Freud, Moura, Rafael Rodrigues, Vini e Marcelo Soares pseudo discutem a pseudo ciência pseudo embutida nos Super Heróis. Qual dos heróis com super poderes é o mais científicamente plausível, hein?
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Freud, Marcelo Soares e Moura jogam conversa fora sobre os maiores absurdos dos super heróis. Participação especial de "Tonho da Lua". De lambuja, Momento Uarévaa fazendo a leitura de comentários atrasada de trocentos podcasts.
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Já fazem mais de 10 anos desde que eu descobri que seria feita uma série sobre a adolescência de Clark Kent antes dele se tornar Superman. Embora tenha achado a premissa interessante na época, não levava fé na série. Agora, uma década depois de sua estreia, smallville chega ao fim. E o que posso dizer sobre isso?
Antes de assistir o último episódio da série, eu “voltei no tempo” ao relembrar de quando eu assistia ao seriado. O primeiro episódio de Smallville foi muito melhor do que eu esperava, e acabou me fazendo assistir ao programa. A sequência da chuva de meteoros para mim até hoje está entre as melhores cenas já feitas numa história de super-heróis fora dos quadrinhos. Embora a série se focasse basicamente na vida e nos problemas adolescentes de Clark e seus amigos, a história conseguia levar de forma bacana o personagem, fugindo do caráter emblemático e mitológico do Superman e trazendo o lado mais humano. Para mim esse sempre foi o maior triunfo de Smallville, ou seja, não ser uma história sobre o Superman, mas sobre aquele rapaz "caxias" da cidade pequena que se tornará o salvador da humanidade.
Infelizmente a série se perdeu no caminho. Seja pelos clichês recorrentes (toda semana tínhamos alguém que esbarrava numa situação peculiar envolvendo kryptonita e adquiria superpoderes – um conceito que achei muito criativo de início, mas que desgastaram rapidamente), pelas saídas fáceis de roteiros ou simplesmente pela falta de noção, smallville acabou tentando consertar seus antigos erros com novos, criando um verdadeiro Frankenstein televisivo que se tornou basicamente uma caricatura da própria série, tornando-a, não só irreconhecível, mas também afastando o personagem do seu público “original” (os fãs de quadrinhos), fazendo com que uma série de muito potencial se tornasse uma completa piada*. Por essa razão, acabei deixando de acompanhar lá pela metade da terceira temporada.
Mas eis que a série durou muito mais tempo do que eu esperava e, enfim, em sua décima temporada, foi anunciado o seu término. Era a chance da série se redimir depois de tantas decisões equivocadas e de finalmente vermos Clark se tornando Superman “de vez” (apesar de que, como já comentei no podcast sobre o Superman, originalmente eu nunca imaginei a série terminando com ele, de fato, usando o uniforme e começando sua vida de super-herói).
A temporada começou esforçada. Percebíamos claramente a intenção e a tentativa dos produtores de conciliar a série com a mitologia “correta” do herói fazendo a história seguir seu rumo correto. Tivemos uma boa justificativa para a Chloe não ser “conhecida” no universo do Superman adulto, começávamos a ter vislumbres do que levaria Clark a adotar o uniforme e sua persona “nerd”, além de um episódio bacana (resenhado pelo Moura) que mostrava um futuro onde o Clark da série tinha, de fato, se tornado o Superman que conhecemos. Ainda tínhamos muito dos vícios e clichês da série, mas ainda assim parecia que Smallville finalmente entraria nos eixos.
Mas conforme a temporada foi se aproximando de seu final, as histórias começaram a ficar piores. BEM piores. Decisões difíceis de engolir, plots mal desenvolvidos, ganchos que não levaram a lugar nenhum e paródias desnecessárias de filmes atuais (destaco aquele que é quase um plágio de “Se beber, não case”, que pode facilmente ser colocado como O PIOR episódio da série) foram apenas alguns dos elementos que me fizeram começar a temer o episódio final (não que eu de fato tivesse muita esperança nele).
Então numa sexta-feira 13 estreou o season finale de Smallville. Com o título oportuno, mas pouco criativo (“Finale”), o especial de duas horas tinha uma tarefa ingrata e impossível: Agradar aos fãs da série e os fãs de quadrinhos, dando um desfecho digno para a jornada de 10 anos do personagem, fazendo-o chegar ao ponto de tornar-se Superman e agindo também como uma espécie de início para a “verdadeira jornada”, onde as histórias “de verdade” realmente começarão.
(ATENÇÃO: MUITOS SPOILERS a partir deste trecho)
A história se inicia de forma bem bacana: Uma Chloeaparentemente mais velha lê para um menino loiro (provavelmente seu filho) uma revista em quadrinhos chamada “Smallville”, e começa a contar a história de Clark Kent, e de como um dia ele enfrentou seu maior desafio (Só não perguntem porque diabos existe uma revista que conta todos os segredos do Superman – selo “é melhor não pensar muito nisso” de roteirismo). Partimos então para 7 anos antes, quando vemos que Apokolips está chegando à Terra.
A primeira hora do finale é bem básica (e bem chata), atando algumas pontas soltas, fechando alguns ganchos diretos (como Oliver possuído pelas trevas, a decisão da Lois de não querer casar, entre outros) e preparando o terreno para a próxima hora, que é exatamente quando as coisas realmente começam a acontecer: O retorno de Lex Luthor, a “luta” contra Darkseid, o vôo e, finalmente, Clark “usando” do uniforme. Aspas serão explicadas mais adiante.
Como era de se esperar, diversos aspectos deste final ganham o selo “é melhor não pensar muito nisso” de roteirismo, como o retorno de Johnatan Kent (não especificado se como espírito, como alguém do passado, como um “espírito virtual” basicamente como Jor-El, enfim...), a ausência dos personagens da Liga da Justiça (no penúltimo episódio vimos que a Legião do Mal havia recebido a missão de atacar os heróis – só que nem os heróis nem os vilões aparecem no episódio, os vilões sequer são citados!), umas cenas forçadas entre Clark e a mãe dele (embora uma das cenas em particular tenha sido bem legal) e, claro, o fato de um PLANETA ENORME estar se dirigindo para o nosso sistema solar e os efeitos serem simplesmente pequenos tremores de terra globais. Parece que as leis da física em Smallville são bem diferentes.
Também houve momentos decepcionantes. Darkseid aparece, mas a luta dele com Clark, além de não ser exatamente uma luta, é na verdade o encontro de Clark com um Lionel Luthor zumbi possuído por Darkseid. Eu não esperava uma luta épica como todo mundo sempre espera em séries do tipo (parece que as pessoas ainda não entenderam que estão lidando com programa de TV, e como tal, com limitações orçamentárias), não só pela dificuldade financeira de ser fazer algo tão grandioso, mas principalmente porque este nunca foi o foco de Smallville (digam o que quiser, mas Smallville nunca “enganou” ninguém neste ponto; os enfrentamentos com vilões sempre foram meia boca e isso é quase uma regra), mas ainda assim esperava algo um pouco melhor. A forma como os profetas de Darkseid (Vovó Bondade, Glorioso Godfrey e Desaad) foram derrotados por Oliver foi patética. O clichê básico do esquecimento também foi “homenageado” neste final, quando Lex e Tessconfrontam um ao outro e Tess é morta por Lex, mas não sem antes deixá-lo com uma neurotoxina que o faz esquecer de tudo até aquele momento. Apesar de ser outra das saídas fáceis de Smallville, pelo menos deixou Lex como o "Lex que conhecemos”, que não sabe que esteve em Smallville nem conhece Clark Kent ou sua identidade. Há também alguns outros detalhes que não fazem tanta importância assim, mas que se tornam engraçados pela falta de continuidade.
Mas eu estaria sendo injusto se não dissesse que o fim de Smallville também reservou momentos interessantes, bacanas e alguns até emocionantes. Ignorando a lógica do retorno de Johnatan Kent (pois confesso que fiquei feliz de saber que não usaram a desculpa do universo alternativo com ele também), os momentos de Clark com seus pais com certeza foram alguns dos pontos altos deste par de episódios, mas alguns momentos bem super-heróicos como a chegada de Apocolyps à Terra também contribuíram (embora os efeitos especiais não tenham sido lá essas coisas). O aguardado retorno de Lex Luthor também não decepcionou, primeiro porque, ao contrário do que dava a entender, Lex não retornou por alguma ressurreição feita por Darkseid (embora o vilão tenha tido parte fundamental no retorno de Lex), e sim por conta de seus clones que, apesar de defeituosos, tinham partes que funcionavam; então Lionel pegou de cada clone as partes que funcionavam e montou um “Lexenstein”, dando – literalmente – seu coração para completar o processo e sacrificando-se – ainda que não de forma totalmente voluntária, por assim dizer – pelo seu filho. Aliás, ainda falando de Lex, outro dos pontos altos foi com certeza seu encontro com Clark, onde tivemos um encerramento digno da relação conturbada entre os dois personagens, visto ao longo da série. A reação do Lex é até bem humana e calculista, podendo ser resumida a: “Um dia eu vou te matar, mas agora você precisa impedir que o mundo seja destruído. Depois que você resolver isso nós voltamos aos negócios”. Outra coisa interessante foi o casamento: enquanto muitos imaginavam um final “novela”, a história foi para outro lado e, apesar da tentativa, o casamento não foi “finalizado”.
São os 10 minutos finais, no entanto, que realmente fazem a diferença. Depois de “enfrentar” Darkseid, Clark finalmente voa, vai para a fortaleza da solidão e até que enfim veste o uniforme de Superman, bem a tempo de impedir que o Air Force One (que tinha Lois Lane a bordo) caia e de empurrar, literalmente, Apokolips embora. Sim, este é o Superman que move planetas. Embora muitos que assistirem ao episódio deverão sentir um misto de indignação, emoção e relativa satisfação por conta destas cenas (porque ele veste o uniforme, mas em nenhum momento ele “posa” ou o vemos por inteiro; as cenas se resumem a closes fechados do rosto, da capa, do símbolo e tomadas à distância que mostram um Tom Welling em CG com o uniforme), particularmente achei as cenas satisfatórias, pois mostram Clark se tornando o Superman, e ao mesmo tempo mantém a série focada mais na jornada do personagem e menos na roupa - e eu acho que essa decisão teve a ver alguma questão legal envolvendo o personagem).
A história se encerra 7 anos no futuro, onde Chloe termina de contar a história do Clark para seu filho (referido-se a história como o dia em que o garoto tornou-se Superman) e logo a cena passa para o Planeta Diário, onde percebemos que Clark e Lois estiveram sempre tentando casar desde então e, nesta próxima tentativa, talvez não consigam novamente, já que uma ameaça de bomba obriga Clark a agir. Vemos Jimmy Olsen (o irmão do Jimmy que já aparecera em Smallville, interpretado pelo mesmo ator, numa decisão inesperada e bizarríssima da produção), a voz de Michael Mckean como Perry White e um vislumbre de que, neste futuro (estamos em 2018) Lex é presidente dos EUA. A última cena não podia ser outra senão Clark subindo no telhado, tirando o óculos e saindo para a ação enquanto abre sua camisa e exibe o símbolo do Superman em seu peito.
De fato, não foi um final perfeito. Provavelmente os fãs de quadrinhos não vão gostar. Mas não é justo querer que a série agrade ao leitor de HQs se ela nunca foi feita para eles. Foi feita, sim, para manter vivo o legado do Superman para uma nova geração. A série teve seus altos e baixos (mais baixos do que altos, admito), mas conseguiu manter o personagem relevante para os dias de hoje. Os produtores podem ter falhado e tomado decisões ruins, mas, até aí, que atire a primeira pedra aquele que nunca viu coisas bem piores nos quadrinhos. Em suma, foi um final digno para a série e acredito que este desfecho vai colocar Smallville como uma das séries mais lembradas da primeira década do Século XXI. Além do que, é bom ouvir o clássico tema do Superman composto por John Williams uma outra vez (uma música que me arrepia até hoje quando ouço).
Nota 7.9 (o que para Smallville, é uma grande coisa)
*Não que isso seja necessariamente novidade; afinal, não são poucas as séries que acabam tendo as mesmas características: grande potencial, boas ideias, mas execução péssima, falha, equivocada ou todas as anteriores. Heroes é um dos melhores exemplos recentes.
Seguinte: Depois do podcast da outra semana sobre Superfilmes, nosso caro Algures me passou - er, digo, me emprestou seu DVD sobre essa pérola quase perdida dos telefilmes de super-heróis.
O treco é praticamente um spin-off da série camp do Batman, logo, se encaixa aqui no Moura em Série.
Então vamos à análise da tosqueira?
Na real são dois especiais produzidos. No primeiro, a Legião do Mal, formada por Mordru, Sinestro, Solomon Grundy, Charada, Mago do Tempo, Giganta e Dr. Sivana se reúnem para executar um plano maquiavélico: explodir o mundo.
Tipo, só isso mesmo. Explodir o mundo. É. Eu sei.
Enfim, Sivana liga sua bomba, que fica dentro do quartel da Legião (vá se lá entender) e de alguma forma a Liga da Justiça recebe um fax avisando do perigo.
A Liga, formada por Batman e Robin (interpretados, claro, por Adam West e Burt Ward), Lanterna Verde, Flash, Capitão Marvel, Canário Negro, Caçadora e Gavião Negro estava homenageando o herói das antigas, Ciclone Escarlate, agora chamado de Homem-Aposentado.
Assim, Batman debanda o grupo para encontrar o esconderijo da Legião do mal e desativar a bomba. Como, obviamente, ainda não existia celular e pelo jeito a equipe não tinha verbas suficientes para comunicadores, fica combinado de qualquer pista que encontrarem, será deixado um recado no posto de gasolina. É. Eu sei.
Sinestro sabota o Batmovel, que começa a dar problemas na estrada. Quando Batman e Robin param para consertar o veiculo no posto, eles nem desconfiam que, perfeitamente disfarçado, o irreconhecível frentista é na realidade Solomon Grundy.
Mas Grundy acaba revelando seu disfarce, o que o leva a dar uma bela surra no cruzado embuçado, que foge do local com seu garoto prodígio.
Os planos dos vilões continuam, tentando atrasar os heróis que correm contra o tempo para desativar a bomba. Assim, o Charada deixa uma charada que intriga o Lanterna Verde - manda que ele encontre sua sorte para encontrar a bomba. O Lanterna, intrigado, fica surpreso ao encontrar uma cigana em seu caminho. Mas a cigana é na realidade Sinestro disfarçado.
Um parênteses aqui. A cena é foda de engraçada. Charlie Callas que faz o Sinestro é um comediante das antigas, e, carajo. Mijei-me de rir com ele. Quando ele comenta o anel do Lanterna (hummm... boiola) e o genial herói nota que a cigana tem um anel semelhante, dizendo que isso só poderia significar algo, Sinestro pula e exclama: QUE NÓS ESTAMOS NOIVOS?? Detalhe também pro versinho hilário que ele faz depois que Hal declama o juramento dos Lanternas.
Gavião Negro e Canário Negro chegam um de cada vez, ao posto, e são capturados por Grundy. Enquanto isso, Capitão Marvel encontra uma charada dizendo que ele deve encontrar dentro de si a resposta para a charada. Logo, ele resolve se consultar com um psiquiatra que está ali, no meio do nada, com um consultório cenográfico. Mas ei... Este psiquiatra é o Charada disfarçado!
Não, os heróis desse filme não primam nem um pouco pela inteligência.
O Charada enrola mais um pouco o Capitão Marvel - numa atuação divertida de Frank Gorshin, repetindo o papel da série do Batman.
Alias, falando nele, por onde anda a dupla dinâmica? Correndo por aí, claro. A pé, eles precisam encontrar uma maneira de irem atrás dos vilões. E, como por mágica, eles encontram a pequena revenda de carros usados do Joe Honesto. Batman e Robin resolvem comprar um carro para poderem chegar mais rapidamente ao seu destino. Depois de negociarem um fusca usado, que Joe jura que teve como único dono sua mãe velhinha que só o usava para ir à missa, Batman percebe que esqueceu o cartão de crédito no Batmovel (e anos depois vimos que ele aprendeu a lição) e só tem 50 dólares consigo. Ele só leva o suficiente para que não faça falta se perder. Assim a dupla compra uma moto velha com aqueles carrinhos caroneiros.
Mas a moto e o carrinho estão em péssimo estado e só servem para atrasar os heróis. Na realidade, Joe Honesto era o Mago do Tempo disfarçado.
Ta, eu sei. Burros como portas.
Assim, com várias confusões acontecendo na busca pelo esconderijo dos vilões, tudo em um cenário baratinho que parece um parque, Capitão Marvel consegue ludibriar Grundy, salvar seus amigos e Batman finalmente deduz onde fica o covil.
Mas Dr. Sivana tem ainda um último plano! Ele criou uma fórmula que tira temporariamente os poderes dos heróis! Conveniente, não? Mas como fazer para que os heróis bebam a fórmula? Simples! Sivana se disfarça de velhinho e abre uma barraquinha de limonada!
Os heróis, no caminho do resgate, são convencidos pelo doce idoso a comprarem sua limonada, e todos perdem os poderes! Assim os Superamigos conseguem fazer a turma do Chaves parecerem um grupo de neurocirurgiões.
Batman e Robin arrumam dois Jet-skis e vão a caminho da Ilha dos vilões, mas Mordru arruma seu próprio Jet-ski e começa a despistar os heróis. Lanterna Verde e Capitão Marvel seguem de perto, de bote, assim como Caçadora e Canário, de pedalinho.
Mas sem poderes, os heróis não têm chance contra a Legião, que decide comemorar. Giganta, que até agora não fez nada, só serviu no telefilme para servir uma bandeja de drinks aos vilões. Sexismo é pouco. Mas foi Grundy que serviu os coquetéis. Que claro, utilizou-se da formula de Sivana para tal.
Os vilões também perdem os poderes, e logo os heróis chegam e o pau come na casa de Noca. Os bonzinhos, claro, vencem e a bomba é desativada um segundo antes de explodir! VIVA!
O filme ainda guarda uma gag final, com o Homem-Aposentado aparecendo horas depois no covil, tentando desativar a bomba.
E é isso. Consegui ver tudo isso sem meu cérebro derreter. E ainda tive a manha de ver o segundo, que fica pra outro post.
O filme é um festival camp cheio de piadinhas e inclusive aquelas risadas de platéia do Chaves, saqualé? Realmente algo que eu não imaginava ver um dia. Vale a olhada? Sei lá. Curiosidade mórbida, quem sabe?
Nós já falamos um bocado aqui no Uarévaa sobre o pessoal que banca o super herói por ai, já teve até podcast sobre isso, mas se você quer, apesar de todos os avisos, entrar pra essa vida de perigos e vergonha alheia, o Duende Amarelo me mostrou um passo a passo legal (criado pelo pessoal do vomaria.com) pra te ajudar a ser o mais novo Ciclope, Wolverine ou Magneto da vizinhança. Veja ai...
Super herói.. WITH LASERS!!
Melhor que o Wolverine: Esse tem 4 garras ao invés de 3!!
Como flutuar o ferro? Porra, você também quer que te digam TUDO?
P.S.: O Uarévaa não se responsabiliza por quaisquer danos físicos e/ou morais advindos da adoção dessa prática.
O senso comum dita que super Herói é alguém que usa uniformes, muitas vezes espalhafatosos, tem codinomes pomposos, solta raios pelos olhos, agüenta bala no peito, entorta ferro, controla mentes e consegue trabalhar 12 horas por dia e ainda combater o crime! Podem ter perceirinhos, equipes, bases, veículos e até mesmo mais grana do que o Roberto Justus. Alguns são mutantes, outros alienígenas, outros dotados de força mística, extremamente inteligentes, enfim acima da média humana, quase Deuses!
Mas isso define o que é um super herói?
Uma vertente acredita que um herói é aquele que põe sua vida em risco em benefício de alguém ou de uma causa. Um bombeiro se arrisca para salvar desconhecidos, como aquela tia fofoqueira do 405 que botou fogo no próprio tapete enquanto fumava seu qüinquagésimo cigarro! Isso é um herói! Agora um cara que é invulnerável ao fogo, atravessa a parede e salva a mesma bruaca não poderia ser considerado um herói, pois em nenhum momento arrisca sua vida.
Nos quadrinhos a palavra Super significa que o indivíduo tem poder, logo, quanto mais super, menos heróico. Quanto mais heróico, menos super ele é. Então o Batman é um herói de verdade enquanto o Super Homem não?
Antes de responder a essa pergunta vamos ver o que a santa wikipedia nos diz da palavra Herói:
“Herói é uma figura arquetípica que reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica. (...) O herói será tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas – liberdade, fraternidade, sacrifício, coragem, justiça, moral, paz."
Então segundo essa definição, o Super Homem é um herói por ter todos aqueles poderes e resolver sacrificar sua vida pessoal para fazer o que faz por sua moral elevada! Ele faz o que faz por que é o certo pronto e acabou! Homem Aranha também é um herói, pois sabe que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades! Todos eles procuram empregar suas grandes capacidades em benefício dos outros, podem não arriscar sua vida o tempo todo, mas sacrificam um pouco de si para fazer valer a bondade. Vejam o Demolidor, o coitado gasta suas horas vagas saindo pelas ruas combatendo o crime, se esfola toda noite para que os cidadãos possam dormir em paz. Então quem é mais herói, o Batman que não tem super poderes e mesmo assim arrisca sua vida no combate ao crime ou o Super Homem que é quase um deus? Ora, os dois são igualmente Super Heróis!
Dito isso, agora vem o real motivo por que escrevi esse artigo nesta quarta feira: para falar do Jeph Loeb! Tudo que escrevi acima foi inspirado no artigo que ele escreveu para o livro “Super-Heróis e a Filosofia”, um brilhante artigo por sinal. Esse resumo tosco nem chega aos pés do artigo de verdade, sugiro que leiam na íntegra. O cara é bom e sabe do que está falando, conhece realmente de super heróis. Então eu pergunto: por que ele escreve tanta merda? Como um cara pode acertar tanto em algumas história e cagar tanto em outras? Será a grana? Visão de mercado?
Quando nasce um vilão? Porque ele se torna mal e começa a ameaçar as pessoas? Tudo na vida pode ser tão preto e branco assim? A Dreamworks Animation está aos poucos se livrando da cara de "apenas filmes divertidos" e tentado se diversificar e se aprofundar nas suas historias. Kung Fu Panda, por exemplo, tem as piadinhas de praxe, mas uma historia enxuta e cenas de ação maravilhosamente coreografadas, assim como seu melhor filme até então "Como Treinar Seu Dragão". Como o estudio se saiu com Megamente?
Megamente, originalmente conhecido como Oobermind, é o unico sobrevivente do seu planeta natal, do qual quadrante inteiro foi engolido por um buraco negro. Mas um outro cientista, de outro planeta também engolido pelo buraco negro, enviou o seu filho PERRRRRRRFEITOOOOOOOOO (Mojica feelings) também num foguete para ser salvo da destruição. Ambos caem na terra, mas enquanto o futuro vilão a ser conhecido como Megamente (Will Ferrel) cai numa cadeia, o heroi a ser conhecido como MetroMan (Brad Pitt) cai numa mansão de bilhardarios. Anos depois, cada um na sua posição de arqui-inimigos, eles se enfrentam naquilo que será sua ultima batalha, já que surpreendementemente Megamente mata seu rival e domina a cidade.
Com a cidade dominada, muitos ficam tristes, incluindo o flerte de MetroMan e reporter da cidade, Roxanne Ritchi (Tina Fey), unica pessoa que fica contra o novo reinado do vilão. Mas Megamente está deprimido, já que com seu inimigo morto e a cidade dominada, ele fica sem objetivos na vida. Junto com seu velho companheiro de crimes (David Cross) eles decidem criar um novo heroi, que acaba sendo o camera-man apaixonado por Roxanne, que se torna o Titã (Jonah Hill). Mas Titã fica descontrolado e Megamente se vê na posição de ser o heroi da vez.
O filme pega do exemplo clássico formado pelo Superman para contar a historia, afinal o esquema utilizado alí não funciona pra todos os supervilões do planeta. A ideia do filme é que, assim como a vida real, nem tudo é preto no branco, e que podemos ser o que quisermos. Os vilões do filme ficam assim por dois motivos principais: não se encaixam com a considerada "sociedade perfeita" e que não tiveram oportunidade de mostram o quanto são bons. Isso vai deixa-los com a unica opção de serem maus, mais por tentar obter o respeito nunca adquirido do que planos de dominação global e etc.
E assim como falei que o exemplo não pode ser utilizado para todos os vilões, o proprio filme mostra o contrario dizendo que o exemplo do Megamente não pode ser utilizado para todos os heróis. Titã sempre foi egoista e mesquinho, e com os super poderes, isso amplificou ainda mais. Já Megamente, que passou a demonstrar um lado bom disfarçado de Bernard (Ben Stiller), percebe que cometeu um erro e tem medo de dar um passo adiante sobre carregar a responsabilidade de ser um heroi de fato.
O filme todo carrega a ideia de que os peso do mundo está mal distribuido entre os herois e vilões, e que podemos ser o que quisermos, pois aquilo que nos transforma em cliches do que seja bom ou mal é a sensação de controle que o mundo externo tem sobre a gente, e não ao contrario. Só nos tornamos felizes plenamente quando nos conhecemos melhor.
Tom McGrath, que dirigiu Madagascar 1 e 2, trás um filme leve e divertido, que mesmo com as piadinhas que fazem a má fama do estudio, não chega a destruir a graça e o divertimendo desses momentos, e sendo sim uma peça importante no amadurecimento das tramas do estudio. Varias citações a outros herois, seja dos games ou até do cinema estão presentes, assim como o 3D funciona muito melhor com animações. A trilha sonora tem heavy metal, isso é bom, mas é o pacotão basico de cliches do gênero, o que eu considero algo ruim.
Mas a comparação inevitavel com Os Incriveis nos leva a pergunta: seria Megamente o lado oposto do filme da Pixar? E é, mas falando positivamente. Se Os Incriveis mostra o lado das pessoas relembrando ser herois, Megamente mostra vilões (e herois) tendo a oportunidade de serem pessoas, e tendo finalmente oportunidade sobre aquilo que podem salvar: não a cidade, nem a mocinha, mas seu proprio papel no mundo.