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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Astronauta Magnetar

Uaréview 
                                 por Freud


Desde que foi lançada a hq vem obtendo enorme sucesso, teve a primeira tiragem esgotada e está colecionando elogios de todos os lados.

Mas Astronauta Magnetar é a última bolacha do pacote?


 Por ser fã do trabalho de Danilo Beyruth desde o volume 1 de Necronauta, aguardo todo novo trabalho do quadrinista com uma expectativa alta, felizmente, sempre correspondida.

Sua arte empolgante e expressiva, sua habilidade em trazer temas universais para a história, criando uma grande empatia entre o leitor e os personagens (e, muitas vezes, real identificação com eles) e sua constante evolução da já ótima narrativa, estão todas ai e quem acompanha suas hqs facilmente reconhece se tratar de uma típica obra autoral dele.


Mas em Astronauta Magnetar, mais alguns ingredientes se somam a tudo isso. Primeiro o fato de Danilo trabalhar com um personagem já conhecido e, em sua reinvenção, usar bem mais do que eu esperava das características da criação original de Maurício de Sousa, sendo bastante fiel mas, ainda assim, acrescentando muitas coisas.

Na arte, o deleite da colorização feita por Cris Peter, que trabalha muito bem com os diferentes ambientes e etapas da história e faz com que seja difícil pra mim, que gosto bastante das hqs em preto e branco do Danilo, imaginar essa sem as cores.


E por fim, o fato de ser uma ótima hq de ficção científica, tema que sempre foi meu favorito. A trama lida com a solidão do espaço, com o Astronauta se tornando um náufrago em sua imensidão e sua tentativa de sobreviver. Assim, a revista foge do óbvio de lasers, perseguições de naves e combates galáticos contra alienígenas hostis que, embora também rendam muitas boas histórias, nunca foram coisas obrigatórias para se ter grandes obras do gênero.

Astronauta Magnetar é mais um trabalho incrível do Danilo e uma hq perfeita para iniciar o projeto das Graphic Novels da Maurício de Sousa Produções para o publico adolescente e adulto capitaneado por Sidney Gusman. O projeto Graphic MSP já prevê mais 3 novas versões de personagens feitas por outras feras do quadrinho nacional e depois deve prosseguir por muito mais tempo ainda pois personagens do Maurício para trabalhar e grandes artistas nacionais é o que não faltam.


Recomendo fortemente que, se você não conseguiu comprar Astronauta Magnetar ainda, não perca a segunda tiragem que está saindo. Felizmente não é a última bolacha do pacote... É apenas a primeira, e já estou salivando pelas próximas.


Astronauta Magnetar

Autor: Danilo Beyruth (com colorização de Cris Peter)
Editora: Panini Comics
Formato: 19 x 28 cm
Páginas: 80
Preço Médio: R$ 19,90 (capa cartonada, disponível em bancas), R$ 29,90 (capa dura, disponível em livrarias)

Nota: 10







P.S.: Você pode conferir 2 podcasts bem bacanas que o Danilo Beyruth gravou conosco clicando AQUI e AQUI, reviews de seus outros trabalhos Necronauta Vol. 1, Necronauta Vol. 2 e Bando de Dois, e o Podcast MdM sobre Astronauta Magnetar com Danilo Beyruth, Cris Peter e Sidney Gusman (e eu, como Triplo).

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Uarévaa no Lançamento da nova revista do Pelézinho

É amigos, pra quem achava que esse blog não ia dar em nada, está aí.


Fomos convidados para a coletiva de imprensa da Panini, que oficializou o retorno da parceria entre a editora, a Mauricio de Sousa Produções e a Legends 10, empresa responsável pelo gerenciamento dos direitos de imagem do rei Pelé, para a volta do personagem Pelezinho às bancas de todo o país.

E este humilde Moura foi lá e conta pra vocês!



A coletiva atrasou um pouco, pois o Edson Arantes ficou preso no trânsito (como todos nós mortais, mas provavelmente em um carro bem mais legal), mas depois de alguma espera, eis que para delírio da platéia lotada de repórteres, jornalistas E eu, Mauricio de Sousa e Pelé subiram ao palco, acompanhados por Eduardo Severo Martin, o presidente da Panini.


Mauricio começou comentando que sugeriu o uso do personagem Pelezinho como mascote da Copa 2014. É fato que as mascotes de Copa pouco são lembrados depois do evento, e usar um personagem já consagrado mudaria esse estigma. Entretanto a comissão da FIFA não permite o uso de personalidades ainda vivas como símbolos da competição. Pelé reiterou que falou diretamente com a presidente Dilma sobre o assunto, mas que realmente o uso do personagem não seria possível. Vão usar um tatu bola qualquer.


Pelé e Maurício disseram que desejam que Pelezinho se torne o mascote extra-oficial, no coração dos brasileiros, e pelo empenho que Martin demonstrou no que deseja trabalhar com a divulgação do personagem, é bem possível que isso aconteça.

Depois de vinte anos de hiato na parceria, o investimento no retorno está sendo grande. Aproveitando que o Brasil está respirando futebol, o contrato agora é longevo e a editora garante uma ampla divulgação, em todas as mídias. Está garantida a reimpressão das tiras clássicas em encadernados anuais; a republicação de todas as estórias antigas, em três volumes por ano; uma nova revista com estórias inéditas, dicas e noticias sobre futebol; o uso da marca para licenciamentos em inúmeros produtos; desenhos para TV e cinema; publicação em outros países (afinal, é o mudafucka Pelé! É mais conhecido que Djésus no mundo); e ainda deu uma noticia em primeira mão: No próximo álbum do campeonato brasileiro, Pelezinho será a figurinha número zero. Para a editora, que distribui 28 milhões de exemplares da turma da Mônica – o que, no quadro atual da indústria dos quadrinhos mundial é altamente impressionante – não é de se duvidar da confiança que a Panini tem nesses lançamentos.




Mauricio criou o personagem em parceria com o próprio jogador em 1976. Os dois, que reafirmaram por várias vezes que se consideram irmãos, se divertiram contando o processo de criação. Entre as curiosidades, o jogador disse que não gostou do topete do personagem (e Mauricio apontou para o topete real do jogador); que contou ao amigo que quase havia largado o futebol por conta de uma garota Nissei que gostava – e Mauricio logo na primeira historinha tascou uma personagem japa namorando o garoto; que todos os personagens coadjuvantes são baseados em amigos de Pelé; e que o jogador queria que sua versão em quadrinhos fosse um adulto. Mas o desenhista, com ajuda dos filhos do rei, mostrou que ele criança era a melhor opção.


Alias, Mauricio foi logo dizendo que não é nem um pouco impossível que, seguindo o exemplo da Turma da Mônica, em algum momento surja a Turma do Pelezinho Jovem, podendo assim abordar outros assuntos mais voltados ao publico adolescente.

Pelé ainda comentou seu contato com quadrinhos na infância. Disse que lia Flash Gordon, Tarzan, mas que seu favorito eram os “Deuses Submarinos”. De que se trata, eu não faço idéia... Seria o Namor? Mas enfim, diz ele que fazia com os amigos um cinema improvisado, recortando as tiras e passando projetadas em uma tela. Quer dizer, alem de rei do futebol, ele ainda criou as Motion Comics.

Mauricio com os filhos Mônica e Marcelo.

As perguntas dos jornalistas ficaram muito voltadas para o futebol, por mais que o Sidney Gusman pedisse para que fosse focado no relançamento da revista. Resumindo, Pelé disse que vai torcer pro Curintia essa noite no jogo contra o Boca, falou que está preocupado com as obras de infra-estrutura urbana para a Copa e que o Brasil nunca ganhou no futebol em uma Olimpíada porque... O Pelé nunca pode jogar uma. Claro que foi questionado sobre a derrota do Santos pelo Corinthians, mas fez questão de dizer que Neymar só tomou toda a culpa por ser o atleta mais conhecido e visado. Sem ninguém a quem possa ser comparado, a responsa de tudo acaba caindo no garoto-calopsita.


Já Mauricio apontou Neymar como o provável craque da próxima Copa e ainda demonstrou interesse em criar o seu Neymarzinho. Disse que planeja novos personagens ligados a diversos esportes, aproveitando as Olimpíadas, e que a criação dos mesmos está utilizando-se da ajuda de profissionais e jornalistas do meio esportivo. Segundo ele, os dois principais caminhos que a MSP tem em suas diretrizes são educação e esporte. Questionado sobre quem poderia ser o próximo esportista a ser transformado em personagem da turma, Pelé não pensou duas vezes e sugeriu o Rogério Ceni, pelo bom exemplo e mensagem que o goleiro sempre passou.


Falando em exemplo, foi tocada ainda na polemica envolvendo Ronaldinho Gaúcho, já que o mesmo ganhou faz algum tempo sua própria revista protagonizada por sua versão “Moniquetizada”. Mauricio respondeu dizendo que jogador e personagens são coisas diferentes, independentes uma da outra, mas que espera que Ronaldinho consiga superar seus problemas, sempre evidenciando o bom caráter do jogador. Entretanto, reconheceu que atitudes controversas prejudicam sim a recepção do personagem pelos pais que compram revistas para seus filhos.

Os ídolos se mostraram extremamente acessíveis. Mauricio inclusive tomou café com os jornalistas enquanto aguardava o inicio da entrevista. Sempre simpático fez questão de atender todos os fãs, adultos e crianças. Pelé ficou menos tempo, mas ainda dei sorte de, na saída, ao entrar no estádio do Pacaembu (onde foi realizado o evento) dei de cara com o rei do futebol dando uma entrevista a Otávio Mesquita, na qual ele confessava o ciúme que tem da Monica. Afinal, ela viaja o mundo todo, e o Pelézinho não. ELE É O MUDAFUCKA PELÉ PO.



O lançamento das publicações do Pelezinho será na próxima Bienal do Livro, em São Paulo, no mês de agosto. A dupla de ídolos também estará lá, conversando com os leitores e distribuindo autógrafos. E até a próxima!


UARÉVAA!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Uarévaa no FIQ 2011


E atenção, molecada!
Dois dos integrantes mais simpáticos desse blog já estão de malas prontas para o 7° FIQ que acontece de 09 à 13 de Novembro em Belo Horizonte.
Como todo o resto dos editores do Uarévaa ou moram longe demais ou são uns duros da porra, sobrou pra mim e para o narigudinho do Z (O burro sempre na frente! Aprendi no Chaves!) a nobre missão de trazer cachaça e doce de leite todas as informações de um dos maiores eventos de quadrinhos do planeta e porque não dizer da galácta!

Confira aí o que teremos no FIQ de 2011:




São várias oficinas, avaliação de portfólios, exposições e programação gastronômica, só pra começar...
O FIQ apresenta, nessa edição, exposições como “Criando Quadrinhos: da ideia à página impressa”, que abrange todas as outras e com curadoria do colecionador Ivan Freitas da Costa, que foi responsável pela exposição “Batman 70 Anos” no último FIQ, o que lhe rendeu um HQMix em 2010. Mais outras sete exposições integram o FIQ, a começar pela “Quadrinhos Rasos”, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho. Artistas que transformaram músicas em quadrinhos sem se prender ao sentido óbvio da letra.


Já a exposição “Coreia do Sul”, país homenageado nesta 7ª edição, mostra um recorte da atual produção contemporânea dos quadrinhos nesse país. Além de obras das duas artistas sul-coreanas presentes ao evento, Park Sang-Sun e Chon Kye-Young, é possível conferir outros trabalhos de artistas dos Manhwas.


Teremos também a apresentação dos trabalhos da premiada ilustradora Marilda Castanha, uma exposição que mostra os desenhos e pinturas que fazem parte do livro Delírio, adaptação ilustrada de um dos capítulos do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
Outra mostra importante é a do Mauricio de Sousa que, por ter grande relevância no cenário dos quadrinhos no Brasil e no mundo, foi escolhido como homenageado dessa edição. Sua exposição apresenta a trajetória do artista que, em 2009, completou 50 anos de carreira.


A exposição “Adaptações Literárias”, que vem conquistando uma grande parcela do mercado editorial de quadrinhos com suas adaptações de clássicos da literatura, apresenta quatro dessas adaptações: O Cortiço (Aluísio de Azevedo) e Memórias de um Sargento de Milícias (Manuel Antônio de Almeida), ambos feitos por Rodrigo Rosa e Ivan Jaf; Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto) e O Alienista (Machado de Assis), adaptados por César Lobo e Luiz Antônio Aguiar.
Outra, interessantíssima, trata-se da “Dominó em quadrinhos”: uma exposição interativa, com a participação de vários convidados do festival. A história será construída durante o evento, onde cada um acrescenta um quadrinho e, como no dominó, a posição escolhida pode alterar completamente a narrativa.

E por último, a “Galeria dos Convidados”, que apresenta as obras de alguns dos convidados internacionais do evento, como Jill Thompson e Bill Sienkiewicz.


E falando de convidados internacionais, além desses dois aí que mencionei antes, também teremos as presenças de C. B. Cebulski, Horacio Altuna, Larry Ganem (no lugar de Eddy Berganza que teve que ficar nos EUA resolvendo as cagadas do reboot da DC) e Matt Fraction, entre outros que podem ser conferidos aqui.
Como convidados nacionais teremos Danilo Beyruth e Adriana Melo (dois dos artistas que já participaram de nossos podcasts), André Dahmer, Bira Dantas, Daniel Esteves, Érica Awano, Fábio Moon e Gabriel Bá, Fernando Gonsales, Ivan Reis e Mike Deodato, além do homenageado do ano Mauricio de Sousa, entre outros que podem ser conferidos aqui. Os artistas mineirinhos também vão pintar por lá, como Eddy Barrows, Eduardo Pansica, Luciana e Vitor Cafaggi, Rodney Buchemi e Will Conrad, entre outros.

Artistas que estarão trabalhando durante todo o FIQ, na hora e para quem quiser ver. Bom, pelo menos, essa é a proposta do Estúdio Ao Vivo que acontece pela terceira vez no evento. Será um espaço para que o público possa interagir com os profissionais de quadrinhos nas suas diversas áreas, como lápis, arte-final e colorização. A ideia é simular um estúdio de produção de quadrinhos.
O público em geral, e principalmente os aspirantes a profissionais, com certeza vão curtir esse tipo de interação.
 
E é para esses aspirantes e curiosos que também irão acontecer diariamente as oficinas básicas de quadrinhos. As aulas ficam por conta da Casa dos Quadrinhos e são atividades gratuitas!!!
O primeiro tema da oficina é “Desenho e expressão”, onde será apresentado técnicas de utilização de formas gráficas para introdução ao mundo do desenho, para explorar o potencial expressivo e lúdico do aluno, com o foco em história em quadrinhos e o segundo tema é “HQ e sua linguagem”, que vai tratar da linguagem visual, ou seja, da criação de personagens e da construção de roteiro.
 
A programação completa do evento e horários você pode conferir aqui.


Uma dica boa é que, como o FIQ é o maior evento de quadrinhos da América Latina e, como qualquer um desse porte, precisa de muitas pessoas dispostas a fazer com que ele aconteça, a organização está convocando voluntários para trabalhar por lá. Uma boa oportunidade para adquirir conhecimento e poder participar dos bastidores de um grande evento.
Os interessados devem enviar um email para voluntariofiq@gmail.com, com nome, idade, mini currículo, disponibilidade e telefone. As inscrições serão analisadas e selecionadas pessoalmente pela organização do FIQ.

Bom, eu e meu sidekick narigudo estaremos lá fazendo uma cobertura completa do evento e dos principais bares de BH na companhia de Guilherme Balbi (o maior desenhista do Uarévaa) e do Buchemi, além dos buchas daquele blog que vive arrebatando nossos membros pro lado de lá, o MDM (se é que aquelas bichinhas bebem)!
Já separei meus sketchbooks, canetas, lápis e minha espingardinha de matar viado e o Z sua super câmera TecPix, seu talento de galã de academia e o Rinossoro.

Ah! Possível cobertura via Twitter, hein? Isso vai depender do nosso nível alcóolico...

Esperamos vocês lá, amiguinhos!


PS. Estaremos com uma camiseta mais ou menos assim! Quem aparecer por lá e fizer a sábia pergunta: "Vocês são do Uarévaa?", vai ganhar uma bala Juquinha e uma senha para o sorteio de uma camiseta igual (só que é a baby-look que o Z não quis mais)...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Especial "Como fazer Tiras?" - Entrevistas #3

Fala, molecada!
Continuamos nossa saga de entrevistas com os melhores roteiristas/desenhistas nacionais!
Depois da entrevista com o Cadu, que você viu por aqui, agora é a vez dele... o cara que fez todo fã do Homem-Aranha relembrar a boa fase do personagem através de tirinhas inteligentes, bem feitas e sensíveis.
Tô falando do Vitor Cafaggi, o criador de Puny Parker (ou o Pequeno Parker), o personagem que é uma homenagem ao herói da Marvel, mostra em seu trabalho um aspecto bem diferenciado no que se refere à tiras.
Então, pequenos padawans, vamos à entrevista!



Ah! É bom lembrar antes que ele também foi o responsável por uma das grandes histórias que compõe o álbum que homenageia Mauricio de Sousa.
Conversei com o Vitor sobre seu trabalho e você confere agora o bate-papo que tive com esse grande artista!
1) Além de homenagear o Homem-Aranha, Puny tem um traço bem característico, lembrando muito as tiras dos Peanuts, feitas por Schultz e com um pouco da “alma” de Calvin de Bill Watterson, não é mesmo? Você se baseou nesses grandes mestres pra produzir as tiras? Como foi que o Pequeno Parker “nasceu” na sua cabeça?
Vitor Cafaggi - Não sei exatamente de onde surgiu a ideia. Não houve um momento específico que eu me lembre como sendo o da criação dele.
Acho que o Puny é uma mistura de tudo o que eu gostava na minha infância nos anos 80. Eu lia as revistas do Homem-Aranha, as tirinhas do Calvin, assistia o desenho do Charlie Brown na TV, ia ao cinema para ver De volta para o Futuro, Os Goonies e os filmes do Stallone.. acho que a ideia não surgiu.. ela sempre esteve aqui comigo!

No final, acho que ficou bem forte essa influência do Schultz e do Bill Watterson nas tirinhas. Hoje, para mim, nosso jovem Peter Parker é um menino muito parecido com o Charlie Brown (tímido, azarado, apaixonado..) que vive uma vida parecida com a do Calvin (tem problemas com valentões na escola, tem uma imaginação muito fértil e figuras paternas bem marcantes).

2) Qual era a intenção no começo e o que você sente que mudou depois de mais de um ano de produção? 
Vitor Cafaggi - Quando eu comecei a fazer as tiras semanais meu objetivo principal era me condicionar a desenhar sempre. Muitas vezes a gente tem ideias que não coloca no papel, ou ideias que começamos e nunca terminamos por falta de tempo ou mesmo por preguiça. Quando fiz a segunda tirinha do Puny decidi que faria isto semanalmente. Comecei colocando as tirinhas no Orkut e avisei aos amigos que ia fazer isso toda semana. Dessa forma eu meio que me obriguei a manter essa produção semanal de tirinhas.
Depois disso, outras pessoas conheceram a tirinha, eu fiz o blog e hoje, pouco mais de um ano depois, eu cumpri esse objetivo: desenho melhor do que desenhava há um ano, o Puny me trouxe outros projetos e a receptividade à tirinha foi ótima!
 

3) Você pensou num público-alvo para essas tiras? 

Vitor Cafaggi - Quando eu comecei a fazer essas tirinhas, minha idéia era ‘tirinhas feitas por um fã do Aranha para os fãs do Aranha’. Esse sempre foi meu público-alvo, os antigos leitores do personagem.
4) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza antes de desenhar? 
Uma vez que eu já estou com a idéia da tira pronta na minha cabeça, eu faço apenas um rascunho antes de desenhar cada tira. Esse rascunho me ajuda a visualizar a tira antes de desenhar, eu vejo de quantos quadrinhos eu vou precisar e o que acontece em cada um deles.

5) Você adiciona algumas “curiosidades” depois das tiras. Achei um recurso fantástico e bem diferente. Necessariamente, para o leitor, não é preciso recorrer a esse recurso para entender a piada, mas você acha que se a tira fosse publicada em jornal ou revista, o fato de não existir esse recurso, prejudicaria seu trabalho final?
Vitor Cafaggi - Nunca pensei nisso.. na verdade, eu nunca pensei em publicar Puny Parker em jornais ou revistas. Como eu disse, o público-alvo são os fãs do Aranha, mas muita gente que conhece o personagem apenas pelos filmes tem lido as tirinhas (o que é bem legal). Eu escrevo as curiosidades principalmente pra essas pessoas e às vezes escrevo também sobre algum detalhe escondido que possa passar desapercebido ou mesmo sobre o processo de criação daquela tira. 
 
6) Além de se utilizar da cultura pop e de ser um profundo conhecedor do herói da Marvel, vc se espelha em algum fato da sua vida pra criar situações na vida do seu personagem? Qual é a mensagem que vc espera passar nas tiras?
Vitor Cafaggi - Sim, várias situações vividas pelo Puny são inspiradas em minha infância. O fato é que eu leio os quadrinhos do Aranha desde que tinha sete anos. Isso me acompanhou pela minha vida inteira. Posso dizer, sem exagero, que muito de quem eu sou, minha personalidade e dos meus valores eu aprendi nas histórias desse personagem. Tendo essa identificação, sinto que nas tirinhas do Puny Parker posso colocar experiências pessoais porque sei que vão se encaixar com o que o personagem representa.
Pra mim, os temas principais em Puny Parker são a história de amor (platônico) entre ele e a MJ e a vida dele em família. Muitas vezes eu até deixo a piada de lado em uma tira ou outra pra poder trabalhar melhor esses dois temas.
 
7) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras? 
Vitor Cafaggi - Desenhe sempre, todos os dias. Pense sobre qual seria o tema das suas tiras, quem são os personagens que aparecem nela.. o que esses personagens querem, quais são suas características mais marcantes.. Uma vez que você criou a tira tenha sempre ela em mente.. desse jeito, a todo momento você vai ter idéias para novos episódios.
8) Conta como foi que você teve a idéia de fazer “produtos” como o cd com a “trilha sonora” das tiras e Cubeegrafts dos personagens.
Vitor Cafaggi - Eu não queria deixar o blog parado durante as férias do Puny. E, como eu sempre gostei de pensar nas tiras como um seriado com temporadas definidas, pensei que seria legal termos alguns extras, como se fosse um DVD. Pensando nesse lado seriado do Puny, a trilha sonora era um extra indispensável. Os cubeecrats são pra aqueles que adoram colecionar bonecos (como eu) e os outros extras serviram mais como curiosidade mesmo.
Fiquei sabendo que o Wallpaper fez bastante sucesso e hoje, sempre que vão falar sobre o Puny em outros blogs eles usam essa imagem pra ilustrar o texto. 
 
9) Em pouco tempo, seu personagem se tornou hit na internet, te premiando, na minha opinião, com um dos melhores presentes que é participar de uma comemoração como a de 50 anos do Mauricio de Sousa. Como você está se sentindo agora com tudo isso acontecendo? 
Vitor Cafaggi - Como eu disse, a receptividade com as tirinhas tem sido ótima, muito além do esperado e eu fui convidado pra participar de outros projetos como o Pequenos Heróis e o MSP 50 graças ao Puny. Devo muito a ele. Esse convite para participar do MSP 50 foi o máximo!
A chance de criar, escrever e desenhar no meu estilo uma história do Chico Bento foi uma surpresa gigante. Digo sem exagero que foi o primeiro grande sonho da minha vida realizado. 
 
10) Você gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc? 
Claro! Jabá time!
O MSP 50, o livro em comemoração aos 50 anos de carreira do Maurício de Sousa, sai agora em setembro (essa entrevista foi realizada em Agosto), em breve nas bancas teremos Pequenos Heróis e continuem acompanhando as aventuras semanais do Puny! Valeu, gente!
 
Não perca por nada desse mundo o próximo capítulo!
Fiz uma entrevista hilária o autor Benett, e o cara é muito louco!
Será a última entrevista da série, por enquanto! Então, esteja aqui!
Para saber mais acesse: 
http://punyparker.blogspot.com/ 
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