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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Camila entrevista: Jonatas Fróes


Olá amigos do Uarévaa! Aproveitando a mistura entre ressaca brava e falta de verba, com recheio de fotos de todos os tipos de guloseimas de fim de ano postadas nas redes sociais, tive uma conversa interessante com um cara que entende muito do “riscado”, nas interwebs. Dei uma de “Zé Lezinha” e tirei várias dúvidas com o Social Media Jonatas Fróes.



Quanto tempo trabalha na área? Como começou a trabalhar com social media?

Eu comecei a trabalhar com social media em 2009, portanto tenho contato com a área há pelo menos 4 anos. Comecei na área meio que por acaso: Trabalhava com TI em uma instituição de ensino e tinha contato direto com os desenvolvedores do site deles. Na época o Orkut ainda bombava muito e os blogs corporativos estavam começando a pipocar por todos os lados... Achei interessante e acabei dando algumas ideias pra esses desenvolvedores, e implementamos um blog internamente para testes. Foi bem tosco, mas também foi bem aceito e aos poucos inserimos a instituição nas redes sociais. Achei bem divertido fazer isso, mas também achei que dificilmente ficaria encarregado pelo projeto e que conseguisse me aprofundar na coisa toda ali dentro.

Como estava me formando em Comunicação Social, resolvi buscar uma oportunidade nessa área em agências e acabei descolando um freela de 4 meses para trabalhar com políticos, nas eleições de 2010. No início tentei manter meu emprego na área de TI e o freela, mas acabei abrindo mão do TI e me dedicar mais aos políticos, pra me aprofundar na área e entregar um trabalho com qualidade melhor. Acabou dando super certo e fui efetivado na agência (ganhando uma merreca). Em 6 meses estava coordenando algumas contas e desde então, já passei por outras 2 agências e hoje trabalho com marketing digital como um todo, atendendo Natura, Ambev, Panini, Kellogg's, entre outros.

Qual é a diferença entre redes e mídias sociais?

Bom, uma rede social é um grupo de pessoas que possuem interesses em comum e se comunicam por causa deles, independente do meio, da mídia ou da estrutura que utilizam pra isso. Seus amigos no Facebook são uma rede social. O pessoal que trabalha na mesma empresa que você também. Os torcedores do Timão são outra rede social. E assim infinitamente... Tem gosto pra tudo nessa vida né? Já as mídias sociais são os meios pelos quais as redes sociais se comunicam.

Muita gente confunde redes e mídias sociais porque o conceito é realmente muito próximo. Se parar pra pensar no Facebook, por exemplo, se encaixa em ambos e pode ser considerado tanto rede quanto mídia social. Então acaba sendo uma babaquice ficar pensando muito nisso. Só acho inaceitável confundir mídia com mídias sociais... Mídia envolve compra de espaço publicitário e tal, nada a ver mesmo.

Qual é a rede social de maior destaque no momento?

Depende de que público estamos falando. Se for generalizar, o Facebook hoje seria o maior destaque porque praticamente todo mundo está nele... Mas temos o Pinterest crescendo no nicho feminino, o Instagram no mobile, entre outros.

Fale um pouco sobre a mudança de plataformas por parte dos usuários (ex: muitos tinham blogs, hoje publicam no Facebook - empresas que tem como página principal o Facebook).

Essa mudança de cultura acontece e continuará acontecendo sempre. O novo atrai, e as pessoas querem prová-lo. Se existirem ferramentas mais atraentes ali, que facilitem a usabilidade, conversar com os amigos, encontrar conteúdos de que gostam, entre outras coisas, elas vão migrar. Todo mundo está no Facebook por causa disso: Você tem o chat, o feed de notícias, pode compartilhar qualquer coisa que achar legal com um clique, mostrar suas fotos, marcar seus amigos nas publicações... Ou seja, centraliza e facilita a comunicação.

Já as empresas, seguem as pessoas. Elas precisam estar onde seu consumidor está, e se trabalharem de forma estratégica vão conseguir se aproximar cada vez mais desse público em um nível quase pessoal por meio das mídias sociais. Claro que tem muita gente fazendo tudo errado por ai, seguindo modismos apenas porque "todo mundo também faz", o que é um erro gigante... Mas como um todo acho que o mercado está se adequando bem a essas novidades, entendendo melhor seu público, aprendendo a lidar com essa comunicação horizontal e aproveitando muitos insights pra implementar seus produtos e serviços.

O que é mais legal e mais chato nas redes?

As mídias sociais são ótimas ferramentas pra aproximar as pessoas. Hoje você só perde contato com alguém se quiser. Essa galerinha da geração Y e da Alpha, que praticamente já nasce conectada, nunca vai se distanciar dos amiguinhos do colégio, por exemplo, pois poderão manter esses contatos ativos durante a vida toda se souberem administrar bem isso.

Outro ponto que acho bom é a facilidade em se encontrar informações. Muita coisa chega até você sem você precisar se preocupar em procurar, porque as pessoas compartilham rapidamente tudo o que acham interessante. Eu nem entro mais em sites de notícias, ou vejo jornais na TV... Tudo o que acontece de importante está lá no Twitter, e só ler.

No lado negativo da coisa, tem vários pequenos fatores desagradáveis, mas tem um que em especial é extremamente ruim: Apesar de aproximar as pessoas, muita gente se isola nas redes sociais e pára de viver a vida de verdade. Ficam o tempo todo conectadas mesmo quando não precisam e deixam de aproveitar a realidade. Quem nunca saiu pra jantar com um amigo que ficou o tempo inteiro mexendo no celular pra ver o que os outros estão falando? Essa dependência, ao meu ver, é nociva.

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Vai me dizer que você não achou isso instrutivo? Vai me dizer agora que o Uarévaa também não é sinônimo de “curtura e informação”? Vai achando que rede social é lugar apenas para postar foto do seu “taco de rapadura” depois do almoço, vai!


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Entrevista Estevão Ribeiro e Carlos Ruas na Multiverso Comic Con RS


Bem, em julho rolou a Multiverso Comic Con RS, em Porto Alegre, que contou com diversas atrações e grandes nomes das Hqs nacionais e internacionais. Eu estive lá e, junto com o Fabiano "Prof. Nerd" Silveira, do ARGCast e Felipe Morcelli, do Terra Zero, entrevistamos a grande maioria dos convidados. 

Estas entrevistas estão sendo distribuídas entre os respectivos sites, e por isso hoje trago aqui uma entrevista bem bacana com Carlos Ruas, criador das tiras do site Um Sábado Qualquer, e Estevão Ribeiro, que já é um conhecido de quem acompanha o Uarévaa. Foi um bate papo muito bacana sobre os autores e seus projetos, passados, presentes e futuros. Confiram aí:



(Clique na imagem com o botão direito do mouse
e depois em "Salvar link como..")

Confira também as outras entrevistas no site do ARGCast, no Terra Zero e em Breve no MDM.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Uarévaa Entrevista: Estevão Ribeiro


Roteirista, ilustrador, criador do personagem Tristão e das tirinhas Os Passarinhos, premiado por Pequenos Heróis, figura carimbada em eventos como Rio ComicCon (1 - 2), Estevão Ribeiro é natural de Vitória/ES, nascido em 2 de abril de 1979, mora atualmente em Nitéroi/RJ e a algum tempo se aventurou no mundo da literatura com dois lançamentos.




Você é bem conhecido pelo seu trabalho com quadrinhos, principalmente Os Passarinhos. Mas nos últimos anos se enveredou pelo mundo da literatura, o que lhe levou a fazer essa transição?

Inicialmente foi mesmo a falta de parcerias. Boa parte dos bons artistas geralmente está envolvida com seus próprios trabalhos ou com demanda de clientes. Parcerias do tipo que eu podia propor, que era uma história sem garantias de um retorno financeiro em curto prazo, tornava a coisa inviável. Claro que havia os que topavam, mas até hoje é preciso priorizar o que dá grana.

Já a literatura, você depende inicialmente de seu próprio esforço. É claro que existem mais pessoas envolvidas no processo de produção de uma história, como um preparador de textos, revisão, diagramação, designer para capa. Mas é mais fácil conseguir um contrato com um primeiro tratamento de um romance do que com um roteiro de quadrinhos.

A criação de um roteiro apesar de trabalhar com escrita, tem suas particularidades e difere até muito da escrita literária. Você acha que ser roteirista auxíliou na hora de produzir seus livros ou teve alguma dificuldade?

Na verdade as pessoas que lêem os meus livros os acham muito visuais, e isso é algo que trouxe da prática do roteiro para a prosa. Nem todos gostam do estilo, mas funciona bem em gêneros como terror e fantasia.

Seu primeiro romance foi o autobiográfico Enquanto ele estava morto, que conta os nove dias em que você passou procurando pelo seu irmão. Como foi por no papel uma história tão pessoal?

O livro foi um desabafo. Sim, é algo clichê de se dizer, mas garanto que, quem tiver a oportunidade de ler o livro entenderá o motivo da exposição de um assunto tão pessoal.

O texto fluiu de forma natural, pois eu tinha uma necessidade tremenda de contar o que passei e um pouco do meu passado. Eu queria responder perguntas que nunca me fizeram, mas que justificariam muitas das minhas atitudes.

Após algo mais realístico você lançou em 2010 o suspense sobrenatural A Corrente: passe adiante. Você sempre teve fascínio pelo desconhecido?

Sou muito medroso, me assusto com facilidade e tenho medo de morrer. Não é segredo que morrerei um dia, mas sofro de ataques de pânico durante o sono, por isso protelo a minha ida para cama. Esta entrevista está sendo respondida tarde da noite, por exemplo.

Em A Corrente coloco muito dos meus medos, assim como no meu próximo livro, “Rua M, 58”. Pago caro com isso, pois quando estou escrevendo, os pesadelos pioram.

E como tem sido a recepção ao livro?

O livro está há dois anos no mercado e vende bem, para o nicho. É terror com o objetivo de assustar mesmo, então muitas partes do livro chocam os leitores tradicionais. Mas o livro está a venda em todos os lugares e eu espero que, com a consolidação do mercado digital ele venda bem mais.

Só para variar um pouco, seu último trabalho foi em outro gênero totalmente diferente. O que lhe levou a escrever o infantil O Livro dos Gatos?

Eu ganhei um concurso de poesia aos 9 anos. Ganhei com um poema simples, rimando “mim” com “fim”, como a maioria das duplas sertanejas. Ganhei porque foi o único poema escrito de verdade por uma criança. Eu gosto de escrever rimas, que não vou chamar de poesia porque não entendo todas as regras, métricas e tudo mais.

Escrevi O Livro dos Gatos porque queria juntar duas vontades: a de me divertir, escrevendo para um público interessado em ler uma história sobre animais com perdas, magia, rimas e tudo mais e fazer um trato com a minha esposa, a escritora Ana Cristina, que trazia muitos gatos para casa. Eu disse que escreveria um livro sobre gatos e que daria metade dos direitos autorais para duas ONGs que recolhem e cuidam animais abandonados. Tenho trabalhado no segundo infantil da série, O Livro dos Cães.



Quais outros gêneros você tem vontade de trabalhar ainda?

Bem, gosto de fantasia e tenho algumas coisas ensaiadas aqui. Quero fazer algo de Ficção Científica, além de trabalhar mais em romances gráficos, soft novels e o que mais couber em meus projetos. O que quero é escrever.

O mercado brasileiro de literatura cresceu muito nos últimos anos, não só em vendas como em gêneros variados. Qual sua opinião sobre o cenário atual literário brasileiro?

Acho que houve uma democratização na produção de livros, graças a métodos mais práticos e baratos. As grandes editoras já não são as únicas a apostarem em autores, e isso é muito bom. Por outro lado, é mais difícil disputar espaço no mercado.

Não existe uma fórmula para ser reconhecido, virar sucesso. O fator qualidade? Questionável. Grande editora? Importante, mas não é o essencial. Estratégia de marketing? Talvez, mas se o produto não corresponder a idéia vendida ao público o próprio esquema perde credibilidade. Estamos no campo das experimentações, de sucessos instantâneos e um bocado de autores pondo a cara e disputando espaço com os vendedores de livrarias em eventos para defender o seu. Se isso é bom ou ruim, eu realmente não sei.


O mundo digital, com tablets, Iphones e etc. a disposição, tem muito destaque atualmente como meio de distribuição de obras. Para você, podemos dizer que é um bom lugar para autores investirem ou o “mundo físico” ainda é mais seguro?

Acho que é a leitura digital nem é mais o futuro, e sim o presente, mas ainda somos uma geração nascida e criada em meio aos livros físicos. O sonho do autor ainda vai manter os livros nas prateleiras por muito tempo. Mas eu acredito que a distribuição digital está aí para ajudar, não complicar.

Como roteirista de televisão, o que acha do processo de adaptação literária feito por ela e pelo cinema?

Uma adaptação audiovisual de uma obra literária é uma tarefa complicada porque nem todos interpretam uma leitura da mesma forma. Mas para mim a adaptação é por si só, uma obra à parte e deve ser encarada como tal, sem questionamento das suas diferenças da outra mídia. Não dá para adivinhar as feições guardadas na cabeça do leitor.

Nesse aspecto acho que os quadrinhos adaptados para o cinema são mais felizes, porém a necessidade de imprimir a própria assinatura na obra compromete parte do processo, levando muitas vezes os espectadores/leitores à decepção.

Gostaria de ver alguma de suas obras adaptadas para televisão ou cinema?

Por muito tempo achei que veria o Tristão em um seriado ou num filme com uma bilheteria interessante, e o que consegui foi um trabalho legal dos alunos de faculdade e cinema de Piracicaba (abaixo), mas eu tenho trabalhado para ver minhas criações adaptadas para o audiovisual. Filme de A Corrente, de “Enquanto...”, seriado animado de Os Passarinhos... além de produções originais que tenho trabalhado com afinco. Produzi uma sinopse de um seriado de vampiros... uma hora eu consigo mostrar à alguém.



Algum projeto literário já rodando em sua mente ou em desenvolvimento que possa nos contar?

Literário tem a “Rua M, 58”, um thriller sobre histórias que aconteceram em uma casa que um casal vai visitar. Além do “O Livro dos Cães”, já citado.

E para não passar em branco, em que projetos de quadrinhos andas envolvido ou criando?

Eu estou produzindo a adaptação/mashup “Da Terra à Lua”, baseado nos romances “Da terra à Lua” e “A Volta da Lua”, de Júlio Verne e “Viagem à Lua,” produção cinematográfica de George Mélies. Ainda utilizo elementos da história de H.G.Wells, Os Primeiros Homens na Lua.

Gostaríamos de agradecer sua participação em nosso blog, e qual mensagem gostaria de deixar para nossos leitores?

Eu que agradeço a oportunidade de poder falar mais dos meus trabalhos e convido a vocês a conhecerem outros, inclusive a reedição ampliada de “Contos Tristes e Algumas histórias de amor”, um álbum em quadrinhos com participação de diversos nomes do mercado independente brasileiro.

E parabéns a todos por cada vez mais prestigiarem autores nacionais. Ainda estamos longe de vivermos do ofício, mas já podemos ter orgulho do que fazemos, pois nos ajuda a pagar algumas contas.

domingo, 17 de julho de 2011

PalhetadA

Fala galera! Depois da semana especial rock and roll do Uarévaa, vocês acharam que já tinha acabado a celebração, né? WRONG! Como um belo cara de pau que sou, eu tentei mais uma vez uma entrevistinha com um dos caras mais respeitados no Mundo do Rock....pra quem chutou o Sidney Magal...errou de novo...rs...hoje eu trago aqui no PalhetadA...


É isso mesmo rapá!! Andreas Kisser, Músico, Guitarrista do Sepultura e torcedor fanático do São Paulo...o que não é novidade pra ninguém!

Duende: Andreas, antes de qualquer coisa valeu a atenção para com este blog de várzea, blog moleque.

Andreas: Eu que agradeço o espaço.

Duende: Eu não consigo pensar em outro modo de começar essa entrevista a não ser falando da sua presença no fodástico Big4! Cara, como isso aconteceu?

Andreas: Bom, o Scott Ian, guitarrista do Anthrax, me ligou em dezembro do ano passado me falando que a esposa dele estava esperando o seu primeiro filho e que não daria pra ele fazer alguns shows em julho, incluindo alguns do Big 4. Eu fiquei muito honrado e feliz com o convite e aceitei na hora. Deu tempo para remanejar as datas com o Sepultura e confirmei minha presença com os caras para 11 shows em julho, com 5 shows do Big 4. como o Metallica estava fazendo as jams em todos os shows, eu subi lá pra tocar com eles, foi algo surreal, acho que nem em sonho da pra sonhar algo assim, uma das minhas maiores experiências.



Duende: Qual a sensação de estar ali no meio dos caras que fazem parte da sua influencia musical? Não deu aquela tremedeira para subir no palco e substituir Scott Ian?

Andreas: Tremedeira não, por que eu estava muito bem preparado, nós tivemos somente um ensaio antes do primeiro show que foi um dos Big 4, para 70 mil pessoas e foi tudo perfeito, puta show. Tocamos por 45 minutos, abrindo o festival e foi muito foda, o público estava lá para curtir e não para fazer comparações, foi um clima fantástico.

Duende: Uma pergunta de fã, nesse período tocando no Big4 você pode nos contar algumas coisas de bastidores? Tem alguma foto que possa nos motrar?

Andreas: Os bastidores estavam num clima muito bom, todos rodando pra lá e pra cá, trocando ideia, curtindo o dia, todos estavam muito felizes de estarem juntos ali e eu mais ainda!



Duende: Não foi a primeira vez que você se junta no palco pra tocar com outras bandas certo? Dessas apresentações qual foi a mais marcante?

Andreas: Eu toquei com muita gente de muito estilo diferente, difícil falar qual foi melhor, todas as jams foram muito especiais. As que me lembro agora foram a abertura do The Police no Maracanã com os Paralamas do Sucesso, a abertura do AC/DC no Morumbi com o Nazi, tocar Going to Brazil com o Motorhead no Rock in Rio Lisboa 2010, tocar com o Ronnie James Dio no Credicard Hall, SP, Mob Rules, com o Deep Purple em Belo Horizinte, Smoke on the Water.

Duende: Se bem me lembro, você também subiu ao palco pra tocar com Dimebag Darrel que foi um guitarrista absurdo. Pode nos contar um pouco daquela época?

Andreas: Boa memória, sem dúvidas uma das melhores tournes que já fiz, era espetacular. Eu tocava Walk com eles todas as noites, acho que rolaram umas 20 jams destas, fantástico, o Pantera ao vivo era muito foda. Ainda fazíamos a jam do Sepultura, a Kaiwoas, no final do nosso show e todos entravam no palco para tocar percussão, era épico.




Duende: Existe alguma coisa como músico que você ainda não conseguiu realizar?

Andreas: A música sempre tem algo de novo pra se fazer e aprender. Me considero jovem, apesar dos meus 42 anos, e tenho muito pra curtir com a minha guitarra.

Duende: Se você não fosse um guitarrista consolidado no Rock, o que você faria para viver?

Andreas: Não tenho a menor ideia e isto não passa pela minha cabeça, o que eu vivo esta aqui, agora.

Duende: Nós já tentamos marcar de correr de Kart, mas acabou não dando certo, batendo a sua agenda com o evento "InterBlogs" ainda podemos sonhar em ter você no grid?

Andreas: Com certeza! Eu curto muito a Fórmula 1 e o kart é o mais perto que vou chegar dela. Vamos ver se algumas destas ainda rola, espero que sim.

Duende: Andreas, pra encerrar a entrevista....o que o Rock and Roll significa pra você?

Andreas: Significa liberdade, não só musical mas de atitude, de vida, ser o que vc quer ser, quebrar barreiras, ser livre.

Duende: Mais uma vez obrigado pela atenção Andreas, admiro pra caralho o seu trabalho e sua humildade em atender todo mundo da melhor maneira possivel.

Andreas: Obrigado a vocês, abraço! Andreas

FODA hein? Segunda vez que o cara pinta no Uarévaa, rapá! Lembra do Review do Show do MetallicA que o Sepultura abriu?

http://www.uarevaa.com/2010/02/metallica-o-show-perfeito.html

Entrevista com audio e tudo... O_O

É isso ai galera, presentão de Aniversário pra esse Duende que ta ficando mais velhinho justamente hoje!


Let´s Rock!!
Duende Amarelo.

domingo, 13 de março de 2011

PalhetadA - Entrevista

Fazia um tempinho que não rolava uma entrevista no PalhetadA hein? Hoje eu entrevisto o Van Halen O_O juro!



Cover!! Mas é o Van Halen... e já vou aproveitar o vídeo abaixo pra apresentar a banda!


A banda se chama Balance, e estão no circuito musical a um bom tempo tocando em casas noturnas. Em uma das apresentações dos caras no “Manifesto Rock Bar” perguntei ao Deco (Eddie Van Halen Cover) se rolava fazer uma entrevista pra esse blog, então acompanhem ai!

1 - O Balance começou em 2005, como surgiu essa idéia de ser cover do Van Halen?

Deco:  O Eric Leister, nosso batera, foi quem iniciou a banda e logo me convidou para ser o guitarrista. Como somos muito fãs do Van Halen, já há muitos anos, a idéia pareceu ser bem interessante. A coincidência legal nisso foi que nessa época eu já estava voltando a ouvir muito Van Halen (pois sou fã desde 1982) e estava pesquisando preços para comprar uma guitarra Music Man OLP. Depois encontramos o André, baixista através de um anúncio na Internet. O Nuno foi o último a integrar a banda, na época ele estava deixando um outro Van Halen cover, o qual ele era vocalista.

Nuno: Sempre adorei VH, desde moleque, principalmente o disco F.U.C.K., mas nunca tinha me imaginado cantando Van Halen em uma banda tributo. O mais engraçado é que durante os shows da minha banda de som próprio, o Liar Symphony, os fãs ficavam me chamando de Sammy Hagar (risos), principalmente pelo cabelo, o visual era bem parecido. Por conta disto, um conhecido meu me chamou para fazer uns covers do VH em uma banda cover. Pouco depois, em 2008, eu estava descontente com esta banda cover, sabe como é, se não estiver perfeito eu prefiro nem fazer, então me desliguei dela. O Eric e Deco ficaram sabendo e entraram em contato para entrar para a banda. Putz, de cara a química foi perfeita e aqui estamos nós.

2 – Quem vai ver o show de uma banda cover quer o som mais fiel possível, já rolou do som não estar “redondo” e reclamarem?

Deco: Bem, nós temos sempre a vontade e o trabalho de tentar fazer o melhor possível, mas dependendo do local em que vamos tocar, o som às vezes não fica como gostaríamos. Me lembro que certa vezes reclamaram ou da guitarra estar um pouco baixa, ou o vocal... já aconteceu também do nosso tecladista virtual, o laptop do Eric (risos), falhar no meio da música, mas sempre demos a volta por cima e saímos da situação numa boa!!

Nuno: Tem muita casa que deixa a desejar no quesito infra, mas não me lembro de alguma vez terem reclamado da execução da banda. Como disse o Deco, à vezes reclamam de não escutarem a guitarra ou o vocal. Bem, nem sempre também estamos perfeitos tecnicamente, seja por problemas pessoais ou alguma gripe, por exemplo, mas sempre damos o máximo de nós nos shows. O legal do Balance é que sempre fazemos o show para nos divertirmos, nunca foi por obrigação ou por "dinheiro??? Hahahahaha", e o publico sente isto, mesmo que tenham apenas 10 pessoas na platéia.

3 – Eu já assisti o Balance algumas dezenas de vezes, e não ouvi “Hot for Teacher”. Não é tão pedida ou a execução dela ao vivo é mais complicada?

Deco: A Hot For Teacher é mesmo difícil tecnicamente, mas temos ensaiado sempre que podemos. Quando acharmos que ficou redonda, aí sim tocaremos ela ao vivo.


4 – Qual o Show mais módafóca que o Balance já fez? Aonde foi?

 Deco: Acho difícil escolher um show como sendo o melhor, mas achamos sempre muito bom tocar no Manifesto e no Vila Dionisio.

Nuno: O Deco falou tudo, destaco os shows no Manifesto e os do Vila Dionísio em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. O Manifesto a galera sempre nos impressiona e interagem 100%. É aquela troca de energia sabe, e quanto mais a platéia nos manda energia de volta mais o show cresce. 

5 – Sammy Hagar ou David Lee Roth?

 Deco: OS DOIS! (risos) Pra mim, o Van Halen foi uma banda com o David, e outra com Sammy, então não dá pra comparar as duas fases. 

Nuno: Esta é a eterna pergunta que sempre farão aos fâs do VH. Ambos são muito foda em suas respectivas fases, que são bem distintas. Curto o VH com os dois vocalistas, ambos possuem canções e shows memoráveis como frontman, Diamond Dave com sua performance inigualável e Sammy com seu vocal e vigor perfeitos. 

6 – Falando em Sammy Hagar, o cara montou um super grupo chamado Chickenfoot. Com a potente voz do Nuno Monteiro, existe a possibilidade de rolar alguma música do Chicken em alguma apresentação?

Deco: Temos a vontade de montar uma banda cover do Chickenfoot, mas ainda não rolou. Mas pode ser que aconteça.

Nuno: Na verdade, eu e o Eric, no primeiro semestre de 2010, estávamos montando um cover do Chickenfoot, mas estacionou. Mas ainda tenho esperanças de retomar. Quanto a tocar algo com o Balance, ainda não tenho certeza se agradaria aos fãs que vão para ver Van Halen especificamente. 

7 – Quem ai da banda já pagou um mico ao vivo?

 Deco: De minha parte, já quebrou a corda da guitarra no meio de um solo, ou soltou a correia da guitarra. O Nuno uma vez esqueceu a letra de uma música e o Eric teve câimbras e baquetas quebradas no meio do show. 


Nuno: Poutz, eu toda hora estou trupicando nos fios, dando cabeçada no Deco e no Andre...(risos)...

8 – Ser reconhecido como a única banda oficial do Van Halen no Brasil e estar entre as sete melhores covers Band, o que isso significa para vocês?

Deco:  É muito bom ter este título, de estar entre as melhores, mas modéstia a parte, quando o Eric começou a banda, ele queria tentar fazer  o melhor possível, então acho que isso, somado ao fato de que todos somos muito amigos e muito fãs da banda, só fez tudo dar muito certo conosco.

Nuno: Para mim pessoalmente não quer dizer muito não, sou desencanado neste quesito, mas de qualquer forma é muito lisonjeiro.

9 – O Baixista André Corrêa fez parte da banda de Ska Skuba, e chegou a gravar dois clipes com a antiga banda, o balance não trabalha em músicas próprias? Não dá aquela vontade de tentar gravar algumas idéias e cair na estrada?

Deco: Já tivemos vontade de montar uma outra banda, de covers diversos e também de tentar gravar algum som próprio, mas a falta de tempo acabou atrapalhando muito. Mas o Nuno Monteiro tem o seu trabalho com o Liar Symphony, que é muito bom. 

Nuno: Como disse o Deco, já sou integrante de uma banda com um trabalho autoral. O Liar Symphony é uma banda de Metal que possui quatro CD’s de estúdio, estamos gravando o quinto, um cd ao vivo, um cd acústico e um DVD ao vivo, inclusive lançado no Japão e distribuído por toda a Europa. Tenho também Metal chamado Fortress que está em vias de lançamento no mercado e uma banda de covers diversos com meu irmão que é baterista.

10 – Fechando a entrevista, gostaria de agradecer a atenção de todos! E peço para que deixem aqui alguma dica musical que estão ouvindo e um recado ai pra quem está lendo esse blog fulero!

Deco: Por mais estranho que possa parecer, estou ouvindo muito ultimamente Pat Metheny (guitarrista de Jazz) e Chickenfoot, além do novo trabalho do Joe Satriani.

Nuno: Obrigado pela entrevista e espero que todos possam um dia ir nos assistir e curtir conosco o som de uma das maiores bandas de hard rock da história, o VAN HALEN.

É isso ai, pra quem tiver a oportunidade de ir ver o Balance tocar, eu garanto que é diversão da primeira a última música! Quem quiser conferir e se informar mais sobre a banda entre no www.balancecover.com.br

 E quem sabe até não nos encontramos por lá e ainda role um Bônus desse?


Let´s Rock!
Duende Amarelo!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Loeb abre o bico!


Em apenas cerca de 24 horas após o anúncio de que Jeph Loeb seria o "cabeça" do recém-criado departamento de televisão da Marvel Entertainment, várias dúvidas pairam no ar sobre isso.
O site Newsrama conseguiu entrevistar Loeb, atual escritor de Hulk, que falou sobre seu novo cargo como Vice-Presidente Executivo, sobre o que exatamente envolve esse trabalho e a quantas anda os projetos existentes e os futuros planos para essa nova divisão para TV.
Aqui você confere a entrevista resumidona. Vamos aos fatos!

Loeb que já foi produtor/roteirista de Lost, Smallville, Heroes e quatro vezes vencedor do Eisner Award, disse que sua nomeação foi logo após a compra da Marvel pela Disney, e que se tornou evidente que a empresa (a Disney, porra!) estava muito interessada em trazer a Marvel para a televisão. Era só uma questão de tempo para que a Marvel tivesse a uma oportunidade, já que a Disney
detém os direitos de redes de tv como ABC, ABC Family, Disney Channel, XD, ESPN.
 
Dan Buckley (Presidente e editor da Marvel) então o chamou por causa da suas experiências anteriores na TV com alguns seriados como Buffy, Smallville, Lost e Heroes. Como a Marvel fez um trabalho incrível na divisão de recursos de seus filmes, quando chegou a hora de explorar a televisão, queria fazê-lo com mais cuidado e de forma seletiva.
Eles então, trabalharão em três áreas diferentes, que a Marvel já estava explorando e continuará trabalhando nelas, como as animações que sairão diretamente para DVD, como foi o caso de Planet Hulk. O segundo é a expansão contínua nas áreas de animação, atualmente eles produzem Super Hero Squad, que está no Cartoon Network, e produzirão Os Vingadores: Os Heróis mais Poderosos da Terra
e, já em fase de desenvolvimento, Ultimate Spider-Man para o Disney XD.
 
Existem alguns projetos em animação que eles não estão podendo falar, mas que já estão em andamento.
A esperança deles é trazer a Marvel Animation para um patamar de qualidade e notoriedade assim como a das publicações e da divisão de filmes. Eles fazem parte do legado da Disney agora, então eles se sentem na responsabilidade de fazer com que a divisão de animação chegue ao mesmo nível. Pelo menos esse é o desafio e a esperança do grupo.
Outra novidade é que existirá uma nova divisão que trabalhará com live action, em parceria com a ABC e ABC Family. Isso significa que eles estão atrás de encontrar o personagem ou personagens certos para desenvolver algo no estilo de seriados, como Smallvillle e Lost.
Perguntado se eles tem ideia de modificar ou criar um novo ponto de partida para os personagens, para as pessoas que ainda não conhecem, ou se eles vão tentar criar a mesma mitologia já existente nos quadrinhos, Loeb respondeu que o objetivo principal da divisão de longa-metragem é fazer os melhores filmes baseados nos personagens da Marvel, para realmente se estabelecerem no topo do gênero de super-heróis. Iron Man é um bom exemplo disso, e ainda disse que ouviu falar coisas incríveis sobre o filme do Thor, que já está em produção e Capitão América. Ele desconversou um pouco e só falou que a intenção da Marvel é ter audiência mundial e fazer seus fãs felizes. Ou seja, querem encher o rabo de grana!
O dinheiro sempre fala mais alto, nenê!

 Ô da Poltrona, O Didi dos EUA curte mesmo é $$$!

Perguntado sobre que lições ele tirou de seriados como Smallville e Heroes dos quais trabalhou, e ele afirmou que as melhores coisas feitas para TV são feitas por pessoas com uma visão muito clara sobre as coisas como Damon Lindelof (Lost), Al Gough e Miles Millar em Smallville e Joss Whedon (Buffy e Angel). Para que as personagens sejam desenvolvidas para ter um sabor único e distinto e, ao mesmo tempo permanecer fiel aos quadrinhos.
Querem trazer as pessoas certas para desenvolver esses personagens, a fim de expandir essas histórias e fazer o melhor que podem.
Ele deu o exemplo que Ultimate Spider-Man será fantástico!

Ele ainda chupou as bolas daquele seriadinho xexelento, Smallville, e disse que a Marvel pensa em repetir o sucesso (espero que seja só o sucesso e não os roteiros!) ou ser capaz de impactar todo mundo como Lost (uia!) ou em desenhos animados como Batman: The Animated Series e Batman Beyond, dos quais Loeb é fã e acha que são exemplos surpreendentes do que pode ser feito neste gênero.

Loeb agora que é, junto com uma grande equipe, responsáveis por tudo o que é produzido na Marvel para a televisão tem a esperança de que, dada a dimensão do catálogo de heróis e o grande apetite que os fãs estão tendo por produtos relacionados à eles, eles consiguam produzir muito mais do que um só seriado. Pela entrevista deu pra perceber que eles tem a intenção de reviver antigos seriados como o Incrível Hulk (aquele com Bill Bixby e Lou Ferrigno).

 
Mas será que o mercado é suficientemente grande para esses vários shows, seriados e afins?
 
Loeb diz que tudo será visto caso a caso.
Já que a DC tem tido um estrondoso sucesso com Smallville e agora estão construindo o destino do Superman, se você olhar para isso de um ponto de vista editorial, as duas coisas não poderiam ser mais diferentes, tanto em termos de gênero ou em termos de sensação. Portanto, a verdadeira chave seria encontrar a rede certa, o estúdio certo e se certificar que terão os melhores criadores, a fim de trazer uma boa visão para a tela. Eles planejam fazer isso com muita cautela, muito cuidado e de forma muito seletiva. É esse o modelo que eles vão seguir.
 
Por fim, perguntado sobre o que ele gostaria de ver a Marvel produzindo, ele diz que está mais curioso em saber sobre o que os fãs gostariam de ver!


Acho que a resposta não seria diferente em se tratando do Loebão, pois é sabido que ele curte muito um roteiro massificado para vender produto.
Não que ele esteja errado... afinal de contas, isso é um produto!
Pra um cara que fez coisas como Demolidor: Amarelo, Homem-Aranha: Azul, a saga Silêncio e O Longo Dia das Bruxas com o Batman, pra mim, na boa, acho que sua missão vai dar certo!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Especial "Como fazer Tiras?" - Entrevistas #4


Fala, molecada!
Atenção, que essa é a nossa última entrevista com os tirinistas!
Antes mesmo do meu primeiro post por aqui no Tira de Letra, fiz a matéria especial de "Como Fazer Tiras" lá no meu blog (aqui no Uarévaa! ficou melhor), e depois rolaram algumas entrevistas especiais com os caras que entendem do traçado...
Hoje, veremos a parte final da série de entrevistas com grandes tirinistas da internet e jornais. E o último convidado é mais que especial!
Com vocês, Benett!



Criador de várias tiras bacanudas como Salmonelas, Melão Colia e o Cachorro e de um humor negro dos mais refinados, o tirinista, ilustrador e chargista paranaense de 35 anos, Alberto Benett, é um dos grandes nomes da nova geração de desenhistas que vem mostrando fantásticas tiras e charges, tanto em jornais e revistas como também na internet.
Ele inclusive já tinha se manifestado também quanto aos programas que fazem tiras aqui.
Conversei com o cara sobre como é que se faz!

1) Você começou produzindo tiras pra internet, não? Conta como foi esse começo.
Benett - Não. Comecei produzindo tiras para jornal impresso. Dois ou três meses antes de me formar em jornalismo, fui contratado por um jornal. Pura sorte. Foi coisa de conjunção de planetas, só pode. Mas antes disso, quando tinha 20 anos, já havia descolado um trampo de chargista, mas acabei demitido por heresia.
 
2) Como foi a transição para as charges? Foi um pedido de trabalho pago ou você mesmo é quem decidiu se concentrar mais nisso?
Benett - Não houve transição, as duas coisas correm simultâneas. O fato é que sempre gostei de fazer charges e tiras. E acabei desenvolvendo um desenho que basicamente me limita a esses dois meios. Não consigo desenhar uma hq ou fazer caricaturas ou ilustrações elaboradas. Estou condenado a ser chargista/tirista, para ser sincero.
3) O que te inspira pra criar suas tiras, você é desses desenhistas como eu que vivem prestando atenção a tudo e todos? E o que você espera passar pras pessoas com elas?
Benett - Espero que as pessoas divirtam-se com elas e, se possível, tentem identificar ali alguma visão de mundo anti-conformista e anti-moralista. É isso o que me inspira, essas pequenas possibilidades. Agora, sobre o lance de observar as pessoas, não faço muito isso para preservar meu estômago de uma possível hérnia.
 
4) O que você curte mais fazer, tiras, ilustrações ou charges?
Benett - Acho que o que mais curto, do fundo do coração, é escrever textos de humor. Meu desenho me deixa de mau humor, invariavelmente, porque nunca consigo desenhar as coisas da maneira que imagino.
 
5) Qual delas é mais rentável para você no fim do mês? As charges políticas? =)
Benett - Bem, na verdade não trabalho com frilas, eu tenho contrato com um jornal. Então, produzo charges e tiras e eles me pagam um salário. Agora, desconfio que esperar ganhar dinheiro no Brasil somente com tiras é algo arriscado. Isso vale para ilustradores, também. E para quem tem apenas curso de datilografia.
6) Quem são os seus mestres? Quem são os caras que te inspiram na literatura, nas artes, enfim, na hora que você analisa todas as coisas que você vem fazendo nas tiras e charges?
Benett - Por incrível que pareça, Jack Kirby me diverte muito. Não gosto de histórias de herois, mas o desenho dele é fascinante.
Tenho lido livros de Steve Pinker e eles me inspiram muito, apesar de não ter nada a ver com o que faço. Estou escrevendo uma fotonovela, então tenho visto filmes policiais dos anos 50 pra baixo, aqueles com o James Cagney e tal, e isso tem sido fantástico.
Essas coisas me empolgam de verdade. Chester Himes me dá uma vontade imensa de morar no Bronx, assim como ouvir The Meters durante o dia todo enche minha alma de vitalidade.
E a vantagem dos dias de hoje é que tudo o que existe de produção cultural está a um clique. Quando eu era adolescente e babava para ver filmes do Lon Chaney Jr., era quase impossível descolar essas coisas. Ouvir um vinil do Lonnie Smith então, jamais. Eram coisas que cresciam com a nossa imaginação e, quando tínhamos acesso a isso, era fantástico, uma pequena glória saboreada lentamente. 
Lembro que aos 16, 17 anos queria muito ver os primeiros filmes dos Irmãos Marx, mas eles não saíam em vídeo e, quando saíam, as locadoras da minha cidade não compravam. Você tinha que descolar com algum especialista que fazia uma cópia em VHS para você pelos olhos da cara. Quando alguém me diz "aqueles é que eram os bons tempos", tenho vontade de socar o nariz.
 
7) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza ou esboça direto no papel antes da finalização? 
Benett - Não tenho uma maneira sistemática para fazer isso. Muitas vezes penso nas tiras durante minhas intermináveis horas de insônia e desenho tudo no dia seguinte. Outras vezes simplesmente sento com o papel em branco na minha frente e tento espremer uma ideia em 5 ou 10 minutos. Em outros tempos eu anotava tudo em folhas e jogava num canto, aí ia lá e escolhia as melhores e desenhava. E hoje tenho certeza que comecei a desenhar quadrinhos porque queria fazer as piadas que via no cinema, e a única maneira era através das tiras. Claro, havia toda a influência de Schulz e Johnny Hart, Angeli e Adão...mas a ideia mesmo eram as tiras que eu lia do Woody Allen, feitas pelo Stuart Hample.

Mas hoje anda difícil eu fazer tiras novas e ispiradas, por uma questão de falta de tempo, mesmo. Talvez falta de interesse, realmente. Acho que estou perdendo um pouco o tesão por isso.

8) Você acha que a internet tem sido um bom canal pra quem tá começando? Você já publicava tiras antes da internet, mas foi através dela que você ficou mais conhecido não?
Benett - Não sei se fiquei conhecido, para ser sincero. Bem, a internet é o caminho para quem está começåndo só que, por outro lado, é um tanto arriscado expor seu trabalho se ele ainda não está legal, sabe? Há uma certa impaciência para se publicar e isso pode ser letal para o cara, que fica esperando elogios e convites de emprego e a coisa não rola e ele acaba se frustrando. Ou pode acontecer de ele nunca ser uma novidade, nunca ser uma surpresa, por estar aí desde sempre. O ideal é aguardar um tempo até ter um trabalho legal e depois jogar na rede. O fato é que, de uma maneira ou de outra, o sujeito vai ter que ralar muito.
9) Você está a mais de 10 anos no ramo de desenhos, né? Você consegue analisar esse tempo em que você está batalhando, você consegue definir em que ponto daquilo que você projetou pra sua carreira você está vivendo?
Benett - Estou há exatamente 10 anos e posso dizer que tenho sorte de ainda estar nessa. Sempre sobrevivi com a força das ideias, porque se dependesse do desenho, acho que hoje estaria vendendo escovas de porta em porta.
Acho que fui muito mais longe do que havia projetado, sinceramente. Pra você ver como não projetei nada muito ambicioso. Quando comecei isso aos 12 anos, eu queria mesmo era sair da minha cidade, do meu bairro, da minha casa, do meu quarto, da minha cama e, se possível, de minha própria carcaça.

10) Me parece que hoje um caminho pra se ter visibilidade de seu trabalho é produzindo tiras. Já vi vários artistas que acabam indo pra esse lado, com a intenção de ter esse reconhecimento pra depois tentar executar seus outros trabalhos. E por outro lado, tem aqueles que só interessam por produzir tiras.
O mercado hoje em dia pede muito mais daqueles que querem trampar com isso, certo? É bom que o cara saiba no mínimo o que tá rolando no planeta (no caso das charges) ou pelo menos que faça boas ilustrações, não é? 
Benett - O nível está muito alto hoje em dia, em qualquer dessas áreas. Portanto, quanto mais informação e, principalmente, formação você tiver, melhor. Conhecimento nunca é demais, você pode desprezá-los depois, mas é importante ter técnica e conteúdo. Vai te dar mais possibilidades para o dia em que você enjoar desse negócio de cartum. Ah e, se possível, tenha alguma herança em vista.
 
11) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras então?
Benett - Seja autêntico e não espere muito dos jornais. Não glamourize a profissão. Você vai ter de lidar com editores que vão censurar suas charges, vão querer alterar o texto de seu trabalho, vai aguentar muita encheção de saco até ter a autonomia de um Angeli ou Ziraldo. Vejam, Carl Barks, no alto de seus 55 anos, tinha que alterar histórias porque os editoras não gostavam do que liam, acredita nisso?

12) Você já viu esses programas que ajudam quem não sabe desenhar a fazer tiras, né? O que você acha disso? 
Benett - Dá certo por alguns minutos, mas se tornam rapidamente quadrinhos enfadonhos. Não surpreende. É como Cyanide & Hapiness. Houve tanta proliferação do mesmo desenho, que cansou.
A mediocridade sempre vai acabar predominando, ela deixou o que era uma ideia divertida, para virar algo que é um auto-plágio. Tornou-se previsível. E tornar-se previsível é o primeiro sintoma da decadência.
 
13) E quanto aos salões de humor, concursos, etc. Você acha que vale a pena tentar algo por esse caminho?
Vale, mas vencer um salão de humor não vai mudar muito sua vida. Agora, tem o lance da grana que é essencial.
 
14) Você gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc.?
Ahn...cuidado com sua postura na prancheta, ou você irá ficar parecendo com o quasímodo quando estiver mais velho.
Bom, é isso aí, galera!
Obrigado a todos os artistas que participaram e obrigado a você por ter dispensado um tempinho pra ler essas matérias. Dá um trabalho mais ou menos pra fazer! Mas no final vale a pena! Ano que vem vou ver se consiguo fazer mais especiais por aqui!
Para saber mais de Benett, acesse:

Para ver as outras entrevistas:
Como fazer Tiras #1
Como fazer Tiras #2
Como fazer Tiras #3

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Especial "Como fazer Tiras?" - Entrevistas #3

Fala, molecada!
Continuamos nossa saga de entrevistas com os melhores roteiristas/desenhistas nacionais!
Depois da entrevista com o Cadu, que você viu por aqui, agora é a vez dele... o cara que fez todo fã do Homem-Aranha relembrar a boa fase do personagem através de tirinhas inteligentes, bem feitas e sensíveis.
Tô falando do Vitor Cafaggi, o criador de Puny Parker (ou o Pequeno Parker), o personagem que é uma homenagem ao herói da Marvel, mostra em seu trabalho um aspecto bem diferenciado no que se refere à tiras.
Então, pequenos padawans, vamos à entrevista!



Ah! É bom lembrar antes que ele também foi o responsável por uma das grandes histórias que compõe o álbum que homenageia Mauricio de Sousa.
Conversei com o Vitor sobre seu trabalho e você confere agora o bate-papo que tive com esse grande artista!
1) Além de homenagear o Homem-Aranha, Puny tem um traço bem característico, lembrando muito as tiras dos Peanuts, feitas por Schultz e com um pouco da “alma” de Calvin de Bill Watterson, não é mesmo? Você se baseou nesses grandes mestres pra produzir as tiras? Como foi que o Pequeno Parker “nasceu” na sua cabeça?
Vitor Cafaggi - Não sei exatamente de onde surgiu a ideia. Não houve um momento específico que eu me lembre como sendo o da criação dele.
Acho que o Puny é uma mistura de tudo o que eu gostava na minha infância nos anos 80. Eu lia as revistas do Homem-Aranha, as tirinhas do Calvin, assistia o desenho do Charlie Brown na TV, ia ao cinema para ver De volta para o Futuro, Os Goonies e os filmes do Stallone.. acho que a ideia não surgiu.. ela sempre esteve aqui comigo!

No final, acho que ficou bem forte essa influência do Schultz e do Bill Watterson nas tirinhas. Hoje, para mim, nosso jovem Peter Parker é um menino muito parecido com o Charlie Brown (tímido, azarado, apaixonado..) que vive uma vida parecida com a do Calvin (tem problemas com valentões na escola, tem uma imaginação muito fértil e figuras paternas bem marcantes).

2) Qual era a intenção no começo e o que você sente que mudou depois de mais de um ano de produção? 
Vitor Cafaggi - Quando eu comecei a fazer as tiras semanais meu objetivo principal era me condicionar a desenhar sempre. Muitas vezes a gente tem ideias que não coloca no papel, ou ideias que começamos e nunca terminamos por falta de tempo ou mesmo por preguiça. Quando fiz a segunda tirinha do Puny decidi que faria isto semanalmente. Comecei colocando as tirinhas no Orkut e avisei aos amigos que ia fazer isso toda semana. Dessa forma eu meio que me obriguei a manter essa produção semanal de tirinhas.
Depois disso, outras pessoas conheceram a tirinha, eu fiz o blog e hoje, pouco mais de um ano depois, eu cumpri esse objetivo: desenho melhor do que desenhava há um ano, o Puny me trouxe outros projetos e a receptividade à tirinha foi ótima!
 

3) Você pensou num público-alvo para essas tiras? 

Vitor Cafaggi - Quando eu comecei a fazer essas tirinhas, minha idéia era ‘tirinhas feitas por um fã do Aranha para os fãs do Aranha’. Esse sempre foi meu público-alvo, os antigos leitores do personagem.
4) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza antes de desenhar? 
Uma vez que eu já estou com a idéia da tira pronta na minha cabeça, eu faço apenas um rascunho antes de desenhar cada tira. Esse rascunho me ajuda a visualizar a tira antes de desenhar, eu vejo de quantos quadrinhos eu vou precisar e o que acontece em cada um deles.

5) Você adiciona algumas “curiosidades” depois das tiras. Achei um recurso fantástico e bem diferente. Necessariamente, para o leitor, não é preciso recorrer a esse recurso para entender a piada, mas você acha que se a tira fosse publicada em jornal ou revista, o fato de não existir esse recurso, prejudicaria seu trabalho final?
Vitor Cafaggi - Nunca pensei nisso.. na verdade, eu nunca pensei em publicar Puny Parker em jornais ou revistas. Como eu disse, o público-alvo são os fãs do Aranha, mas muita gente que conhece o personagem apenas pelos filmes tem lido as tirinhas (o que é bem legal). Eu escrevo as curiosidades principalmente pra essas pessoas e às vezes escrevo também sobre algum detalhe escondido que possa passar desapercebido ou mesmo sobre o processo de criação daquela tira. 
 
6) Além de se utilizar da cultura pop e de ser um profundo conhecedor do herói da Marvel, vc se espelha em algum fato da sua vida pra criar situações na vida do seu personagem? Qual é a mensagem que vc espera passar nas tiras?
Vitor Cafaggi - Sim, várias situações vividas pelo Puny são inspiradas em minha infância. O fato é que eu leio os quadrinhos do Aranha desde que tinha sete anos. Isso me acompanhou pela minha vida inteira. Posso dizer, sem exagero, que muito de quem eu sou, minha personalidade e dos meus valores eu aprendi nas histórias desse personagem. Tendo essa identificação, sinto que nas tirinhas do Puny Parker posso colocar experiências pessoais porque sei que vão se encaixar com o que o personagem representa.
Pra mim, os temas principais em Puny Parker são a história de amor (platônico) entre ele e a MJ e a vida dele em família. Muitas vezes eu até deixo a piada de lado em uma tira ou outra pra poder trabalhar melhor esses dois temas.
 
7) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras? 
Vitor Cafaggi - Desenhe sempre, todos os dias. Pense sobre qual seria o tema das suas tiras, quem são os personagens que aparecem nela.. o que esses personagens querem, quais são suas características mais marcantes.. Uma vez que você criou a tira tenha sempre ela em mente.. desse jeito, a todo momento você vai ter idéias para novos episódios.
8) Conta como foi que você teve a idéia de fazer “produtos” como o cd com a “trilha sonora” das tiras e Cubeegrafts dos personagens.
Vitor Cafaggi - Eu não queria deixar o blog parado durante as férias do Puny. E, como eu sempre gostei de pensar nas tiras como um seriado com temporadas definidas, pensei que seria legal termos alguns extras, como se fosse um DVD. Pensando nesse lado seriado do Puny, a trilha sonora era um extra indispensável. Os cubeecrats são pra aqueles que adoram colecionar bonecos (como eu) e os outros extras serviram mais como curiosidade mesmo.
Fiquei sabendo que o Wallpaper fez bastante sucesso e hoje, sempre que vão falar sobre o Puny em outros blogs eles usam essa imagem pra ilustrar o texto. 
 
9) Em pouco tempo, seu personagem se tornou hit na internet, te premiando, na minha opinião, com um dos melhores presentes que é participar de uma comemoração como a de 50 anos do Mauricio de Sousa. Como você está se sentindo agora com tudo isso acontecendo? 
Vitor Cafaggi - Como eu disse, a receptividade com as tirinhas tem sido ótima, muito além do esperado e eu fui convidado pra participar de outros projetos como o Pequenos Heróis e o MSP 50 graças ao Puny. Devo muito a ele. Esse convite para participar do MSP 50 foi o máximo!
A chance de criar, escrever e desenhar no meu estilo uma história do Chico Bento foi uma surpresa gigante. Digo sem exagero que foi o primeiro grande sonho da minha vida realizado. 
 
10) Você gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc? 
Claro! Jabá time!
O MSP 50, o livro em comemoração aos 50 anos de carreira do Maurício de Sousa, sai agora em setembro (essa entrevista foi realizada em Agosto), em breve nas bancas teremos Pequenos Heróis e continuem acompanhando as aventuras semanais do Puny! Valeu, gente!
 
Não perca por nada desse mundo o próximo capítulo!
Fiz uma entrevista hilária o autor Benett, e o cara é muito louco!
Será a última entrevista da série, por enquanto! Então, esteja aqui!
Para saber mais acesse: 
http://punyparker.blogspot.com/ 
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