compromissos, é preciso se divertir, arriscar tudo, conhecer coisas exóticas nem que seja uma vez só na vida. Além disso Andrew nos mostra que cada momento pode ser vivido com alegria, descoberta e como se fosse o mais importante de toda vida, porque, afinal, ele é.