Social Icons

Pages

Mostrando postagens com marcador Homem Aranha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Homem Aranha. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha

Uaréview
por... Freud?



"É o melhor filme que as pessoas já viram na vida."


Peter Parker é picado por uma aranha, ai o tio dele morre, ele vira o Homem Aranha e enfrenta o Lagarto.

Os atores são muito bons, as lutas são muito legais, gostei muito do 3D.

No começo eu estava impaciente porque não tinha vilão, não tinha ação de super herói, não era um filme de super herói, mas quando o Homem Aranha apareceu ficou muito bom.



Minha cena favorita foi quando o Homem Aranha cai chutando o Lagarto em cima do prédio. Também gostei muito quando o Homem Aranha salva o garoto, quando ele enfrenta o Flash na quadra da escola e quando o Flash aparece com uma camisa do Homem Aranha no final.

A pior cena foi do Homem Aranha caído no chão. Também não gostei do policial ter dado um tiro na perna dele mesmo depois do capitão ter deixado o Homem-Aranha ir, e também não gostei da Gwen ter desligado o telefone e não deixar ele falar direito com ela quando ele estava no esgoto, que era sinistro.

De 0 a 10, queria dar nota 7 mil, mas como não pode, eu dou nota 10.



Obviamente tudo que está escrito ai em cima não é minha resenha do filme, mas a do meu filho de 5 anos, que saiu do cinema ontem empolgado igual eu nunca vi ele sair de nenhum outro filme (e isso inclui Vingadores, que ele também adorou), dizendo que um dia vai se tornar um super herói de verdade, combater os bandidos e ajudar a polícia (espero que isso não se concretize, bwahahaha).

Somente por ele fui ao cinema ver esse filme, e somente por me surpreender com esse grande entusiasmo dele resolvi que o filme merecia esse post, escrito bem depois da estréia, num momento em que todas as atenções estão voltadas para o novo filme do Batman, e mesmo com outras duas resenhas já tendo sido publicadas aqui (a do Vini e a do Marcelo).

Eu sinceramente, pelos trailers e notícias, achava que esse necessário reboot daria num filme legalzinho, com uma nova versão razoável da origem do herói e efeitos mais bem feitos que a trilogia anterior, apesar de um 3D exagerado demais que ia me incomodar.

A ação e o 3D na verdade me supreenderam. Ficou bem melhor que eu esperava e anos luz a frente da trilogia anterior do herói. A movimentação do Aranha está muito mais próxima do que se vê nos quadrinhos e o 3D realmente é exagerado, mas acaba casando muito bem com o estilo acrobático do personagem.

Mas, se esses pontos superaram em muito minha expectativa, o mesmo não pode se dizer do restante.


Gosto do Aranha, é um personagem legal, mas sempre esteve bem longe de ser um dos meus favoritos, então nem me debruço na discussão da "fidelidade aos quadrinhos" na minha análise, isso já foi muito bem feito na resenha do Vini, e também, na boa, tirando os fãs de carteirinha, o que o público em geral mais reconhece do Aranha está ali: o "nerd", o uniforme (que, por mais modificado que tenha sido, está perfeitamente reconhecível por qualquer um) e o herói àgil que sobre pelas paredes, solta teias e se balança pela cidade.

O problema é que o filme tem furos absurdos, inexplicáveis, como a incrível falta de segurança da Oscorp, uma "teia que cura ferimento de bala" e muitos outros.. Tudo é muito jogado, com coincidências demais, falta bom senso.

Algumas cenas tem momentos mal aproveitados demais, que poderiam até funcionar mas ficaram piegas ao extremo. Ok, vi dublado, mas eu juro que a mensagem final do Tio Ben tava igualzinho a um discurso do Bial em Big Brother, bwahahahaha, e isso é só um dos vários exemplos que eu poderia dar aqui.


Um filme classe B de sessão da tarde, que dá pra aproveitar se você souber rir dos vacilos brabos, mas não dá pra "levar a sério".

No final, a ação faz o filme merecer uma nota 6 pra mim, porque disso realmente gostei bastante. Não fosse tão bem feita, apenas razoável, no nível da trilogia anterior, esse filme teria um 4 meu, no máximo.

Mas, vou te falar... Não é essa nota do velho nerd o que importou ontem. Tudo isso que eu "avaliei" não me incomodou de verdade em nenhum momento durante o filme. A sessão foi uma baita curtição, Espetacular, como está no título.

Porque eu não estava lá pra avaliar nada.

E o verdadeiro público do filme, ontem, deu nota 7 mil.

domingo, 8 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha

Uaréview
Por Vini



O que você faria se você se tornasse o Homem Aranha?
Parece que foi essa a pergunta que Alvin Sargent, James Vanderbilt, Steve Kloves e Mark Webb, roteiristas e diretor de O Espatacular Homem-Aranha, se fizeram para trazer novamente para as telas de cinema mais uma história do herói aracnídeo, inaugurando uma nova fase ou melhor dizendo, o "reboot" da filmografia do herói da Marvel no cinema.



E como o significado da palavra diz, reboot significa desprezar, descartar muito ou tudo daquilo que já foi feito numa série anterior e iniciar uma nova com novas ideias.
E amiguinho, fã de Homem-Aranha "old school" como eu, deixa eu te avisar uma coisa se caso você ainda não foi assistir o filme... não espere nada relacionado com seu personagem favorito! A não ser que você tenha começado a ler as revistas do Teioso através da linha Ultimate. Aliás, acho que nem por aí você vai sentir alguma ligação ou relação com a cronologia normal dessas revistas.


Você deve estar se perguntando: "como assim, não esperar nada relacionado com o Homem Aranha no filme dele?" Pois é, é o filme do Homem-Aranha, mas de um Homem-Aranha de outra linha ou universo qualquer, menos a do que estamos acostumados.

Os caras seguiram a risca esse lance de reboot e tudo que você vê nos 136 minutos de filme é uma história de um novo Peter Parker e como ele lida com seus recém-adquiridos super poderes e com os problemas que eles acarretam em sua vida!
Para começo de conversa, logo no início do filme, já dá pra perceber que aquele Peter Parker hipster e skatista não é de longe algo relacionado com o nosso derrotado e tímido Peter Parker. E vou te falar, não que tenha ficado ruim, mas é impossível para um fã do personagem a muito tempo, criar empatia com isso que eles tentaram criar. Essa introdução à uma nova vida para o personagem.

Não há aquela dualidade que estamos acostumados a ver nos quadrinhos, em relação ao comportamento do personagem que é mais nerd e inseguro enquanto é apenas o Peter, estudante e fotógrafo, e como esse lado é sobrepujado quando ele veste seu uniforme, se tornando um herói piadista e cheio de si! Nesse filme Parker é fodão desde o início! E piora consideravelmente depois de ganhar seus poderes aracnídeos! É meio decepcionante ver o Flash deixando de ser aquele babaca que vivia enchendo o saco de Peter para se tornar apenas um Joselito sem noção que não sabe brincar


Enfim, sua origem, que é conhecida a mais de 40 anos, é deixada de lado para que uma extremamente nova seja contada.  
E isso não atrapalha, desde que você vá ao cinema com a cabeça totalmente aberta a isso.
Sério, eu encarei esse filme como sendo um "O que aconteceria se..."
Sim, mais ou menos um "O que aconteceria se... Andrew Garfield se tornasse o Homem-Aranha"! 


Essa atualização do personagem nos cinemas "matou" todo o conceito criado para ele nos quadrinhos. Ele deixa de ser a vítima e se torna o cara descolado!
Afinal, ele já é apresentado no começo como o hipsterzinho (ele faz o caminho contrário e usa óculos depois de ganhar os poderes) que tira fotos e anda de skate e enfrenta o Flash, em uma versão menos atlética e ainda como jogador de basquete e não de futebol americano, que só não consegue vencê-lo porque ainda não tem os seus poderes, e quando consegue, faz da maneira mais babaca possível.


Problemas com as mulheres? Sim, ele tem. Na verdade, só com uma, a Mary Jane tá loira? Gwen (Emma Stone) que se joga nos braços de um cara que apenas não tem tato com mulheres. Sim, Garfield não passa a impressão de ser um Peter tímido, mas apenas de um cara que não sabe lidar com uma situação onde ele curte muito a garota, mas não consegue convidá-la pra sair.
E o desenvolvimento de seu relacionamento com a Gwen Stacy é tão rápido quanto as cenas que mostram como ele inventou seu sistema de lança-teias (uma das poucas mudanças boas do filme) e da construção do uniforme...



Muitas outras coisas irão incomodar o fã de carterinha do aracnídeo, tanto as incongruências com sua origem, cronologia, o "design" do uniforme e o pior de todos, a bizarrice em relação ao fluido de teias (presta atenção nisso), quanto com os furos propositais do roteiro, que deixam pontas soltas para o segundo de uma maneira muito boba. Tô falando da relação dele com a investigação do assassino do Tio Ben e o sumiço dos pais.
Aliás, o Tio Ben é uma das melhores coisas do filme. Feito por Martin Sheen em uma atuação bem honesta, é o único que consegue demonstrar a relação do personagem com os quadrinhos, mesmo que tenham limado a famosa frase sobre Poderes e Responsabilidade. Prova do foco que deram para o personagem é a Tia May (Sally Field) que ficou irreconhecível nesse filme. Toda aquela preocupação com o sobrinho, que às vezes era até chata nos quadrinhos, deram lugar à uma apatia tão grande quanto sua cara de cachaceira! Parecia mais que ela estava com medo de um sobrinho envolvido com drogas que provavelmente iria lhe roubar sua aposentadoria.

O emaranhado de coincidências convenientes que o roteiro propõe é pobre demais para se aceitar, mesmo que isso tenha partido um pouco da ideia já mostrada na linha Ultimate e nos desenhos animados do personagem, que, por coincidência ou não, leva o mesmo nome do filme (mas que de longe é bem melhor!). A ligação entre os personagens, a "teia" que armaram para amarrar os personagens, soa cômoda demais. O pai de Peter trabalhou com o cientista Curt Connors (Rhys Ifans) que agora trabalha nas empresas Oscorp, de Norman Osborn, e Peter acha a pasta que contém documentos indispensáveis à pesquisa de Connors, que é chefe da namorada que estuda na mesma classe, que por causa dessa pesquisa genética, cria tanto o herói quanto seu antagonista e que necessita dos conhecimentos de Gwen para criar um antídodo para vencer o vilão... faz favor!




Não sei se essa foi a melhor saída para recontar a origem do personagem, nem sei se a inserção dos pais de Peter, na verdade, era tão necessária assim, porém, analisando o que foi mostrado em Homem-Aranha 1, onde também houveram grandes mudanças como a teia orgânica, a substitição da primeira namorada de Peter, a loira Gwen Stacy pela ruiva Mary Jane peitcholas caídas e a "Power-Rangerização" do Duende Verde, ficou dez vezes mais difícil recontar a história como ela era nos quadrinhos originais. Mas até que valeu o esforço. Apesar de todas essas diferenças com os quadrinhos, o filme não é tão ruim.
As cenas de ação são muito legais. Abusaram na massa-veísse das cenas POV (Point of View), ou no português claro, ponto de vista do personagem, que deram a sensação de como é ser o herói enquanto ele "balanga" pela cidade. Uma curiosidade é que cortaram parte daquela cena que é mostrada no trailer.




Todos os CGs estão absurdamente bons! E vistos em 3D, acho que melhora bem a experiência. O Lagarto está bem diferente do que eu imaginava, meio humanóide ainda, mas as cenas onde aparece está bem críveis, quanto sua movimentação, etc.


As cenas de luta são empolgantes e renderam bons (e poucos) momentos do filme. Inclusive a participação do velhinho Stan Lee no meio da treta!
Outra coisa, são os disparos de teia. Ficaram bem legais da forma apresentada.
A movimentação do Aranha também ficou bem mais fluída e impactante, com direito a posições iguais as vistas nos quadrinhos! Nesse sentido, ficou muito mais fiel!



O resultado é satisfatório. Marc Webb conseguiu fazer um bom trabalho com um roteiro lixo que lhe deram e transformou num filme massa véi para o público médio. É como já cansamos de falar por aqui, a Marvel continua se especializando em fazer filmes médios bons. Pena que não esteja à altura do personagem...

Esqueça tudo que você sabe sobre o Homem-Aranha e talvez assim você se divirta no cinema!

Nota: 06

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Podcast Uarévaa #78 - Homem Aranha nos cinemas



Fica de olho nesse teu cu, hein?

Freud, Marcelo Soares, Vini e Zenon relembram a trilogia do diretor Sam Raimi e falam dos trailers do novo filme do "amigão da vizinhança".




(Clique na imagem com o botão direito do mouse
e depois em "Salvar link como..")

E o RSS? E o ITunes?

POIS É, NADA AINDA..

Ocorre que o Mevio, o site onde hospedávamos o podcast suspendeu as contas de uma cacetada de shows por ai, inclusive o nosso. Foi por medo de se queimar com a SOPA? Medo do cerol da PIPA? Não sabemos. O fato é que estamos buscando outra solução no momento e com isso mudou o player do post, a forma de baixar o arquivo e esperamos em breve acertar os feeds e iTunes.


Comentado no Podcast

- O Aranha de várzea mostrado pelo Vini



- Desenho feito pelo Vini durante a gravação do pod (clique na imagem para ver maior)



- Trailers do novo filme







Comente ai ou mande seu e-mail (contato@uarevaa.com) com críticas, elogios, sugestões, cagações de regra e tudo mais sobre nosso podcast.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Uaréview - Universo Marvel #10

Por Vini


Esses dias estávamos discutindo no nosso grupo de e-mails que às vezes falta um pouco de notícias de quadrinhos por aqui no Uarévaa. Bom, não chega a ser tanto, pois volte e meia tem alguma coisa para ler sobre isso, mas é bem verdade que o número de matérias, em relação a outros blogs que também falam de quadrinhos, diminuiu bastante.
Eu mesmo sinto falta, porque quando eu era apenas um leitor do Uarévaa (não por ser um redator, mas é que hoje em dia não leio mais, rs) me amarrava nas notícias e reviews quadrinescos que pintavam por aqui. Então resolvi me mexer um pouco, já que me sobrou tempo, e fazer um post analizando a revista Universo Marvel, mas especificamente da última edição que saiu nas bancas.
Então, vamos a ela!


 
 
Bom, primeiro é bom dizer que a edição gira em torno de uma história do Quarteto Fantástico, ou melhor dizendo, deveria! A fantástica capa de Alan Davis, que remete instantâneamente à maravilhosa fase do Quarteto na época de John Byrne, faz a chamada para a história onde é o dia do aniversário do agora não mais pequeno Franklin Richards que ganha como presente aquilo que mais desejava: uma visita do Homem-Aranha! Sabe, essas histórias funcionavam bem antigamente, mas hoje parecem ser não mais do que encheção de linguiça pra mim. Principalmente quando erram no desenhista da bagaça!
Geralmente, quando havia uma comemoração especial, sempre eram feras que desenhavam essas histórias. Não tô dizendo que Neil Edwards seja um péssimo desenhista, mas seu traço simplesmente não funciona em quadrinhos de super-heróis. Ou pelo menos, não nessa história.
As crianças tem cara de adultos e acabam passando por anões bizarros e o meu personagem favorito, o Coisa, tá muito esquisito (isso sem mencionar a camisa à la Fiuk que o Pedroso tá usando!). Shame on you!


Mas voltando à história, ela faz aquele guéri-guéri todo mostrando as festividades, e no meio dela já dá pra perceber que existem pistas do que virá a ser o novo projeto de Reed Richards sobre a Fundação Futuro, bem como a presença do Aranha, que já tá fazendo essas pontas para a galera ir se acostumando com a fuça dele no Quarteto que não será mais quarteto. Aliás, outra coisa que deu pra sacar é que os uniformes dessa Fundação, são muito parecidos com os que o Quarteto Futuro (aquele grupo de fedelhos que andavam com um dragão sintético) usava! Nesse interim, uma figura misteriosa e familiar (tá bom, vai, o Franklin Richards do futuro) invade o edifício Baxter para avisar Valéria que o futuro tem de ser evitado a qualquer custo! É aí que eu acho que o desenhista, ou talvez o roteirista, marcaram toca de novo. Podiam ter feito uma sequência muito mais visual e dramática aqui, mostrando o desespero dos pais ao verem os filhos em perigo. Enfim, história passável, típica história fraca que sempre tem em um mix da Panini.
 
 
E antes de falar das histórias principais de verdade, ainda temos uma do Demolidor como o chefão "modafoca" do Tentáculo, tentando estabelecer um controle cada vez maior sobre Nova York. Para isso, ele declara a Cozinha do Inferno território do seu clã de ninjas chifrudos e dá à polícia local 24 horas para sair do seu bairro. Osborn se incomoda e manda o MARTELO cuidar da situação, e como diria o tiozinho narrador da Sessão da Tarde: "No confronto entre os federais cascas-grossa e esses ninjas sinistros, esse bairro da pesada vai se transformar numa verdadeira zona de guerra!".
Andy Diggle manda muito bem nos roteiros do Diabão Destemido, mas acho que ele anda com o pé muito no freio em relação ao personagem. Se fosse nos anos 80, ele já tinha enfiado o pé na jaca e saido matando geral! O Demolidor tá muito comedido, mas cheio de posse de vilão do submundo, com troninho e tudo mais. Mas é só posse, ação que é bom nada. Tirando o discurso de Vingador Justiceiro de filme que passa no Domingo Maior e o fato dele ter pulado de peito aberto durante uma saraivada de bala do exército, acho que a série tem a chance de melhorar nos próximos capítulos.
 
 
Conseguiram fazer uma merda gigantesca com o Justiceiro: torná-lo um monstro de Frankestein. Mas apesar de tudo ir contra ele, como tomar pau do filho do Wolverine (QUE ISSO?!) e ainda por cima desenhado pelo fantástico Romitinha, não é que as histórias são boas?
E isso porque eles conseguiram dar um ar meio "Vertigo" as histórias dele. Acho que isso funciona perfeitamente num especial, mas trabalhar esses conceitos numa linha mensal é bem perigoso!
Nessa história, tentando reunir mais informações a respeito de seus mais novos alvos, Frank Castle (ou o que sobrou dele) chama seu parceiro Henry para desvendar o passado de Robert Halsgaard, o líder da Força Especial Caça-Monstros. O roteiro lembra muito algumas histórias da Era de Ouro dos quadrinhos, mas não só isso, os desenhos de Dan Brereton, artista conceituadíssimo quando o assunto é terror e pulp, também. Pra quem não sabe, ele foi o responsável pelos desenhos das histórias pulp Thrillkiller do Batman e das de terror-erótico de Vampirella. Além dele, o desenhista regular da série, Tony Moore manda muito bem nos traços dos monstrinhos.
A menção de "monstros gigantes atômicos" no Japão foi uma pusta sacada! Duvido que ninguém se lembre dos antigos e toscos seriados japoneses.
 
 
Agora sim vem o créme de la créme, as novas histórias do Hulk! Cara, faz tempo que não leio algo tão bom do Gigante Esmeralda (e do Vremêio tumêm)!
O jeito sacana e extremamente inteligente que andam retratando Bruce Banner tá foda! Na edição anterior, na luta dele contra o Dr. Destino eu só conseguia pensar: "Que foda isso!". 
Nessa edição, Ed McGuiness tá com um traço bem melhorado, apesar de umas mancadinhas como por exemplo, a cena da página 15 e o Anjo parcialmente (e desnecessariamente) todo negro à contra luz. Jeph Loeb fez aquele feijão com arroz de sempre, mas a história tá boa. Nela o grupo de vilões denominado A Intelligencia, já com Reed Richards e o Dr. Destino sob seu domínio, manda o Fantasma Vermelho até Wakanda para sequestrar T’Challa, o Pantera Negra e Hank McCoy, o Fera, levando adiante seu plano de capturar as oito pessoas mais inteligentes do mundo. O Hulk Vermelho aparece para sabotar seu plano, mas acaba enfrentando alguns X-Men!
 
Na história seguinte, Greg Pak (roteiro) e Paul Pelletier (desenhos) mostram uma treta entre a Mulher-Hulk Vermelha e alguns Vingadores, com a ajuda do Cientista Supremo (Hank Pym) e de  Amadeus Cho que vergonhosamente faz uma "gambiarra-relâmpago" na armadura do Máquina de Combate durante a batalha, o único ponto negativo da história. Ainda é mostrado a equipe que Banner monta para ir atrás de Betty Ross e salvar o mundo, com Namor, Wolverine e  Skaar, o filho de Banner, entre outros.
Um dos pontos altos de história é o próprio desenho de Pelletier que se assemelha muito ao grande mestre Alan Davis. Já virei fã desse cara!
 

Na última história, Bruce Banner sai à procura de Lyra, a filha do Hulk com Thundra (cuja existência até então era desconhecida para ele) e o Hulk Vermelho tenta ajudar a mãe da garota a voltar ao futuro ao qual pertence. Mas é apenas quando Mago, Garra Sônica e Ardiloso a atacam que o Golias Escarlate tem a oportunidade de provar de que lado está. Nesse meio tempo, ainda enfrentam a defesa "vampírica" de Destino em seu castelo, vários Nosferatus sedentos de sangue!
Tá sendo legal acompanhar as novas aventuras do Hulk depois de Planet Hulk, eu recomendo!
 
 
 
Nota geral da revista: 8
Universo Marvel #10 (PANINI)
Mensal, formato americano, 148 páginas, papel Pisa-brite, R$ 14,90

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Especial "Como fazer Tiras?" - Entrevistas #3

Fala, molecada!
Continuamos nossa saga de entrevistas com os melhores roteiristas/desenhistas nacionais!
Depois da entrevista com o Cadu, que você viu por aqui, agora é a vez dele... o cara que fez todo fã do Homem-Aranha relembrar a boa fase do personagem através de tirinhas inteligentes, bem feitas e sensíveis.
Tô falando do Vitor Cafaggi, o criador de Puny Parker (ou o Pequeno Parker), o personagem que é uma homenagem ao herói da Marvel, mostra em seu trabalho um aspecto bem diferenciado no que se refere à tiras.
Então, pequenos padawans, vamos à entrevista!



Ah! É bom lembrar antes que ele também foi o responsável por uma das grandes histórias que compõe o álbum que homenageia Mauricio de Sousa.
Conversei com o Vitor sobre seu trabalho e você confere agora o bate-papo que tive com esse grande artista!
1) Além de homenagear o Homem-Aranha, Puny tem um traço bem característico, lembrando muito as tiras dos Peanuts, feitas por Schultz e com um pouco da “alma” de Calvin de Bill Watterson, não é mesmo? Você se baseou nesses grandes mestres pra produzir as tiras? Como foi que o Pequeno Parker “nasceu” na sua cabeça?
Vitor Cafaggi - Não sei exatamente de onde surgiu a ideia. Não houve um momento específico que eu me lembre como sendo o da criação dele.
Acho que o Puny é uma mistura de tudo o que eu gostava na minha infância nos anos 80. Eu lia as revistas do Homem-Aranha, as tirinhas do Calvin, assistia o desenho do Charlie Brown na TV, ia ao cinema para ver De volta para o Futuro, Os Goonies e os filmes do Stallone.. acho que a ideia não surgiu.. ela sempre esteve aqui comigo!

No final, acho que ficou bem forte essa influência do Schultz e do Bill Watterson nas tirinhas. Hoje, para mim, nosso jovem Peter Parker é um menino muito parecido com o Charlie Brown (tímido, azarado, apaixonado..) que vive uma vida parecida com a do Calvin (tem problemas com valentões na escola, tem uma imaginação muito fértil e figuras paternas bem marcantes).

2) Qual era a intenção no começo e o que você sente que mudou depois de mais de um ano de produção? 
Vitor Cafaggi - Quando eu comecei a fazer as tiras semanais meu objetivo principal era me condicionar a desenhar sempre. Muitas vezes a gente tem ideias que não coloca no papel, ou ideias que começamos e nunca terminamos por falta de tempo ou mesmo por preguiça. Quando fiz a segunda tirinha do Puny decidi que faria isto semanalmente. Comecei colocando as tirinhas no Orkut e avisei aos amigos que ia fazer isso toda semana. Dessa forma eu meio que me obriguei a manter essa produção semanal de tirinhas.
Depois disso, outras pessoas conheceram a tirinha, eu fiz o blog e hoje, pouco mais de um ano depois, eu cumpri esse objetivo: desenho melhor do que desenhava há um ano, o Puny me trouxe outros projetos e a receptividade à tirinha foi ótima!
 

3) Você pensou num público-alvo para essas tiras? 

Vitor Cafaggi - Quando eu comecei a fazer essas tirinhas, minha idéia era ‘tirinhas feitas por um fã do Aranha para os fãs do Aranha’. Esse sempre foi meu público-alvo, os antigos leitores do personagem.
4) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza antes de desenhar? 
Uma vez que eu já estou com a idéia da tira pronta na minha cabeça, eu faço apenas um rascunho antes de desenhar cada tira. Esse rascunho me ajuda a visualizar a tira antes de desenhar, eu vejo de quantos quadrinhos eu vou precisar e o que acontece em cada um deles.

5) Você adiciona algumas “curiosidades” depois das tiras. Achei um recurso fantástico e bem diferente. Necessariamente, para o leitor, não é preciso recorrer a esse recurso para entender a piada, mas você acha que se a tira fosse publicada em jornal ou revista, o fato de não existir esse recurso, prejudicaria seu trabalho final?
Vitor Cafaggi - Nunca pensei nisso.. na verdade, eu nunca pensei em publicar Puny Parker em jornais ou revistas. Como eu disse, o público-alvo são os fãs do Aranha, mas muita gente que conhece o personagem apenas pelos filmes tem lido as tirinhas (o que é bem legal). Eu escrevo as curiosidades principalmente pra essas pessoas e às vezes escrevo também sobre algum detalhe escondido que possa passar desapercebido ou mesmo sobre o processo de criação daquela tira. 
 
6) Além de se utilizar da cultura pop e de ser um profundo conhecedor do herói da Marvel, vc se espelha em algum fato da sua vida pra criar situações na vida do seu personagem? Qual é a mensagem que vc espera passar nas tiras?
Vitor Cafaggi - Sim, várias situações vividas pelo Puny são inspiradas em minha infância. O fato é que eu leio os quadrinhos do Aranha desde que tinha sete anos. Isso me acompanhou pela minha vida inteira. Posso dizer, sem exagero, que muito de quem eu sou, minha personalidade e dos meus valores eu aprendi nas histórias desse personagem. Tendo essa identificação, sinto que nas tirinhas do Puny Parker posso colocar experiências pessoais porque sei que vão se encaixar com o que o personagem representa.
Pra mim, os temas principais em Puny Parker são a história de amor (platônico) entre ele e a MJ e a vida dele em família. Muitas vezes eu até deixo a piada de lado em uma tira ou outra pra poder trabalhar melhor esses dois temas.
 
7) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras? 
Vitor Cafaggi - Desenhe sempre, todos os dias. Pense sobre qual seria o tema das suas tiras, quem são os personagens que aparecem nela.. o que esses personagens querem, quais são suas características mais marcantes.. Uma vez que você criou a tira tenha sempre ela em mente.. desse jeito, a todo momento você vai ter idéias para novos episódios.
8) Conta como foi que você teve a idéia de fazer “produtos” como o cd com a “trilha sonora” das tiras e Cubeegrafts dos personagens.
Vitor Cafaggi - Eu não queria deixar o blog parado durante as férias do Puny. E, como eu sempre gostei de pensar nas tiras como um seriado com temporadas definidas, pensei que seria legal termos alguns extras, como se fosse um DVD. Pensando nesse lado seriado do Puny, a trilha sonora era um extra indispensável. Os cubeecrats são pra aqueles que adoram colecionar bonecos (como eu) e os outros extras serviram mais como curiosidade mesmo.
Fiquei sabendo que o Wallpaper fez bastante sucesso e hoje, sempre que vão falar sobre o Puny em outros blogs eles usam essa imagem pra ilustrar o texto. 
 
9) Em pouco tempo, seu personagem se tornou hit na internet, te premiando, na minha opinião, com um dos melhores presentes que é participar de uma comemoração como a de 50 anos do Mauricio de Sousa. Como você está se sentindo agora com tudo isso acontecendo? 
Vitor Cafaggi - Como eu disse, a receptividade com as tirinhas tem sido ótima, muito além do esperado e eu fui convidado pra participar de outros projetos como o Pequenos Heróis e o MSP 50 graças ao Puny. Devo muito a ele. Esse convite para participar do MSP 50 foi o máximo!
A chance de criar, escrever e desenhar no meu estilo uma história do Chico Bento foi uma surpresa gigante. Digo sem exagero que foi o primeiro grande sonho da minha vida realizado. 
 
10) Você gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc? 
Claro! Jabá time!
O MSP 50, o livro em comemoração aos 50 anos de carreira do Maurício de Sousa, sai agora em setembro (essa entrevista foi realizada em Agosto), em breve nas bancas teremos Pequenos Heróis e continuem acompanhando as aventuras semanais do Puny! Valeu, gente!
 
Não perca por nada desse mundo o próximo capítulo!
Fiz uma entrevista hilária o autor Benett, e o cara é muito louco!
Será a última entrevista da série, por enquanto! Então, esteja aqui!
Para saber mais acesse: 
http://punyparker.blogspot.com/ 
Enhanced by Zemanta

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Plantão do Monitor: Pacto com o Mephisto,mais uma vez!



Fala ae meu povo e minha pova!Nesse novo Plantão do Monitor vamos falar de um assunto polêmico (Documento Trololó feelings): o remake do Homem Aranha.Eu sei,essa notica já saiu a tempos, mas estava fora do mundo e não pude falar sobre ela direito a tempo.Então vamos aos pontos de vista dos envolvidos e ver qual caminho eles podem seguir.

Tudo começou com a queda de braço entre Sam Raimi e a Sony, sobre o vilão a ser escolhido para a sequência do horrivel Homem Aranha 3.Querendo corrigir os erros do passado,Raimi queria usar um vilão que originalmente apareceria em HA3, antes de ser obrigado a colocar o Venom em cena.No caso esse vilão seria o Abutre.Com um plano de emergência em mãos,a Sony já tinha colocado o roteirista James Vanderbilt para escrever os roteiros do Homem Aranha 5,6 e 7,que supostamente até então os rumores afirmavam que seria um remake.

Com rumors enbolados envolvendo Gata Negra,Jonh Malkovich e uma "Abutra", a briga entre eles estava cada vez mais visivel aos olhos do publico,e com, a queda de braço entre Raimi e a produtora,o estudio se saiu vencedor,enxotando Sam e Tobey maguire e anunciando assim o reboot da franquia.

Rapidamente, o nome de Marc Webb (do hit indie 500 dias com ela) foi anunciado como o novo diretor da franquia.De acordo com Amy Pascal e Matt Tolmach,VP e Presidente da Sony:

"No fundo, Homem-Aranha é uma pequena e íntima história humana sobre um adolescente normal que se passa em um épico mundo super-humano. O principal para nós, quando procurávamos um novo diretor, era identificar cineastas que pudessem dar esse foco à vida de Peter Parker. Nós queríamos alguém que pudesse capturar o que é ser Peter Parker de uma forma que o público também vivenciasse suas descobertas, ao mesmo tempo em que as emoções reais dessa idade, como ansiedade e imprudência, fossem casados com a adrenalina das aventuras do Homem-Aranha. Nós acreditamos que Marc Webb seja a escolha perfeita para nos levar a essa viagem".

Os produtores Avid Arad (antigo big boss da Marvel em relação ao cinema)e Laura Ziskin ainda estão ligados aos filmes do Aracnideo:

"Ao longo dos anos, os quadrinhos do Aranha têm sido feitos por bravos e criativos novos roteiristas e artistas que recalibraram a forma como o público vê Peter Parker. Marc Webb vai fazer nessa nova série de filmes o que esses visionários contadores de histórias têm feito para os quadrinhos. Ele é um cineasta incrível e nós estamos ansiosos por trabalhar mais próximos a ele nessa nova aventura".

Vamos ao ponto de vista do criador do personagem,Stan Lee:

"Pessoalmente eu acho uma boa ideia. Com o passar do tempo as coisas começam a parecer sempre as mesmas. Fazer um Peter mais jovem, com problemas de adolescente, que é o jeito como o escrevemos quando criamos a HQ, será interessante. Naturalmente, muitos fãs estão dizendo que não querem mudar, mas eles sempre dizem isso. Eu acho que quando sair será ótimo. E eu terei uma pontinha no filme, não dá pra ser ruim"

Agora dos atores que interpretaram Harry Osbourne e Marijuana Watson respectivamente:

"funcionou perfeitamente bem para o Batman - e nos quadrinhos o personagem sempre tem artistas e ilustradores diferentes. Acho que será algo tranquilo". Porém, ele acredita que um pouco mais de tempo seria necessário entre os dois filmes, "para que todo mundo pudesse tirar da cabeça os filmes anteriores".-James Franco

"È triste ver acabar. Eu acho que era hora de Sam (Raimi) seguir adiante, assim como nós também seguiremos, mas foram bons 10 anos".-Kirsten Dunst

E pra acabar,vamos a opinião do antigo diretor responsavel pelo cabeça de teia,Sam Raimi:
"Trabalhar nos filme de Homem-Aranha foi uma experiência de vida para mim. Antes estávamos ansiosos para realizar o quarto capítulo juntos, e agora o estúdio e a Marvel têm uma oportunidade única de levar a franquia em uma nova direção, e eu sei que eles farão um trabalho excelente".

Bem, no fim das contas, foi uma decisão acertada? Marc Webb tem recebido muitos elogios por causa de seu filme mais recente (eu não vi ele,então não posso falar muito sobre isso).Mas um diretor mais novato as chances de ter mais controle do estudio sobre ele é grande,e isso é um problema sério.Já vimos os estragos que podem acontecer quando um estu dio toma as redeas de uma adptação que tinha tudo pra dar certo (sim Fox,falo de você e a cagada gigantesca que foi Wolverine).

Mas digamos que funcione, quais são as opções em termos de adaptação da nova origem.obvimanete a versão Ultimate será bastante ultilizada lá dentro,mas outras opções seriam bastante interesantes, como Homem Aranha Ano Um, que saiu na primeira metade da decada de 90(eu só conheço a hq,nunca a li).Mas provavelmente pode aparecer elementos de brand new day, que trocou uma Peter Parker mais maduro e trouxe de volta ele numa fase mais jovem de sua vida.

Sendo franco,Sam Raimi se foi de trouxa que era.Obviamente ele queria fechar a historia contada desde o primeiro filme,mas ao permitir que se intrometessem mais do que devia em seu trabalho,gerou a merda vista.OK, dos 3 filmes foi a melhor bilheteria,mas certamente tanto ele quanto o estudio sentiu o baque das muitas criticas negativas (ou review bem inferiores do que os outros 2 filmes) para ter tomado a decisão de voltar ao roots .Mas você abriu as pernas sam,e só iriam parar de meter quando quiserem.E francamente,o Abutre sozinho teria poucas chance de funcionar de fato.Subaproveitar Dr Connors e seu Lagarto,junto com o ótimo ator que o interpreta era idiotice demais.Colocasse o lagarto e o Kraven, como tanta gente pedia,era uma otíma dupla e iria funcionar maravilhosamente em cena.


Mas,diferente dos quadrinhos,não se pode fazer pacto com o Mephisto pra voltar no tempo e concertar as cagadas.Gostando ou não ele irá acontecer e desejo toda a sorte do mundo para a equipe e esperemos que saia um bom filme dái,sem firulas emo nem melação de cueca teen.Que mostre adolecentes como são,sem tom de satíra.

Continue acompanhando o Uarevaa durante a semana e meu blog para mais novidades!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O amigão da vizinhança - Parte 2

No post anterior:
Quando picado por uma aranha radioativa, Peter Parker ganhou grandes poderes. Mas quando seu tio morre por negligência dele, Peter descobre que com grandes poderes, vem grandes responsabilidades. E responsabilidades é o que não vai faltar daqui pra frente!

“Enquanto isso, na banda desenhada...” é uma seção que traçar um paralelo entre o universo real e o mundo dos quadrinhos, analisando como as duas realidades afetam uma à outra, trazendo informação e estimulando a reflexão acerca dessa 8ª arte.




Com Grandes poderes, vem grandes problemas!

Como todo adolescente, Peter Parker teve muitas paixões. A primeira foi Betty Brant, secretária de J. Jonah Jameson, mas logo começou a namorar Gwen Stacy. O núcleo de coadjuvantes das histórias do Homem-Aranha eram outro diferencial nas histórias do personagem. Diferente da maioria dos outros heróis (principalmente os da DC), em que os coadjuvantes representavam papéis relativamente pequenos e não tinham suas personalidades muito desenvolvidas, o núcleo de Peter era constituído principalmente de seus colegas, cada um com uma personalidade interessante (ainda que meio clichês e bem menos desenvolvida do que em épocas mais recentes), e que dava mais realismo e verossimilhança para as histórias. O valentão Flash Thompson, o amigo Harry Osborn, os amores Gwen stacy e Mary Jane-Watson eram alguns dos coadjuvantes importantes de Peter.

Mas, se de um lado Peter tinha grandes amigos, de outro, havia também grandes inimigos. Durante toda a sua história, o Homem-Aranha contou com uma galeria de vilões tão rica e interessante que rivaliza com Batman. Entre os mais importantes em seu período inicial estão Abutre, Dr. Octopus, Lagarto, Escorpião, Electro, Shocker, e é claro, o Duende Verde. O mais interessante era o caráter pessoal dos vilões do Aranha: não raro, Peter era obrigado a enfrentar grandes e complicados dilemas morais e até éticos relacionados aos seus algozes. Dentre os casos mais clássicos, estão Lagarto, que era professor de Peter na faculdade e um acidente o transformou num monstro; e Duende Verde, que era pai do melhor amigo de Peter (Harry), mas tinha problemas de dupla personalidade.

No mundo real, Homem-Aranha fazia muito sucesso, e por isso passou a aparecer em diversas revistas: Foi criado também Marvel Team-Up, onde o cabeça de teia (como alguns chamam aqui) encontrava todo mês um personagem da Marvel. Homem-Aranha estava consolidado, não só como personagem, mas como um dos responsáveis pela revolução nos Comics. Mal sabiam os leitores que a revolução que o personagem iniciou iria ainda muito mais longe.

Diferente dos outros “casais” dos quadrinhos, que para manterem-se atemporais nunca mudavam, Peter e Gwen passaram por muitas coisas juntos, e evoluíram naturalmente como qualquer casal do mundo real. Gwen, que começara como uma jovem confusa e mimada tornou-se uma mulher madura e que sabia o que queria da vida. Em dado momento, Peter já estava inclusive tentando e descobrir uma forma de se livrar de seus poderes para ter uma vida normal e poder casar com Gwen. Era uma evolução natural na vida real, mas não podia ser assim nos quadrinhos. Para os editores, envelhecer o Aranha significaria perder grande parte do seu apelo junto ao público adolescente; logo, casá-lo e torná-lo um adulto responsável não era uma opção. E foi então que a Marvel tomou uma atitude drástica que marcou para sempre a história dos Comics (e a vida dos leitores do Aranha).

No início dos anos 70, os artistas de quadrinhos estavam decididos a enfrentar o Comics Code Authority, o que trouxe histórias mais sérias, mais próximas da realidade e mais ousadas (como a história que mostra Ricardito – sidekick do Arqueiro Verde – como um viciado em drogas). Em junho de 1973, o impensável aconteceu: capturada pelo Duende Verde, Gwen Stacy é atirada da ponte do Brooklyn pelo vilão e morre por ter seu pescoço quebrado devido à tentativa desesperada do Homem-Aranha de segurá-la usando suas teias. Essa história teve um impacto incomensurável nos quadrinhos e nos leitores, pois nunca um herói do “alto escalão” havia falhado de maneira tão grave. Há quem diga que foi essa história que abriu caminho para uma era mais sombria de heróis, que aconteceria mais adiante. Essa história, para muitos, marca o fim da Era de Prata dos quadrinhos.

Com a morte de Gwen Stacy, outros interesses amorosos surgiriam: A primeira delas, a Gata Negra, não durou muito, em grande parte por conta dos leitores não gostarem do fato dela ser mais interessada no Homem-Aranha do que em Peter Parker. Mary Jane-Watson, apesar de já existir antes, somente após a morte de Gwen passou a fazer parte mais ativamente da vida de Peter. O romance entre Peter e Mary Jane não era tão interessante quanto dele e Gwen, mas estava valendo. Os editores haviam conseguido o que queriam: Manter o personagem jovem, não casado e em seus moldes originais. Mas curiosamente, isso não duraria muito tempo.

Pouco mais de uma década depois, Stan Lee já não cuidava mais das revistas da Marvel, mas ainda trabalhava na empresa em outras áreas; entre elas, cuidava de escrever as tiras de jornal do Homem-Aranha, que estavam realmente em baixa. Por conta disso, em 87, ele decide CASAR o personagem. Até aí tudo bem, seria uma decisão que não refletiria nas revistas, que afinal eram a “cronologia oficial”. Mas acontece que Jim Shooter, Editor-Chefe da Marvel na época, não gostou nem um pouco da idéia de Peter casar primeiro nas tiras, e decidiu contar o evento também nas revistas, mesmo o relacionamento de Peter e Mary Jane não sendo tão “sólido” quanto o de Peter e Gwen àquela altura. Numa decisão bastante ditatorial, Shooter mandou casarem o Homem-Aranha, e assim o fizeram. Os motivos para Peter decidir casar eram o de menos; numa história forçada e rasa, os dois resolvem que foram feitos um para o outro. Se vocês estão se perguntando por que o que antes eles consideravam uma péssima idéia agora era uma idéia válida, só posso dizer que eu também me faço sempre essa mesma pergunta...


Epílogo – Curiosidades:
- As questões editoriais que envolvem a morte de Gwen Stacy até hoje são controversas: Stan Lee sempre pareceu contrariado sobre essa decisão; ao que parece, ele estava viajando quando o editor Roy Thomas e os roteiristas decidiram matar a personagem;
- Apesar de Gwen ter uma grande importância na vida do Aranha, fora dos quadrinhos ela quase nunca é citada; seu papel geralmente é dado à Mary Jane. O motivo talvez seja evitar confusões ou simplificar a vida do personagem em outras mídias
- Originalmente, Gwen Stacy deveria ser jogada da ponte George Washington, mas o desenhista desenhou erroneamente a ponte do Brooklyn
- Jim Shooter era conhecido por seus mandos e desmandos na Marvel. Dizem as más línguas que ele era um editor rígido, e que impunha idéias sobre os rumos do universo marvel.
- Em anos mais recentes, a morte de Gwen foi ligeiramente mudada para diminuir a culpa do herói sobre o incidente; agora ela já estava morta quando ele a salvou.
- Homem-Aranha, filme de 2002, reproduz de maneira bastante fiel os eventos que culminaram na morte de Gwen Stacy, mas no lugar dela, está Mary Jane, que obviamente, tem mais sorte que o antigo amor de Peter. Além disso, a personagem é introduzida no 3º filme do personagem, apesar de não ter a mesma importância par ao herói que teve nos quadrinhos
- Nos anos 70, o personagem teve uma série de TV Live Action (com atores reais), que durou 2 temporadas entre 78 e 79.




A Seguir: O período Negro! Poderes mágicos! Não perca nem mais um dia da difícil vida de Peter Parker, no último capítulo de o Amigão da Vizinhança!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O amigão da vizinhança - Parte 1

Ele é um tímido estudante e fascinado por ciência. Mas por trás desta faceta de garoto comum, está um dos maiores heróis do mundo!


“Enquanto isso, na banda desenhada...” é uma seção que traçar um paralelo entre o universo real e o mundo dos quadrinhos, analisando como as duas realidades afetam uma à outra, trazendo informação e estimulando a reflexão acerca dessa 8ª arte.




Com Grandes poderes, vem muita Grana!

Em toda a história dos quadrinhos de super-herói existiram diversos personagens que fizeram história, mas dois não só fizeram história, como definiram as regras sobre como fazer uma revista de super-heróis. Um deles, obviamente, é o Homem de aço (protagonista do arco anterior). O outro é sobre quem falaremos a partir de agora.

Em 1962, os tempos eram outros. A Era de Prata dos Quadrinhos havia começado, e regras bem definidas sobre como deveria ser um super-herói estabeleciam como uma revista de super-heróis tinha que ser. O conceito estava consolidado e o que se via eram os personagens clássicos (Batman, Superman, Mulher Maravilha...) repaginados ou em novas versões.
É nesse cenário que Stan Lee soube que a revista Amazing Adult Fantasy, da Marvel Comics ia ser cancelada, e acabou sendo contratado para escrever uma história única para a última edição da revista. Jack Kirby ficou como desenhista da história que, originalmente, era sobre um garoto órfão que morava com os tios, e que através de um anel mágico se tornava um adulto com superpoderes (original, hein?). Tudo graças ao vizinho, um cientista maluco (!).

Na versão de Kirby, o homem aranha possuía um uniforme que muito lembrava o do Capitão América (também desenvolvido por Kirby), e o personagem lançava teias através de uma pistola.

Por motivos desconhecidos, Kirby deixou o cargo, que passou para Steve Ditko. Ditko pegou os esboços de Kirby e os jogou fora, redesenhando completamente o personagem. A história também mudara. Agora, o personagem era um tímido adolescente que, durante uma demonstração de equipamentos que manipulavam radiação, acabou sendo picado por uma aranha. A aranha havia sido exposta à radiação, o que faz com que ela transmitisse suas capacidades para Parker.

Ao apresentar essa história para o editor, a idéia inicialmente foi rejeitada por ser absurda demais. Explico: Na época, entre as “regras” de se fazer uma revista de super-herói, estava a que todo super-herói era um adulto, e que super-heróis adolescentes serviam apenas como interlocutores, para que os heróis pudessem discutir e expressar suas idéias com mais clareza para o publico (os famosos sidekicks, ou parceiros mirins). Além disso, o personagem era baseado numa aranha. Um morcego tudo bem, mas uma aranha? Todo mundo morre de medo de aranha, aranhas são peçonhentas, horríveis e nojentas! Sim, esse foi um dos argumentos do editor. A história só foi aprovada porque era a última edição daquela revista, que fora renomeada para Amazing Fantasy, e assim foi publicado pela primeira vez o Fantástico Homem-Aranha.

A origem do personagem todos conhecem e inclusive eu resumi acima. Mas o que mais chamou a atenção na concepção do personagem foi seu caráter inovador. Além de ter um adolescente como protagonista, Parker era um jovem tímido e inseguro que tinha seus problemas como todo adolescente. Como não havia nenhum interlocutor (ou sidekick) para expressar suas idéias, o jeito foi revelar os pensamentos do herói em verdadeiros monólogos quadro a quadro, que redefiniram a forma de fazer quadrinhos com personagens solo. Outro fator interessante é que a história mostrava a evolução do personagem através dos seus próprios erros: Ao descobrir que tinha superpoderes, decidiu ganhar dinheiro lutando em ringues de luta livre, e só tomou um rumo quando seu tio que o criou foi morto pelo mesmo bandido que ele deixou escapara “porque não era problema dele”. Daí surgiu a frase mais célebre para os fãs, e um verdadeiro mantra para o personagem: “Com Grandes poderes, vem grandes responsabilidades”. Peter Parker também foi o primeiro herói a ganhar dinheiro usando seu alter-ego, pois ganhava a vida vendendo fotos do Homem-Aranha. Mas dessa vez, por um bom motivo: ajudava financeiramente a pobre tia doente que o criou (e que agora era solteira, caso vocês não estejam prestando atenção).

Amazing Fantasy foi realmente cancelada, mas a última edição vendeu bem o suficiente para que o personagem ganhasse sua própria revista logo depois, Amazing Spider-Man. E assim havia se iniciado uma nova era nos quadrinhos. A Marvel já tinha outros personagens de sucesso (como o Quarteto Fantástico), mas o Homem-Aranha trouxe para os heróis um aspecto mais humano, trazendo uma maior identificação com o público. Outra novidade também era o Peter Parker como protagonista; até então, todas as revistas davam importância apenas para os feitos do herói; nas histórias do Aranha, tanto o herói quanto o tímido estudante tinham espaço, com seus problemas, seus amores, e suas dificuldades. Com a chegada do Homem Aranha, estava iniciada a Era Marvel.


Epílogo – Curiosidades:
- O nome completo do personagem é Peter Benjamim Parker
- Stan Lee nunca entregava um roteiro completo para o desenhista. Como ele era o único escritor da Marvel na época (e escrevia todas as revistas), a forma que ele encontrou para poder cumprir os prazos foi entregar apenas as idéias sobre o que aconteceria nas histórias; o resto era desenvolvido pelo desenhista. Por essa razão, artistas como Steve Ditko e Jack Kirby são considerados co-autores ou até autores de várias revistas e personagens da Marvel, pois grande parte do mérito narrativo era deles. Esse estilo de “roteiro” ainda é utilizado por alguns escritores da Casa de Idéias
- Por muitos anos, houve uma grande polêmica sobre quem havia criado o Homem-Aranha junto com Stan Lee, se era Jack Kirby ou Steve Ditko. Cada um puxava para o seu lado, a polêmica durou décadas apenas porque Stan Lee (o único que poderia acabar com isso) NÃO LEMBRAVA direito o que havia acontecido na época.
- Quando foi publicado inicialmente no Brasil, o Homem Aranha teve o seu nome e de outros personagens alterados (como parte de uma mania estranha dos editores da época de “aportuguesar” os nomes). Peter Parker era Pedro Prado, Tia May era Tia Maria, Gwen Stacy era Gina e J. Jonah Jameson era J. Jonas Jaime, só pra citar alguns. Isso se deu também por causa do desenho do personagem, que passava na TV na época.
- Ainda sobre o desenho, é ele que possui a conhecida trilha feita pelos Ramones:


- O Nome “Spiderman” (Homem-Aranha) foi sugerido por Steve Ditko, que gostava de como soava Hawkman (Na tradução Livre, “Homem-Gavião”; aqui no Brasil o personagem é conhecido como Gavião Negro).


A Seguir: Os Amigos! Os Inimigos! Os maiores desafios! E o Homem Aranha se casa! Tudo isso na próxima semana, quando “o Amigão da Vizinhança” continua!