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terça-feira, 11 de outubro de 2011

15 Anos da Morte de Renato Russo – O que você vai ser quando você crescer?


“Não sou mais tão criança a ponto de saber tudo.”



Se essa é a semana temática das crianças, também é o aniversário de 15 anos da morte do músico Renato Russo.

E uma coisa tem muito a ver com a outra, pra mim.


Eu, como quase todo mundo no mundo, teve aquele impacto assustador quando foi jogado da infância para a adolescência.

Do nada, você não é mais o garotinho que brinca de lego e chuta bola na rua (mesmo que sem a menor coordenação, no meu caso). Você é um garoto cheio de duvidas, de novos sentimentos, que se enche de revolta ao mesmo tempo em que se questiona.

“Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou. Mas tenho muito tempo.”

É quando o mundo se mostra não mais tão inocente quanto parecia. Tudo fica mais complexo. E mais intenso. Afinal, pra todo adolescente, tudo parece ter uma importância muito maior do que realmente tem. Amizades, amores, intrigas, decepções, tudo é extremamente assustador e visceral.

“Quantas chances desperdicei, quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém?”

Bobagem? Que nada. Realmente é dilacerador o sentimento que brota dessa fase. Convenhamos, o mundo ainda te vê como uma criança, mas passa a te cobrar como adulto. As brincadeiras de rua ficam cada vez mais distantes, ainda mais quando você quer impressionar a menina mais bonita da sala ou os amigos com quem precisa se enturmar.

Convenhamos, pouco tempo antes, você jogaria areia na menina mais bonita da sala e não estava nem aí pro que seus amiguinhos pensavam de você.

E é exatamente essa dramaticidade da adolescência que faz dela uma fase tão importante. Afinal, é quando a gente aprende que tem contradições. Os hormônios explodem, as inquietações também.

“Vamos lá, tudo bem. Eu só quero me divertir. Esquecer dessa noite, ter um lugar legal pra ir.”

E tudo isso estava engasgado na minha garganta. Dentro do peito. O mundo estava se abrindo diante de mim, e eu cada vez mais assustado com aquilo tudo que havia de encarar.

Afinal, acima de tudo, eu tinha que encarar finalmente a mim mesmo.

Quando você entra na adolescência, chega a hora de descobrir quem você é. E isso é o mais assustador. E, assim como qualquer jovem dessa idade, me senti perdido e sozinho.

O famoso ninguém me entende.

Até que uma voz muito grave, que nem era tão afinado assim, acompanhado de um arranjo simples, mas bom de ouvir, disse ao mundo o que eu queria dizer.

“Vem cá meu bem, que é bom viver. O mundo anda tão complicado. E hoje eu quero fazer tudo por você.”

A Legião Urbana nasceu em 1982. Ano do meu nascimento. E cresceu, amadureceu junto comigo.

Renato Russo, ao lado de Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, cantou a juventude de toda uma geração – coca-cola. Renato escreveu sobre política, escreveu sobre as mazelas, sobre o sofrimento do brasileiro e sobre o quanto é difícil se ter esperança em um país como nosso.

“Vamos festejar a inveja, a intolerância e a incompreensão. Vamos festejar a violência e esquecer a nossa gente...”

Renato era como eu e você, que está lendo. Alguém que queria ser ouvido. Alguém que, perdido como todos nós, escreveu o que lhe afligia. Não posso falar por ninguém, mas tenho certeza que falo por muitos: ele escreveu ali as minhas aflições.

Não vou aqui fazer um resumo da vida dele. Não é minha intenção. Há de se dizer, sim, que Renato tem uma história bonita e muito legal de ser revista. Mas o que procuro aqui é mostrar o quanto as músicas dele influenciaram minha vida.

Mais que isso, me acalentou em momentos de angustia adolescente.

“... sem saber que o pra sempre, sempre acaba.”

E com os anos passando, a gente vai aprendendo a lidar com o novo eu que está nascendo. A criança vai ficando para trás quando o mundo nos trás a paixão, a responsabilidade, a preocupação com o futuro.

A vida vai mandando a gente se tornar mais maduro, mais sério, menos passional.

E por quê?

Quer coisa mais humana do que ser passional? Do que sentir na alma a dor de estar ou não sozinho? O adolescente pode ter muito defeito, mas raramente é egoísta. Afinal, todo adolescente sabe que, irrefutavelmente, dentro do mundo que ele conhece, é ele e sua turma contra o mundo.

“O sistema é mal, mas minha turma é legal”

Se antes sua preocupação era a menina bonita que não te deu bola, e isso parecia o fim do mundo, ou o seu melhor amigo que cometeu uma traição imperdoável ao beijar aquela mesma menina que não estava nem aí pra você, agora existe uma porta com o letreiro: FUTURO. Vestibular, faculdade, carreira.

Caramba. Você mal conseguiu atinar que a menina bonita não vai ficar com você e que seu amigo não é um mau caráter por também gostar dela, e já querem que você escolha o que fará pro resto da vida?

Mais do que isso, você finalmente tem o conceito de que é um homem (ou mulher). Você amadurece aqueles sentimentos sufocantes, apenas para sufocá-los em algum lugar onde não transpareçam. Ou que fique escondidos o suficiente para que não coloque em risco a imagem de amadurecimento imposta a você.

Mas eles estão lá... Esperando para não morrerem.

“Dos nossos planos é o que tenho mais saudade.”

Renato Russo, acima de tudo, me ensinou que amadurecer não é matar os sentimentos fortes que a juventude traz. É domá-los, aprender com eles.

Mas também é se apaixonar pela vida a cada dia, como se estivesse a conhecendo novamente.

Renato nos deixou em 11 de outubro de 1996. Suas cinzas foram lançadas sobre o jardim de um sítio.

Suas letras foram lançadas na história.

“Podem até maltratar meu coração, mas meu espírito ninguém vai conseguir quebrar.”

Renato Russo deixou um legado para toda uma geração. Mais que isso, ele deixou músicas atemporais, regravadas por dezenas de músicos e letras, que por falarem dos mais intrínsecos sentimentos do ser humano, jamais ficam datadas.

Tanto que uma campanha de marketing conseguiu se disseminar rapidamente, trazendo a empolgação ao país inteiro, retratando uma história de amor que já estava desenhada no subconsciente de todo mundo.



E está em produção um longa metragem sobre a mais trágica história de amor da música brasileira.

Sua mensagem marcou minha geração, e indiscutivelmente, as gerações que me seguiram. Tanto que, 15 anos depois de sua morte, Renato Russo conseguiu reunir cem mil pessoas ao vivo, mais milhões assistindo em casa, cantando em uníssono uma frase que deveria ser um lema:

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porque se você parar para pensar, na verdade, não há.”



Parando pra pensar, 15 anos que Renato se foi, eu estava no auge da adolescência.

Ele me ensinou que mesmo adulto, ainda temos os mesmos medos, anseios e frustrações de um adolescente.

“E eu, homem feito, tive medo e não consegui dormir.”

Hoje ouvindo as músicas da Legião, eu percebo, que mesmo 15 anos mais velho, eu ainda sou aquele garoto que sofreu com a mudança de cidade.

Aquele garoto que era introspectivo no colégio, e aprendeu a fazer amigos.

O garoto que escutava música no quarto pensando na menina que gostava.

E que tremia na base, gaguejando, pra falar com ela.

O garoto que queria fazer grau com a turma, e ficava bêbado com meio copo de cerveja.

Que gostava de se impor pros pais, só pra correr pro colo deles quando o bicho pegava.

Do garoto que rabiscava os cadernos com desenhos ao invés de fórmulas matemáticas.

Eu posso crescer, posso ter milhares de responsabilidades e preocupações na cabeça, mas quando ouço o que Renato Russo escreveu eu percebo que ainda sou aquele garoto.


Percebo que ainda sou aquele menino que acreditava em super-heróis.

Feliz dia das crianças.

Obrigado Renato Russo.

E até o próximo episódio.

Quem tem que aprender com quem

"O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade"
Karl Mannheim


Quem não gostaria de voltar a ser criança? Ter de volta o tempo para aproveitar a vida, ter olhos mais inocentes, ser feliz com as coisas simples, viver uma vida de fantasia...É engraçado que a infância geralmente é lembrada como o período de felicidade plena que nunca mais voltará. O que a gente esquece é que a infância nunca nos deixou; nós é que deixamos ela.


Ser criança é algo positivo quando falamos do passado, mas pejorativo quando falamos de presente, já repararam isso? Tanto é que “infantil” se tornou um xingamento. No mundo de hoje, a inocência, a simplicidade e a falta de conhecimento das crianças são vistos de forma depreciativa, como se elas fossem apenas pequenas ignorantes, coitadas, que não conhecem a verdadeira realidade. O mundo é difícil, sim. E não é cheio de flores, realmente. Existem problemas que não podemos ignorar, coisas que nos impedem de continuar pensando como crianças. Mas será que as coisas foram sempre assim, ou passaram a sê-lo justamente porque deixamos de ser crianças?



Quando criança, eu tive uma vida plena. Achava que era possível voar apenas com o impulso necessário (inclusive, certa feita me esborrachei todo no chão tentando correr a uma grande distância e saltando). Eu me vesti de Robin com 7 anos, vivendo em um bairro perigoso, e levei umas broncas de uns marginais porque tentei combater o crime de verdade (eles provavelmente não me fizeram nada porque conheciam e respeitavam meus pais). Eu tinha “laboratório” improvisado nos fundos da minha casa, onde eu tentava fazer experiências e criar os mais diversos dispositivos (mas não se preocupem, minhas experiências nunca envolveram seres vivos) e desmontava aparelhos eletrônicos com defeito para tentar descobrir como funcionava. Também enterrava meus animais de estimação com uma cruzinha sobre o “tumulo” e tudo, pois acreditava que toda a vida era importante e merecia respeito.

Chorei quando meu primeiro cachorro, o Fuscão Preto (sim, ele tinha o nome da música) morreu. Foi meu primeiro grande amigo não humano. Muito outros se seguiram depois dele. Esqueci de muitas coisas ao longo dos anos, mas nunca esqueci de nenhum deles. Briguei com minha irmã mais vezes do que posso contar, mas também a defendi outras tantas. Hoje, somos melhores amigos. Minha mãe e meu pai sempre tiveram que trabalhar muito para colocar comida na mesa, e eu passava minhas tardes assistindo televisão, lendo quadrinhos e me aventurando com meus brinquedos. Durante a semana só havia eu na casa, mas eu nunca estava sozinho.

Minha vida deixou de ser tão interessante assim quando me tornei adulto. Mas não muito. Isso porque, vou contar um segredo para vocês: Eu nunca consegui deixar de ser criança. Para vocês terem uma ideia, na minha infância, eu chorava sempre que pensava que um dia eu ia crescer. Eu dizia constantemente, aos prantos: “Mãe, eu não quero crescer” (é sério, vai entender de onde as crianças tiram essas coisas). Na infância, eu já entendia o que significava se tornar adulto. Talvez por isso eu me recusei a deixar minha infância. É claro que houve momentos em que o mundo adulto tentou de todas as maneiras tirar a infância de mim. Seja quando meus pais se separaram, ou quando minha casa foi destruída devido a um temporal e tivemos que morar na casa de parentes por um tempo. Seja quando eu tive minha primeira decepção amorosa e todas as (muitas) outras que se seguiram. Quando passei pela morte de alguém próximo. Quando estudei em uma escola e conheci pessoas que iam lá apenas pela merenda, porque não tinham o que comer em casa. Ou quando eu descobri que meus amigos de infância tomaram rumos em suas vidas que o levaram para caminhos perigosos.


É, foram muitos os artifícios usados pelo mundo adulto para tirar a infância de mim. E confesso que, em alguns momentos, eu quase cedi. Quase cedi, mas nunca desisti. E assim eu sigo, não escondendo minha infância em uma bolha e deixando-a isolada do mundo, muito pelo contrário: constantemente faço-a enfrentar o mundo adulto, o que ela vence todas as vezes; em alguns momentos por pouco, outras vezes com folga, mas sempre vence. E assim chegamos a esse texto.

Ser "infantil" é um defeito. Mas não deveria. Os adultos dizem que as crianças tem muito o que aprender. Eu digo que nós é que temos muito o que aprender com as crianças. Eis algumas coisas que as crianças podem nos ensinar:

Nada é impossível. Foi com esse pensamento que os maiores gênios trouxeram progresso para a humanidade, que pessoas saíram de situações de pobreza e se tornaram famosos comediantes que nos alegraram e muitos nos alegram até hoje. O mundo não é feito por pessoas inteligentes, sortudas ou ricas, e sim por gente que nunca desistiu, pois nunca deixaram de acreditar que seu sonho era possível.

Felicidade nas coisas mais simples. Nossa sociedade se foca tanto em necessidades fabricadas que às vezes no esquecemos daquilo que realmente nos faz feliz: Um olhar, um sorriso, um dia de sol, um dia de chuva, um abraço, um aperto de mão, um beijo, uma risada, passear com seu cão. Não precisa ser rico, culto, famoso ou popular para aproveitar as coisas simples da vida. E garanto que qualquer uma dessas coisas deixará seu dia muito melhor do que qualquer dinheiro do mundo.


Atividade física. Crianças são esportistas natos. Não importa se eles gostam mais de correr, brincar de “lutinha”, jogar bola ou subir em árvores; toda criança sua, se machuca, se suja, estraga seu tênis novo. E isso não é ruim, muito pelo contrário; isso é celebrar a vida na sua melhor forma.


Curiosidade. Crianças também são cientistas naturais. Elas duvidam, questionam, querem saber, perguntam, procuram e descobrem. Com as crianças, poderíamos aprender a não dar as coisas como certas e achar isso bom; melhor, achar isso natural. Sempre haverá uma nova descoberta, uma nova informação e seu mundo sempre se transformará em cada uma delas. Não achar que está sempre certo e admitir sua pequenez perante o universo, mas nunca deixar de descobrir, nunca deixar de aprender.


Sem preconceitos. Crianças são totalmente desprovidas de preconceitos de qualquer natureza. Se algum comentário preconceituoso sai da boca de qualquer criança, não a critique, pois este comentário não é dela, e sim dos pais. O ser humano, em seu estado mais puro, não possui preconceitos. Não se vê superior a outra pessoa, não critica as diferenças; ao contrário, as celebra. Taí algo que nós, adultos, poderíamos aprender muito com as crianças.



Sinceridade. As crianças são inerentemente sinceras, doa a quem doer. E porque deveria ser diferente? Quando não se tem interesses escusos ou segundas intenções, coisas típicas de adultos, não há nada errado em ser sincero, pois cria um ambiente propício para discussão e a troca de ideias.

Como podemos ver, existem muitas coisas que as crianças podem nos ensinar. Então acho que deveríamos rever nosso conceito sobre “quem deve aprender com quem”. E, mais importante, sobre o significado do adjetivo "infantil".

Mas existe uma última coisa que as crianças nos ensinam sem saber. Que existem coisas boas no mundo, que as pessoas não são inerentemente más. Que ainda é possível imaginar um mundo onde se possa ser eternamente como uma criança.



Mais do que tudo isso, as crianças nos ensinam que existem motivos para continuarmos lutando, para não desistirmos e não deixarmos o mundo adulto obliterar completamente nosso lado criança. Ouçam as crianças. O que elas têm a dizer pode ser muito mais relevante para o futuro do que qualquer filósofo, político, pai, celebridade ou formador de opinião.

“Quem não gostaria de voltar a ser criança?” foi a pergunta que fiz no começo desse texto. Vou continuar lutando por um mundo onde todo mundo se pergunte: “E porque eu deixaria de ser criança?”

domingo, 9 de outubro de 2011

PalhetadA - Dia das Crianças

Segunda-Feira chegando....todos chora! Feriado chegando...todos comemora!! \õ/

E aqui no Uarévaa já é tradição ter semanas temáticas e eu vou fazer o PalhetadA de hoje totalmente voltado pro Dia das Crianças.


Legal! Semana da criançada no Uarévaaaaaaa mas já vou começar de um jeito diferente o texto.

Criança é um papagaio de chupeta, por mais puto da vida que você possa estar é uma obrigação sua se controlar e ensinar o que é certo, ser totalmente presente e influenciar positivamente no caráter da criança.

Tem gente que não tem noção do quanto é importante dar o exemplo e servir de espelho para essas pessoinhas.

Não me venha com “Faça o que eu digo e não faça o que eu faço” Isso soa com um ar de superioridade que mais tarde se voltará contra você, geralmente no pior momento. Para um segundinho ai e confere o vídeo, não precisa ter caixas de som....



Te fez pensar na cagada que você fez no fim de semana com seu Sobrinho? Priminho? Neto? Filho....

Ser criança é o segredo da juventude...é o que dizem os especialistas. A real é que crescer é legal demais, o chato é começar a ver as coisas com um olhar diferente de quando éramos crianças. Não podemos perder as piadas, o humor e as risadas...ser criança hoje em dia não é ser imaturo, é ser malandro no melhor sentido da palavra!

Agora que já dei meu recado pros adultos, vou mostrar alguns vídeos que pipocaram na net essa semana com a pivetada mostrando que os tempos mudaram, e ainda existe esperança!!



“No, No NOOOOOO” Cara, muito bom aHUaHUAhauaHUahuahauahua



Não tem como não abrir um sorriso vendo moleque curtindo um som!

Mas nada na semana me chamou tanta atenção como o Mini-MetallicA.... eu sonho em ver meu filho tocando qualquer coisa dessa banda. *_*




Criança é um bichinho interessante né? Sincero, ingênuo e inofensivo...hãã inofensivo? Quando você menos espera é que...



Mas poUrra vó cantando uma música dessas eu fazia o mesmo com o meu boneco dos Thundercats!! AHUAHuAHAUAHUa Sumemo Júlia! o/

A nossa leitora Naty cresceu (acredito eu) mas não deixou de lado suas raízes infantis e sem a menor cerimônia, imitou o famoso grito do menino viciado em Pokémon...



Nós do Uarévaa ficamos realmente felizes em saber que existe uma criança ai dentro de você!! =D

Não sei se vocês lembram (Eu mesmo não lembrava) mas já gravamos um Podcast "Dia das Crianças" falando todas as barbaridades que fazíamos quando eramos tampinhas! Lembram?


Já que estou encerrando nesse clima vou lançar uma brincadeira aqui, mas se ninguém participar não terá a menor graça, não é promoção, ninguém ganha nada...a idéia é fazer um post com fotos de vocês na infancia para sair na quarta-feira!!

E ai? Bora topar a brincadeira e enviar uma foto sua criança pro uarévaa?? Enviem as fotos para o nosso mega-ultra-blaster e-mail contato@uarevaa.com e seja eternizado nessa pocilga pô!! Vamo ai? =P

Eu começo, esse ai sou eu já fazendo a maior meleca....rs



Let´s Rock!
Duende Amarelo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Podcast Uarévaa #65 - Mitologia - Parte 1



MÍÍÍÍTICO!

Freud, Zenon, Alex Matos, Rafael Rodrigues, Vini e Duende Amarelo pagam uma das muitas promessas já feitas aos ouvintes e finalmente fazem o aguardado podcast sobre Mitologia.




(Clique na imagem com o botão direito do mouse
e depois em "Salvar link como..")


Clica ai pra assinar o RSS e passar a receber
o Podcast Uarévaa "tomáticamente"!!



E tamo até no iTunes, rapá!!!



Comente ai no post ou mande seu e-mail (contato@uarevaa.com) com críticas, elogios, sugestões, cagações de regra e tudo mais sobre nosso podcast.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Resenha: Super 8


Ultimamente eu estava com uma pergunta na cabeça, depois de assistir recentemente à vários filmes americanos: "Quando é que eu veria novamente um filme que valesse realmente a pena em questão de roteiro e história vindo de Hollywood?"
Por incrível que pareça, assisti a um que me respondeu essa e outra pergunta que eu tinha me feito a mais ou menos uns 4 meses atrás, quando acabei de assistir ao filme Morning Glory do qual J. J. Abrams foi produtor: "Quando eu veria esse fantástico diretor realmente dirigindo algo que fosse tão marcante quanto Lost?"
A resposta, caros amiguinhos, é Super 8!
.
  

Quando alguém, que não lembro quem, me indicou o filme dizendo que ele era uma espécie de Goonies misturado com invasão alienígena, fiquei bem curioso em ver qual seria o resultado disso. Ainda mais depois que descobri que o responsável pela película era o J.J. e o próprio avisava que ela era uma homenagem aos filmes que Spielberg criou nos anos 1970 e 1980 e que filmes como "ET, O Extraterrestre" e "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" eram suas principais fontes de inspiração para isso.

Cara, isso realmente não poderia dar errado nas mãos do cara certo. E não deu! Principalmente porque o próprio Spielba tava lá dando total aval para a produção fazendo às vezes de produtor da bagaça.

Na trama, um garoto de aproximadamente 15 anos, perde sua mãe num acidente de trabalho e tem que viver com o pai que é policial. Durante esse período de adaptação, ele passa a maior parte do tempo produzindo um filme de terror caseiro junto com seus amigos. Durante uma filmagem, o grupo presencia um acidente de trem e, pouco depois, misteriosos incidentes começam a acontecer como pessoas desaparecendo, equipamentos eletrônicos deixando de funcionar, as luzes da cidade pifando e os militares rondando a cidade. Tudo indica ser algum tipo de monstrengo, pois a cidade vai ficando destruída durante esse processo.

O filme foi muito bem ambientado, pois se passa no final dos anos 70 numa cidadezinha em Ohio, nos Estados Unidos, e todos os cortes de cabelo, costeletas e roupas características da época estão lá, assim como a presença do desconhecido (e para geração Y ainda é) e novíssimo walkman à fita cassete!

Outra coisa interessante são as referências presentes relacionadas a filmes do Steven Spielberg, como o alienígena sendo revelado aos poucos (como quase todos os filmes do Spielba, como Tubarão, por exemplo), a cena do ônibus sendo atacado pelo alienígena numa clara referência à "Parque dos Dinossauros" e até em efeitos, como aquela reflexão da luz na lente da câmera (o "flare", como esse efeito é chamado). Ou seja, até os aspectos técnicos dos filmes como fotografia, montagem e trilha sonora foram mimetizados. E muito bem!



Além disso, aquela pegada "Goonies" na molecada. Um carismático grupo de seis amigos aventureiros que sabe bem mais das coisas que estão rolando na cidade do que a maioria dos adultos e tenta resolver o problema da sua maneira.

A empatia com esses moleques é quase imediata e muito disso graças ao garoto Joe (Joel Courtney) e seu par romântico, Alice (Elle Fanning, irmã de Dakota Fanning). Além deles, o gordinho cineasta e sonhador Charles (Riley Griffiths) mandou bemzaço!

Compondo o time, o medroso e tapado Martin (Gabriel Basso), o desligado Preston (Zach Mills) e o pirralho Cary (Ryan Lee) que adora mandar ver em fogos de artifício!

O roteiro se ampara completamente neles e tudo mais o que acontece no filme, como a invasão, é apenas um pano de fundo para contar a estória de amizade desses moleques.


Pra quem, assim como eu, já está na casa dos 30 anos, o filme traz boas lembranças de filmes divertidos do Spielba e que tinham assunto como ET, De Volta Para o Futuro, o próprio Goonies e Conta Comigo.



Super 8 me trouxe a renovação de que dá pra acreditar que ainda é possível assistir/fazer um filme bom, com roteiro redondo e o mais importante de tudo: cadenciado. Nada daqueles filmes em que tudo tem que ser resolvido nos últimos 15 minutos. A história teve tempo para se desenvolver de maneira clara e coerente.

Dois destaques merecem ainda serem citados aqui:
 
Primeiro, a espetacular cena do acidente de trem. Como diria Leeloo: "Big-Bada-Boom!".
O segundo é para o humor presente na produção. O filme caseiro de zumbi que os amigos estão rodando em Super 8 (daí o nome do filme) rende bons momentos e vale esperar pelo créditos finais para assistí-lo na íntegra.
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O filme ainda tem ótimas cenas de ação, realmente, mas o que mais vai prender a atenção do público, na minha opinião, é o drama vivido pelo personagem principal em relação ao seu relacionamento com o pai, amigos e uma nova amizade/paixão.
Tudo foi muito bem executado, apesar de acreditar que muitos irão torcer o nariz para o final... Mas é importantíssimo saber que esse é realmente um filme em homenagem a Spielberg, ou seja, não espere ver derramamento de sangue alienígena!
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Se você tem saudades dessa época e dos filmes que você assistia quando criança, essa é a sua chance de reviver tudo isso!

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Jackpot #6


Bom, o negócio é o seguinte: o pau vai comer solto
aqui agora e, moçada, todo mundo pra trás.


Clique nas imagens pra ampliar! 

Jackpot #6


Extras




Confira as tiras anteriores: #1 - #2 - #3 - #4 - #5


Conheça também os endereços oficiais do projeto:



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Drops Uarévaa

Morre o Fundador da Apple, Steve Jobs

 
"Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração."


Steve Jobs

Esse cara foi um dos responsáveis por muita coisa boa que a tecnologia nos trouxe à nossa vida moderna. Se isso não importa pra você, tudo bem, mas quem reconhece que as coisas que esse cara fez revolucionaram de certa forma nosso modo de vida, me faça um favor, desligue seu Ipod por um minuto... 





O caso Rafinha Bastos, e o Politicamente Incorreto

E hoje é dia de polêmica no Moura em Série.


Essa semana repercutiu em todo o país o afastamento temporário de Rafinha Bastos do CQC devido a uma “piada” feita com a cantora e neta de Francisco, Wanessa (Camargo).



Acontece que a garota é esposa de um pica grossa da publicidade, e sócio de Ronaldo, que não gostou nada da brincadeira do gaúcho e ameaçou foder toda a publicidade do programa. Como imaginado, Rafinha foi afastado da atração.

E aí, que tal esse politicamente incorreto? Aliás, esse tipo de piada é ser politicamente incorreto?


Eu reclamo muito que o “politicamente correto” está acabando com toda a diversão. Piadinhas família, humor do bem, bordões aos borbotões. Mas claro que existe uma onda que acaba indo contra a maré e quer ser “politicamente incorreto”. Entretanto, como qualquer onda, o termo acaba se perdendo na maré e muita merda vindo com a correnteza.

Se o politicamente correto é muitas vezes hipócrita – e dentro de si mesmo preconceituoso, afinal trocar o termo negro por afro-descendente é julgar o próprio termo negro como ofensivo – os defensores do politicamente incorreto acabam perdendo a mão ao tentar se opor a essa atitude.

Resumidamente, na minha humilde e sempre correta opinião, ser politicamente incorreto deveria ser combater a hipocrisia social, desmascarar preconceitos e derrubar paradigmas obtusos impostos.

Mas ao contrário, tem sido usado como desculpa para simplesmente ser babaca.

Esse ano eu fui ao stand-up de dois humoristas que participam do Comédia MTV. Fui empolgadão porque adoro o programa e inclusive rio muito com os dois supracitados comediantes. Qual foi minha surpresa ao perceber que ao invés de piadas, eu ouvi uma sucessão de palavrões. Só o termo “dar o c*”, um deles repetiu ao infinito e além. Todas as piadas tinham como base simplesmente um palavrão e um gancho besta. As risadas vinham, eventualmente, mas me pareciam em muitos momentos forçadas e amarelas.

De boa? Falar palavrão e fazer movimentos erógenos citando a própria genitália o tempo todo não é humor. É apelação. Não é ser politicamente incorreto. É se imbecil.

Eu sou um tanto critico em relação a humor, até porque é meu gênero favorito. Um texto de comédia tem que ter o mesmo preparo técnico que um texto de drama, por exemplo. Ter conteúdo, e o que dizer.

Humor tem que ser agressivo? De forma alguma. Dizer isso é no mínimo simplista. Está aí Mr. Bean, Chaves, Chaplin, entre muitos outros, que sempre fizeram rir sem apelar ou ofender ninguém.

Existe sim o humor mais afiado, mais ferino. E eu gosto muito desse tipo de humor. Quem me conhece sabe o quanto sou adepto ao humor negro. Porém tem que saber diferenciar.

Existe uma imensa diferença entre crítica, zoação e ofensa.

O bom humor se faz com crítica. O humor divertido se faz com zoação. O humor de mau gosto de faz com ofensa.

O personagem Caco Antibes, do Sai de Baixo, era totalmente politicamente incorreto. Um elitista falido que odiava pobres e vivia fazendo piadinhas com as classes menos abastadas – mesmo que ele mesmo estivesse nessa situação.



O lance é que Caco era a caricatura dos esnobes brasileiros, da classe corrupta e mau caráter. Claro que as piadas de pobre eram hilárias, todas baseadas em costumes reais dos mais populares. Todo o PI de Caco era na verdade uma critica a si mesmo.

É o que acontece com personagens da internet como Cleycianne e Eu Sou Ryca. Politicamente incorretas até as tampas, ambas as personagens são na verdade, críticas a si mesmas. A primeira usa seu blog para criticar famosos que vão contra a palavra de Deus, numa crítica explícita aos fanáticos religiosos. A segunda repete o estilo Caco Antibes ao usar a personagem Norma – com o avatar da minha, só minha, Carolina Ferraz – como uma ricaça que tem nojo de gente pobre e brega, ou quem ela julga assim.

Claro que tem muita gente que não entende a piada. Basta olhar a quantidade de gente que se indigna com os comentários da Cley, assim como fanáticos religiosos que acabam dando seu aval nos posts da personagem, acreditando ser uma pessoa real. O que, na verdade, só assina embaixo da piada.

Homer Simpson. A forma em celulose mais perfeita do PI. Beberrão, burro, irresponsável, mau pai, péssimo marido. E cheio de material a ser explorado. Simpsons é indiscutivelmente uma grande critica ao American Way – e sendo assim, toda a escrotidão do patriarca amarelo se justifica. O mesmo pode ser dito de Al Bundy, o mais vitorioso perdedor da TV americana em Married with Children.

Mesmo nos programas de esquetes, o Brasil já fez muito isso.

Viva o Gordo era genial. É até difícil acompanhar hoje em dia as reprises do canal Viva, pois todas as piadas eram muito contextualizadas com a realidade da época. Jô estava no seu mais ácido momento, atacando as mazelas do país recém saído da ditadura. O gordo aproveitou a recém conquistada liberdade de expressão para utilizá-la da forma útil. Expondo e ridicularizando tudo que havia de podre na Republica das Bananas.



Hoje o que eu vejo no Programa do Jô é uma sombra do que ele fora outrora. Em raríssimos momentos é perceptível o critico contundente, que ainda deve viver embaixo da cansada forma volumosa do apresentador. De resto, lhe sobraram piadas velhas ao fim do programa e entrevistas que pouco lembram seu auge.

E falando em bananas, O Planeta dos Homens também tinha todo essa aura contestadora. Quer mais PI do que o Costinha vestido de padre?



Percebeu a sutileza da sacanagem? Costinha dando aquela sacaneada, sem ser explicito ou ofensivo.

E hoje? Hoje temos o Zorra Total. Piadas sem graça, repetidas e bordões vergonhosos.

E não posso falar em politicamente incorreto sem citar aquele que começou baseado nisso e acabou virando um pequeno esgoto a céu aberto.

Casseta & Planeta era crítico e contundente, vindo da junção dos politicamente incorretos “Casseta Popular” e “Planeta Diário”. Se já tive a oportunidade de ver matérias em que os cassetas se embrenharam em plena favela da Rocinha com direito a chegar a fazer a seguinte piada:

O casseta pergunta a uma criança na favela:

-Cadê a orelha?

-Tá aqui (apontando pra orelha).

-E o nariz?

-Tá aqui (apontando pro nariz).

-E a boca?

-Ali, na rua de baixo.

Anos depois tudo que podíamos ver eram piadas com peidos, paródias sem graça das novelas e produtos Tabajara roteirizados por crianças de cinco anos.

E são os mesmos caras que escreviam humor pesado como Dóris para Maiores e TV Pirata.

E um companheiro de Rafinha no CQC fez um dos espetáculos mais politicamente incorretos que eu já vi. E esse sim pode assumir esse termo, tanto que é o nome do show de Danilo Gentilli, apresentado em Brasília em época de eleição!



ISSO É SER POLITICAMENTE INCORRETO.

O “ataque” com embasamento é crítica. Se for gratuita, é só ofensa.

E ofensa não tem graça.

Ofender fulano e sicrano ou beltrano, martelar piadas racistas, sexistas ou discriminatórias, só faz o preconceito se tornar socialmente aceitável. 

Liberdade de expressão não pode ser desculpa para falar sandices e disseminar a ignorância. Use a sua para dar sua opinião e contestar.

Mas voltando ao Rafinha, acho que toda essa polêmica foi exagerada. Rafinha sempre ousou, pisou na bola algumas vezes, errou a mão, forçou a tanga, mas nos mostrou que é sim um cara com consciência social. Vide suas criticas ao Bolsonaro e afins, alem de seu trabalho sensacional no comando de A Liga.

É hipócrita e injusto crucificarmos o humorista por uma bola fora, sem a menor intenção de incentivar qualquer coisa. Disse o que disse com a intenção de arrancar algumas risadas com o comentário chocante. Isso não faz dele um pedófilo. Assim como as piadas de Didi com Mussum não faziam de Renato Aragão um racista.

Rafinha Bastos só esqueceu, nesse caso, que humor negro tem que ter um item, imprescindível: Graça.

E o que Rafinha fez não foi uma piada. Foi um comentário idiota.



Antes de terminar, um vídeo pra finalizar. George Carlin. Politicamente incorreto até os ossos.

Genial até a alma.



Aprendam comediantes.



Até o próximo episódio.

I’m Here.


Conheço muitas pessoas que torcem o nariz para histórias de ficção cientifica ou porque são “muito viajosas”, “não são realistas” ou simplesmente por não gostarem de grandes efeitos especiais e afins. Infelizmente, para elas, não perceberam que sci fi (os bons pelo menos) não são histórias sobre tecnologias avançadas ou revoluções futuristas, mas, sim, são metafóras sobre o próprio ser humano, a vida e o mundo que vivemos. 

Para essas pessoas eu indico só uma coisa no momento: assistam I’m Here, de Spike Jonze.


O curta-metragem se passa em Los Angeles e conta a história de amor entre dois robôs, interpretados por Andrew Garfield e Sienna Guillory. Uma história que apesar de curta fala sobre o amor mais do que muitos longas-metragens por aí.

Inicialmente falemos sobre a direção caprichada, de belos ângulos, suavidade e sentimento de Jonze, diretor de filmes como Quero ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2002). Em sua empreitada pelo mundo dos curtas, ele mostra que sabe aproveitar muito bem o ritmo mais direto e objetivo que um filme de duração menor proporciona, que assim como um conto literário precisa mostrar logo ao que venho e o que pretende.

Aproveitando-se de que além de diretor também é o roteirista, adaptando a história de uma obra de Shel Silverstein, Spike constrói rapidamente, tanto em caracterização quanto através de imagens, os personagens e sua relação, desejos e conflitos. 

A estética do filme é algo impressionante, tanto na direção de arte (especialmente na escolha do estilo de robôs existentes nesse mundo) quanto na fotografia, trilha sonora e montagem, elementos tão bem trabalhados que ao termino da pequena perola a nossa frente o gosto de “quero mais” desse universo Jonzeniano não nos deixa por muito tempo.

Aliás, gostaria de comentar é o uso criativo e inteligente da sci fi por parte do filme, apesar de alguns efeitos visuais e digitais leves, a obra mostra que é possivel se fazer ficções desse genero sem grandes orçamentos e estruturadas nos personagens. Ponto para Jonze.

Por último o roteiro. Ah, o roteiro! Uma amarrada e singela ode ao amor na sua forma mais intensa e incondicional, trazendo a tona como o encontro entre duas pessoas pode ser algo mais importante que qualquer outra coisa na vida. Qualquer palavra não é tão representativa quanto o sentir que assistir um bom filme pode ser. Para mim, I'm Here é mais que uma ficção cientifica, é um ensaio, relato sensivel sobre a maior de todas as buscas humanas na sua história. 

Essa é minha visão, mas tire suas próprias conclusões logo abaixo:




PS: se o vídeo não estiver mais no ar ou você preferir, tem outras duas formas de vê-lo, no site oficial do filme ou por aqui.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A História da EC Comics – Queda

Senador Kefauver: Aqui está a edição de maio, a número 22. Parece ser um homem com um machado ensanguentado, segurando a cabeça de uma mulher que parece ter sido decepada de seu corpo. Acha que isso é bom gosto?

Willian Gaines: Sim, senhor, acho, por ser a capa de uma revista de terror. Uma capa de mau gosto poderia ser, por exemplo, do mesmo homem segurando a cabeça da mulher um pouco mais acima mostrando o pescoço pingando sangue. Também o corpo da mulher poderia estar um pouco mais à frente, fazendo com que o pescoço sem a cabeça aparecesse mais, mostrando ainda mais sangue.


Trecho do depoimento de Willian Gaines
ao Subcomitê de Investigação da Delinquência Juvenil do Senado Americano.




Tema Macabro




Ainda no início dos anos 40, a indústria de quadrinhos estava sendo bastante criticada pelo seu conteúdo e seus potenciais efeitos negativos para as crianças. Mas a situação foi de certa forma encabeçada e certamente potencializada pela publicação de dois artigos do Dr. Fredric Wertham em 1948: “Horror in the Nursery” e "The Psychopathology of Comic Books". À época, alguns crimes cometidos por adolescentes se assemelhavam aos vistos nas histórias em quadrinhos, o que fez os pais olharem com maus olhos para os comics (numa situação não muito diferente de polêmicas mais recentes, relacionados à jogos eletrônicos e RPG).

Mas foi realmente em 1954 que a coisa ficou feia, com a publicação do famigerado "A Sedução do Inocente", do mesmo autor que publicara aqueles dois artigos anos antes. O que aconteceu é que Wertham, percebendo que seus piores pacientes eram leitores de quadrinhos, deduziu que eram estes que estavam levando os jovens à delinqüência (o que, para a época, seria mais ou menos o mesmo que hoje em dia um psiquiatra resolver dizer que os piores pacientes dele jogam vídeo-game e por isso os games são a causa do problema deles). Somando a isso, a criação de uma audiência do congresso americano sobre delinqüência juvenil, altamente divulgada e que acabou colocando os quadrinhos em sua mira, fez com que a indústria de quadrinhos estremecesse, prejudicando distribuidoras de quadrinhos e colocando editoras fora do negócio. Estava criado o Comics Code Authority, selo que serviria como ferramenta para regulamentar o que podia e o que não podia ser colocado em uma história em quadrinhos.

Willian Gaines e a EC Comics foram provavelmente os maiores prejudicados, já que eventualmente o selo passou a ser o que os perseguidores dos quadrinhos queriam: uma arma para censurar tudo o que eles quisessem. E o “tudo o que eles quisessem” era bastante abrangente e incluía situações absurdas, como a proibição do uso das palavras “horror”, “terror” e “weird” (algo como “esquisito”, “estranho”, em tradução livre) nas capas de qualquer comic. Quando, por conta disso, distribuidores se recusaram a distribuir muitas das revistas da EC (algumas inclusive das mais famosas e vendáveis), Gaines encerrou a publicação de suas 3 revistas de terror e seus dois títulos “SuspenStory”. Tudo isso ainda em 1954.

Para tentar sobreviver, a EC mudou o foco das suas revistas para histórias mais realistas como M.D (sobre medicina) e Psychoanalysis. Também renomeou suas revistas de Sci-fi remanescentes mas, já que as edições iniciais não carregavam o selo do Comic Code, os revendedores se recusaram a vendê-las. Após consultar sua equipe, Gaines, mesmo relutante, enviou as HQs para avaliação do Comic Code e então todos os títulos desta “nova direção” da EC receberam o selo a partir das segundas edições, mas as revistas não tiveram boas vendas e acabaram sendo canceladas em poucas edições.

Na próxima Madrugada:
Uma mudança na coluna, as batalhas travadas pela EC Comics e o fim desta sequência de matérias em A História da EC Comics – Derrota.