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terça-feira, 5 de março de 2013

Amanhã em Curitiba tem Cena HQ com Independência ou Mortos


Salve galera. Pra quem vai estar em Curitiba amanhã, vai rolar um evento muito bacana chamado Cena HQ, do nosso camarada José Aguiar.



Pra quem não conhece, o Cena HQ rola da seguinte forma. Atores fazem a leitura de uma obra de quadrinhos. O tema dessa edição é Independência ou Mortos, do Abu Fobia e do Harald Strickler. Após a leitura rola um debate entre o encenador e os autores da obra. Vale muito a pena participar. O ingresso é um livro não didático ou um gibi em bom estado.

Nas palavras dos realizadores:

Depois de uma temporada de sucesso em 2012, o projeto Cena HQ retorna ao Teatro da Caixa. A primeira leitura deste ano será a partir da obra Independência Ou Mortos, de Harald Stricker e Abu Fobiya, sob a direção de Paulo Rosa, que no ano passado já conduziu a leitura de Copacabana.

O projeto foi concebido no final de 2009, quando a Cia Vigor Mortis, sob a direção de Paulo Biscaia Filho, foi convidada a apresentar no Espaço Cênico uma leitura dramática com obra literária de um autor curitibano. A primeira ideia que lhe veio a mente foi buscar um autor que dialogasse com a linguagem da Vigor Mortis. O diretor resolveu então encenar uma leitura de Folheteen do quadrinhista José Aguiar, com quem depois escreveu Vigor Mortis Comics. O formato de ler em cena uma obra em quadrinhos foi tão interessante que Biscaia e Aguiar resolveram ampliar isso para um projeto de diversas leituras. No ano passado, o projeto tomou corpo e apresentou mensalmente nove leituras entre março e novembro.

Com curadoria de autores de José Aguiar e curadoria de encenadores de Paulo Biscaia Filho, o programa faz com que esses inusitados encontros entre quadrinhos e cena deflagrem discussões sobre a produção de quadrinhos no Brasil. Cada leitura é seguida de um debate entre o encenador e o autor da obra. Para este ano, o projeto - que no ano passado se chamava - Cena HQ Brasil - passou a se chamar apenas Cena HQ, uma vez que autores estrangeiros estão previstos para fazerem parte da programação. Para iniciar os trabalhos, o Cena HQ traz a leitura de Independência ou Mortos.



Só um toque pra quem for.

NÃO SE ATRASE!!!!!

Como o espaço é um teatro, as portas fecham as 20:00 EM PONTO. Nos últimos eventos que rolaram em 2012 teve gente q vacilou e ficou de fora.

Serviço: 
CENA HQ APRESENTA 
INDEPENDÊNCIA OU MORTOS 
De HARALD STRICKER E ABU FOBIYA 
Leitura Cênica com direção de PAULO ROSA 
Onde: CAIXA CULTURAL, Rua Conselheiro Laurindo 280. Informações: (41) 2118-5111. 
QUANDO: 6 DE MARÇO, 20:00. 
Ingresso: um livro de quadrinhos ou um livro não didático. 
Cena HQ Brasil. 
Realização da Vigor Mortis e Quadrinhofilia. 
Patrocínio: CAIXA

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Podcast Uarévaa #120 - Eventos de Quadrinhos


"Esse pessoal se diverte trabalhando!"

Freud e Rafael Rodrigues recebem os convidados Afonso Andrade, Cris Peter e José Aguiar para um papo bastante informativo sobre as Convenções Brasileiras de Quadrinhos.

Na leitura de comentários do pod #119 temos Freud, Zenon, Modesti, a ilustre presença do superstar desbocado Daniel HDR e SPOILERS sobre o próximo episódio do Uarévaa.





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Confira AQUI a cobertura que 
o Vini fez do FIQ 2011.


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nossos convidados!

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Não perca os trocentos projetos do José Aguiar 
visitando seu site oficial, seu blog, o blog 
do Cena HQ Brasil e o site da Gibicon.


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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Vigor Mortis Comics

"Será que eu parei de ser vampira?
Bom,só há um jeito de saber.
Lá fora tem um monte de filhos de uma puta criminosos cheios de sangue nas veias...Esperando por mim"

Fazer terror nos quadrinhos é bem mais difícil do que pode se pensar num primeiro momento. Imagine que, comparado com outras mídias como cinema/TV ou literatura, os quadrinhos possuem diversas limitações e armadilhas que contribuem para que uma história de terror facilmente deixe de funcionar. Cinema/TV tem as vantagens da “realidade” (usar pessoas reais), o movimento, o som (que, segundo pesquisas, é responsável por 50% ou mais da emoção transmitida em um filme), enquanto que a literatura tem a vantagem da abstração e da subjetividade a partir do uso das palavras. Quadrinhos caminham num meio termo a isso, onde a imagem pode matar a subjetividade, ao mesmo tempo que dificilmente supera a “realidade” da imagem real, não possui som e nem movimento. Além do fato de que qualquer leitor pode transgredir as regras e olhar o final da história, destruindo uma narrativa que se focasse, por exemplo, em uma surpresa final.

São muitos os obstáculos para se fazer uma história de terror que funcione em HQ, e poucos o que conseguiram concretizar isso ao longo das décadas. Felizmente, Vigor Mortis Comics é um destes exemplos. Mas também não é para menos, pois a HQ é mais do que uma (ou várias, no caso) história em quadrinhos: é o resultado de uma mistura de influências e de gêneros, que cruza mídias e mostra que o Brasil inova em diversos aspectos culturais, mas infelizmente pouco o público em geral sabe disso.

Para você entender o que eu quis dizer, é importante contextualizar as coisas: Vigor Mortis é um álbum que compila diversas histórias baseadas em personagens e situações de universos criados no teatro, pela companhia de mesmo nome, criada por Paulo Biscaia Filho, mestre em artes pela Royal Holloway University of London. Mas não pense que o título pomposo colocou Biscaia a fazer obras abstratas e intelectualóides que ninguém entende. Pelo contrário, suas influências são as mais variadas e vão desde o Théâtre Du Grand Guignol ao cinema do Quentin Tarantino, passando por diversos gêneros literários e, é claro, quadrinhos. Inclusive, os quadrinhos são uma das maiores influências para as peças produzidas pela companhia teatral.

Mas, como nunca acompanhei as peças, vamos falar da HQ propriamente dita. Em Vigor Mortis Comics, junta-se à Paulo Biscaia filho os quadrinistas José Aguiar (de Ato 5, Quadrinhofilia, Folheteen e Nada com Coisa Alguma - que tem o expressionismo alemão como uma de suas influências, o que é mais do que adequado para este tipo de projeto) e o desenhista DW, que já publicou na antologia Café Espacial e tem um projeto para sair em parceria com Rafael Coutinho, dois ótimos artistas que entendem muito bem do riscado.

Existem 3 grandes méritos em Vigor Mortis Comics: O primeiro deles é explorar de forma intensa a inter-relação entre entre gêneros e as influências principais das histórias originais. Algumas são descaradas (como Tarantino, Dario Argento, filmes trash, histórias noir, os quadrinhos de terror/erótico estilo Krypta e os quadrinhos da Marvel). A segunda é que as histórias que aparecem no álbum se passam dentro do “universo” das peças, mas são histórias inéditas e que podem ser lidas tranquilamente sem que tenha assistido a qualquer uma das obras originais. A terceira é inclusive um dos motivos pelos quais acredito que Vigor Mortis Comics consegue funcionar como um álbum de terror, que é justamente se focar menos no terror como gênero e mais em explorar quais situações que, visualmente, levam o leitor ao limite, incutindo emoções das mais diversas, desde medo e repulsa até raiva e risos. Há muito que o terror “de verdade” deixou de ter como objetivo apenas “dar medinho” (se é que alguma vez o gênero teve essa intenção) e se mostra como uma forma de arte capaz de despertar emoções primitivas e constrangedoras, usando a perturbação como instrumento para que se adentre na história (é claro que Hollywood parece ter se esquecido disso, mas isso é assunto para outro post). Visto por este aspecto, Vigor Mortis Comics é um excelente álbum de terror, que não deve nada em comparação com outras obras em quadrinhos internacionais do gênero.

Curiosidades:
- Le Théâtre du Grand-Guignol era um teatro na região do Pigalle em Paris (situado na rue Chaptal, número 20 bis), o qual, desde sua inauguração em 1897 até o seu fechamento em 1962, especializava-se em shows de horror naturalista. O termo é geralmente utilizado em termos gerais para descrever um tipo bem descrito e amoral de entretenimento de horror. As peças prezavam por um estilo teatral que escandalizou Paris no fim do século XIX/Começo do Século XX por sua postura de explorar as emoções do público através do exagero e situações obscenas;
- Os personagens de Vigor Mortis Comics são retirados de diversas peças produzidas pela companhia Vigor Mortis, como Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos, Graphic, Garotas Vampiras Bebem Vinho e Snuff Games;
- Morgue Story, uma das peças que serve como base para as histórias de Vigor Mortis Comics já teve adaptação cinematográfica em um filme independente de mesmo nome.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Podcast Uarévaa #106 - Super Heróis Nacionais


"... e o Roberto Marinho copiou ele!"

Freud, Rafael Rodrigues e Luiz Modesti recebem o ilustríssimo quadrinista, editor, arte-educador, etc, etc, etc e gente fina à beça José Aguiar, para falar dos heróis nacionais dos quadrinhos, do seu surgimento até o início dos anos 80, e também dos trabalhos do José Aguiar, da origem do Gralha e da Gibicon 2012.






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Pois é, ainda não foi dessa vez que resolvemos...

Mas ao menos colocamos no ar novamente
TODOS os podcasts anteriores!


Promoção Liga da Justiça Uarévaa


Para saber como participar clique AQUI.


Comentado no Podcast


- Conheça os vários trabalhos do José Aguiar no seu site: http://joseaguiar.com.br/.

- Post do Rafael sobre o Garra Cinzenta: AQUI.

- Saiba um pouco mais sobre vários dos heróis que citamos navegando pelo blog HQ Quadrinhos.

- Conheça as hqs antigas disponíveis nos blogs Projeto Grafipar e Quadrikomics

- Ouça também os Podcasts #7 (sobre o Necronauta) e #8 (sobre o HQs Nacionais), ambos com participação do Danilo Beyruth, e o Podcast #17, sobre o Mercado Brasileiro de Quadrinhos, com participação do Cadu Simões.

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terça-feira, 14 de agosto de 2012

José Aguiar é Nada Com Coisa Alguma


Uma tira qualquer, sobre qualquer coisa.

José Aguiar nasceu em Curitiba em 1975, é arte-educador formado pela FAP, roteirista, ilustrador e editor, premiado com o troféu HQ Mix. Entre suas obras destacam-se Folheteen, Vigor Mortis Comics e Quadrinhofilia, além de dois volumes de Ernie Adams e da coletânea Un Jour de Mai, publicados na França.

Suas tiras da série Nada Com Coisa Alguma são publicadas semanalmente em seu blog. Confira algumas tiras bem interessantes.


Humanitária

Famintos

Feio

Furto
Aplicação

Ordem

Mudança

Mais informações sobre o autor acesse o seu site pessoal.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Amanhã é dia de encenar a HQ Cachalote em Curitiba


É bom saber que os quadrinhos vivem um bom momento no Brasil. Prova disso é o projeto Caixa HQ Brasil, que traz leituras mensais ao Teatro da Caixa de 9 Graphic novels dos mais instigantes autores nacionais, e que tem mais uma edição nesta quarta-feira.

A idéia do Cena HQ Brasil é promover discussões sobre a produção nacional de quadrinhos. Cada leitura é seguida de um debate entre o encenador e o autor da obra. Em março o projeto teve sua abertura com Vigor Mortis Comics, dirigida por Dimis Sores, da Cia Bife Seco; em abril contou com a premiada Achados e Perdidos, dos mineiros Luis Felipe Garrocho e Eduardo Damasceno, com direção de Nina Rosa; maio trouxe Yuri - Quarta Feira de Cinzas, de Daniel Og, que recebeu leitura com a encenação de Paulo Biscaia Filho. Mês passado contou com a presença de Lourenço Mutarelli apresentando seu detetive Diomedes.


A leitura deste mês será a Hq Cachalote, uma das mais celebradas dos últimos anos, de autoria de Rafael Coutinho (que, para quem não sabe, é filho do grande Laerte) e Daniel Galera.

A HQ conta seis histórias independentes, mas aparentemente unidas pelo misterioso navegar de um cachalote, a maior das baleias com dentes. De um lado, um decadente ator chinês suspeito de participar da morte do astro do filme, enquanto um garoto mimado é enviado a Paris para se tornar responsável; de outro, um escultor famoso e controverso, que aceita participar de um filme baseado em sua vida por pura vaidade, enquanto um jovem vendedor de ferragens, adepto da dominação sexual com cordas, se apaixona por uma garota que gosta da mesma perversão; e, por fim, um escritor deprimido que se encontra com a ex-mulher a fim de manter esse vínculo afetivo, enquanto uma velha mulher, grávida e solitária,vaga por sua mansão onde tem encontros oníricos com uma baleia na piscina.



O projeto Caixa Cena Hq Brasil tem patrocínio da Caixa com curadoria de autores pelo quadrinista José Aguiar (Ato 5, Quadrinhofilia, Vigor Mortis) e curadoria de encenadores pelo dramaturgo Paulo Biscaia Filho.

Quem é de Curitiba, estiver de passagem ou for de cidades próximas e puder aparecer, acho que é uma boa dica. Quem não leu a HQ ainda terá a oportunidade de conferir de perto a obra; quem já leu vai poder acompanhar uma outra pegada com a encenação.



Cena Hq Brasil Apresenta Cachalote
De Rafael Coutinho e Daniel Galera
Leitura Cênica com direção de Luciana Barone
Elenco: Luiz Bertazzo, Paulo Viniciuse Airen Wormhoudt
Participação do músico Felipe Ayres

Dia 11 de Julho (amanhã)
Na Caixa Cultural (Rua Conselheiro Laurindo, 280)
Informações: (41) 2118-5111
Ingresso: um livro de quadrinhos ou um livro não didático

Mais informações no Blog do projeto.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Quadrinhofilia



Dia desses estava eu sem muito que fazer numa loja especializada em quadrinhos daqui de João Pessoa, quando me deparei com uma HQ nacional que já tinha ouvido falar, mas nunca tinha parado para ir atrás e ler, e me arrependo de ter demorado tanto para lê-la. Estou falando de Quadrinhofilia, de José Aguiar.


Antes de falar da obra, falo do autor. José Aguiar é um dos criadores do super-herói brasileiro O Gralha, autor do álbum Folheteen. A revista é uma coletânea de histórias do Aguiar que foram publicadas na internet, periódicos, fanzines e afins nos últimos dez anos, e copiladas de forma não-cronológica, buscando as hq´s mais relevantes e favoritas segundo o autor.

O nome veio de um neologismo, no site Aguiar aponta que O sufixo "filia" tirou da palavra necrofilia: aquela que define o ato de molestar cadáveres. “Mas antes que faça mau juízo de mim, que fique claro que minha intenção na coluna era revirar minha coleção de quadrinhos mortos e enterrados em busca de elucubrações interessantes. O mesmo nome emprestei a uma exposição onde fiz um balanço de minha carreira, realizada em 2006 em Curitiba. Para minha surpresa ela foi indicada ao Troféu HQMIX de melhor exposição daquele ano. Não levei o prêmio, mas daí me veio a convicção de que este era mesmo o nome do meu livro, feito em boa parte daquelas histórias que só eu via amarelar”.



São 14 histórias: Baile de salão (José Aguiar - texto e arte); Poréns da vida herdada dos outros (José Aguiar -texto e arte); Genealogia do mal ou "Eu fui um bebê diabo no ABC Paulista!" – (Abs Moraes - texto, José Aguiar - desenhos e cores, e Jairo Rodrigues - arte-final); Pirata! (José Aguiar - texto e arte); Entropia (Gian Danton – texto, e José Aguiar - arte); No fim, tudo é bem simples... ( José Aguiar - texto e arte); Quadrinhos em outras bandas (desenhadas)! (José Aguiar - texto e arte); Noite... ( José Aguiar - texto e arte); O gabinete do Dr. Caligari (Gian Danton – texto, e José Aguiar - arte); Absoluto (José Aguiar - texto e arte); O triste fim de João e Maria (Sabrina Lopes - história original, e José Aguiar - adaptação e arte); Catarrinho do amor (José Aguiar - texto e arte); Invasão (Gian Danton - desenhos, José Aguiar - diálogos e arte); O último milênio meu (José Aguiar - texto e arte).

Como toda coletânea tem coisas boas e coisas não tão interessantes assim. Para mim, se destacam Genealogia do mal, com todo um ar de história típica do Zé do Caixão; No fim, tudo é bem simples; Quadrinhos em outras bandas (desenhadas) e Invasão. Idéias bem sacadas e bem realizadas. Aliás, o projeto gráfico do designer Liber Paz, baseado em desenhos emoldurados sobre papel de parede, casou bem com a proposta.

Quadrinhofilia é uma revista que valoriza as histórias curtas, fechadas, e sua força. Um formato que curto muito, levando para pequenos mundos que não precisam de longos backgrounds para se entender, que acertam o leitor de formas diferentes e se tornam boas formas de introduzir novos leitores no mundo dos quadrinhos ou simplesmente ser algo de diversão descompromissada. Confira um preview de algumas das histórias que integram o livro.

Quadrinhofilia
Editora: HQM
Preço: R$ 29,90
Número de páginas: 96

quarta-feira, 31 de março de 2010

Uaréview - Ato 5


1964 foi um dos piores momentos da história recente do país. Foi nesse ano que ocorreu um Golpe de Estado realizado pelos próprios militares e que mergulhou o Brasil em uma ditadura.



A partir daí, lentamente os militares baixaram uma série de decretos, chamados “Atos institucionais”, que visavam remover toda a liberdade de escolha do povo brasileiro. Mas o pior momento da história recente do Brasil foi, sem dúvida o Ato Institucional nº 5 (popularmente conhecido como AI-5), que escancarou a verdadeira face dos militares e impôs uma censura rígida à tudo o que era dito, escrito, filmado, desenhado ou encenado.

Os artistas e a imprensa foram os que mais sofreram com esse período. Sendo “porta-vozes” do povo e tendo como objetivo levar a verdade à população, foram privados de fazer isso, sob pena de violência física, tortura, prisão e principalmente, morte. O Ato 5 calou os artistas brasileiros por muito tempo.

No teatro, a estrutura de uma peça é dividida em 3 Atos. Podemos dizer que são o início, meio e fim, apesar dessa qualificação não ser exatamente correta. Independente do conceito, numa peça de 3 atos, Ato 1 é o começo, o Ato 3, o fim.

André Diniz (texto) e José Aguiar (Arte) trazem uma história curta mas significativa que mostra, de forma direta e sem ser didática, como os artistas sobreviveram aos 3 atos da peça da vida real que foi a ditadura militar, e como seguiram adiante com suas vidas para encenar novos atos.

A HQ segue um grupo teatral que sempre contou com peças de sucesso. Até que a ditadura militar entrou em cena, a censura passou a ser a lei e os artistas, jornalistas e formadores de opinião passaram a ser os vilões da história. Neste cenário, o grupo lida como pode com a situação, tentando sobreviver à ditadura e pagar as contas vivendo de sua arte – desde que as peças pudessem passar pelo crivo da censura. A história abrange 3 personagens: Juan, um dos fundadores do grupo de teatro, Gabriel, o diretor e Lorena, a estrela, focando as relações entre estes personagens. Em meio a isso, os três vão sobrevivendo aos espancamentos, ameaças e pressões dos militares. Uma HQ simples, mas que cumpre sua função de mostrar uma história cativante e que ecoa em nosso passado, mesmo que não o tenhamos vivido.

Claro, a HQ não é perfeita: É uma história curta, de apenas 30 páginas, o que faz com que muitos detalhes do pano de fundo, principalmente sobre a ditadura, se percam. Para a garotada de hoje, talvez a história não tenha a mesma ressonância emocional que para leitores mais maduros. Mesmo assim, o que precisa ser dito está lá e passa muito bem o recado.

Mas o tamanho da história e o texto sucinto não diminuem a obra, em absoluto; aliás, é bastante compreensível. Num país como o Brasil, onde não existe um verdadeiro mercado de quadrinhos, cada lançamento é uma aposta: com um texto mais simples e direto, a história não afasta o público comum e as poucas páginas ajudam a deixar o preço da revista mais acessível para o leitor ocasional. É um pequeno preço a se pagar (trocadilho não intencional) para se poder publicar HQs no Brasil.

É uma HQ muito bonita, com uma história simples, mas eficaz. Pode não ser a melhor história em quadrinhos já feita, mas creio que nem era preciso tanto. Nem era essa a pretensão, provavelmente. É simplesmente uma boa história. Daquelas que a gente lê até o fim, e quando termina, quer contar para alguém que leu. Não é uma história que vai mudar ou mundo ou a vida de alguém, mas é uma história honesta, sincera. E que vale a pena ser lida


Nota: 8,5


P.S.: Para quem tiver interesse em adquirir a HQ, passem na Itiban Comic Shop, onde vocês podem comprar Ato 5, não importa que canto do país vocês estejam, pois eles mandam pelo correio (inclusive, foi como recebi o meu – autografado pelo artista). A revista custa 5 Cruzeiros, ops, quero dizer, 5 Reais.