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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

H.P. Lovecraft: Fear Of The Unknown


Há algum tempo me mandaram este vídeo pelo Youtube. Infelizmente, não lembro quem, então peço desculpas por não citar, mas fica aí o registro.

Fear of the Unknown é um documentário que observa a vida, o trabalho e a mente por trás do horror fantástico e dos mitos do Cthulhu. O documentário tem entrevistas de gente como Guillermo del Toro, Neil Gaiman, John Carpenter, Peter Straub, Caitlin R. Kiernan, Ramsey Campbell, Stuart Gordon, S. T. Joshi, Robert M. Price and Andrew Migliore. A produção ganhou o prêmio de melhor documentário na Comic-Con International Independent Film Festival e passou no Fantaspoa em 2009.

Produzido por William Janczewski, James B. Myers, and Woodward
Escrito e Dirigido por H. Woodward

Confira o documentário, na íntegra, com legendas em espanhol:

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Cor que caiu do Espaço

“Embora a província do desconhecido venha diminuindo sem nenhuma interrupção há milhares de anos, uma reserva infinita de mistério ainda paira sobre a maior parte do cosmo sideral.”
H.P. Lovecraft






Tema Macabro




H.P. Lovecraft é mais conhecido por sua contribuição para o realismo fantástico (nada me tira da cabeça a ideia de que ele influenciou de alguma forma Erick Von Daniken e sua teoria dos Deuses Astronautas) e para as histórias de terror cósmicas, mas nem sempre foi assim. De fato, inicialmente, o auto se limitava a obras e temas comuns ao gênero. Histórias como A tumba, O Caso de Charles Dexter Ward, o Depoimento de Randolph Carter e Herbert West: Reanimator se utilizavam dos temas mórbidos mais recorrentes ao gênero na época, mas em Dagon (que foi seu segundo conto publicado) o autor já demonstrava, embora de forma mais tímida, interesses que mais adiante ficariam claros: História, astronomia e arqueologia.

Mas, embora Lovecraft flertasse desde o começo com tais temas, foi com A Cor que caiu do Espaço que ele iniciou sua jornada pelos confins do cosmo a fim de trazer inspiração para seus escritos, o que acabou tornando-o conhecido por este tipo de história.

A trama de A Cor que Caiu do Espaço é simples – e talvez hoje soe até previsível, mas instigante (ainda mais para a época – estamos falando de um momento histórico marcado pelo cientificismo e por novas e inimagináveis descobertas científicas): Existe um terreno nos arredores da cidade de Arkham, que é evitado por todos na cidade. Possui uma atmosfera gótica e perturbadora, cinza e sem vida. Mas conta-se que antigamente o lugar já foi bem diferente, cheio de plantas, cheio de vida, habitado por uma família que era dona do terreno e inclusive sendo um lugar ótimo para se visitar (pelo local e também pelas pessoas). Mas tudo mudou com a queda de um estranho meteorito vindo do espaço.

O conto marca um importante ponto na vida literária de Lovecraft. Em seus ensaios “Horror Sobrenatural na Literatura” e “Notas sobre Ficção Interplanetária”, o autor defende que a verossimilhança lógica e emocional dentro deste tipo de trama é fundamental para garantir o engajamento do leitor a essas histórias. Coisas como reações humanas mais condizentes com a natureza do incidente fantástico (ele alegava que muitos autores banalizavam as reações das pessoas frente à acontecimentos extraordinários e que isso desacreditava as histórias) e a representação de coisas fantásticas, não como sendo coisas dentro de nossa perspectiva, mas como sendo o que o próprio nome diz, ou seja, fantásticas, estão entre as opiniões do autor quanto à direção que ele segue em suas histórias.

A Cor que Caiu do Espaço, por exemplo, surge da intenção de Lovecraft de retratar uma forma alienígena que fosse tão distinta daquilo que conhecemos que o máximo que podemos fazer é uma analogia sobre o que aquilo se parece, mas que, por sua completa falta de identificação com qualquer forma de vida já vista, ela acaba se tornando, de fato, alienígena, num sentido bem mais profundo. Por essa razão que a forma alienígena que vemos não parece nem sólido, nem líquido, e de fato nem gasoso, sendo a analogia mais próxima, apenas uma “cor”. Uma cor que veio do espaço.

A história ainda teve adaptações para o cinema: “Die, Monster, Die” é de 1965 e conta a história de um cientista americano que visita a cidade da família de sua noiva encontra durante a viagem um terreno destruído por uma enorme cratera, que é evitado fortemente pelos habitantes da cidade. O filme tem Boris Karloff no elenco e, bem, toma algumas liberdades no que se refere à história.








De 1987, “The Curse”, trata de um fazendeiro religioso que procura sustentar sua família e manter sua fazenda, a qual está em vias de perder para um rico comprador que quer a maior parte das fazendas do local para ser uma área de lazer, e uma noite de tempestade onde um objeto brilhante não identificado cai em sua propriedade desencadeando uma terrível “maldição” sobre a cidade.








Há ainda uma terceira adaptação, mais recente, de 2010: “Die Farbe” (A Cor), produção alemã e que parece ser a mais fiel e interessante das adaptações.








A Cor que caiu do espaço é sem dúvida um marco importante para os fãs do realismo fantástico, do terror interplanetário e, principalmente, os fãs do autor, pois marca definitivamente o rumo que Lovecraft tomaria no que tange aos seus principais interesses dentro de sua literatura. A versão brasileira foi publicada no formato pocket recentemente pela editora Hedra, que tem feito um ótimo trabalho com as publicações do autor.

Curiosidades:
- H.P. Lovecraft declarou que “A Cor que veio do Espaço” é, de seus escritos, a sua história preferida;
- No conto, o autor se refere à criatura como um tipo de cor que não existia na natureza. Existem de fato as chamadas “cores impossíveis”, que não são percebidas sob condições normais. São cores completamente “inéditas” que são observadas apenas em condições bem específicas.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Todas as criaturas de H.P. Lovecraft ganham vida... graficamente


Esta é para quem é fã dos conceitos e criaturas bizarras e surreais de um dos pais do medo.


H.P. Lovecraft é bastante conhecido dentro do gênero do Terror (até porque sem ele talvez o gênero do realismo fantástico não existiria como o conhecemos), mas infelizmente poucos de seus monstros foram levados para fora dos livros e desenvolvidos imageticamente. Entre as poucas exceções estão o duplo filme espanhol La Herencia Valdemar.

Mas quem sempre teve curiosidade de ver como seriam retratadas as criaturas deste autor graficamente agora pode ficar mais feliz: Uma artista chamado Michael Bukowski decidiu colocar para si a tarefa de ilustrar TODAS as criaturas já descritas por Lovecraft em suas histórias. E aqui não falamos apenas das criaturas que fazem parte dos chamados “mitos do Cthulhu”, mas de suas outras histórias também.

O cara até criou um blog onde vai atualizando com as imagens das criaturas, as descrições originais e de que livro veio. Bastante completo e muito recomendável para os fãs do gênero.















Confiram outras ilustrações lá no blog dele.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O Legado Valdemar


- Você sabe o que está acontecendo aqui, não é? Como quer que eu durma direito se você não me conta?
- Se eu contar, não dormirá de jeito nenhum pelo resto da sua vida.
O Legado Valdemar




Tema Macabro




Como primeiro Madrugada Macabra após a mudança de periodicidade (para quem ainda não sabe, se tornou mensal – ou o mais próximo disso que este que vos escreve conseguir), nada melhor do que (re)começar com uma história inspirada por um dos pais do medo.

Quem acompanha o Madrugada Macabra (e/ou acompanha terror em geral) sabe que o cinema espanhol nos últimos anos tem se saído muito bem com o cinema fantástico, um subgênero que tem sido cada vez mais repetitivo e subaproveitado por Hollywood e praticamente reinventado em produções hispânicas como Abra los Ojos, O Labirinto do Fauno, A Espinha do Diabo e [REC] (apenas para citar alguns). De fato, o cinema espanhol há muito já não se limita apenas a produções dramáticas feitas apenas para tentar concorrer a prêmio e produções do Almodóvar (que geralmente ganham prêmios); prova disso é o tema do Madrugada Macabra de hoje.

Em “O Legado Valdemar” (La Herencia Valdemar, no original), acompanhamos Luisa Llorente, corretora especialista na avaliação de prédios antigos que é retirada de sua folga para fazer o inventário da antiga “Mansão Valdemar”, cujo corretor original, seu colega de trabalho, sumiu e seus chefes pensam que ele encontrou algo de muito valor ali e decidiu fugir para tirar um dinheiro disso.

Chegando lá, Luisa é confrontada com situações inexplicáveis e acaba desaparecendo. Seu patrão decide contratar um detetive para encontrá-la, que será acompanhado por uma das executivas da empresa. Com o tempo, descobrimos que há muito mais na história dos desaparecimentos do que se pode supor e, assim que ficamos conhecendo mais da história da Mansão Valdemar e de seus moradores, somos jogados em uma épica história que mistura passado e presente e nos coloca diante de um mundo fantástico que só pensávamos existir nos livros.



O Legado Valdemar presta homenagem à H.P. Lovecraft em diversos aspectos. Primeiro, por ser inspirado em suas obras (em especial aos conhecidos Mitos do Cthulhu) para criar uma história original e criativa. Segundo, por usar na narrativa técnicas que o próprio autor usava em suas obras, em especial a historicidade como parte fundamental da trama (o flashback se passa primariamente no século XIX, em meio ao crescente cientificismo positivista e o advento do Espiritismo), as constantes referências a outros autores e o uso de pessoas, conceitos científicos e acontecimentos reais para dar verossimilhança à obra.

O Legado Valdemar pode enganar no início, parecendo um típico thriller americano, mas com o tempo a película adquire tom e ritmo próprios e nos coloca numa narrativa tensa, dramática e com um final épico. Infelizmente (e por razões que eu não consigo entender), a produção teve uma recepção bastante negativa, talvez pelo fato de que na verdade não se trata de um, mas de 2 filmes. Então quando for procurar por “O Legado Valdemar”, você terá de obrigatoriamente buscar também por “O Legado Valdemar 2: A Sombra Proibida”, que liga todas as pontas do primeiro e encerra a história.



Recomendo aos fãs de Lovecraft (e aos apreciadores de narrativas fantásticas) assistir a O Legado Valdemar. Infelizmente, eu não encontrei o filme por aqui, portanto há apenas os meios não convencionais do download pela internet se você não quiser importar (de verdade) o filme. Mas é um esforço que vale a pena.

Curiosidades:
- Apesar de não ser diretamente adaptada de nenhuma obra de H.P. Lovecraft em específico, o filme incorpora diversos elementos de suas histórias, como o famigerado Necronomicon e os mitos relacionados aos Grandes Antigos (cujo mais conhecido é Cthulhu);
- A narrativa passada que explora a história da Mansão Valdemar é retirada do conto “Horror em Dunwich” uma das obras chave do mito do Chulhu e que centra-se na tentativa de organizar um ritual para abrir um portal entre dimensões e adquirir conhecimento infinito;
- No ritual de Dunwich que vemos no filme, temos presenças ilustres de pessoas que existiram de verdade: Aleister Crowley (o único que tem uma maior participação no filme), figura mítica ligada ao ocultismo e que inspirou Raul Seixas e Paulo Coelho no passado (embora este último faça questão de ignorar que esse período existiu); Belle Gunnes, uma “viúva negra” de seu tempo, acusada de assassinar todos os seus maridos e dizem as más línguas que chegou a matar cerca de 40 pessoas; Lizzie Borden, que matou o pai e a madrasta a machadadas; o musicista italiano Luglio Fuchini e Bram Stocker (sim, o criador de Drácula). Além deles, o próprio Lovecraft aparece como personagem em determinado momento do filme numa ponta bem interessante;
- O Legado Valdemar é o primeiro filme na história do cinema espanhol a ser produzido de forma totalmente independente, sem subsídios do governo do país.
- Os efeitos especiais ficam por conta de Reyes Abades, o mesmo de O Labirinto do Fauno.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Caso de Charles Dexter Ward

“Per Adonai Eloim, Adonai Jehova,
Adonai Sabaoth, Metraton Ou Agla Methon,
verbum pythonicum, mysterlum salamandrae,
ceventus sylvorum, antra gnomorum,
daemonia Coeli God, Almonsin, Gibor,
Jehosua, Evam, Zariathnatmik, Veni, veni, veni”





Tema Macabro




Quem conhece alguma coisa de H.P. Lovecraft sabe que ele foi um autor muito injustiçado no seu tempo. Tanto que, além do número limitado de leitores, nunca teve um livro de capa dura publicado e seus escritos se resumiram, em grande parte, a contos publicados de forma seriada em jornais e revistas da época. Sua popularidade foi crescendo com o passar do tempo, mas o reconhecimento de verdade só veio após a sua morte.

O que nos traz ao Caso de Charles Dexter Ward, um conto que foi escrito pelo autor em 1927, mas que só foi publicado postumamente em 1941 na revista pulp Weird Tales (que publicou diversas histórias do autor). O conto nos mostra a história do jovem de um jovem chamado Charles Dexter Ward, que em 1918, acaba ficando intrigado com o passado devido à fascinação com a história de um ancestral seu, Joseph Curwen, que deixou Salem por Providence (a cidade onde se passa a história) em 1692 e conseguiu notoriedade pelas assombrações de túmulos, por ser aparentemente desprovido de envelhecimento e por seus experimentos em alquimia. Ward lembra Curwen fisicamente e tenta replicar os feitos cabalísticos e alquímicos, eventualmente encontrando os restos mortais de seu antepassado, o que acaba levando o personagem a lugares aterrorizantes, mas não geográficos, e sim da mente e do sobrenatural.

Entre as inspirações de Lovecraft para o conto estão Providence in Colonial Times, de Gertrude Selwyn Kimball, de onde ele tirou muito do contexto histórico, o livro The Return, de Walter de la Mare e o conto Count Magnus de M. R. James , citados no ensaio “O Horror Sobrenatural na Literatura” do autor.

O Caso de Charles Dexter Ward ainda foi levado para o cinema duas vezes: A primeira foi em 1963 por Roger Corman no filme The Haunted Palace e estrelado, é claro, por Vincent Price. O filme conte a história de um vilarejo em 1765 que se vê as voltas com a desconfiança de que seu mais novo morador, Joseph Curwen, seja um feiticeiro. Após eventos trágicos, a história salta para 1875, onde Charles Dexter Ward e a esposa herdam chegam a uma nova cidade ao herdar a casa de seu antepassado, Joseph Curwen.


Outra adaptação é The Ressurected (também conhecido como Shatterbrain – don’t ask), lançada em 1992 diretamente para vídeo, que conta a história de Claire Ward, que contrata um detetive particular para investigar as atividades cada vez mais bizarras de seu marido, Charles Dexter Ward, que se tornou obcecado por práticas ocultistas como ressuscitar os mortos que já foram praticadas por seu ancestral, Joseph Curwen.


Para quem ainda não leu, O Caso de Charles Dexter Ward foi publicado no Brasil pela L&PM em versão pocket, assim como fizeram com outros contos do autor (Como A Tumba e Outras Histórias), por um preço bem baratinho (assim como todos os livros pockets da editora).

Curiosidades:
- No que se refere aos chamados “Mitos do Chtulhu”, o Caso de Charles Dexter Ward conta com a primeira menção à entidade Yog-Sothoth;
- Entre os escritores que figuravam junto com Lovecraft na revista Weird Tales estava Robert E. Howard com as histórias do Conan, o Bárbaro;
- Embora The Haunted Palace seja uma adaptação do conto de Lovecraft, ela era vendida como uma obra de Edgar Alan Poe. Mas a única coisa que o filme tem de Poe é o título, que vem de um poema dele;
- Curiosamente, o Caso de Charles Dexter Ward era uma das histórias que Lovecraft menos gostava, pois ficou bastante insatisfeito com o que ele memso havia escrito. Tanto que não se esforçou muito para que a história fosse publicada, deixando ela de lado e assim ela só foi resgatada quando o autor faleceu;
- Existe uma banda de Blues chamada Charles Dexter Ward And The Imagineers;
- A música “Borellus”, da banda HIM (o tema macabro de hoje) tem em seu primeiro verso uma leitura parcial do primeiro capítulo do Caso de Charles Dexter Ward;

Na próxima Madrugada:
Você vai conhecer um pouco mais sobre a editora de quadrinhos americana mais reconhecida por seu trabalho com o terror: A História da EC Comics.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Nas Montanhas da Loucura

“A mais forte e antiga emoção da humanidade é o medo, e o medo mais forte e antigo é o medo do desconhecido”
H.P. Lovecraft






Tema Macabro




Uma das coisas mais fascinantes do ser humano é sua dubiedade, algo que já comentei mais de uma vez por aqui. Ao mesmo tempo que o ser humano tem um medo natural do desconhecido, é fascinado por ele e vai, eventualmente, buscá-lo. Mas o que acontece quando aquilo que descobrimos contradiz tudo aquilo no qual acreditamos durante toda a vida? Quando descobrimos que a verdade é algo que vai muito além do que poderíamos imaginar, é possível voltar a viver uma vida normal? Essas são questões que vem com o ser humano há muito tempo, e ganham cada vez mais relevância à medida que certos mitos e superstições vão sendo derrubados por novas descobertas, mas também à medida que a ciência vai descobrindo cada vez mais que sabe cada vez menos sobre a vida e o universo.

O Geólogo e professor da Universidade de Miskatonic, Willian Dryer, encontra-se nesta posição ao fazer uma expedição à Antártida. Lá, ele encontra antigas ruínas e formas de vida completamente desconhecidas da ciência e que não podem ser classificados como plantas ou animais. E o que se segue a partir daí pode mudar toda a nossa compreensão da realidade.

Esta é a premissa básica de Nas Montanhas da Loucura, escrita por um dos pais do medo, H.P. Lovecraft (e que, claro, preferi discorrer o mínimo possível para não estragar a futura leitura) e publicada originalmente de forma seriada na revista pulp Astounding Stories. Nas Montanhas da Loucura é um dos livros de Lovecraft que lida/menciona a mitologia relacionada aos mitos do Cthulhu que, para quem não sabe, se relaciona aos chamados “Grandes Antigos”, criaturas cósmicas que existem/existiram desde antes da humanidade.

Apesar de não ser a primeira história onde os Mitos do Chtulhu são citados, Nas Montanhas da Loucura presta grande contribuição a essa mitologia por ser a obra que apresenta, pela primeira vez, uma explicação científica e “natural” para a origem destes seres e dos elementos e aspectos a eles atribuídos, inclusive se inspirando em descobertas recentes (à época) para justificar a história, valendo-se de termos e descobertas científicas reais.

Nas Montanhas da Loucura é narrado em primeira pessoa e, como é bastante comum nas obras do autor, tem como ponto forte as descrições e a atmosfera criada para a história. Atualmente, pode ser encontrada no Brasil em um volume recente pela editora Iluminuras, que traz ainda mais três contos do autor: A Casa Temida, Sonhos na Casa Assombrada (que foi adaptado em um episódio da série Masters of Horror) e O Depoimento de Randolph Carter. Um clássico altamente recomendável para quem quer conhecer a obra do autor e para fãs de terror.



Curiosidades:
- The Nameless City é considerado a primeira história a abordar os mitos do Cthulhu;
- Nas Montanhas da Loucura foi originalmente rejeitada pela revista Weird Tales (revista que já tinha publicado contos de Lovecraft antes);
- A revista Astounding Stories, que trouxe pela primeira vez Nas Montanhas da Loucura é a revista do gênero de maior duração, existindo até hoje, mas agora com o nome de Analog Science Fiction and Fact;
- Muita gente não sabe, mas Nas Montanhas da Loucura tem duas “sequências” não escritas por Lovecraft e produzidas após sua morte: A Colder War, de 1997 e escrito por Charles Stross que mistura a Guerra Fria com os Mitos do Cthulhu e mostra as conseqüências das descobertas feitas em Nas Montanhas da Loucura e Hive, publicado em 2005 e escrito por Tim Curran que, além de trazer muitas liberdades criativas em relação ao trabalho de Lovecraft, mostra uma nova expedição à Antártida agora que o local da primeira expedição está em degelo;
- Os mitos relacionados aos grandes antigos foram cunhados de “Mitos de Cthulhu” após a morte de Lovecraft, por um amigo. Apesar do Cthulhu não ser a criatura principal do panteão de "Deuses" de Lovecraft, é na história “The Call of Cthulhu” que esta mitologia é explorada de forma mais abrangente.

Na próxima Madrugada:
Você vai conhecer um dos autores mais reconhecidos dentro do gênero de terror: Na próxima semana, um pouco sobre quem é Clive Barker.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Re-animator

Dan Cain: Ele está morto?
Herbert West: Não mais.
Reanimator




Tema Macabro



Howard Phillips Lovecraft é, sem dúvida um dos autores mais influentes no gênero de terror, tendo em muitas de suas histórias estabelecido as bases para uma série de elementos do gênero que hoje são usados à exaustão em filmes, séries, livros, HQs e games. Não é de surpreender então que o autor tenha parte na criação de um dos elementos mais conhecidos do terror atualmente, os zumbis.

Em julho de 1922 começou a ser publicado, de forma seriada, um conto chamado Herbert West – Reanimator. Na história, um cientista obsessivo, desacreditado por seus colegas por insistir que pode superar a morte desenvolve uma fórmula que, injetada nas veias de um corpo recém falecido, causa a volta das funções do seu corpo, como trazendo-o de volta à vida. Mas o processo de “reanimação” tem seus efeitos colaterais, e a maioria das cobaias de Herbert West se tornavam violentos e, após tentativas de retornarem para suas próprias sepulturas, acabavam aterrorizando as comunidades de onde vinham. A única pessoa que simpatizava com Herbert West era Dan Cain, que foi um de seus colegas.

Herbert West – Reanimator foi publicado originalmente na publicação amadora Home Brew e dividida em 6 partes: “From the Dark”, “The Plague-Daemon”, “Six Shots by Moonlight”, “The Scream of the Dead”, “The Horror From the Shadows” e “The Tomb-Legions”. A história é considerada, junto com Frankenstein de Mary Shelley, um dos precursores das histórias de Zumbis atuais.

Como eu mencionei no post sobre Lovecraft, o autor só teve reconhecimento depois de morto, então na época a história não chegou a se tornar popular, isso acontecendo apenas após suas adaptações para outras mídias.

A primeira adaptação do conto se deu na revista Weird Science, da EC Comics, em 1950, numa versão em quadrinhos. Mas a mais conhecida adaptação do personagem foi sem dúvida o filme Re-animator, de 1985, dirigida por Stuart Gordon (que também adaptou o conto de Edgar Allan Poe, o Poço e o Pêndulo) e protagonizado por Jeffrey Combs. O filme, além de ser uma boa adaptação do conto original também foi muito bem recebido pela crítica, e hoje o filme é considerado um clássico do gênero.



O filme ainda contou com duas sequências: A Noiva do Re-Animator, de 1991, que mostra a tentativa de reanimar um antigo amor do Dr. Dan Cain e mais recentemente, em 2003, Beyond Re-Animator, que leva a história e os personagens para uma prisão, 13 anos depois da última sequência, onde Herbert West cumpre pena pela morte de uma garota. As duas sequências foram dirigidas por Brian Yuzna (diretor de trashes como A Volta dos Mortos-Vivos 3) e trazem de volta Jeffrey Combs como protagonista.



A noiva de Re-animator foi bem recebido, ganhando inclusive algumas premiações do gênero, e ainda se inspira no conto original de Lovecraft. Já Beyond Reanimator foi menos expressivo, estreando primeiro na TV e indo direto para DVD, tendo muito pouco a ver com o conto original, sendo apenas uma sequência direta dos filmes. Mas também vale a pena conferir.





Curiosidades:
- Herbert West – Reanimator foi criado por Lovecraft como uma paródia do Frankenstein de Mary Shelley;

- Jeffrey Combs, que intepreta Herbert West nos três filmes de Re-Animator faz a voz do Questão no desenho Liga da Justiça Sem Limites;
- Recentemente a editora Dynamite Entertainment publicou a hq Army of Darkness VS Re-Animator, colocando Herbert West e outros monstros Lovecraftianos contra Ash Williams, da série de filmes Evil Dead;
- A editora Zenescope (que está lançando HQs da série Charmed) publicou uma revista em quadrinhos regular chamada “Chronicles of Dr. Herbert West”, baseado no conto original;
- Foi desenvolvido o piloto de uma série chamada “Herbert West – Re-animator: The Series”, que buscava ser uma série de terror adolescente no estilo “Buffy – A caça Vampiros” e inspirada no conto de Lovecraft. Não soube mais nada sobre esta série desde 2009, então ao que parece, o piloto não decolou (trocadilho não intencional).



Na próxima madrugada:
Uma jovem garota é morta, e para trazê-la de volta à vida, um jovem a submete a uma ousada experiência. Na próxima semana, um filme com premissa criativa e original, do tipo que não se faz mais, A Maldição de Samantha.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Pai do Medo

Tranque as portas do quarto! Apague as luzes, mas não feche os olhos! Remova todos os objetos cortantes de perto de você, abra as portas do armário! Fixe sua mente no presente e desespere-se, pois a hora negra chegou!



É possível que não exista, atualmente, ninguém mais influente no gênero de Terror que o americano Howard Phillips Lovecraft, ou simplesmente H.P. Lovecraft. Digo isso porque a geração atual, a que realmente faz terror hoje em dia – desculpem, meninas, mas não tem como considerar “Crepúsculo” uma história de terror; seria o mesmo que dizer que Zorra Total é comédia de verdade - tem como inspiração autores como Stephen King, Clive Barker e séries como Arquivo X e Millenniun, que por sua vez têm (com acento, porra, foda-se a reforma ortográfica) assumidamente um “pé” na literatura perpetrada por Lovecraft.

Para quem não sabe, Howard Phillips Lovecraft é uma americano de Providence, Rhode Island, nascido em 20 de Agosto de 1840. Criado pela mãe, duas tias e pelo avô, foi uma criança precoce e com dois anos já recitava poesias sob o pseudônimo Abdul Alhazred, que seria mais tarde um nome importantíssimo para uma de suas maiores contribuições para a literatura de terror. Se interessou pela cultura árabe, grega, pela Odisséia e aos oito anos já se enveredava pela ciência e astronomia. Teve uma infância com muitas doenças, muitas provavelmente psicológicas. Muitas de suas histórias, inclusive, são atribuídas aos freqüentes pesadelos que tinha durante sua vida.

Lovecraft nunca teve uma publicação de capa dura enquanto vivo, apenas alguns contos em revistas como Weird Tales e algumas poesias em revistas pulp e só ficou realmente famoso depois de morto, mas suas contribuições para a literatura fantástica e de terror até hoje são inspiração para outros autores, seja na literatura ou em qualquer outra mídia.

Definitivamente, Lovecraft não era um autor para as massas. Nunca fora famoso em vida, mas atraía uma enorme legião de seguidores, muitos escritores de renome com quem o autor se correspondia frequentemente. Um dos maiores méritos do autor era renegar histórias básicas de vampiros ou outras criaturas sobrenaturais, acreditando que o terror maior se encontrava no terror cósmico-científico, que tinha forte conotação psicológica – daí o termo “terror psicológico”, onde elementos como sofrimento, angústia, depressão e suicídio dão o tom e a ambientação traz o clima perturbador.


Suas maiores contribuições para o gênero foram, sem dúvida, as histórias relacionadas ao mito do Cthulhu (nunca tente pronunciar esse nome) e, dentro dela, o livro Necronomicon.

Os Mitos do Cthulhu – nomeados assim por um amigo após a sua morte, pois foi no livro “The Call of Cthulhu” que os mitos foram apresentados com maior explicação e abrangência – dizem respeito à uma vasta mitologia que inclui seres alienígenas assustadores, chamado de “the old ones”, que estavam aqui antes mesmo da criação. Seres imensos, grotescos e poderosíssimos, eles foram relegados ao obscurantismo. Há cultos que tentam a todo custo trazer esses seres de volta, mas até agora – para a nossa sorte – isso ainda não aconteceu. O mais conhecido dos “old ones” (apesar de não ser o principal) é o Cthulhu, mestre das profundezas do oceano e da mente, aprisionado abaixo do oceano da terra, onde dorme um sono profundo num ciclo de hibernação que, um dia, irá acabar. Mesmo em repouso, ainda consegue influenciar humanos mais suscetíveis. Há quem diga que o principal dom do Cthulhu é negar a realidade, ou seja, quando ele acordar...Não haverá mais nada.

Além disso, outra criação interessante de Lovecraft foi o Necronomicon, livro muitas vezes citado com um livro maldito, mas na verdade ele é apenas uma espécie de “Bíblia” sobre os seres antigos. O nome original era Al-Azif (que em árabe designava o som noturno produzidos pelos insetos que se supunha ser o uivo dos demônios), foi escrito por Abdul Alhazared, um poeta louco de Sanná, no Yemen.

Peraí, mas o livro existiu de verdade ou não?

Essa é um dos motivos pelos quais o Necronomicom é uma das maiores contribuições do autor para as histórias de terror. O mito criado sobre ele foi tão bem estabelecido que até hoje muitos juram pela morte da mãe que o livro e o autor existiu mesmo. Mas a verdade é que o livro, além de nunca ter sido escrito, é uma das criações da mente fértil de Lovecraft, e Abdul Alhazared, o autor do livro nada mais é do que o pseudônimo que Lovecraft criou quando criança. O motivo pelo qual esse mito perdura até hoje está no fato de que Lovecraft se correspondia frequentemente com outros escritores, muitos que se tornaram seus amigos íntimos, e por conta disso, passaram a compartilhar personagens e objetos em suas obras. Isso fez com que o Necronomicon fosse citado por diversos outros autores, aumentando a veracidade do objeto. Além disso, diversos filmes citaram ou tiveram como tema o Necronomicon, com destaque para Evil Dead 2 – Dead by Dawn (mais conhecido como Uma noite Alucinante 2).




Entre as principais inspirações do autor estão Edgar Allan Poe, Lord Dunsany, Algernon Blackwood, Arthur Machen e Ambrose Bierce.

Infelizmente, no Brasil é difícil encontrar os livros de HP Lovecraft, muitos vocês encontrarão apenas em sebos, sendo que apenas alguns contos (como A tumba) e “Nas Montanhas da Loucura” possuem reedições recentes. Mas, caso encontrem, é recomendadíssimo para os iniciados.

Esse foi apenas um resumo bem curto sobre a vida e obra do autor, sei que falta muita coisa, mas seria difícil colocar tudo aqui sem tornar a coluna extremamente extensa. Ao invés disso, recomendo visitarem o Site Lovecraft, maior e mais completa fonte de informações que eu encontrei sobre o autor, inclusive com e-books disponíveis para download. Por falar nisso, aí vão meus agradecimentos ao site, pois muitas das informações (e das imagens), “roubei” respeitosamente de lá.

Na próxima Madrugada:
Um autor de livros de terror desaparecido, leitores com surtos psicóticos. E uma jornada rumo aos mais assustadores pesadelos da mente humana. Um post que vai deixar você... À Beira da Loucura