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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Exorcismo de Anneliese Michel – Requiem

“Páre com isso! Não vai te deixar, porque nunca deixará seu corpo. Seu corpo só tem a você, e só a você”
Requiem





Tema Macabro





Existe um grande conflito não declarado (mas às vezes bem explícito) entre os que acreditam nas alegações sobrenaturais do caso de Anneliese Michel e os que descartam esta possibilidade, e este embate vai muito além do caso em si e tem muito mais raízes ideológicas. De um lado, temos um incidente que, caso realmente se pudesse provar os aspectos sobrenaturais e demoníacos, seria a evidência necessária para os descrentes, sem contar na validação da crença católica, que finalmente poderia renovar sua supremacia sobre as outras religiões e ganhar novamente os holofotes (de forma positiva, ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos). Do outro, temos acadêmicos, médicos e psiquiatras que vêem tais crenças não só como um atraso no progresso da humanidade, mas como um perigo para a sociedade, uma vez que, alegam, em um caso como o de Anneliese Michel vemos o quão negligentes pessoas bastante racionais podem ser por conta de suas crenças e tradições. Richard Dawkins é o mais notório crítico dessas crenças, e convenhamos que hoje em dia é difícil ver com bons olhos a religião quando, por exemplo, uma jovem de 13 anos morre por não ser submetida a uma transfusão de sangue por conta de sua própria família, uma vez que a religião deles não permite tal prática.

Esta discussão, é claro, está longe de se encerrar, e o caso de Anneliese Michel é apenas um dos muitos aspectos deste conflito, que sinceramente não sei se algum dia terminará. De qualquer maneira, independente de qual posição esteja “certa” ou “errada”, só existe uma verdade que todos nós compartilhamos (ou pelo menos deveríamos compartilhar): o respeito ao ser humano e principalmente o respeito à vida, pois nenhum deus, nenhuma verdade é mais importante que isso. Nenhuma ciência, nem muito menos nenhuma religião. É pela vida que devemos lutar e é ela que devemos preservar a qualquer custo (mesmo que o custo seja descobrirmos que estivemos errados durante toda nossa vida)*.

Este conflito fé X ciência, apesar de ser de certa forma o tema do filme o Exorcismo de Emily Rose, é explorado de forma muito mais profunda e humana, sem apelos cinematográficos no filme alemão Requiem, de 2006.

Coincidentemente produzido na mesma época de O Exorcismo de Emily Rose (mas sem nenhuma relação com a produção deste), Requiem é um drama dirigido por Hans-Christian Schmid e conta a história de Michaela, desde sua admissão na faculdade, já com problemas de epilepsia, até o subsequente agravo de sua condição e sua percepção de que estava sendo possuída por demônios. Diferente de sua contraparte americana, o filme não explora o julgamento dos padres que se seguiu após a morte de Anneliese, focando-se na vida da jovem e nas dificuldades que enfrentou ao passar por estes problemas.



A história explora de forma mais realista o contexto clínico da personagem, mostrando sua tentativa de levar uma vida normal, tendo que lidar com sua doença em meio a uma família e uma comunidade enraizada nas tradições católicas. Com esse contexto, fica fácil entender porque Michaela (interpretada por Sandra Huller) atribuiu sua condição, que até então os médicos não conseguiam curar, a aspectos demoníacos. Não é um filme de terror, mas como se relaciona com o tema destes posts, não poderia ficar de fora.

Requiem é um filme difícil de se encontrar por aqui. Foi lançado em DVD pela Casablanca Filmes, mas não é fácil encontrar nem em locadoras, nem para venda, até onde pude constatar. E antes que pensem na facilidade de encontrar online: É possível, mas também é difícil. Mas a busca vale a pena, recomendo o filme como um dos mais tristes e interessantes que eu já assisti.

Espero que esta série de posts tenha servido para fazer os leitores refletirem. Não pretendo com isto mudar opinião de ninguém, muito menos provar a hipótese sobrenatural ou impor a hipótese clínica. Espero apenas que isso faça todos refletirem sobre o valor da vida e de como é bom estar vivo. E que nossos caminhos somos nós que escolhemos, seja isso bom ou ruim.

Curiosidades:
- Sandra Huller ganhou diversos prêmios por sua atuação impressionante como Michaela em Requiem;
- Não espere efeitos especiais típicos dos filmes americanos. O que impressiona o telespectador é justamente a narrativa crua e a filmagem quase documental, sem firulas e sem apelações (embora com cenas fortes).



*Desculpem a divagação exagerada, certos assuntos é difícil escrever com imparcialidade.

Na próxima Madrugada:
Um grupo de estudantes decide fazer terapia para lidar com seus medos. Mas mal sabem eles que não superá-los poderá ser mais perigoso do que jamais imaginariam. Na próxima semana, descubra o que é O Medo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Exorcismo de Anneliese Michel – Emily Rose

“As pessoas dizem que Deus está morto, mas como podem pensar assim se eu lhes mostro o Diabo?”
O Exorcismo de Emily Rose





Tema Macabro




Muitas pessoas ainda acreditam na conotação sobrenatural do caso de Anneliese Michel, mesmo a própria Igreja Católica tendo considerado que não houve possessão no caso (ao que muitos atribuem uma decisão apenas para preservar a imagem da igreja). Então não é de se surpreender que Hollywood eventualmente resolvesse aproveitar o a história para adaptá-la ao cinema, principalmente considerando o status que O Exorcista tem até hoje, tendo também sido baseado em uma história real.

Em 2005 foi lançado O Exorcismo de Emily Rose. Dirigido por Scott Derrickson (de Hellraiser: Inferno e o remake de O Dia que a Terra Parou), o filme aborda os aspectos supostamente sobrenaturais relacionados ao exorcismo da Emily Rose do título, que é inspirado pelos eventos ocorridos com a alemã Anneliese Michel.

Na história, temos uma advogada inescrupulosa que recebe o trabalho de defender o padre Richard Moore, acusado da morte da jovem que alegava estar possuída. Todas as evidências apontam para a negligência e a crença do padre Moore de que só poderia curar Emily através de exorcismo como a causa da morte da garota. A narrativa foca-se principalmente no julgamento do padre Moore, mas é alternado com flashbacks do passado onde temos a possibilidade de entender o que de fato aconteceu. Embora todas as fichas estejam contra o padre Moore, e inclusive sua própria advogada ser cética, conforme o julgamento avança coisas estranhas vão acontecendo, justificando o caráter sobrenatural e demoníaco dos eventos.



O Exorcismo de Emily Rose consegue balancear de forma bastante competente os indícios clínicos com a subjetividade característica de todo relato sobrenatural, pendendo obviamente para a segunda hipótese (que, além de ter maior apelo entre o público, é muito mais assustador – cinematograficamente falando). Para apreciadores do gênero de terror, o filme é uma ótima pedida. Não esperem, no entanto, um apuro histórico, já que o filme pega apenas os elementos mais conhecidos da história real para criar uma boa obra de ficção. Apesar de servir como um ótimo – e perturbador – entretenimento para os entusiastas do estilo, não é recomendável para quem espera veracidade histórica mais aprofundada. Mas ainda assim, é um filme recomendável para quem se interessa pelo assunto.

Curiosidades:
- Embora o terror, como já comentei em outros posts, flerte comumente com diversos outros gêneros, o Exorcismo de Emily Rose é considerado o primeiro “filme de tribunal” de terror;
- O roteiro do filme foi escrito a duas mãos, a pedido do próprio diretor e roteirista Scott Derrickson. Enquanto ele acreditava na versão sobrenatural, seu co-roteirista acreditava na perspectiva cética. Isso, segundo o próprio diretor, garantiu o equilíbrio da história e deu mais veracidade à narrativa;
- Existe uma lenda urbana insistentemente perpetuada na Universidade de Minnesota, onde segundo os estudantes, um suposto dormitório assombrado foi onde Emily Rose fora possuída pela primeira vez. Como Emily é uma personagem de ficção criada para o filme (e inspirada no caso real de Anneliese Michel), a lenda é obviamente falsa (embora ainda mantida por muitos da universidade);
- Foram construídas duas bonecas para as cenas de “contorcionismo” da atriz Jennifer Carpenter (que interpreta Emily Rose), mas uma delas não chegou a ser usada porque o diretor descobriu que a atriz possui juntas muito flexíveis, o que possibilitou, em algumas cenas, que a própria fizesse as contorções, contribuindo para o realismo do filme.


Na próxima madrugada:
Enquanto a ficção norte-americana prefere explorar o contexto sobrenatural, o cinema alemão prefere explorar a perspectiva clínica por trás da vida de Anneliese. Na próxima semana, O Exorcismo de Anneliese Michel – Requiem.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Exorcismo de Anneliese Michel – Fatos

“O maior feito do diabo foi fazer todos acreditarem que ele não existe”





Tema Macabro




Desde que o ser humano foi amaldiçoado abençoado com o dom da consciência, somos instigados a nos questionar sobre as coisas que acontecem na natureza e com a nossa vida. Nosso destino está escrito? Bondade e maldade são coisas com as quais nós nascemos, ou algo que é aprendido socialmente? E de onde vem o mal? Ele sequer existe?

Tal dicotomia sempre foi o principal tema das religiões monoteístas e tem grande influência histórica principalmente dentro do cristianismo (que representa a maior parte do pensamento ocidental popular), na forma de deus e de seu maior adversário, o diabo. Embora hoje a maior parte dos padres e teólogos admitam que o diabo seja mais uma forma metafórica de ver o conceito de mal como o conhecemos, ainda encontramos um grande número de pessoas comuns que leva a palavra de forma literal, acreditando já ter tido encontros com demônios, ou até já terem sido possuídos (inclusive eu tenho um livro chamado “O Livro dos Demônios”, onde o autor, um padre, alega ter “entrevistado” de verdade diversos demônios). Eu mesmo já tive, em minha família, experiências semelhantes (embora para preservar a integridade das pessoas envolvidas, não possa falar muito a respeito). Será mesmo que tudo isso vem de nossa mente, de nossa vontade de justificar atrocidades que não acreditamos que algum ser humano seja capaz de fazer? Ou existe mesmo algum ser invisível e inalcançável pela nossa percepção e nossa ciência, que move cordas invisíveis e é capaz de nos persuadir a fazer coisas terríveis e nos tornar monstros irreconhecíveis para nós mesmos?

Estas questões não possuem resposta até hoje, mesmo em pleno século XXI. Mas o objetivo desta série de posts não é dar respostas; e sim levantar outras perguntas.

Anneliese Michel era uma garota comum que vivia num pequeno condado no estado da Baviera, na Alemanha, entre os anos 60 e 70. De família com fortes tradições religiosas, Anneliese cresceu com a palavra das Escrituras em sua consciência e levava uma vida pacata e voltada para o estudo e a religião. Mas sua tranqüilidade seria abalada por eventos que ultrapassariam a compreensão de todos ali, inclusive ela própria. Em 1969, quando tinha apenas 16 anos, Anneliese sofreu seu primeiro ataque epiléptico, seguido pouco tempo depois por alucinações, que geralmente aconteciam quando ela rezava. Não demorou para começar a ouvir vozes, entre as quais lhe diziam que era amaldiçoada. Em 1973, Anneliese já estava sofrendo de depressão e considerando o suicídio. Seu comportamento começara a ficar cada vez mais bizarro, rasgando suas roupas, comendo carvão e chegando inclusive a lamber sua própria urina.

Anneliese chegou a ser admitida em um hospital psiquiátrico, mas infelizmente os médicos pouco puderam fazer. Sua condição apenas se agravara e sua depressão ficava cada vez mais profunda. Com o tempo, começou a perceber a dificuldade de tocar, ver ou passar por símbolos religiosos e, por conta disso e de suas origens católicas, uma conhecida da sua congregação atribuiu a condição de Anneliese à possessão demoníaca, ao que fez muito sentido para a jovem, uma vez que compartilhava das mesmas crenças.

Foram 10 meses de tratamento psiquiátrico infrutífero até que, no verão de 1973, os pais de Anneliese foram até a paróquia local solicitando que submetessem a filha ao ritual de exorcismo. À princípio o pedido foi negado, uma vez que a doutrina da Igreja Católica no que diz respeito a essas práticas é muito restrita. Mas um tempo depois, um padre considerado perito no assunto concluiu que Anneliese já reunia condições suficientes para a realização do exorcismo e, após uma “verificação da possessão” (ou o que quer que isso signifique) feita pelo Bispo de Würzburg, foi autorizado o procedimento, que seria realizado por dois padres: o perito que levou o caso à igreja Ernest Alt, e Arnold Renz. Foram, ao todo, 67 sessões de exorcismo durante cerca de nove meses, durante os quais ela muitas vezes tinha que ser segurada por até três homens ou, em algumas ocasiões, acorrentada, o que causou diversas lesões. Além disso, ela própria recusou tratamento e assistência médica durante o período, recusando-se também a comer. Essa sequência de acontecimentos levou posteriormente, em 1976, à morte da jovem, por falência múltipla dos órgãos devido ao estado avançado de desidratação e desnutrição em que se encontrava. Anneliese Michel faria, naquele ano, 24 anos.



Até hoje estes eventos são considerados controversos por diversos motivos. Logo após a comunicação do óbito, tanto os dois padres quanto os pais de Anneliese foram levados à julgamento, sendo condenados posteriormente pela promotoria por homicídio causado por negligência médica. O julgamento do processo ficou conhecido como o Caso Klingenberg, despertando grande interesse da opinião pública alemã, devido à natureza Fé X Ciência do caso (que sempre chama atenção). Enquanto de um lado havia médicos afirmando que Anneliese sofria de um raro quadro clínico que precisava ser estudado e curado, do outro havia a cautela de não culpar as crenças cristãs dos pais de Anneliese pela morte da garota, especialmente numa cidade pequena em que a quase totalidade, se não todos, eram católicos devotos. O tribunal pisava em ovos, mas tinha uma morte nas mãos que tinham uma causa clara. Ninguém sabia o que Anneliese de fato tinha, mas todos sabiam como e porque ela havia morrido.

Embora até hoje a opinião pública – hoje mundial – fique dividida no que acreditar (se na versão sobrenatural ou a médica), uma coisa é fato: Anneliese Michel, uma jovem que poderia ter tido um brilhante futuro morreu por conta, simplesmente, de sua humanidade. Talvez se ela tivesse sido levada de volta à força para um instituto psiquiátrico, forçada a comer e a tomar os remédios, a história tivesse sido bem diferente. Talvez para melhor, talvez para pior. Não dá para saber. E infelizmente, independente de crenças, essa é uma das únicas verdades absolutas da vida: Não há como voltar atrás, podemos apenas aprender com o passado e seguir em frente.

Curiosidades:
- A Igreja Católica possui critérios rigorosos para casos de possessão, que estão compilados no Rituale Romanum, publicação exclusiva da Igreja que lista as condições a serem avaliadas e testadas para se confirmar uma possessão. Em 1999, foi apresentada uma nova versão do livro, revisada e atualizada, que é oficialmente adotado por toda a igreja católica até hoje;
- Posteriormente uma comissão da Conferência dos Bispos Alemães declarou que Anneliese Michel não estava possuída de fato (nota do autor: legal eles terem decidido isso só DEPOIS que ela morreu. Parabéns, campeões);
- O vídeo deste post é extraído das fitas de áudio gravadas durante os rituais de exorcismo, uma das exigências da igreja católica para autorizar o ato. O áudio está no original em alemão e talvez por isso (ou não), ele pareça tão assustador;
- Antes do início do processo, os pais de Anneliese solicitaram às autoridades locais uma permissão para exumar os restos mortais de sua filha. Eles fizeram esta solicitação em virtude de terem recebido uma mensagem de uma freira carmelita do distrito de Allgaeu, no sudoeste da Baviera. A freira relatou aos pais da jovem que teria tido uma visão na qual o corpo de Anneliese ainda estaria intacto ou incorrupto e que esta seria a prova definitiva do caráter sobrenatural dos fatos ocorridos. O motivo oficial que foi dado às autoridades foi o de que Annieliese tinha sido sepultada às pressas em um sarcófago precário. Os relatórios oficiais, entretanto, divulgaram a informação que o corpo já estava em avançado estado de decomposição. As fotos que foram tiradas durante a exumação jamais foram divulgadas.
- Embora a igreja católica hoje admita a não possessão de Anneliese Michel, o Papa Bento 16 abriu um curso para a formação de exorcistas (obviamente, apenas para padres).


Na próxima Madrugada:
Vamos analisar o caso de Anneliese Michel através da ficção, usando uma perspectiva sobrenatural. Na próxima semana, O Exorcismo de Anneliese Michel – Emily Rose.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O Exorcista – Outras possessões

“Uma vez que você olha para dentro das trevas, acho que você carrega isso consigo pelo resto da vida”
Padre Moore – O Exorcismo de Emily Rose








Tema Macabro


Este é um tema que sempre levantou diversas questões. Quem acredita, se arrepia só de ouvir falar. Quem não acredita, é levado pela curiosidade a descobrir o que de fato acontece. De qualquer maneira, possessão demoníaca é um assunto que mexe com as pessoas. Não é à toa que O Exorcista faz até hoje tanto sucesso e gerou tantas sequências. Não é à toa também que o tema continuou e continua a ser explorado, principalmente no cinema.

O caso de exorcismo de Robbie Mannhein, que deu origem ao livro e filme O Exorcista, também levou à produção de Possessed (Possuído), filme feito para TV estrelado por Timothy Dalton. O filme é inspirado no livro homônimo escrito por Thomas Allen, considerado um dos principais historiadores do caso de Robbie Mannhein.




O Exorcista também gerou uma paródia, A Repossuída (Repossessed), estrelada por Leslie Nielsen e curiosamente pela própria Linda Blair, protagonista do filme original. O filme segue o estilo iniciado por longas como Corra que a polícia vem aí e exaustivamente explorado nos dias de hoje com a série Todo Mundo em Pânico e outros.



Outro caso bastante conhecido de exorcismo foi o da alemã Anneliese Michel. Diferente do caso de Robbie Mannenhim, o de Anneliese ocorreu quando ela já era adulta e sua morte, provocada por desnutrição e aparentemente tendo relações com os rituais de exorcismo realizados, resultou num processo judicial contra os padres que promoveram o exorcismo. Dois filmes retrataram esse caso. Um deles, o alemão Requiem de 2006, explora o lado científico do incidente, mostrando o uso indiscriminado das crenças cristãs em uma jovem que sofre de problemas mentais.



O segundo e mais famoso é O Exorcismo de Emily Rose, de 2005, que se passa boa parte no tribunal que está julgando um dos padres envolvidos, intercalando cenas do passado e do exorcismo de Emily Rose.




O exorcismo de Anneliese Michel foi gravado em áudio a pedido da igreja. Se você quiser ouvir, como imagens tiradas do incidente, segue o vídeo abaixo (em alemão – mas não ouça com o volume muito alto ou à noite)



E o tema ainda dará muito o que falar. Em breve estréia The Last Exorcism, dirigido por Eli Roth (O Albergue) e que conta a história de um padre que sempre usou o exorcismo para ganhar dinheiro, nunca realmente acreditando nisso. Aé que sua fé será posta à prova em seu último exorcismo.



Definitivamente, é um tema que rende e ainda vai render, tanto discussões quanto dinheiro para os produtores de cinema...

Na próxima Madrugada:
Os filmes de terror mais inusitados que você já viu. Na próxima semana, Os monstros que você nunca ouviu falar – mas que não fazia questão de conhecer.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Exorcista – Obras

“E, logo que Jesus saíra do barco, lhe veio ao encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, o qual tinha a sua morada nos sepulcros; e nem ainda com cadeias podia alguém prendê-lo; porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas; e ninguém o podia domar; e sempre, de dia e de noite, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando, e ferindo-se com pedras,
Vendo, pois, de longe a Jesus, correu e adorou-o; e, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes.
Pois Jesus lhe dizia: Sai desse homem, espírito imundo.
E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu-lhe ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos.”
Marcos 5:2,9







Tema Macabro





A história de Robbie Mannheihn foi a base para o livro O Exorcista, escrito por William Peter Blatty, em 1971. O livro, no entanto, traz algumas diferenças em relação à história original, omitindo alguns elementos e exagerando alguns. Outra diferença notável é que, ao invés de um garoto, O exorcista contava a história da menina Regan. O livro também traz uma narrativa mais adaptada à ficção e aos romances de terror, dando um nome ao demônio que possuíra a garota: Pazuzu.

Em 1983 Blatty escreveu Legion (O Espírito do Mal, no Brasil), que funciona como uma sequência d’O Exorcista. Na história, um detetive investiga uma série de mortes que leva a assinatura de um serial killer que a polícia havia abatido anos antes (mas cujo corpo nunca fora encontrado). As mortes também trazem elementos blasfemos, como uma criança crucificada e um padre decapitado. As investigações acabam levando o detetive para um hospital psiquiátrico, onde encontra ligações entre os assassinatos e o exorcismo feito em Regan no livro anterior.

O Exorcista foi um Best Seller e sucesso absoluto de vendas, e logo foi adaptado para o cinema em 1973, apenas dois anos após o lançamento do livro. Dirigido por William Friedkin (Conexão França e o recente Caçado) e escrito pelo próprio Willian Peter Blatty, o Exorcista segue a história do Padre Merrin, Padre Karras e da menina Regan (interpretada por Linda Blair). Apesar de algumas pequenas mudanças, o filme seguiu fielmente o livro, tendo recebido tanto boas críticas quanto más no seu lançamento (embora as críticas positivas tenham aumentado consideravelmente nos anos seguintes).



Na carona do sucesso de O Exorcista, os produtores lançaram, em 1977, Exorcista 2 – O Herege. Na história Regan, agora uma adolescente, não tem mais recordações do que se passou com ela 4 anos antes. No entanto, novas vozes e delírios atingem a garota, que tenta em vão se curar com a ajuda de um psicanalista. Entra em cena o Padre Philip Lamont que, a pedido da igreja, investiga a morte do Padre Merrin do filme anterior. As tentativas de livrar Regan do Mal o levam até a África, onde ele precisa encontrar a raiz de tudo e descobrir uma forma de eliminá-lo de uma vez por todas. Apesar de ser uma continuação direta do filme original, a produção não contou com os mesmos envolvidos, com exceção de Linda Blair, que retornou ao papel de Regan. O filme foi um fracasso de bilheteria e considerado o pior deles.




Em 1990 foi lançado O Exorcista III. Baseado no livro Legion (continuação direta do original) o filme, escrito e dirigido pelo autor dos livros e roteirista do Exorcista original, Willian Peter Blatty, se passa 15 anos após os eventos do primeiro filme e segue a mesma história de Legion: Uma série de assassinatos investigados por um detetive levam à um hospital psiquiátrico onde as respostas convergem com os eventos do exorcismo de Regan.



Além das sequências, O Exorcista também ganhou, em 2004, uma prequência chamada Exorcista – O Início, que mostra, cronologicamente, eventos anteriores ao primeiro Exorcista, traz um Padre Merrin mais novo em seu primeiro encontro com o demônio Pazuzu. O filme teve uma série de problemas internos, como troca de diretores, de tom da história, entre outros, e no seu lançamento o filme foi mal-recebido pela crítica e pelo público.



O Exorcista é um clássico, indiscutivelmente. Seja pela história, pelo hype ou pelos eventos supostamente reais que deram origem às obras, não há como negar que é uma mitologia instigante e chama a atenção de qualquer um, independente de crenças.


Curiosidades:
- Em 1991, O Exorcista foi o centro de um controverso debate sobre mensagens subliminares, quando um artigo apontou diversos “flashes” subliminares durante o filme. Os flashes realmente existem, mas o diretor se defendeu, dizendo “Se as pessoas conseguem notar, não é subliminar”;
- O Exorcista foi indicado em 10 categorias do Oscar: melhor roteiro adaptado e melhor som, melhor filme, melhor diretor, melhor atriz (Ellen Burstyn), melhor ator coadjuvante (Jason Miller), melhor atriz Coadjuvante (Linda Blair), melhor edição, melhor fotografia e melhor direção de arte. Venceu nas categorias melhor roteiro adaptado e melhor som;
- Diversas atrizes mirins foram cotadas para viver Regan, mas foi difícil conseguir que elas participassem. Foi tão difícil conseguir atrizes mirins para o papel que o diretor cogitou até contratar atrizes anãs para viver a garota;
- Existem uma série de boatos, muitos depois confirmados, sobre incidentes no set de O Exorcista: Um incêndio destruiu todos os sés da casa, exceto o quarto de Regan, e tiveram que ser reconstruídos para dar sequência ao filme; um padre foi levado diversas vezes para abençoar o set; e um ator morreu no meio as filmagens
- Durante a gravação de Exorcista II, um dos produtores teve seu corpo arremessado contra uma estante do cenário e começou a revirar os olhos.
- Antes de gravarem as cenas de Exorcista II, todos do elenco foram à igreja para serem benzidos, pois acreditavam que o filme estava trazendo forças negativas.
- Durante as filmagens de Exorcista II, o diretor John Boorman contraiu um raro vírus que obrigou a suspensão das filmagens por 5 semanas;
- O Exorcista II contou com a participação de vários atores e personalidades famosas, como Larry King (apresentador de televisão no papel de ele próprio), Samuel L. Jackson (homem cego nos sonhos de Kinderman), Patrick Ewing e John Thompson (respectivamente jogador e treinador da NBA).



Na Próxima Madrugada:
Não houve apenas uma história de exorcismo através dos tempos. Na próxima semana, conheceremos outras obras baseadas no tema em O Exorcista – Outras possessões.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Exorcista - Vidas

“Especialmente importante é o alerta de evitar conversas com o demônio. Pode-se perguntar o que é relevante, mas qualquer coisa além disso é perigoso. Ele é um mentiroso. O demônio é um mentiroso. Ele mentirá para nos confundir. Mas também misturará meniras com a verdade para nos atacar. O ataque é psicológico, Damien, e poderoso. Então não dê ouvidos à ele. Lembre-se disso – Não dê ouvidos”.
Padre Merrin – O Exorcista




Tema Macabro





Um clássico que dispensa apresentações, “O Exorcista” foi a produção que trouxe uma cara diferente para o terror e arrebatou – e apavorou – milhões de pessoas pelo mundo afora. Mas o que talvez pouca gente saiba são as origens da produção e o que essas origens geraram na ficção além do filme. No post de hoje, vou abordar o contexto histórico por trás da história e nos próximos abordarei os filmes baseados no evento.

Acho que todo mundo que conhece o filme “O Exorcista” sabe – ou ouviu dizer – que a história é baseada em um evento que supostamente aconteceu. Mas quem eram os envolvidos? De onde veio essa história?

A história que cerca o caso real que inspirou O Exorcista é nebulosa, mas caso tenha realmente acontecido, se torna tão – ou mais – assustadora que a historia de ficção. Em algum lugar não divulgado dos EUA, Robbie Mannheim (também conhecido como Roland Doe) era um garoto comum de uma típica família luterana dos anos 40 que gostava de jogos e histórias em quadrinhos. Sendo filho único, acabava ficando a maior parte do seu tempo com adultos, que geralmente eram sua única companhia.

Mannhein ficava grande parte do seu tempo com sua tia Harriet, que tratava seu sobrinho mais como um amigo do que como sobrinho. Sua tia tinha um Tábuleiro Ouija para contatar os entes queridos que já faleceram e, quando Robbie demonstrou interesse em aprender a respeito, ela lhe ensinou como aquilo funcionava. O assunto interessou bastante Robbie, que acabou tendo uma em casa e usando-a sozinho, mesmo quando não estava com sua tia.

A partir de 1949, coisas estranhas começaram a acontecer na casa de Robbie. Primeiro, sons de goteira que vinham de lugar nenhum e continuavam ininterruptamente. Ao tentar investigar de onde vinham os sons, Robbie e sua vó não encontraram nada; mas alegam que em dado momento, uma pintura de Cristo que havia na casa começou a tremer sem motivo aparente. Mais tarde, este barulho cessara, mas daria origem a novos ruídos de batidas e arranhadas, que os pais de Robbie atribuíram à ratos. Mas apesar de uma longa busca, o pai de Robbie não conseguiu encontrar nenhum roedor na casa.

11 dias depois destes incidentes, Harriet, tia de Robbie e sua grande amiga falece, o que deixou Robbie devastado. Os historiadores do assunto alegam que o garoto tentou usar seu tábuleiro Ouija para contactar sua tia, e talvez isto tenha levado à subseqüente possessão. Nos dias posteriores, a família passou a ser alvo de atividades paranormais de poltergeist, onde móveis e artefatos ao redor se moviam sozinhas sem nenhuma explicação. O fenômeno, segundo algumas fontes, não se limitava apenas à casa, e parecia estar ligado ao garoto, uma vez que incidentes semelhantes ocorriam também em outros locais onde ele estava (como na escola, por exemplo).

De acordo com o depoimento do Reverendo Luther Miles Schulze, o garoto foi examinado por médicos e psiquiatras, que não conseguiram encontrar respostas científicas para os fenômenos, e foi aí que a família, desesperada, se voltou para o Reverendo em busca de ajuda.

O garoto ficou em observação, onde foram observados outros tipos de fenômenos, inclusive durante o sono. Como as atividades poltergeist continuaram, o reverendo se convenceu que haviam forças sobrenaturais atuando e decidiu por realizar um exorcismo.

Ainda segundo a história conhecida e coletada pelos supostos envolvidos, Robbie foi levado para a Igreja Anglicana, onde foi submetido a um processo de exorcismo. Durante esse processo, o garoto acabou ferindo o padre, que enviou o garoto de volta para casa. Em casa, outros fenômenos ocorreram. O garoto gritava incessantemente e em dado momento foi possível ler a palavra “Saint Louis” escrita em sangue em seu peito. Após isso, a família foi de trem para St. Louis, onde acabaram entrando em contato com o padre William S. Bowdern, que ao observar os eventos relacionados ao garoto (entre eles, a aversão à objetos sagrados para o catolicismo, a cama que chacoalhava, objetos voadores e Robbie falando línguas desconhecidas – que o padre atribuiu à linguagens demoníacas), soliciou à arquidiocese a permissão para praticar o exorcismo no garoto. O exorcismo foi aprovado, nas seguintes condições: O próprio padre seria o responsável pelo exorcismo, deveria manter atualizado um diário para registrar os eventos e deveria manter em segredo o local onde o exorcismo seria realizado.


Suposto caso de possessão nas Filipinas


No total, foram realizados cerca de 30 rituais de exorcismo num período de 2 meses, os quais foram acompanhados de
diversos eventos alegadamente inexplicáveis, como a cama que se movia sozinha, um recipiente de água benta que pairava no ar, palavras como “Evil” – mal – e “Hell” – inferno apareciam esporadicamente no corpo do garoto e ele falava com tom de voz que não era o dele). Quando perguntaram para o suposto espírito quando ele iria embora, ele respondeu que só iria quando Robbie proferisse as palavras certas. Eventualmente, o garoto proferiu as palavras "Christus, Domini", e ouviram-se ruídos e barulhos altos por todo o local. Após isso, tudo parecia estar acabado. O local onde ocorreu o exorcismo foi selado para que ninguém pudesse entrar.

Fontes alegam que, após isso, a família nunca mais fora atormentada novamente. Robbie cresceu feliz e normal, casando-se e ornando-se um pai de família.

Obviamente, muitos aspectos desta história até hoje estão sob discussão. Um historiador alega que encontrou evidências de que o tal exorcismo nunca ocorreu realmente, e que o próprio padre envolvido nos eventos dia que as coisas não foram bem assim, e inclusive alguns amigos de Robbie alegaram que os eventos eram exagerados e muitas das coisas que aconteceram podiam ser facilmente explicadas.

Os psiquiatras, obviamente, possuem suas próprias explicações para os fenômenos, entre elas Transtornos de Múltiplas Personalidades, Síndrome de Tourette, esquizofrenia, Automatismo, Transtorno Compulviso-obcessivo, histeria coletiva e até abuso sexual. Até hoje a história permanece inexplicada e não se sabe quais dos eventos realmente aconteceram e quais foram invenção. Nota-se, no entanto uma forte influência das crenças cristãs dos envolvidos, o que pode ter prejudicado o julgamento deles dos eventos, mas é aquela coisa, nunca se sabe.

Curiosidades:
- Robbie Mannheim/Roland Doe não são os nomes reais do garoto. O nome real sempre foi mantido em segredo, e até hoje não se sabe nada sobre a família, de onde vieram, e se ainda existem parentes vivos – ou se o próprio garoto ainda está vivo.
- O nome Robbie Mannhein foi dado pelo primeiro historiador do caso, Thomas Allen;
- Saint Louis é uma cidade americana do Missouri, onde Harriet, tia de Robbie faleceu;
- Christus, Domini, em Latim que dizer "Cristo, o Senhor".




Na próxima madrugada:
Damos uma pausa para mostrar algumas dicas de filmes para se ver no dia dos namorados no Dia dos Namorados Macabro. Depois, voltamos a falar de exorcismo (s)