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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Fúria Verde - O Incrível Hulk



O Hulk foi criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1962 para a editora Marvel comics, veio na fila de personagens com sentimentos mais humanizados, mais pé no chão e nem um pouco perfeitos. Diferente dos outros super-heróis, ele é um monstro incontrolável, nem um pouco heróico, que não procura salvar a terra ou mesmo defender os fracos e oprimidos.


“Enquanto isso, na banda desenhada...” É uma seção que traça um paralelo entre o universo real e o mundo dos quadrinhos, analisando como as duas realidades afetam uma à outra, trazendo informação e estimulando a reflexão acerca dessa 8ª arte.

Cinza à Cinzas

Enquanto o Hulk é uma criatura de pura fúria destrutiva irrefreável, Bruce é uma pessoa inteligente e sensível. Nitidamente inspirado no livro The strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (O médico e o monstro), do escritor escocês Robert Louis Stevenson, O pobre doutor Jekyll passa a aflorar o terrível Mr. Hyde após ingerir uma fórmula em seu laboratório. O livro retrata a natureza dual da personalidade humana, onde ninguém é inteiramente bom, nem completamente mau. Todos carregamos os dois pólos, o positivo e o negativo. Mas, às vezes, um dos lados se sobrepõe.

Podemos também traçar um paralelo do personagem com Frankenstein, o mítico personagem de Mary Shelley, visto como a encarnação do medo do homem que desafia a Natureza com experiências temerárias. O século XIX, tendo necessidade de reagir ao século das luzes, imaginou histórias fantásticas como essa da criatura que foge ao criador, causando mil e uma confusões.

Como Frankstein e Mr. Hyde, o Hulk está intimamente ligado ao contexto de sua época, desta vez à guerra fria, no medo da ameaça nuclear. O Homem Aranha é picado por uma aranha radioativa, o Quarteto Fantástico é banhado pela radiação cósmica, como não podia ser diferente, numa experiência secreta de uma bomba por ele criada, o físico nuclear Robert Bruce Banner foi submetido a forte radiação gama que o tornou capaz de se transformar em um aterrorizante monstro verde.

Para entender Bruce Banner, temos de conhecer seu pai

Brian Banner era abusado física e psicológicamente pelo pai. Cresceu com um trauma psicológico muito forte, acreditando que tinha herdado um gene de "monstro", decidiu então não ter filhos temendo fazer a mesmo que seu pai. Casou-se com a bela Rebecca ainda na faculdade de física, onde foi o aluno mais novo a conseguir seu Ph.D. em física.

Devido a sua inteligência acima da média, foi chamado para trabalhar em um projeto do governo que buscava uma fonte limpa de radiação nuclear. A pressão do trabalho o jogou nos braços acolhedores do álcool, tornando-o cada vez mais violento e descuidado. Um belo dia, devido ao seu estado de embriagues, Brian causa uma sobrecarga no equipamento e destrói anos de pesquisa. Expulso do projeto após passar por uma corte marcial, sua vida é só ladeira abaixo. Mas o pior ainda estava por vir. Sua esposa anuncia que esta grávida.

Temendo que o acidente radioativo que sofrera tivesse deixado alguma seqüela, aliado ao seu frágil estado mental, passou a hostilizar o próprio filho achando que o mesmo era um monstro. Cansada de apanhar do marido e de ver o sofrimento do filho, Rebecca tenta fugir, mas é impedida por Brian, que após uma violenta discussão, a mata. É neste momento, ao ver sua mãe ser assassinada por seu pai, o pequeno Bruce fecha todas suas emoções e a mente dele começa a se bifurcar.

Quinze anos mais tarde, Brian é solto da instituição psiquiátrica que foi condenado pela morte da esposa, e diante do túmulo de Rebecca, novamente hostiliza seu filho. Enfurecido e temendo pela própria vida, Bruce reage e acidentalmente o pai bate a cabeça na lápide da falecida esposa e morre. A polícia atribuiu a morte a um acidente, pois a chuva havia apagado as evidências. Bruce reprimiu em seu subconsciente todo o ocorrido.

Anos se passaram, a genialidade do Doutor Robert Bruce Banner fez com que o projeto da Bomba Gama fosse aprovado. Na base de testes do novo México, conhece Betty Ross o amor de sua vida. O pai da moça, o General Ross tinha desprezo pelo Físico Nuclear que era quieto, com um fraco porte físico e um emocional abalado, sendo muito tímido e reprimido. Essa antipatia se intensificou quando percebeu os sentimentos da filha.


Durante o primeiro teste da Bomba Gama, Bruce notou que um civil violou a segurança da base e entrou na área em que ocorreria a detonação da bomba. O Doutor pede ao seu colega Igor Starsky que atrase a detonação e corre para retirar o inconseqüente rapaz, porém, sem que ninguém soubesse, esse seu colega era secretamente um agente russo e como tal, nada fez para atrasar o teste, já que não desejava o sucesso do projeto.

Notando que os testes não foram interrompidos, ele só tem tempo de jogar o jovem Rick Jones em uma vala antes de ser atingido pela detonação. Mesmo absorvendo toda a radiação, Bruce por alguma razão desconhecida não morre, mas passa a se transformar no terrível monstro Hulk, uma faceta de sua própria personalidade reprimida durante sua vida é exteriorizada pela radiação, agora na forma de uma criatura super forte e livre de freios morais. Um monstro de fúria incontrolável.

Curiosidades.

- No seriado de TV, os produtores acharam que Bruce era um nome muito afeminado e mudaram para David. Que na minha humilde e correta opinião chega a ser pior... Deviam ter colocado Alex, esse sim nome de macho!

- Stan Lee inicialmente queria que o Hulk fosse cinza, mas devido à incapacidade das gráficas da época, teve de se contentar com o verde. Perdeu Tiuzão!

A seguir: Hulk, Vida e obra.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Moderno Prometeu

“Você busca por conhecimento e sabedoria, como um dia eu fiz; e eu ardentemente espero que a gratificação de seus desejos não sejam uma serpente a morder você como a minha foi.”
Frankenstein





Tema Macabro:




Um dos aspectos mais peculiares do ser humano está em sua capacidade de compreender a natureza e explicar a realidade. Tal capacidade nos distanciou significativamente dos outros animais, fazendo de nós capazes de criar coisas que até séculos ou décadas atrás teriam sido impensáveis. Estas inovações e descobertas surgem de forma cada vez mais rápida, ficando difícil para o homem comum acompanhar e compreender a evolução da ciência. Talvez por isso a capacidade de ciência de criar vida, seja a partir do que é vivo (clonagem, células-tronco) ou até a partir daquilo que não é (inteligência artificial), nos faz temer pelo que o futuro nos reserva. Poderemos um dia descobrir os mecanismos de produção da vida e vencer a morte? Conseguiremos criar vida a nosso bel prazer, seja para nossas necessidades ou apenas porque podemos? E mais importante, isso é certo?

A intenção e vontade da humanidade de “brincar de deus” não é nova e sempre causou tanto fascinação quanto medo. Mas aquilo que no passado eram preocupações apenas da literatura ou do cinema são questões éticas reais nos dias de hoje. Talvez por isso tais temas deveriam ser muito mais relevantes hoje do que em qualquer outra época. E é por isso que Frankenstein até hoje pode ser considerada uma história atual.

Frankenstein ou O Moderno Prometeu, criação de Mary Shelley, esposa de Percy Bysshe Shelley, grande nome do romantismo e influenciador do ultrarromantismo brasileiro (que tinha como um dos principais representantes Álvares de Azevedo), é um livro publicado pela primeira vez em 1818 e que conta a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que, obcecado surgimento da vida, desvenda os segredos da criação e constrói em laboratório seu próprio ser vivo, criado artificialmente. Quando o monstro acaba escapando do laboratório e chegando à cidade, causa pânico nos seus habitantes.

O romance possui uma “narrativa moldura” (onde uma história contém outra), cuja história é revelada através de cartas escritas pelo capitão Robert Walton para sua irmã enquanto ele está ao comando de uma expedição náutica que busca achar uma passagem para o Pólo Norte. O navio, sob o comando do capitão Walton, fica preso quando o mar se congela e a tripulação avista a criatura viajando em um trenó puxado por cães. Quando o mar se agita, liberando o navio avistam o moribundo doutor Victor Frankenstein em uma balsa de gelo. Ao ser recolhido, Frankenstein passa a narrar sua história ao capitão Walton, que a reproduz nas cartas à irmã.

A história trata bastante das relações criador/criatura, sobre a queda do homem e sua capacidade de manipular a natureza, trazendo discussões obviamente religiosas e míticas aos leitores. Isto fica claro no nome original do livro, que remete ao mito Grego de Prometeu, o Titã que roubou o fogo dos Deuses e deu aos homens a superioridade sobre outros animais. Tais temas são relevantes até hoje, e não é à toa que a história ganhou muitas adaptações em várias mídias.

A primeira adaptação significativa de Frankenstein foi feita em 1910 por Thomas Edison (sim, o inventor), sendo seguida por Life Without Soul, em 1915, que mostra um Frankenstein dos dias modernos tentando criar sua versão da criatura clássica. Também se sabe de um filme Italiano em 1920, chamado “O Monstro de frankenstein”. Mas as adaptações mais conhecidas pelos entusiastas do cinema de terror são os filmes da Universal que imortalizaram o ator Boris Karlof como o monstro, Frankenstein (1931), Bride of Frankenstein (A Noiva do Frankenstein, 1935) e Son of Frankenstein (O Filho do Frankenstein, 1939). Além disso, a Universal ainda produziu mais 5 filmes com o personagem (mas que não contaram com Boris Karloff como o monstro).





A Grã-Bretanha também teve sua série de adaptações do romance. A produtora Hammer produziu 7 películas protagonizadas pelo personagem, sendo que o primeiro deles, The Curse of Frankenstein (A Maldição de Frankenstein, 1957) protagonizado por Christopher Lee (um dos arroz de festa dos clássicos de terror).


Podemos destacar também obras como Frankenstein de Mary Shelley, de Kenneth Branagh (que até hoje divide críticos), O Jovem Frankenstein, paródia de Mel Brooks com Gene Wilder no papel de um Cientista chamado Frederick Frankenstein e o clássico oitentista Deu a Louca nos Monstros, que trouxe uma visão mais simpática, mas fiel do monstro. Há ainda diversas outras produções, tanto no cinema como em outras mídias, como quadrinhos, games e séries de TV, isso sem contar as diversas adaptações inspiradas pela história. Nos quadrinhos, o fantástico Bernie Wrightson (Monstro do Pântano) deu sua contribuição ao produzir uma versão da obra nos anos 80 (que foi publicado pela Marvel Comics e posteriormente reimpresso como um encadernado pela Dark Horse).



Frankenstein é, junto com os vampiros e os zumbis, um dos monstros mais icônicos da ficção e sua história até hoje é relevante, justamente pelos temas que trata, mais atuais do que nunca.

Curiosidades:

- Mary Shelley escreveu O Moderno Prometeu quando tinha apenas 18 anos;
- A história de Frankenstein surgiu numa noite de conversas entre ela, Percy Bysshe Shelley (de quem a atora na época era amante) e Lord Byron (outro influenciador do ultrarromantismo), onde os 3 buscavam criar a história mais assustadora que conseguiam. Quando Shelley teve a ideia, queria fazer um conto, mas com o incentivo de seu marido, ela expandiu a história para o romance que posteriormente foi publicado;
- A primeira edição do livro foi publicada anonimamente em Londres; apenas na segunda edição, publicada na França é que Shelley passou a ter seu nome creditado à obra;
- Ao contrário do que muita gente pensa, Frankenstein não é o nome da criatura, que no romance original de Shelly nunca fora nomeado. Ele só passou a ser conhecido por esta alcunha (não por acaso o sobrenome do cientista que o criou) após o filme de 1931 com Boris Karloff;
- Frankenstein foi criado no ano de 1816, que também é conhecido como O Ano Sem Verão, no qual anormalidades climáticas severas do verão destruíram plantações na Europa Setentrional, no nordeste dos Estados Unidos e leste do Canadá;
- Nas obras de Isaac Asimov, existe uma fobia Chamada Complexo de Frankenstein, que é o medo de robôs e/ou máquinas que se assemelham a humanos (androides);
- Bizarro, um dos inimigos do Superman foi criado pelo escritor Otto Binder na Era de Prata dos Comics como uma versão pastiche do monstro de Frankenstein;
- Entre as influências da autora para o seu romance estão duas obras poéticas: Paraíso Perdido, de John Milton e The Rime of the Ancient Mariner (O Poema do Antigo Marinheiro, sem tradução em português), de Samuel Taylor Coleridge (este último também inspirou a criação do antiheroi da Marvel Comics Namor).


Na próxima madrugada:
Outra das criaturas mais icônicas e antigas do terror tem suas origens reveladas. Na próxima semana, Maldições - Gênese.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A Patrulha Monstro

Horace: Cara, o senhor parece conhecer um bocado sobre monstros.
Alemão que assusta: Agora que você mencionou... Acho que conheço, sim.
Deu a Louca nos Monstros




Tema Macabro


Quando eu era criança, eu tinha muito medo de filmes de terror. Alguns eu até assistia, mas “editados” (o que significa que tapava os olhos toda vez que alguma cena mais forte seria exibida). No fim das contas, eu realmente tinha medo de filmes de terror quando criança. Há um tempo atrás estava fazendo uma retrospectiva interna para tentar descobrir como foi que passei a gostar de histórias de terror. Sei que com certeza não foi por causa da Coisa. Lembro que, ainda novo, lia muitas Hqs de terror que meu pai e minha mãe liam, e também alguma coisa do Monstro do Pântano. Mas foi só quando finalmente saiu a edição de 20 anos de aniversário (lá nos EUA) do tema do post de hoje é que eu me dei conta do que realmente me fez virar fã do gênero: A Patrulha Monstro.

Sean, Patrick, Horace e Eugene são garotos que adoram filmes clássicos de terror e seus monstros. Seu clubinho, com direito a regras para entrar e um quartel-general (que é uma casa na árvore) era apenas coisa de criança para seus pais, até que uma antiga maldição milenar traz de volta os principais monstros da humanidade (Drácula, Frankenstein, Lobisomen, a Múmia e o Monstro da Lagoa Negra) e só os garotos, com a ajuda de Rudy (o “Wolverine” da escola), da irmã de Sean e do Alemão que assusta, podem evitar o fim do mundo das mãos dessas poderosas criaturas.




Traduzido aqui como “Deu a Louca nos Monstros”, “Monster Squad”, de 1987, escrito e dirigido por Fred Dekker é, ao lado de filmes como Goonies e Garotos Perdidos, um verdadeiro clássico para uma geração de garotos dos anos 80, bem como daqueles que passavam seus dias assistindo a sessão da tarde em meados dos anos 90. Uma mistura de comédia e terror, que hoje seria considerado “politicamente incorreto” demais para crianças, uma história simples, mas cativante, cenas e diálogos engraçadíssimos e uma série de homenagens aos filmes de terror clássicos fazem deste filme uma pérola do gênero e altamente recomendável.

Infelizmente, na época do seu lançamento, o filme não foi bem recebido pela bilheteria, tanto pela estratégia de marketing desastrosa (que tentou comparar o filme com Os Caça-Fantasmas) quanto por algumas coisas politicamente incorretas demais até para uma época que não se preocupava tanto com isso (como pré-adolescentes proferindo palavrões em diversas situações). Felizmente, o mundo do cinema permite que certas injustiças sejam consertadas com os autores ainda em vida, e as diversas reprises na TV, seguido do lançamento do VHS, a posterior popularização pela internet e convenções de terror trouxe o reconhecimento que lhe é devido, fazendo com que a produtora finalmente lançasse o filme em DVD, 20 anos depois do lançamento original.


Curiosidades:
- O filme presta diversas homenagens aos filmes clássicos de terror. Por isso, além das presenças ilustres dos vilões da histórias, temos preservados suas personalidades “originais”, vindas de seus filmes, além de referências à outros filmes de terror, como as noivas do Drácula;
- O diretor e roteirista Fred Dekker ficou mais conhecido por ser o diretor e co-roteirista (junto com Frank Miller) de Robocop 3;
- Dekker queria que seus monstros fossem os originais, por isso procurou os estúdios da Universal para adquirir os direitos dos personagens para usá-los no filme tal e qual apareciam nas películas originais, mas o estúdio, ainda não conhecendo bem o potencial de suas marcas, recusou a oferta. Dekker teve então que reinventá-los mantendo a fidelidade dos originais.
- Os efeitos, maquiagens e fantasias ficaram a cargo dos Estudios Stan Winston (que faleceu em 2009, logo após seu estúdio ter produzido as armaduras do filme Homem de Ferro)
- Fred Dekker é um azarado de marca maior. Além de seus filmes nunca terem emplacado (e de Robocop 3 ter terminado com sua carreira), ainda na faculdade escreveu uma história sobre um homem em uma casa mal assombrada e passou para um amigo, que roteirizou acrescentando pitadas de comédia e o resultado foi o sucesso de bilheteria A Casa do Espanto, do diretor Steve Miner.
- A saber, os monstros de "Monster Squad" são originários dos filmes Dracula (1931), The Wolfman (1941), Frankenstein (1933), The Mummy (1932) e The Creature from the Black Lagoon (1954).



Na Próxima Madrugada:
Um cantor desaparecido. Um advogado querendo saber seu paradeiro. E um detetive em meio à descoberta mais perturbadora de sua vida. Na próxima semana, Coração Satânico.