Social Icons

Pages

Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de junho de 2013

Considerações sobre as recentes manifestações (sugestões)

Imagem original aqui

Muita coisa tem se falado sobre os últimos acontecimentos do país. E agora que lutar por direitos virou “moda” (espero que essa moda dure ainda muito tempo), muita coisa ainda vai se falar. Não vou me estender muito para que este texto seja o mais objetivo possível.
O motivo deste texto é dar minha contribuição para esta onda de comoção que tem se seguido às manifestações. Se você ler até o fim, e achar que este texto não serve para muita coisa, tudo bem.

A coisa mais importante é saber que conseguimos a atenção de todo mundo. E, agora que eles tem a nossa atenção, é importante começar a pensar no que vem a seguir.

Embora seja realmente muito gratificante ver as pessoas irem as ruas para exigir melhorias no país, não podemos ser ingênuos. Exigir “mais educação”, “mais saúde” e lutar “contra a corrupção”, na prática, é o mesmo que nada. É como dizer que estamos “lutando contra o mal”. Que mal? Como é esse mal? Como resolvemos esse problema?

Então, acredito que falta agora sistematização. Usar a cabeça. Provamos que podemos fazer número. Agora temos que provar que podemos fazer reivindicações inteligíveis e realistas.

Mas o que vai ser reivindicado? Embora eu nem de longe tenha moral para definir o que se pode ou não reivindicar, partindo das próprias manifestações e do interesse comum da população, chego à algumas sugestões, não do que reinvindicar, mas de como chegar às reivindicações mais eficientes.

Dividirei elas em 2 etapas: A primeira, para uma mudança externa e coletiva; a segunda, para uma mudança interna e individual. Leve, é claro, este texto como uma sugestão, e não uma definição:


Mudança externa (reivindicações)

Saúde:
Não basta só pedir por mais investimentos em saúde. O que precisamos? Quais são os problemas mais graves? Quais as prioridades? Quais seriam as soluções a curto, médio e longo prazo?

Entre os manifestantes e apoiadores há médicos, enfermeiros, gestores de saúde e assistentes sociais que podem ajudar nesta questão.


Educação
Sim, este é o maior de todos os problemas, mas o que podemos fazer? Que tipo de mudanças podemos exigir, a curto, médio e longo prazo? Quais os problemas mais urgentes?
Professores, pedagogos, filósofos e educadores em geral que apoiam as manifestações podem ajudar neste ponto.


Corrupção
Certo, como vamos “acabar” com a corrupção? Mudando as leis? Exigindo renúncia de diversos políticos? Tais coisas sequer são possíveis? Quais são os caminhos que podemos seguir para garantir que as próximas eleições tenham políticos melhores? Advogados, filósofos e cientistas políticos podem ajudar neste ponto.


Representação
Por mais que esse seja uma manifestação coletiva, não é possível colocar 200 milhões de brasileiros numa sala com a presidente para cada um decidir o que acha melhor. Fatalmente, é necessário escolher representantes oficiais do movimento, rostos que possam ser aceitos por todos como representantes dignos.

Esta é a parte em que é importante, não só quem vai representar, mas como as opiniões de todo podem ser endereçadas. De admistradores a gestores de TI, passando por publicitários e celebridades ou formadores de opinião da imprensa, esta seria a parte mais problemática, e talvez mais importante, se quisermos realmente fazer a diferença.



Mudança interna (individual)

Mas nenhuma destas reivindicações vai fazer muita diferença se não estivermos dispostos a manter as mudanças. E, para manter as mudanças, precisamos mudar nossas atitudes no dia a dia.

Não adianta lutar por mais saúde, se você não cuida da sua. A prevenção é o melhor remédio para a boa parte dos problemas de saúde.

Não adianta lutar por mais educação se você não está disposto a recebê-la, se não está interessado em aprender, mesmo que isso signifique ter que deixar de lado muita coisa que você acreditava anteriormente.

Não adianta lutar pelo fim da corrupção se você fura fila, não devolve troco dado a mais e estaciona na vaga de deficiente.

E, mais importante, não adianta ir para a rua, ou mesmo apoiar as mudanças de casa, se você não estiver disposto a fazer isso sempre, ou seja, se você não estiver disposto a pensar o tempo inteiro no bem comum primeiro, para depois pensar em si mesmo.

Não sou ingênuo de pensar que este texto pode resolver quaisquer problemas de organização que essa série de eventos possa ter. Mas, nesta ocasião sem dúvida histórica na história do país, não poderia deixar de dar minha contribuição, ainda que tímida. Não sei se estas mobilizações farão alguma diferença ou não, mas de uma coisa eu tenho certeza: Enquanto não fizéssemos nada, nada iria acontecer mesmo.

No mais, espero que as manifestações não parem por aí, e que sejam realmente um motor que leve à mudança, ainda que a mudança não seja da noite para o dia.

Parabéns, Brasil.



P.S.: Para continuar no clima de mudança, ouçam os podcasts que fizemos sobre temas sociais e relevantes, que talvez ajudem um pouco na reflexão:

Mundo Colorido Parte 1 e Parte 2

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Eu não quero voltar sozinho


A vida de Leonardo, um adolescente cego, muda completamente com a chegada de um novo aluno em sua escola. Ao mesmo tempo, ele tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana e entender os sentimentos despertados pelo novo amigo Gabriel. Um curta sensível, ganhador de diversos prêmios nacionais e internacionais, sobre os problemas da adolescência potencializados pela deficiência física. Infelizmente, o curta foi censurado no Acre.

Do site da Lacuna filmes, que produziu o curta:

O programa Cine Educação, uma parceria com a Mostra Latino-Americana de Cinema e Direitos Humanos, tem como objetivo "a formação do cidadão a partir da utilização do cinema no processo pedagógico interdisciplinar" e disponibiliza diversos filmes cujos temas englobem os direitos humanos, de modo que professores escolham quais são mais adequados para serem trabalhados em aula.
Na semana passada, no estado do Acre, uma professora escolheu o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho e exibiu-o para seus alunos. Para aqueles que não conhecem, a trama narra a história de Leonardo, um adolescente cego que, ao longo do filme, vai se descobrindo apaixonado por um novo colega de sala.
Alunos presentes na exibição confundiram o curta metragem com o "kit anti-homofobia" e levaram a questão aos líderes religiosos, que mobilizaram políticos da região com o intuíto de proibir o projeto Cine Educação como um todo. Nenhum desses representantes públicos deu-se ao trabalho de ir atrás da verdade e descobrir que se tratava de um programa pedagógico com o intuito de levar o debate sobre direitos humanos para a sala de aula. Mais uma vez no Brasil, a educação perde a batalha contra o poder assustador das bancadas religiosas e conservadoras.
Neste momento, o programa Cine Educação está paralisado. Enquanto isso, os secretários de Educação e de Direitos Humanos do Acre estão articulando com o governador a possibilidade de garantir sua continuidade, enquanto os líderes evangélicos forçam o cancelamento definitivo do programa. Pelo que sabemos, mesmo que o programa seja reativado, o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho será excluído do catálogo e não mais ficará disponível para que professores o utilizem no debate de questões que envolvem algo tão elementar quanto a sexualidade humana e tão importante quanto a deficiência visual.

Nossos leitores e ouvintes sabem como o Uarévaa é engajado em acabar com o preconceito e repudia qualquer tipo de autoritarismo e repressão. Por isso disponibilizamos aqui o curta na íntegra, confira:



Mais informações no site do filme.

Doe sangue – ou espaço em seu blog – e ajude a salvar vidas pelo mundo


Por ser voluntária, a doação de sangue não é uma constante. Isso significa que tem momentos em que o banco de sangue está cheio (o que é ótimo), e momentos em que está vazio (o que é péssimo). Doando apenas 30 minutos do seu tempo e um pouco de sangue –mais precisamente 450 ml – uma vez a cada dois ou três meses (para homens e mulheres, respectivamente), você pode ajudar a salvar a vida de milhões de pessoas que precisam diariamente de transfusões.

Doar sangue não dói e a quantidade não faz falta para o doador, mas conseguir convencer as pessoas a doarem é uma das maiores dificuldades da área de saúde no mundo. Todos sabem que muita gente – entre eles, vítimas de acidentes, mães com complicações durante o parto ou a gravidez, crianças anêmicas e pacientes com câncer – depende de doações de sangue, mas, para se ter ideia da dimensão do problema, apenas 1,9% do sociedade brasileira é doadora regular – enquanto a recomendação da OMS – Organização Mundial da Saúde é que 5% da população doe sangue anualmente. No Brasil, a cada dois minutos é necessária uma transfusão.

Para reverter essa situação – e evitar que os bancos de sangue fiquem cheios em janeiro, mas vazios em julho, por exemplo, a Cruz Vermelha de Pernambuco criou a campanha #doeexemplo, em parceria com a agência Arcos Brasil. Além de divulgar a rede permanente de doadores Clube 25, a instituição convida blogueiros a inserir uma animação em seu site. Assim, todo vídeo postado no blog é acompanhado por uma bolsa de sangue que se esvazia a medida que o é assistido. Ou seja, o vídeo só roda completamente quando acaba o sangue da bolsa e, quando isso acontece, aparecem os dizeres: “Deixe a vida acontecer. Doe sangue”. Veja como funciona, na imagem e no vídeo abaixo:


O Uarévaa aderiu à campanha. Se você tem um blog ou um site, ajude também! =)


Fontes:
Metaconhecimento
Superinteressante

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Democracia, uma farsa

“Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.”
Millôr Fernandes

 “O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado.”
Albert Einstein

 “A democracia... é uma constituição agradável, anárquica e variada, distribuidora de igualdade indiferentemente a iguais e a desiguais.”
Platão

 “Democracia é a arte de, da gaiola dos macacos, gerir o circo.”
Henry Mencken

 "A democracia muitas vezes significa o poder nas mãos de uma maioria incompetente."
Bernard Shaw

 "Democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia."
Nelson Mandela


Em época de eleição, é comum falar em coisas como “votar consciente”, “não desperdiçar o voto” e diversos outros aspectos que remetem a uma tentativa de conscientizar a população acerca de seus direitos e deveres de cidadão. Afinal, todo brasileiro se orgulha e enche a boca para falar que vivemos numa sociedade democrática (geralmente só lembram disso quando é para que ele possa falar o que quiser, e não o contrário), onde todo mundo tem sua voz. Isso até pode ser verdade, mas dizer que o que temos é democracia é, simplesmente, uma mentira, independente do critério que usamos para analisar nossa sociedade.

Democracia significa, a rigor, “poder do povo”, e se refere a um formato de governo em que a população toma participação nas decisões de cunho político e social do Estado. No Brasil, isso não acontece; não só porque vivemos numa república democrática (o que significa que nós escolhemos pessoas para decidir por nós - chamamos isso de democracia representativa), mas também porque não tomamos sequer parte nas decisões dos representantes que nós mesmos elegemos. Isso é um grande problema, mas esta longe de ser o único.

Na Civilização Grega Clássica, berço da civilidade ocidental (e que “inventou” a democracia que conhecemos), democracia era exatamente o que o conceito estabelecia: todo mundo tinha poder. Quando havia decisões a serem tomadas, todos se reuniam numa praça para decidir os rumos da cidade. E assim, cada um representava a si mesmo no debate. Um Filósofo Grego clássico (não lembro agora se era Platão ou Aristóteles) acreditava que ninguém poderia representar outra(s) pessoa(s), visto que cada indivíduo é uma entidade particular. Ou seja, democracia que elege representantes é, na prática, tudo, menos uma democracia de verdade.


É claro que o “todos” da democracia Grega se referia àqueles que tinham capacidade de decidir, ao que a sociedade da época excluía, salvo engano, os escravos, estrangeiros, pessoas com problemas mentais e as mulheres. Olhando agora, é ridículo pensar que uma sociedade tão avançada achasse que mulheres não tinham capacidade para tomar decisões políticas, ou que sequer possuíssem escravos (pelo menos a mim parece ridículo). Mas são outros tempos e analisar estas questões sob a ótica de agora seria um anacronismo.

O que realmente importa deste conceito de democracia grega é: Quem, hoje em dia, tem REAL capacidade para participar de decisões políticas e sociais de nosso país? Talvez você responda: “todo cidadão adulto que não tiver problemas mentais” ou “todo cidadão que obedece a todas as leis” ou ainda “qualquer um que puder ir até a urna eletrônica e votar”.

Mas e quanto a um homem extremamente pobre, que nunca frequentou a escola, mal tem acesso à qualquer informação e só tem em casa uma TV, na qual só assiste novela e futebol, ele tem mesmo capacidade de decidir os rumos do país? Ou aquele empresário milionário, que só sai de casa de carro, avião ou helicóptero, vai da empresa para festas badaladas e fica mais tempo fora do Brasil do que dentro, sequer sabendo o que acontece por aqui, aparecendo de vez em quando apenas para visitar suas empresas e votar, tem realmente capacidade de decidir os rumos do país?

O trabalhador de uma madeireira, cujo sustento vem da derrubada de árvores, tem capacidade para tomar decisões acerca de leis sobre o desmatamento? E o trabalhador da plataforma de petróleo, que fica meses longe da família para garantir uma vida digna a eles, pode decidir acerca do uso de fontes de energia alternativas? Os pais cujos filhos estão de “folga” por conta de uma greve de professores tem real capacidade para tomar decisões sobre reforma do ensino, ou sobre aumento de salários dos educadores? Pessoas religiosas têm capacidade de tomar decisões que favorecem a laicidade do Estado? Quem tem real capacidade de tomar decisões de impacto em nosso país?

Democracia é um ótimo conceito na teoria, mas na prática carece de uma série de outras ferramentas. Para a democracia propriamente dita funcionar, seria preciso que todos tivessem: a) mesmo nível educacional, b) igual acesso à informação, c) estar desprovido de interesses particulares. Isso numa perspectiva resumida.

Sabemos que todas estas opções aqui no Brasil são radicalmente desproporcionais. Mas eu ainda incluiria mais um item: Entender que o conceito de democracia é um conceito social, que estabelece a capacidade de cada um decidir os rumos que vão afetar a TODOS. É uma decisão individualcom consequências plurais. Se ficarmos tentando exercer a democracia tomando decisões baseadas apenas no que é bom para si mesmo, não estaremos exercendo democracia, e sim uma espécie de autoritarismo: Eu quero que as coisas sejam do meu jeito, não do jeito que é melhor para todo mundo. E mais uma vez fugimos do ideal democrático. Entendem como, na prática, é muito fácil a democracia ser distorcida e se transformar em outra cosia?

Mas, bem, o Brasil não é um Estado democrático como era o Grego. É uma República Democrática, então de que vale ponderar sobre isso? Bem, mesmo que nossa sociedade seja uma democracia indireta, nós ainda temos a capacidade de decidir quem elegemos para nos representar. Mas, mas importante do que isso, nós temos a capacidade de pesquisar previamente sobre nossos pretensos representantes e verificar se eles são mesmo capazes de tomar as decisões por nós. E também temos, não só a capacidade, mas o direito de COBRAR atitudes por parte deles. Afinal, eles são nossos representantes e suas decisões devem refletir as nossas intenções.

É claro que não é todo mundo que pode fazer isso. Como disse, há uma desproporcionalidade profunda em nossa sociedade, política, econômica, educacional e racional, que não será resolvida da noite para o dia. A solução está em quem tem essa capacidade, hoje, tomar a responsabilidade de decidir por outros que não podem. É justo? Provavelmente não. Mas é menos justo do que deixar a decisão nas mãos de quem não tem condições de fazê-lo? Certamente ainda é melhor do que esperar que a mudança caia do céu ou surja de algum momento de revelação. Por que isso não vai acontecer. Se nós não começarmos a fazer um real esforço para mudar as coisas, nada vai mudar. Não adianta ficar dizendo, tem que fazer acontecer. Com os resultados, outros seguirão o exemplo e, com o tempo, as coisas vão mudar. É um trabalho lento, difícil e na maioria das vezes parece que não vai levar a nada. Mas, ao contrário do que se pensa, toda mudança é gradual.Se a gente não parar de tentar, eventualmente as coisas vão mudar.

É claro que para isso precisamos admitir que democracia só funciona se estivermos dispostos a nos engajar, a tomar a responsabilidade em nossas mãos e, principalemnte, a agir socialmente. Não só viver em sociedade, mas agir como uma, tendo em mente que toda decisão individual que afete outros deva ser encarada como tal, ou seja, como uma decisão socialmente responsável. A linha que separa a democracia de todo o resto é tênue, e é inevitável que a gente acabe caindo para algum lado eventualmente. Mas só há um jeito de evitar que continuemos caindo: Não se isentando da responsabilidade.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Como Funciona o Brasil


“Mesmo que tenham poucos políticos que valem a pena, se você regar esses aí, regar muito mesmo, eles irão crescer, ficar mais importantes; e virão outros. Demora um pouco, mas não tem outro jeito.”


Já fazia um tempo que estava querendo aproveitar o período eleitoral para escrever algo sobre política. Mas encontrei um vídeo que é bem mais interessante do que o texto que eu ia escrever, e bem mais informativo também.

O vídeo dá um panorama geral de como funciona a economia brasileira e de por que você, por mais que trabalhe, vai sempre perder mais dinheiro do que ganhar. Além disso, os criadores do vídeo criaram um site chamado Ranking Políticos, que pontua (ou tira pontos dos) políticos baseados em critérios como uso do dinheiro público, propostas de lei, processos e ausências na câmara, entre outros. Confira o vídeo e depois dê uma passada no site, vale a conferida.*




*É óbvio que sempre recomendo que você nunca use APENAS UMA fonte de informação. Não dê por certo nada que não possa ser verificado através de fontes diferentes e desvinculadas umas das outras. Tome cuidado, hoje em dia a informação está em todo o lugar, mas boa parte dela é falsa ou tendenciosa.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ideologia, eu quero uma pra viver


Momento Uarévaa
Por Rafael Rodrigues


Encontrei a foto acima aqui

Faltam apenas dois dias para as eleições de 2010. Nesta etapa, creio que a grande maioria das mentes brasileiras já estão decididas sobre os rumos que tomarão no domingo, dia 03 de Outubro. Eu vejo muitos sites escreverem sobre os cuidados com os candidatos, no que tange a analisar suas propostas, verificar sua transparência, credibilidade e relevância social. É sempre louvável lembrar que precisamos conhecer nossos candidatos, mas eu me impressiono com o número de pessoas que não se pergunta a respeito do que eu consideraria essencial para definir em quem vou votar: A Ideologia.


Embora nossa complexa legislação e a falta de fidelidade dos nossos representantes tornem confusa a sistemática política, o fato é que as coisas são (ou deveriam ser) simples: Um partido é organizado em torno de ideologia (s) específica (s), defende os interesses desta ideologia e afilia eleitores e candidatos que sejam simpatizantes desta ideologia. Candidatos são nomeados para concorrer a cargos e, quando eleitos, deverão seguir com o objetivo de defender os interesses do partido (a ideologia) que é, consequentemente, os interesses dos eleitores simpatizantes desta.

Claro que na prática, as coisas não são bem assim. Mas eu fico impressionado com o número de pessoas que não entende a grande maioria das siglas dos partidos, o que elas representam e, por conseguinte, sequer percebem que muitas delas se opõem à sua própria ideologia. Seu candidato/partido defende a sustentabilidade, mas enche as ruas com santinhos e anúncios que representam quilos de papel (e consequentemente árvores cortadas e destruídas)? Seu candidado de um partido democrata defende uma postura conservadora que se asemelha a um regime didatorial? Quando tais contradições surgem, alguma coisa está (muito) errada.

Sejamos francos: Em um mundo mais justo, as pessoas votariam nos candidatos visando os interesses da comunidade como um todo. Isso caracterizaria, em essência, a verdadeira democracia. Mas sabemos que isto está longe da verdade e a maioria das pessoas (se não a quase totalidade) elege seus representantes com base nos seus interesses pessoais. Em qualquer um dos casos, acho sempre importante lembrar que numa democracia não existe isto de candidato certo ou errado, candidato bom ou ruim; existem sim, candidatos que compartilham com você a mesma ideologia, ou os mesmos aspectos ideológicos, pelo menos. Neste caso, a forma mais “correta” (e por correta entendam “eficiente”) de exercer a democracia seria votar em candidatos ou partidos que representem suas próprias visões de mundo e/ou ideologias. Mas o que são essas ideologias? Você sabe o que é social-democracia? Movimento trabalhista? Comunismo? Um candidato liberal?

Sei que talvez seja um pouco tarde para isso, mas caso este texto não ajude nesta eleição, quem sabe ajude na próxima. Então, a quem interessar possa, aí vai um resumo (bem) básico de algumas das principais ideologias atreladas aos partidos políticos brasileiros:

Comunismo
Embora sempre “vendido” como um termo negativo (justamente por ser uma oposição ao capitalismo), o comunismo busca um objetivo nobre: a total eliminação da estratificação social e das instituições (governos, bancos, etc), todo o cidadão é livre e, diferente da república (regime em que vivemos) onde a povo elege representantes para tomar as decisões por eles, na sociedade comunista as decisões são tomadas por todos os cidadãos de forma direta.
Partidos brasileiros em atividade:
PCB (partido comunista Brasileiro);
PCdoB (Partido Comunista do Brasil);
PCO (Partido da Causa Operária).


Liberalismo
Como o próprio nome sugere, esta corrente tem por ideologia defender a liberdade individual de pensamento, religiosa, propriedade privada e livre mercado, etc. Em outras palavras, busca permitir que as pessoas possam dizer, pensar, pregar e negociar o que quiserem sem influência, interferência ou imposição do Estado (governo); cada um é dono do seu próprio nariz.

Partidos brasileiros em atividade:
PSL (Partido Socialista Liberal).


Centrismo
De pensamento mais moderado, defende que é possível justiça social dentro do capitalismo (ou vice-versa) e não costuma se fixar em nenhum ideologia propriamente dita, podendo apoiar outras ideologias desde que os conceitos não sejam incompatíveis com os ideais centristas.

Partidos brasileiros em atividade:
PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro).


Humanismo
Ideologia que coloca o ser humano como prioridade acima de todas as coisas, visando a dignidade e aspirações humanas. No humanismo, não só o bem-estar, mas as capacidades humanas (principalmente sua racionalidade) são aquilo que move a sociedade.

Partidos brasileiros em atividade:
PHS (Partido Humanista da Solidariedade).


Progressismo
É uma ideologia que defende mudanças radicais na sociedade, visando o progresso da humanidade rumo a um futuro de desenvolvimento; busca sempre a flexibilização das ações na intenção de levar ao aperfeiçoamento, evolução e superação humana, opondo-se ao conservadorismo (que tem aspectos opostos ao Progressismo, como o anacronismo, rígidez, autoritarismo e repressão).
Partidos brasileiros em atividade:
PRP (Partido Republicano Progressista);
PP (Partido Progressista).


Republicano
Em essência, o republicano busca manter o sistema de governo conhecido como República, onde o governante do país (presidente) é escolhido pelo povo através de voto direto e secreto, periodicamente (imagino que você saiba que este é o regime de governo vigente no Brasil).

Partidos brasileiros em atividade:
PRP (Partido Republicano Progressista);
PRB (Partido Republicano Brasileiro);
PR (Partido da República).


Socialismo
Outra ideologia que atualmente é lembrada como sinônimo de autoritarismo e desrespeito dos direitos humanos, mas cujos ideais são o contrário disso. O Socialismo defende a melhor distribuição dos recursos para a população, de forma a dar oportunidades iguais a todos os cidadãos. Além disso, seus ideais variam entre a tecnocracia (regime onde quem governa o Estado são técnicos, e não políticos) e a meritocracia (onde a hierarquia é definida por mérito, geralmente ligado à sua capacidade intelectual/técnica).
Partidos brasileiros em atividade:
PSB (Partido Socialista Brasileiro);
PPS (Partido Popular Socialista);
PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados);
PT (Partido dos Trabalhadores);
PSOL (Partido Socialismo e Liberdade).


Social-Democracia
Embora derivado do Socialismo, esta ideologia acredita na transição do Capitalismo para o Socialismo sem a necessidade de revolução, partindo apenas do princípio que o ser humano evoluirá, eventualmente e de forma natural para este regime. A principal diferença entre a social-democracia e outras formas de socialismo (sim, existem várias) é acreditar na superioridade e relevância da ação política para estes fins.
Partidos brasileiros em atividade:
PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira);
PSDC (Partido Social Democrata Cristão).


Trabalhismo
Como você pode imaginar pelo nome, esta ideologia defende basicamente os interesses dos trabalhadores, visando principalmente melhores condições, qualidade de vida e igualdade. Não deixa de ser uma corrente do Socialismo, embora não defenda uma transformação da sociedade, limitando-se apenas a buscar mudanças moderadas no que tange a condições justas de trabalho e sustento.
Partidos brasileiros em atividade:
PTB (Partido Trabalhista Brasileiro);
PDT (Partido Democrático Trabalhista);
PTC (Partido Trabalhista Cristão);
PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil);
PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro);
PTN (Partido Trabalhista Nacional).


Novos movimentos:
É claro que a sociedade segue adiante (é preciso muita boa vontade para dizer que a sociedade "evolui"), fica mais complexa e novos movimentos surgem. No Brasil, podemos destacar ainda estes dois movimentos:


Ambientalismo
Ideologia que vem ganhando força numa época em que as preocupações com o meio ambiente são a moda da vez. Suas principais aspirações são defender o desenvolvimento sustentável e a democracia direta.
Partidos brasileiros em atividade:
PV (Partido Verde).


Democracia Cristã
Como o próprio nome indica, esta ideologia visa defender uma democracia baseada no princípios cristãos, como por exemplo liberdade, solidariedade e justiça.
Partidos brasileiros em atividade:
PSC (Partido Social Cristão);
PSDC (Partido Social Democrata Cristão).


Quem tem conhecimentos mais abrangentes sobre alguns partidos provavelmente irão notar o que parecem ser divergências entre os movimentos citados e as tendências atuais do partido, mas as ideologias políticas ao longo dos anos vão sendo moldadas baseadas em uma série de outros fatores, alguns sociais, outros infelizmente políticos e financeiros. Além disso, atualmente a maioria dos partidos defende diversas ideologias, que geralmente se completam (mas algumas vezes se contradizem). Por essa razão (e para não tornar o texto muito extenso), me limitei a correlacionar os partidos pelas suas ideologiais essenciais, que podem ter sofrido algumas modificações através dos anos.

Para exercer sua condição de cidadão e contribuir com a sociedade, não basta apenas votar. É preciso analisar de forma criteriosa em quem você está votando. Os ideais do candidato devem ser uma extensão dos ideais do partido, ou não haveria sentido este político estar nele. Verifiquem se o partido faz declarações que vão contra suas ideologias, cobrem dos seus candidatos posições transparentes sobre estas ideologias. Em um país onde fazer coligações com partidos muitas vezes completamente díspares é tão simples quanto mudar de roupa, e onde corrupção e coronelismo são vistos como lugar-comum, a maior prova de integridade de um candidato e de um partido é manter sua ideologia, independente de qualquer fator político.


Dia 03 de Outubro, vote. Vote em quem você quiser (E, se você não estiver satisfeito com nenhum dos candidatos, não se sinta obrigado a votar em ninguém), mas VOTE. E quando eu digo “votar” aqui não quero dizer simplesmente chegar na sua seção, assinar seu nome, digitar os números correspondentes aos candidatos e apertar o botão confirma; VOTAR, significa votar naquilo que você acredita ser o certo. Não é votar por votar, não é votar no “menos pior”, não é votar em um para o outro não ganhar. O candidato que você escolher tem que MERECER seu voto. Se você acha que nenhum deles merece, simples; não vote em nenhum. Mas tome essa decisão com CONSCIÊNCIA, e não com NEGLIGÊNCIA. Não pense em decisão “certa” ou “errada”. Se você descobrir mais tarde que o seu candidato ou partido não correspondeu às suas expectativas, faça eles saberem disso, cobre dele! Lembre-se, votar nele não foi errado; eles é que devem fazer valer o SEU VOTO. Não é errado escolher o candidato errado. “Errado” é escolher sem acreditar naquilo que está escolhendo.

Mostre que você é melhor que a maioria dos políticos; exerça sua democracia e não traia a sua ideologia.
P.S.: Não se esqueça que existem 9 (NOVE!) candidatos a presidente, não faça a escolha dos outros; faça a sua. E não dê ouvidos aos comentários do tipo "pra que votar nele se ele não vai ganhar?" Se ninguém votar, aí que não vai ganhar mesmo.

P.S.2: Não se esqueçam que os outros candidatos também são importantes. Os Deputados representam os interesses dos partidos (e de suas ideologias, consequentemente os interesses dos eleitores simpatizantes), e os Senadores têm grande poder no congresso, podendo até julgar os atos do presidente. Lembre-se disso na hora de escolher seus candidatos para estes cargos também. Aqui você encontra TODOS os candidatos de 2010 para todos os cargos, é só escolher o estado.

Rafael Rodrigues vai votar. Por obrigação, mas com consciência.