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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O Legado Valdemar


- Você sabe o que está acontecendo aqui, não é? Como quer que eu durma direito se você não me conta?
- Se eu contar, não dormirá de jeito nenhum pelo resto da sua vida.
O Legado Valdemar




Tema Macabro




Como primeiro Madrugada Macabra após a mudança de periodicidade (para quem ainda não sabe, se tornou mensal – ou o mais próximo disso que este que vos escreve conseguir), nada melhor do que (re)começar com uma história inspirada por um dos pais do medo.

Quem acompanha o Madrugada Macabra (e/ou acompanha terror em geral) sabe que o cinema espanhol nos últimos anos tem se saído muito bem com o cinema fantástico, um subgênero que tem sido cada vez mais repetitivo e subaproveitado por Hollywood e praticamente reinventado em produções hispânicas como Abra los Ojos, O Labirinto do Fauno, A Espinha do Diabo e [REC] (apenas para citar alguns). De fato, o cinema espanhol há muito já não se limita apenas a produções dramáticas feitas apenas para tentar concorrer a prêmio e produções do Almodóvar (que geralmente ganham prêmios); prova disso é o tema do Madrugada Macabra de hoje.

Em “O Legado Valdemar” (La Herencia Valdemar, no original), acompanhamos Luisa Llorente, corretora especialista na avaliação de prédios antigos que é retirada de sua folga para fazer o inventário da antiga “Mansão Valdemar”, cujo corretor original, seu colega de trabalho, sumiu e seus chefes pensam que ele encontrou algo de muito valor ali e decidiu fugir para tirar um dinheiro disso.

Chegando lá, Luisa é confrontada com situações inexplicáveis e acaba desaparecendo. Seu patrão decide contratar um detetive para encontrá-la, que será acompanhado por uma das executivas da empresa. Com o tempo, descobrimos que há muito mais na história dos desaparecimentos do que se pode supor e, assim que ficamos conhecendo mais da história da Mansão Valdemar e de seus moradores, somos jogados em uma épica história que mistura passado e presente e nos coloca diante de um mundo fantástico que só pensávamos existir nos livros.



O Legado Valdemar presta homenagem à H.P. Lovecraft em diversos aspectos. Primeiro, por ser inspirado em suas obras (em especial aos conhecidos Mitos do Cthulhu) para criar uma história original e criativa. Segundo, por usar na narrativa técnicas que o próprio autor usava em suas obras, em especial a historicidade como parte fundamental da trama (o flashback se passa primariamente no século XIX, em meio ao crescente cientificismo positivista e o advento do Espiritismo), as constantes referências a outros autores e o uso de pessoas, conceitos científicos e acontecimentos reais para dar verossimilhança à obra.

O Legado Valdemar pode enganar no início, parecendo um típico thriller americano, mas com o tempo a película adquire tom e ritmo próprios e nos coloca numa narrativa tensa, dramática e com um final épico. Infelizmente (e por razões que eu não consigo entender), a produção teve uma recepção bastante negativa, talvez pelo fato de que na verdade não se trata de um, mas de 2 filmes. Então quando for procurar por “O Legado Valdemar”, você terá de obrigatoriamente buscar também por “O Legado Valdemar 2: A Sombra Proibida”, que liga todas as pontas do primeiro e encerra a história.



Recomendo aos fãs de Lovecraft (e aos apreciadores de narrativas fantásticas) assistir a O Legado Valdemar. Infelizmente, eu não encontrei o filme por aqui, portanto há apenas os meios não convencionais do download pela internet se você não quiser importar (de verdade) o filme. Mas é um esforço que vale a pena.

Curiosidades:
- Apesar de não ser diretamente adaptada de nenhuma obra de H.P. Lovecraft em específico, o filme incorpora diversos elementos de suas histórias, como o famigerado Necronomicon e os mitos relacionados aos Grandes Antigos (cujo mais conhecido é Cthulhu);
- A narrativa passada que explora a história da Mansão Valdemar é retirada do conto “Horror em Dunwich” uma das obras chave do mito do Chulhu e que centra-se na tentativa de organizar um ritual para abrir um portal entre dimensões e adquirir conhecimento infinito;
- No ritual de Dunwich que vemos no filme, temos presenças ilustres de pessoas que existiram de verdade: Aleister Crowley (o único que tem uma maior participação no filme), figura mítica ligada ao ocultismo e que inspirou Raul Seixas e Paulo Coelho no passado (embora este último faça questão de ignorar que esse período existiu); Belle Gunnes, uma “viúva negra” de seu tempo, acusada de assassinar todos os seus maridos e dizem as más línguas que chegou a matar cerca de 40 pessoas; Lizzie Borden, que matou o pai e a madrasta a machadadas; o musicista italiano Luglio Fuchini e Bram Stocker (sim, o criador de Drácula). Além deles, o próprio Lovecraft aparece como personagem em determinado momento do filme numa ponta bem interessante;
- O Legado Valdemar é o primeiro filme na história do cinema espanhol a ser produzido de forma totalmente independente, sem subsídios do governo do país.
- Os efeitos especiais ficam por conta de Reyes Abades, o mesmo de O Labirinto do Fauno.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Balada do Amor e Òdio


Uaréview
Por Monitor


Ultimamente estou ficando muito fã do cinema espanhol.O motivo? Eles conseguem passar um ar nacionalista, parecer e transparecer que é um filme genuinamente de seu país, e ao mesmo tempo conseguem brincar com temas que, pelo menos no cinema brasileiro, se não são feitos por muitos,são vistos como preconceito. Tive a oportunidade de conhecer o trabalho de Alex de La Iglesia no ótimo 800 Balas (que já falei sobre no CinemaScope) e no festival RioFan tiver a chance de ver seu novo filme antes do lançamento nacional, no caso Balada Triste de Trompeta, por aqui conhecido como Balada do Amor e Òdio.


Antes de mais nada vamos a história: durante a Guerra Civil espanhola, um palhaço de circo (Santiago Segura) é convocado a força para a guerra e após isso é mantido prisoneiro pelo novo regime do país.

Anos depois, seu filho Javier (Carlos Areces) se torna o Palhaço Triste de um circo na periferia, sendo companheiro do Palhaço Feliz Sergio (Antonio de la Torre). Se Javier é timido e assustado com tudo, Sergio é violento e opressor a todos no circo. O problema começa quando Javier se apaixona pela mulher de Sergio, Natalia (Carolina Bang), que inocentemente acha que pode ficar com os dois, sem saber que suas ações desecadearam uma espiral de loucura, morte e deformidades entre os dois palhaços.

O filme se alinha com eventos reais da historia politica da Espanha, mas você não precisa ser um historiador para ver o filme, o mesmo passa todas as informações necessarias para você saber o que acontece no país.No caso essas mudanças são importantes, pois os cenários de representação do progresso do país e dos militares no poder estão intimamente ligados Javier e sua raiva dos militares, que aprisonaram, escravizaram e mataram seu pai. Normalmente um cara timído e retraido, quando enlouquece sua raiva é focada apenas para os militares e Sergio, nunca matando pessoas inocentes, mas são significando que ele as machuque quando incomodado.

Já Sergio, que praticamente domina o Circo pelo fato dele ser a atração principal, é dominador, opressor e extremanente violênto quanto quer, mas assim que é deformado por Javier, seu mundo cai, e toda a sua busca é para recurpar a gloria e o prazer de algo que ele realmente gostava.Apesar de ser quase um maniaco, ele gostava e se sentia bem em fazer as crianças felizes, porque indiretamente deixava ele feliz sem ter que machucar ninguem.

No fim desse triângulo temos Natalia, a malabalista, uma mulher extremamente bonita, mas que não sabe exatamente o que quer. Ela gosta de Javier porque a trata com respeito, mas gosta de Sergio porque satisfaz suas necessidades sexuais, ou seja, por tanto procurar felicidade pelos outros, acaba não tendo respeito por si próprio. Só acaba correndo atrás disso quando o pior acontece.

No caso, o filme foca mais no romance no primeiro ato do filme, até que a situação explode no fim deste, quando Javier quase mata Sergio e o deforma, depois disso fugindo e ficando maluco.Se antes a questão era ver quem conquistava o amor de Natalia, agora Sergio e Javier buscam nela algo quase divino, como se a presença dela fosse normalizar as coisas para ambos os lados.No segundo ato, deixa de ser amor e vira uma devoção doentia, ela deixa de usar os palhaços como objeto para ela se tornar o objeto, que só quando Natalia é pressionada novamente para escolher um deles que o amor verdadeiro e velho conflita vem a tona.

Alex de La Iglesia nos trás um filme bastante equilibrado, que usa e abusa das caracteristicas principais não só do diretor, mas do cinema fatástico espanhol em geral.O unico problema pra mim é que o gancho para o terceiro ato foi forçado demais, mas isso não tira o fato do filme ser mais um acerto do diretr.Ele não tem medo de barçar o bizarro e mostrar o quão fundo o ser humano pode ir e mostrar sua verdadeira face, seja ela feliz ou triste.

NOTA:9.0

Titulo original: Balada Triste de trompeta
Ano: 2010
Com: Carlos Areces, Antonio de la Torre and Carolina Bang
Direção:Álex de la Iglesia
Estúdio: Magnet (USA)



OBS: Alex de La Iglesia tem o dom de escolher as mulheres mais gostosas da Espanha em seus filmes, PQP.




segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Labirinto do Fauno

“E já tive tantos nomes. Antigos nomes que só o vento e as árvores conseguem pronunciar. Eu sou a montanha, a floresta e a Terra. Eu sou... Eu sou um fauno. Seu mais humilde servo, sua alteza.”
O Labirinto do Fauno





Tema Macabro




É impressionante o que alguns cineastas conseguem realizar mesmo com limitações técnicas, orçamentárias e de produção, quando contam com uma boa história e o esforço e dedicação de todos os envolvidos. E Guilhermo Del Toro é um dos cineastas acostumados a isso. Foi assim em A Espinha do Diabo, e foi assim também com o tema do post de hoje: O Labirinto do Fauno.

A produção México/Espanhola se passa durante a Guerra Civil Espanhola (um período utilizado por Del Toro também em A Espinha do Diabo) e conta a história de Ofélia, uma menina que se muda com sua mãe para um acampamento militar para viver com o seu novo padrasto, um sanguinário capitão franquista que combate rebeldes anarquistas e republicanos que se escondem na floresta. Neste cenário confuso e violento para uma criança, Ofélia acaba buscando refúgio nos arredores do acampamento, onde encontra um curioso labirinto, que é o lar de uma mística criatura, o Fauno. Lá, ela descobre ser a princesa desaparecida de um reino fantástico e deve executar 3 tarefas para poder retornar ao local onde ela realmente pertence. Em meio a isso, terá de lidar com um padrasto que a odeia e com a gravidez de sua mãe, numa história de mistura fantasia e a cruel realidade de uma forma que nunca se viu antes.



Um dos maiores méritos do filme é sem dúvida, a harmonia entre a fantasia e a realidade. É impressionante como a produção tornou possível que acreditássemos que aquele mundo que Ofélia desvendava era tão verossímil e real quanto a própria realidade. O Labirinto do Fauno acaba sendo muito mais do que um filme e alcançando o status de obra de arte, por ser uma história complexa, cheia de simbolismos e alegorias e com coragem de mostrar crueza quando esta é necessária, e beleza quando esta é requisitada. Um belo filme que mistura maravilhosamente bem os gêneros de fantasia, terror e histórico. Um dos meus filmes favoritos e altamente recomendável para quem ainda não assistiu.

Curiosidades:
- O Labirinto do Fauna é uma rara unanimidade entre críticos e o público, alcançando muitas vezes 100% de críticas positivas em veículos especializados, e não menos que 95% num geral;
- Guilhermo Del Toro considera o Labirinto do Fauno como uma “sequência em espírito” de A Espinha do Diabo;
- O Labirinto do Fauno ganhou cerca de 28 premiações nas mais diversas categorias, incluindo melhor filme, direção, maquiagem, cinematografia, roteiro, filme estrangeiro, entre outros.

Na próxima Madrugada:
Um clássico dos quadrinhos que se tornou um clássico também na TV: Contos da Cripta.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

CinemaScope: Consciência em Longa Metragem


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgfDsCJuSCV6TGel5RQpX2JQD6KCumsls6TnDL-KQ9sZyDb61_AxA7G5J1JIqaoy4wzAPSk_DPCepHrNE7fJevjCKTyx0ohKJgyT7ccpvF8QBVBKN4BsuMsgdWXylBld6SCfN2aciwEYs/s1600/cinemascope.GIF
Na Semana da Consciência do Uarevaa, decidi mostrar alguns filmes que falam sobre vários assuntos, mas que de certa maneira mostra a reação só só entre os personagens do filme mas também com seu publico diante de certos temas que devemos ter consciência se aquilo é certo ou errado, ou descobrir de fato o que seria o certo e o errado dentro do mundo que vivemos. Alguns filmes daqui são famosos, outros nem tanto, mas é a prova que certos assuntos sérios podem chegar ao público nem a necessidade de cagar regra.


Quanto Vale ou é Por Quilo?
Ano: 2005 Direção: Sérgio Bianchi

O filme faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que formam uma solidariedade de fachada. O filme faz uma grande crítica às ONGs e suas captações de recursos junto ao governo e empresas privadas.

Gran Torino
Ano: 2008 Diretor: Clint Eastwood

Veterano da Guerra do Vietnã e empregado aposentado da Ford vê sua vida mudar quando finalmente percebe que sua vizinhança mudou, contendo gente jovem fazendo coisas de gente experiente, imigrantes e a violência das gangues, enquanto faz amizade com um jovem vietnamita. Preconceito, economia e uma atuação ducaralho de Clint em um de seus melhores filmes recentes, na frente e atrás das cameras.

Super Size Me
Ano: 2004 Diretor: Morgan Spurlock

Numa America onde o fast food se tornou a alimentação simbolo da nação, Morgan Spurlock decide fazer um documentário falando sobre como um regime diario baseado em McDonalds pode fazer com a pessoa.Além disso, mostra uma sociedade dominada pelas marcas comercias e vitimas da pessima alimentação.

Vinhas da Ira
Ano: 1940 Diretor: John Ford


Homem sai da prisão e tem que liderar sua familia em busca de uma America tomada pela Grande Depressão Econômica.Um dos melhores filmes do diretor John Ford, vemos uma America menos bela e utópica que custuma aparecer, além de um retrato serio da de como era a vida após a quebra da bolsa de 1929.

Segunda Feira ao Sol
Ano: 2002 Diretor: Fernando Aranoa


Uma cidade costeira no norte da Espanha sofre com seu isolamento quando seus estaleiros começam a ser fechados, deixando vários trabalhadores desempregados à mercê de pequenas ocupações temporárias. Entre eles está Santa (Javier Bardem), um machão rebelde e auto-suficiente que se recusa a admitir o fracasso. Mas a verdade é que ele e seus companheiros, dos quais ele se torna uma espécie de líder, são perdedores completos, mergulhados no alcoolismo e em crises familiares.

Billy Elliot
Ano: 2000 Diretor: Stephen Daldry


Billy Elliot (Jamie Bell) um garoto de 11 anos que vive numa pequena cidade da Inglaterra, onde o principal meio de sustento são as minas da cidade. Obrigado pelo pai a treinar boxe, Billy fica fascinado com a magia do balé, ao qual tem contato através de aulas de dança clássica que são realizadas na mesma academia onde pratica boxe. Incentivado pela professora de balé (Julie Walters), que vê em Billy um talento nato para a dança, ele resolve então pendurar as luvas de boxe e se dedicar de corpo e alma dança, mesmo tendo que enfrentar a contrariedade de seu irmão e seu pai sua nova atividade. Ótima historia sobre pontos de vista e mudanças sobre o que é certo e errada para uma pessoa que começa a tomar suas primeiras decisões.

Pom Poko - A Grande Batalha dos Guaxinins
Ano: 1994 Diretor: Isao Takahata

O crescimento de Tóquio durante os anos 60 originou uma explosão urbanística nos subúrbios; montanhas foram aplanadas e florestas abatidas. Os tanuki, uma espécie de guaxinins, vêem-se ameaçados pelo desenvolvimento dos humanos: a área habitável reduz-se, bem como os recursos alimentares. A falta de comida conduz a guerras internas, mas a sabedoria dos anciões canaliza a energia e a frustração de todos os tanuki contra o inimigo comum: o Homem.Antes de James Cameron cagar o sci-fi ecologico com Avatar, boa parte das historias vindas do Studio Ghibli são sobre este temas: ficção cientifica, ecologia e tradições, como por exemplo Nausicãa e Princesa Mononoke.

Tropa de Elite 2
Ano: 2010 Diretor: José Padilha


Nascimento (Wagner Moura), agora coronel, foi afastado do BOPE por conta de uma mal sucedida operação. Desta forma, ele vai parar na inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Contudo, ele descobre que o sistema que tanto combate é mais podre do que imagina e que o buraco é bem mais embaixo. Seus problemas só aumentam, porque o filho Rafael (Pedro Van Held) tornou-se adolescente, Rosane (Maria Ribeiro) não é mais sua esposa e seu arqui inimigo Fraga (Irandhir Santos) ocupa posição de destaque no seio de sua família. Quem viu o filme saiu tendo grandes discuções sobre a politica no país,e os grandes estragos que o filme causaria caso chegasse antes das eleições.Já falaram muito sobre o filme aqui.

A Corrente do Bem
Ano: 2000 Direção: Mimi Leder


Eugene Simonet (Kevin Spacey), um professor de Estudos Sociais, faz um desafio aos seus alunos em uma de suas aulas: que eles criem algo que possa mudar o mundo. Trevor McKinney (Haley Joel Osment), um de seus alunos e incentivado pelo desafio do professor, cria um novo jogo, chamado "pay it forward", em que a cada favor que recebe você retribui a três outras pessoas. Surpreendentemente, a idéia funciona, ajudando o próprio Eugene a se desvencilhar de segredos do passado e também a mãe de Trevor, Arlene (Helen Hunt), a encontrar um novo sentido em sua vida.

Bem, espero que vocês tenham curtido. Próxima semana começaremos o esquenta para o filme do Thor com... alguma coisa. Inté

sexta-feira, 18 de março de 2011

CinemaScope: 800 Balas



O Western e o cinema em geral, para alguns, não é apenas diversão, mas sim formadores de carater.E não há nenhum tipo de filme, pelo menos pra mim, que molde mais o carater de alguem como o faroeste. Mas é um tipo de filme que sempre tem que lutar para provar seu valor e fazer a todos relembrarem o quão bons eles podem ser. E o filme espanhol 800 Balas representa isso muito bem.


800 Balas é um filme Espanhol de 2002 dirigido por Álex de la Iglesia (El día de la bestia, The Oxford Murders, La comunidad) que foi gravado nas mesmas locações que varios filmes do tipo foram feitos na decáda de 60 e 70, mas com a diferença que a historia se passa nos dias atuais, mas ainda trata sobre os temas classicos, especialmente sobre honra e amizade. Alem disso, provavelmente é um dos melhores filmes que você ainda não viu.

Vamos a trama:Julián Torralba (Sancho Gracia) é um dublê de filmes antigos em Almeria, Espanha. Ele e vários de seus colegas, que uma vez feita a vida com os Westerns Americanos rodados na Espanha, estão agora reduzidos a fazer shows de dublês para as audiências minúsculas no decadente conjunto edificado para filmes de faroeste chamado Texas Hollywood. Julián luta com memórias obscuras da morte de seu filho, também um dublê, e com o afastamento de sua filha-de-lei Laura (Carmen Maura) e seu neto Carlos(Luis Castro).

Carlos, um jovem rapaz, fica intrigado com a vida de seu falecido pai e foge para se juntar a Julián e seu bando de fracassados. Lá ele é iniciado na vida e envolvido nas confusões destes cowboys- dublês. Mas quando Laura, que é uma executiva poderosa, procura um novo local para uma estância turística, descobre que Carlos juntou-se ao avô, fazendo que seus esforços para comprar o local e humilhar de vez Julián aumentam. Com o local vendido, Julián e os cowboys decidem voltar para lutar a única maneira que sabe, na base do tiro!

O filme aqui não é só um desbravamento por um genêro que eroneamente muitos dizem estar morto, mas também acompanhamos as primeiras descobertas de um menino (no caso Carlos) para virar homem, e passar em frente as historias e tradições aprendidas ali como se fossem reais, como foram de fato para Julián, ou desvendar os fatos por detrás daquilo tudo e finalmente conhecer sobre pessoas importantes sobre sua vida, mesmo que alguns deles ele tinha convivido por muito tempo, como sua mãe Laura e sua avó Rocío(Terele Pávez).

Nos papéis de vilões, temos Scott (Eusebio Poncela) inescrupuloso empresário que vai até a extremos para conseguir o que queer, e não exatamente como vilão, mas algo como anti-herói Cheyenne(Ángel de Andrés López), ex-garçom que quer ser ator profissional e faz o papel de vilão dentro do show de dublês. Não é uma pessoa má, mas sim uma pessoa com interesses de se sair bem nas situações, mesmo tendo de fato um coração bom, e que se torna um personagem essêncial para o fim do filme.

O filme, além de ter ótimas cenas de ação (como todo western deve ter) e comédia com ótimo timing, mas o seu coração, seu nucléo emocional que te faz prender, além de inumeras homenagens aos Westerns e outros filmes feito na Espanha. Muito da proprio estilo de filmagem do western spaghetti foi largamente ultilizado, desde sua abertura, nos angulos das cameras até a trilha sonora que pega muito das musicas de Morricone mas com um toque espanhol, e um leve homenagem ao massacre da Serra eletrica no final, já que os primeiros filmes do diretor foram de terror, gerando aí uma especie de auto-homenagem.

800 balas é sobre manter vivo, seja na lembrança ou na presença fisica, aquilo que uma pessoa foi e tudo que ela construiu, pois mesmo que aquele mundo criado seja falso, as hsitorias e experiências ali vividas são tão reais quanto a pessoa em si, e diferente de um dublê, ele não deve ser escondido ou substituido.

Nota: 9.5

Titulo original: 800 balas
Ano: 2002
Direção:Sancho Gracia, Ángel de Andrés López e Carmen Maura
Com:Álex de la Iglesia
Estúdio: Warner



Obs: Yoima Valdes é uma mulher tão gostosa, mas tão gostosa, que quase não tem fotos mais ousadas dela na Internet. Cornuto.




quarta-feira, 6 de outubro de 2010

La Casa Muda


Uaréview
Por Monitor

Um filme de terror gravado sem cortes, inspirado por Hitchcook e seu Festim Diabólico, com uma historia envolvendo uma casa sinistra, segredos de família, e até mesmo orgias secretas poderia parecer um filme de terror foda, ou no mínimo bacana, não é mesmo?


La Casa Muda (ou The Silent House pros gringos) é um filme uruguaio dirigido por Gustavo Hernandez e baseado em fatos reais num assassinato acontecido na década de 40 no interior do país. O filme mostra Laura (Florencia Colucci), filha do capataz (Gustavo Alonso) que trabalha pro dono (Abel Tripaldi) de uma velha casa prestes a ser vendida. Mas dentro dela começam a acontecer uma serie de coisas estranhas ligada aos passado das 3 pessoas presentes na casa, e um segredo sombrio que os une na vida...e na morte.

Bem, como filme, La Casa Muda é muito bem filmado. Uma das coisas mais bacanas na estética da direção foi utilizar os espelhos pra servir de “elementos de corte”, podendo mostrar assim vários ângulos da personagem principal. E a fotografia também é bacana, consegue, deixar um look macabro usando lâmpadas simples, como as que usamos em casa, alem do fato que eles conseguem atingir a proposta de fazer um filme de terror sem cortes. Mas isso não significa que seja um filme bom...

O grande problema do filme é que ele tem todos os clichês pensáveis de filmes de terror e suspense, e no fim das contas nenhum deles funciona.Os sustos se tornam gratuitos demais, que você começa a até rir deles quando acontecem. A trilha sonora, que é boa, mas denuncia muito quando algo tenso ia acontecer também ajudava a quebrar o clima, alem da resolução necessária, porem ainda ruim, do filme, que poderia ter sido muito pior se seguisse a idéia que você tinha quando as coisas começam a se movimentar.Os atores são bons, mas achei que faltou mais gente pra haver interação e tornar as coisas interessantes.

No fim das contas, La Casa Muda se mostra algo com intenções boas, mas um roteiro enrolado estraga aquilo que poderia ter sido no fim das contas um ótimo filme.

NOTA: 3,0

Los Cronocrimenes (2007)

Uaréview
Por Marcelo Soares

“Ainda temos um tempo antes da chuva”

Fazer um bom filme sobre viagens no tempo nem sempre é fácil, além de ter que lidar com uma realidade tão ficcional e deixá-la no mínimo crível (claro que se essa for a proposta), tem que se preocupar com os possíveis paradoxos, furos de roteiro e afins. Poucos filmes conseguiram transitar entre o presente e o passado de uma forma bem estruturada, citaria ai um De Volta Para o Futuro II e Os Doze Macacos. Por isso, é importante exaltar obras que conseguem esse feito, ainda mais quando não tem orçamentos hollywoodianos em mãos, e um exemplo desse feito é o filme espanhol Los Cronocrimenes.


Para inicio de conversa, vamos aquele resumo básico: “Héctor (Karra Elejalde) um homem de meia idade, entra acidentalmente em um dispositivo que o faz viajar no tempo e retornar uma hora antes. Isso o faz encontrar a si mesmo, desencadeando situações e gerando conseqüências incontroláveis”.

A obra do diretor Nacho Vigalondo (indicado ao Oscar 2003 de Melhor Curta-Metragem por 7:35 de La mañana), usa a ficção cientifica como um pontapé para abordar até outros gêneros, como o suspense, terror e, por que não, romântico. Mas, o que chama atenção além do uso sábio de gêneros cinematográficos é como com pouca grana Vigalondo conseguiu fazer um thriller que prende sua atenção do inicio ao fim pelo conteúdo e curiosidade de como tudo vai terminar.

O diretor trabalha algumas perguntas filosóficas bem interessantes, tipo: se você souber do seu futuro conseguiria modificá-lo? É possível escapar do determinismo temporal (da vida)? Isso sem ser chato ou didático, pois são questionamentos que você faz ao ver o filme e não o filme faz ao ver você. Além de tudo isso, ele consegue, através de jogo de edição e boas atuações, interligar seqüências temporais com boa maestria, onde vimos algo que já vimos por um outro ângulo e explicando o porque daquele acontecido ter sido de tal jeito – chega a dar raiva em alguns momentos.

Outra coisa bem construída é o protagonista – excelente atuação de Karra Elejalde – que passa de um dono de casa tranqüilo para um homem obsessivo perdendo o controle de seu próprio destino. Para quem curte quebras-cabeças temporais, formas inventivas de contar uma história e prefere viagens no tempo mais em conta – isto é, sem grandes efeitos visuais – Los Cronocrimenes é uma ótima pedida.


Título no Brasil : Timecrimes
Diretor: Nacho Vigalondo
Gênero: Ficção/Mistério/Suspense
Prêmios: Best Picture at 2007 Fantastic Fest (USA), Gold Medal of Jury Award Competition in 2007 Fantastic Fest (USA), Silver Medal of Audience Award Competition in 2007 Fantastic Fest (USA)
Site: http://www.loscronocrimenes.com/ (Muito legal de visitar, tem até um tipo de Arg)