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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Podcast Uarévaa #90 - Cantadas de Pedreiro



"Vem gritar comigo, sua linda!"

Freud, Romenique Zedeck, Rafael Rodrigues, Marcelo Soares, Guilherme Balbi e Luiz Modesti ensinam como conseguir NÃO pegar uma mulher, usando cantadas nerds que conseguem ser piores que as tradicionais cantadas de pedreiro. Mais um serviço totalmente inútil que o Uarévaa presta a seus leitores e ouvintes, mas que ao menos pode render algumas risadas... ou não!

E, como desgraça pouca é bobagem, o Momento Uarévaa está de volta, com Freud, Marcelo, Zenon e Moura fazendo a leitura de comentários acumulada de 3 podcasts.




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e depois em "Salvar link como..")

E o RSS? E o ITunes? Já tá tudo ok?

PORRA NENHUMA...

Nem vamos mais prometer prazo nenhum, porque tá brabo. Mas vamos resolver o mais breve possivel, galera, acreditem! Devemos e não negamos, pagaremos quando pudermos.

Comentado no Podcast

- Post do Romenique (que na época ainda era o "Skrull da Terra 13") sobre o Personal Paquera: Clique AQUI.

- A tirinha do fusca azul, citada no Momento Uarévaa. Veja outras tiras do Robson em www.robiscos.com.

- E a promoção lá do ARGcast tá acabando, galera, últimos dias para concorrer! Clique ai no jabá para saber como.



Comentem ai ou mandem e-mails (para contato@uarevaa.com) com críticas, elogios, sugestões e etc e tal sobre nosso podcast.

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Virada Cultural Paulista 2012

Stand-Up e Luta Livre.




Virada Cultural Paulista. Pra quem não sabe é aquela coisinha bonita que acontece no centro de São Paulo todo ano. As principais ruas ao redor da Praça da Sé são fechadas para veículos e vários palcos são instalados onde rola de tudo durante 24 horas. E quando eu digo de tudo, é TUDO mesmo. De estandes com famosos chefs de cozinha fazendo rango pra galera a shows de MPB com artistas famosos. De peças teatrais com Saltimbancos a tendas com dançarinas exóticas, poledance e shows com Gretchen e Rita Cadillac. Mostras de filmes e curtas nacionais e internacionais competem com clássicos da pornochanchada no Cine Windsor, lá na Boca do Lixo. Tudo isso além de espetáculos circenses espalhados por todas as ruas com mágicos, batalha de malabaristas, palhaços e muitas outras coisas. E o mais legal: tudo de GRAÇA.
 Então, na bela tarde do último domingo, eu e Srta Z arrumamos nossas trouxinhas, nos abastacemos com barras de chocolate e fomos rumo ao espetáculo. Já na estação Portuguesa-Tietê percebemos que o número de hipsters e pessoas randômicas já era grande para o horário. Algumas estações depois descemos na Praça da Sé.
Pois bem. Eu disse que a parada é de graça e na Praça da Sé, não disse? Então já fica subentendido que seu espaço será dividido com os típicos moradores da Praça da Sé, também conhecidos como mendigos. Alguns bem à vontade pra dormir no MEIO da calçada ou aproveitando pra fazer artesanatos com latinhas e tal. Nos primeiros passos adentro de onde rolava o evento já chegamos à conclusão que se o Brasil entrasse em guerra naquele dia, poderia tranquilamente usar os banheiros químicos como ARMAS químicas. Era só um avião pegar uma cabine daquela e jogar em cima de alguma coisa que uma grande área teria uma devastação equivalente a Chernobyl. Certeza! Fora que alguns pontos da praça pareciam um campo logo após o final de uma batalha. Corpos jogados pela grama, gente desmaiada no chão, alguns que esqueceram o rumo de casa e acharam que era mais confortável dormir na escadaria usando o próprio vômito de travesseiro. Coisa linda!

 Mas olhando a programação, concluímos que nosso objetivo seria o palco de Stand-Up que estava rolando durante 24 horas com diversas apresentações e o palco de Luta-Livre! Sim! As lutinhas de mentira que faziam sucesso na TV Manchete na hora do almoço com Ted Boy Marino tinha um palco especial pra só eles se esmurrarem de brincadeirinha. E foi pra lá que nos dirigimos.

 Assim que chegamos pudemos ver uma “luta” que estava prestes a começar. E era uma briga de casais. Um casal de brasileiros contra um casal de Chilenos. Daí começa aquele roteiro de sempre, né: ameaça juiz, as mulheres começam se porrando, daí um dos caras entra pra ajudar, daí já entram os quatro no ringue e tal. As mulheres mandaram bem e fizeram os melhores movimentos da luta.

A brasileira fez um movimento à lá Rey Mysterio bem legal.

Já os caras eram mais brutamontes e ficavam só na porradaria (inclusive o chileno usava uma máscara versão for dummies do Slipknot).

 Por fim, óbvio que o casal brasileiro venceu, ganhou cinturão e tals. Particularmente não sou o maior fã de luta-livre, mas alguns movimentos que eles fazem são bem legais e são ótimo dublês, porque ao vivo não tem jogadinha de câmera nem nada. É no profissionalismo. Inclusive quando um dos malucos resolve jogar o outro pra fora do ringue, direto na calçada (sim, isso aconteceu como você pode ver abaixo).

Apontou...preparou...

PIMBA!!



 A segunda luta foi entre um brasileiro que entrou com uma máscara de lutador mexicano (!) e que lutava capoeira (!!) contra um gordão Peruano que usava um maiô verde (!!!). Eu não vi essa “luta” inteira, mas foi legal quando o gordão de maiô verde jogou o mexicano além das barras de segurança, direto onde nós estávamos.
Se liga na cara de horror do molequinho. Huahuahuahuahua...

 E foi isso. Deixamos o ringue pra trás e fomos até o palco principal do evento que era o de stand-up. Chegamos bem na hora em que o excelente Marcelo Mansfield apresentava o último comediante daquele grupo: Rafinha Bastos.

 A multidão estava tão compactada em frente ao palco que foi impossível tentar chegar mais perto. A pobre Srta Z, devido a sua estatura, mal conseguiu ver direito o comediante, mas deu pra ouvir na boa. Óbvio que Rafinha Bastos começou sua apresentação falando da piada envolvendo Wanessa Camargo e seu rebento, mas numa coisa eu tenho que tirar o chapéu para o Rafinha: mesmo diante de tanta pressão, xingamentos, perda de contratos publicitários e até a sua demissão do CQC, ele não abaixou a cabeça e tentou amenizar as coisas. Continua fazendo as mesmas piadas sarcásticas e ácidas que sempre fez, mesmo antes de aparecer na TV e no palco não foi diferente. Um exemplo? Em determinado momento, ainda falando do incidente com a “filha do Zezé Di Camargo e Luciano” ele soltou algo do tipo: “ Até o Ronaldo falou mal de mim. Disse que fui infeliz na minha piada. Mas convenhamos que um cara que sai com três travestis sendo que um deles morreu de AIDS não tem muita aptidão pra falar da vida dos outros. “ Várias risadas, alguns cochichos e um sonoro “ nuuuuuuuss... ” dos milhares que assistiam à cena. E não parou por aí.

 - Vamos falar de uma coisa mais leve, então? Vamos falar de pedofilia. Tem aqueles que não gostam de pedofilia. E tem aqueles que são padres. – disse diante da multidão provocando palmas da platéia.

 Detalhe: o palco principal fora montado EM FRENTE à Catedral da Sé.



 Cerca de vinte minutos depois ele encerrou o show e tivemos um intervalo de 1h30m até que o último grupo de comediantes se apresentasse. Nesse meio tempo ficou combinado entre eu e Srta Z que não compraríamos nada líquido pra evitar futuras vontades de utilizar os banheiros de Chernobyl e com a dispersão de pessoas, conseguimos chegar até bem próximo do palco. Então o Mestre de Cerimônias, Marcelo Mansfield dei início ao oitavo e ultimo grupo que iria se apresentar: Maurício Meirelles (CQC), Oscar Filho (CQC), Geraldo Magela, Diogo Portugal, Marcelo Marrom junto com Rodrigo Capella e, finalmente, Danilo Gentilli.

 Pra mim, um dos melhores foi o Maurício Meirelles. Ele já chegou agradecendo aquele que foi o responsável pela sua entrada no CQC: o filho da Wanessa Camargo.
 Cara, como eu ri!

 Em seguida ficou claro que todos eles tinham combinado de fazer pelo menos alguma piadinha em relação à igreja. O próprio Meirelles foi ovacionado quando disse: “ O mais legal sou eu aqui, na frente de uma igreja falando merda pra um monte de gente. Estou me sentindo o Edir Macedo. “

 Outros dois que se destacaram foram Marcelo Marrom e Rodrigo Capella que se apresentaram juntos. A dinâmica dos dois é muito boa e fazem uma linha meio Didi e Mussum, onde um fica zoando a cor do outro, além de usarem músicas pra interagir com a galera. Por incrível que pareça os mais esperados da noite usaram piadas que já cansamos de ver na TV ou em vídeos do YouTube. Até mesmo o aguardado Danilo Gentilli fez uma apresentação bem fraca. Mas isso não impediu que um público de mais de 20 mil pessoas assistissem às apresentações. E assim, terminou pra gente a Virada Cultural 2012. Com aquele gostinho de “devia ter vindo antes e aproveitado mais”. Mas tudo bem, ano que vem tem mais.

 PS: Não sou do tipo que costuma visitar os lugares turísticos de São Paulo e geralmente limito minhas visitas à Avenida Paulista, mas as construções ao redor da Praça da Sé são excelentes.





segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Cor que caiu do Espaço

“Embora a província do desconhecido venha diminuindo sem nenhuma interrupção há milhares de anos, uma reserva infinita de mistério ainda paira sobre a maior parte do cosmo sideral.”
H.P. Lovecraft






Tema Macabro




H.P. Lovecraft é mais conhecido por sua contribuição para o realismo fantástico (nada me tira da cabeça a ideia de que ele influenciou de alguma forma Erick Von Daniken e sua teoria dos Deuses Astronautas) e para as histórias de terror cósmicas, mas nem sempre foi assim. De fato, inicialmente, o auto se limitava a obras e temas comuns ao gênero. Histórias como A tumba, O Caso de Charles Dexter Ward, o Depoimento de Randolph Carter e Herbert West: Reanimator se utilizavam dos temas mórbidos mais recorrentes ao gênero na época, mas em Dagon (que foi seu segundo conto publicado) o autor já demonstrava, embora de forma mais tímida, interesses que mais adiante ficariam claros: História, astronomia e arqueologia.

Mas, embora Lovecraft flertasse desde o começo com tais temas, foi com A Cor que caiu do Espaço que ele iniciou sua jornada pelos confins do cosmo a fim de trazer inspiração para seus escritos, o que acabou tornando-o conhecido por este tipo de história.

A trama de A Cor que Caiu do Espaço é simples – e talvez hoje soe até previsível, mas instigante (ainda mais para a época – estamos falando de um momento histórico marcado pelo cientificismo e por novas e inimagináveis descobertas científicas): Existe um terreno nos arredores da cidade de Arkham, que é evitado por todos na cidade. Possui uma atmosfera gótica e perturbadora, cinza e sem vida. Mas conta-se que antigamente o lugar já foi bem diferente, cheio de plantas, cheio de vida, habitado por uma família que era dona do terreno e inclusive sendo um lugar ótimo para se visitar (pelo local e também pelas pessoas). Mas tudo mudou com a queda de um estranho meteorito vindo do espaço.

O conto marca um importante ponto na vida literária de Lovecraft. Em seus ensaios “Horror Sobrenatural na Literatura” e “Notas sobre Ficção Interplanetária”, o autor defende que a verossimilhança lógica e emocional dentro deste tipo de trama é fundamental para garantir o engajamento do leitor a essas histórias. Coisas como reações humanas mais condizentes com a natureza do incidente fantástico (ele alegava que muitos autores banalizavam as reações das pessoas frente à acontecimentos extraordinários e que isso desacreditava as histórias) e a representação de coisas fantásticas, não como sendo coisas dentro de nossa perspectiva, mas como sendo o que o próprio nome diz, ou seja, fantásticas, estão entre as opiniões do autor quanto à direção que ele segue em suas histórias.

A Cor que Caiu do Espaço, por exemplo, surge da intenção de Lovecraft de retratar uma forma alienígena que fosse tão distinta daquilo que conhecemos que o máximo que podemos fazer é uma analogia sobre o que aquilo se parece, mas que, por sua completa falta de identificação com qualquer forma de vida já vista, ela acaba se tornando, de fato, alienígena, num sentido bem mais profundo. Por essa razão que a forma alienígena que vemos não parece nem sólido, nem líquido, e de fato nem gasoso, sendo a analogia mais próxima, apenas uma “cor”. Uma cor que veio do espaço.

A história ainda teve adaptações para o cinema: “Die, Monster, Die” é de 1965 e conta a história de um cientista americano que visita a cidade da família de sua noiva encontra durante a viagem um terreno destruído por uma enorme cratera, que é evitado fortemente pelos habitantes da cidade. O filme tem Boris Karloff no elenco e, bem, toma algumas liberdades no que se refere à história.








De 1987, “The Curse”, trata de um fazendeiro religioso que procura sustentar sua família e manter sua fazenda, a qual está em vias de perder para um rico comprador que quer a maior parte das fazendas do local para ser uma área de lazer, e uma noite de tempestade onde um objeto brilhante não identificado cai em sua propriedade desencadeando uma terrível “maldição” sobre a cidade.








Há ainda uma terceira adaptação, mais recente, de 2010: “Die Farbe” (A Cor), produção alemã e que parece ser a mais fiel e interessante das adaptações.








A Cor que caiu do espaço é sem dúvida um marco importante para os fãs do realismo fantástico, do terror interplanetário e, principalmente, os fãs do autor, pois marca definitivamente o rumo que Lovecraft tomaria no que tange aos seus principais interesses dentro de sua literatura. A versão brasileira foi publicada no formato pocket recentemente pela editora Hedra, que tem feito um ótimo trabalho com as publicações do autor.

Curiosidades:
- H.P. Lovecraft declarou que “A Cor que veio do Espaço” é, de seus escritos, a sua história preferida;
- No conto, o autor se refere à criatura como um tipo de cor que não existia na natureza. Existem de fato as chamadas “cores impossíveis”, que não são percebidas sob condições normais. São cores completamente “inéditas” que são observadas apenas em condições bem específicas.

Os Vingadores, heróis da ciência

“São monstros e magia, nada para o qual fomos treinados”
Viúva Negra

“No fim, vocês sempre se ajoelham”
Loki

“Nós não somos uma equipe, somos uma mistura química que produz caos.”
Bruce Banner

(Nota: Este ensaio não é uma resenha e é, como todo ensaio, um ponto de vista pessoal e subjetivo acerca do tema)

“Qualquer ciência suficientemente avançada é indistinguível da magia”, disse uma vez, salvo engano, Arthur C. Clarke. Por trás dessa declaração, há uma mensagem muito importante e da qual poucas pessoas se dão conta: Conhecimento é poder. “Magia”, nada mais é do que algo fora do comum, alheio à nossa capacidade de julgamento e imprevisível, ou seja: algo que não entendemos, como toda a tecnologia de serpentes gigantes e criaturas demoníacas aliadas à Loki, o vilão de Os Vingadores. Já ciência é parte do ser humano, foi criada a partir de sua capacidade e serve justamente para permitir que compreendamos as coisas e as usemos em nosso favor, como Tony Stark fez para salvar sua própria vida (o que acarretou sua transformação em Homem de Ferro), e para criar um protótipo de torre autossustentável que eventualmente garantiria energia limpa para a população.

Enquanto a magia é hermética, fechada num mundo exterior além de nossos olhos (como Asgard e os outros mundos citados e apenas vistos indiretamente no filme), a ciência é democrática, tendo sido capaz tanto de transformar Steve Rogers em uma lenda viva quanto condenar Bruce Banner a uma vida fugindo dos outros e de si mesmo. Mas é nesta distinção entre magia e ciência que reside a importância da frase de Arthur C. Clarke: quando não entendemos algo, ficamos à mercê deste (ou de quem a entende). Mas, quando o compreendemos, podemos controlar nossos próprios destinos.

A ciência é libertadora. Pode parecer exagero, mas não é. Há um sem número de exemplos que eu poderia dar, mas é fato de que nossa sociedade progrediu muito nos últimos séculos, especialmente por causa da ciência. Deixamos (nem todos, mas isso não vem ao caso) de atribuir os eventos alheios a deuses e inteligências fora da nossa compreensão e passamos a entender como a realidade funciona. Assim, passamos a ter controle de nossas próprias vidas.

Mas ter controle sobre nossas próprias vidas é uma responsabilidade grande. Talvez grande demais para alguns de nós suportar. Talvez por isso Loki tenha sido incisivo para com a multidão que se ajoelhou diante dele, ao dizer que os humanos foram feitos para serem governados. Nem todo mundo quer a responsabilidade. Saber é pedir demais. Às vezes, é melhor ficar com a magia e deixar que outros decidam por nós.

É claro que a ciência cometeu alguns erros no caminho, como bem disse Nick Fury a Steve Rogers. Muitos, aliás. Afinal, a ciência não tem a intenção de ser infalível. Não podemos esquecer, no entanto, que a ciência é uma ferramenta: O uso dela depende exclusivamente de nós mesmos. Foi o que demonstrou Bruce Banner que, mesmo tendo sido condenado a uma vida dividindo espaço com um monstro enfurecido, aprendeu a controlá-lo e usá-lo para salvar vidas ao invés de destruí-las. Um efeito colateral negativo usado de forma positiva.

Em Os Vingadores, o embate Magia X Ciência é bem claro: Quase todos os mocinhos se valem da ciência para serem o que são (além, é claro, de suas próprias habilidades e personalidades pessoais), seja uma armadura, um soro do supersoldado, um monstro criado por radiação ou armamentos ultratecnológicos da S.H.I.E.L.D. O único dos mocinhos que está mais próximo da magia (dentro do conceito estabelecido neste texto) é Thor, que é indiretamente responsável por todo o caos que o filme retrata. Assim, a magia vem nos escravizar. Não somos capazes de controlar certas forças, não sabemos ser livres, precisamos de alguém que nos diga o que fazer, alguém mais poderoso que nós, que sabe mais do que nós. Estas foram certamente desculpas muito utilizadas ao longo da história por personagens reais para justificar ditaduras e transformar pessoas em “macacos voadores”, alegoria usada pelo diretor da Shield para se referir aos personagens manipulados por Loki.

E este é outro ponto a ser comentado: todos os personagens que auxiliam Loki em sua cruzada são pessoas bem-intencionadas, possivelmente de bom coração, que estão sendo manipuladas, tendo suas “mentes controladas” pelo vilão. Isso é o que aconteceu com muitas pessoas ao longo da história que seguiram pessoas como Hitler ou que ajudaram a queimar bruxas na inquisição. Foram manipulados pela “magia”. Mas a magia talvez não seja tão poderosa assim. Doutor Selvig, que havia sido manipulado para construir uma máquina capaz de usar o Tesseract para abrir um portal para outro mundo, conseguiu manter sua consciência o bastante para sabotar o próprio trabalho. Por mais que a magia seja tentadora, a ciência possui uma aliada forte: a possibilidade de conhecimento.

Os heróis vistos em Os Vingadores surgiram em uma época em que o cientificismo estava em alta (com exceção do Capitão América, mas deixemos o contexto histórico dos quadrinhos de lado): por essa razão, todos os personagens têm algum “pé” na ciência. Mas, ao mesmo tempo em que são heróis científicos, são pessoas difíceis: atormentadas, geniosas, sisudas, deslocadas... São pessoas convivendo com o fardo que a ciência carrega, o fardo do conhecimento, cujo bom uso depende de seu próprio discernimento. E, como acredito que todo adulto saiba, conhecimento é um fardo complicado, e nem sempre sabemos a melhor forma de usá-lo (sendo que, na maioria das vezes, apenas achamos que sabemos). Cada herói carrega sua “cruz” científica, mas fazem dela uma ferramenta para alçar vôos mais altos, para se tornar pessoas melhores e para vencer as adversidades. Mas é o conhecimento deste fardo, a capacidade de entender o que eles podem trazer de bom e de ruim, que faz ser possível discernir sobre a melhor forma de usá-los. E é isso o que, apesar dos tropeços e dos desentendimentos iniciais, os heróis de os Vingadores acabam percebendo para assim se unir por um bem maior.

Os Vingadores não são os super heróis típicos; Eles são poderosos, mas são problemáticos e imprevisíveis. São heróis que erram para poder acertar. São heróis da ciência. Mas mais do que uma visão positiva da ciência, Os Vingadores levam o público a refletir sobre um conceito simples, mas fundamental: liberdade. Liberdade esta que foi tirada pela magia de Loki e que só pôde ser retomada através da ciência e do conhecimento. Não é uma liberdade bonita: É uma liberdade onde todos podem tomar suas próprias decisões, onde todos podem errar e coisas imprevisíveis podem acontecer... Mas uma liberdade onde qualquer um pode ter controle de sua própria vida, ao invés de se ver obrigado a ajoelhar-se diante do desconhecido.


P.S.: Acredito que muita gente não saiba, então apenas em nível de curiosidade: Tesseract, título dado ao cubo cósmico que gera todos os problemas em Os Vingadores, é o nome (em português é “Tesserato”) de um “cubo” hipotético de quatro dimensões, uma forma geométrica que tenta, em 3 dimensões, ser um modelo do que seria um objeto quadridimensional. É também chamado de hipercubo 4D.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Podcast Uarevaa #89 - Os Vingadores


"Valeu, Josueldon!"

Freud, Duende Amarelo, Zenon, Marcelo Soares, Moura, Vini e Luiz Modesti fecham a trilogia de pods relacionados à Os Vingadores, finalmente falando do filme: roteiro, atuações, lutas, cenas e gags mais legais, defeitos e por ai vai..

CLARO que nesse pod rola SPOILER pra caramba, então, se ainda não viu o filme, salve no seu MPTreco ai pra ouvir só depois de ter assistido.




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Comentado no Podcast

- A moto do Hulk que o "Josueldon" usou como referência pra uma cena de Os Vingadores:




- Homenagens ao Hulk feitas pelo maior cuequinha roxa do Uarévaa, o Vini.



- Fotos da paródia pornô que vem por ai.




Ouça também nossos outros podcasts relacionados a Os Vingadores:

- Podcast #85, sobre a hq Os Supremos, clique AQUI.

- Podcast #88, sobre os outros Filmes da Marvel Studios, clique AQUI.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Avante Vingadores!


Se você, assim como o Seu Madruga, ainda não foi ver o filme dos Vingadores no cinema por que a vingança nunca é plena... passe longe dessa resenha, porque, lógico (!!!) ela terá muitos spoilers sobre o filme!
E na boa, o que te faz “morgar” tanto aí, que ainda não foi ver essa incrível película sobre os maiores heróis da Terra?


Cara, uma das coisas mais difíceis pra mim, hoje, é fazer essa resenha do filme dos Vingadores. Parece que quando você acha que ele foi simplesmente perfeito, vão achar que todo o seu senso crítico foi pelo ralo.
Mas, vejam bem, todos esperavam que no mínimo o filme tivesse muita ação e que fosse pelo menos um pouco fiel aos quadrinhos, certo? Porra, então isso foi cumprido a contento! Posso dizer mais, superou as expectativas do mais fervoroso fã da equipe!
Fez com que pessoas que nem lêem quadrinhos ou aqueles que tiveram pouco contato com os personagens no cinema, simplesmente vibrassem durante a exibição do filme. Uma coisa que dá pra ver logo de cara que o sucesso dele vai ser mais estrondoso do que os pipocos do trovão que o Thor conjura, por conta da molecada usando tudo quanto é traquitana relacionada ao filme. Fora o fato de que mais de 1 milhão e meio de pessoas aqui no Brasil já foram ver um dos maiores filmes de grupo de heróis do cinema!



Mas vamos à resenha... Véio, ver todos aqueles heróis reunidos pela primeira vez é o sonho de qualquer fã nerd de quadrinhos da Marvel e porque não, até dos fãs não recalcados da Distinta Concorrência que podem agora sonhar e exigir um filme decente da Liga da Justiça.


Finalmente ver Homem de Ferro, Hulk, Capitão América, Thor, Viúva Negra e Gavião Arqueiroreunidos fez valer a pena cada dia de espera pelo filme! Ainda mais quando eles são apresentados de uma maneira que respeitou tanto sua vida e importância nos quadrinhos quanto ao fato do roteiro não destoar das aventuras cinematográficas passadas. Ficou realmente perfeito e devemos isso a um cara: Joss Whedon!


Não à toa chamaram um cara acostumado a trabalhar com vários personagens e mesmo assim manter uma linha de raciocínio lógica dentro da trama e da linha narrativa principal. Ainda que ele possua pouca experiência como diretor de cinema, Whedon (responsável pelas séries Buffy – A Caça-Vampiros, Angel e Firefly e nos quadrinhos pela ótima fase do grupo mutante X-Men) também foi responsável por parte do roteiro de The Avengers e soube dosar corretamente a participação e importância de cada herói na trama, mesmo que alguns tenham se sobressaído, mas isso é apenas mérito do próprio ator/atriz.



Como no caso de Tony Stark/Homem de Ferro de Robert Downey Jr., que continua com seu jeito irônico e divertido de se ver, porém muito mais a vontade no papel do herói de lata. Ver o cara atuando é uma das melhores coisas do filme, e não tem como não ter a impressão de que ele está apenas fazendo o papel dele mesmo! As cenas com o Ferroso continuam hilárias e fantásticas, como na luta contra o Thor, a porradaria contra os Chitauri durante a invasão e até mais uma “transformação” foda durante uma queda da Torre Stark!
Scarlett Johansson e sua Viúva Negra não só tira o ar de qualquer fã dos Vingadores como está excelente no filme. Isso devido à profundidade que deram para a sua personagem, que foi tratada meio que de forma rasa no filme Homem de Ferro 2 e agora volta em cenas que revelam um pouco mais da personagem e seu passado, bem como sua capacidade de luta e de espionagem em cenas bem agradáveis. E isso não só pela beleza da moça!


Outro grande nome do filme é o Hulk de Mark Ruffalo. Pô, o cara mandou bem pra caramba como o Dr. Bruce Banner e todos os trejeitos (e inclusive as feições do ator) passaram imediatamente para o grande Golias Esmeralda que simplesmente arrebentou no filme! Tanto nas conversas com a Viúva e com o Stark quando transformado caiu na porrada com o Thor dentro do Aero Porta Aviões da SHIELD, numa das cenas mais fodas do filme!


Aliás, o personagem teve várias cenas fodas. Pela primeira vez conseguiram dar “peso” para o personagem! Seja ele combatendo os aliens, onde dava pra sentir a máquina de destruição que o Hulk é, seja na luta contra o Thor, onde podemos ver até o quanto o Deus do Trovão é poderoso, seja na cena totalmente hilária, onde rola uma espécie de homenagem aos quadrinhos, dele dando um soco e mandando o Thor pra longe ou até na melhor participação do Verdão no filme, com ele quebrando o Loki na porrada como se fosse um bonequinho de brinquedo! Cena totalmente épica!

Whedon deu um jeito de a trama ser toda voltada para os acontecimentos relacionados aos últimos filmes lançados da Marvel, pendendo mais, lógico, para o lado do Thor do que do Capitão América. Mas houve certa junção, já que o Cubo Cósmicoestava na parada e tínhamos o meio-irmão do Deus do Trovão como antagonista dos Vingadores. Achei os outros personagens na medida também, acharam até uma função perfeita pro Gavião no filme, já que se não fosse dessa maneira, ele seria apenas um coadjuvante ralé lá no meio.



Só acho que o Capitão merecia alguma cena mais relevante. Sua participação ficou meio difícil de analisar para muitos espectadores, mas como fã de longa data da Marvel, acho que deu para ler nas entrelinhas a importância de sua participação. Pelo menos é isso que defendo no podcast que irá pro ar hoje (04/05/12) aqui no Uarévaa!
Chris Evans continua surpreendendo no meu ponto de vista e Tom Hiddleston (Loki) está muito melhor nesse do que no filme do Thor.


A grande surpresa pra mim foi a morte do Agente Coulson (Clark Gregg) que era o elo de ligação do espectador com os personagens, mas tá valendo. Deve lá sua grande importância para a trama (e não só para esse filme como para os outros também).


Do resto tá tudo lá. A SHIELD sendo féla da puta precisa ser ou uma pedra no sapato quando convém... Só faltou o famoso grito da equipe: Avante Vingadores!



Enfim, não quero me estender demais na resenha porque muita coisa vai ser falada durante o podcast, mas acredito que a missão está cumprida! Fizeram um grande filme dos Vingadores, coisa que muitos não esperavam acontecer, e que trouxe muitas doses de ação, aventura, risadas e muita emoção a todos os fãs, por estarem finalmente levando esse super grupo as telas de cinemas com maestria e de uma maneira tão honesta e respeitosa!


Vou assistir de novo e de novo e de novo...




PS.: Será que um segundo filme dos Vingadores com um vilão como Thanos irá funcionar mesmo?


Nota 10

The Vingadores: Os Avengers

"Se não pudermos defender a Terra, vamos garantir que ela seja vingada (Tony Stark)"


"Ih, será que conseguimos?"

Na última década as traduções de histórias em quadrinhos para o cinema aumentaram consideravelmente. Inspirados no sucesso de X-Men, filmes como Homem-Aranha e Batman Begins construíram uma nova visão de super-heróis na tela grande: cheios de dramaticidade, tensão, tons sombrios, que se espalharam para praticamente todas as obras realizadas após, em maior ou menor grau, como nos filmes da Marvel Studios até agora.

Então, qual foi minha felicidade ao sentar na poltrona do cinema e ver que a boa e velha aventura de ação heroica ainda não morreu no mundo da sétima arte, com os maiores heróis da terra: Os Vingadores.

Nada contra o mundo dark de um Batman do Nolan, ou o drama emocional de um Peter Parker. São filmes e visões heroicas que muito me agradam, mas, confesso que sentia falta daquele tipo de aventura tipicamente dos quadrinhos com seus vilões caricatos, máquinas exageradas, histórias rasas de pura ação bem feita e com o mínimo de bom senso.

Em Os Vingadores (2012), encontramos tudo isso e ainda com os surpreendentes acréscimos de desenvolvimento de personagens, atuações de qualidade, ótima direção e um roteiro que se tem algumas saídas fáceis aqui e ali, consegue dar uma coesão e ritmos mais do que agradáveis de se ver.

"Não quer um óculos emprestado caolho?"

Com um projeto ambicioso iniciado em 2008 no lançamento de Homem de Ferro, a Iniciativa Vingadores passou por cinco filmes preparando o terreno para uma obra que reuniria alguns dos mais famosos personagens dos quadrinhos da editora Marvel: Hulk, Capitão América, Thor, Viúva Negra, Gavião Arqueiro e o próprio Homem de Ferro. Sob a direção de Joss Whedon (Serenity, Buffy), o filme conta o plano de invasão da Terra por forças alienígenas comandadas pelo Deus Asgardiano Loki, obrigando a organização militar secreta SHIELD a recrutar heróis para formar uma força de contra-ataque.

Então nós temos um elenco cheio de atores conhecidos e famosos de Hollywood, em especial Sir Downey Jr. que por seu carisma natural sempre chamaria todas as atenções para si, uma grande verba, efeitos especiais na mão, uma gigantesca expectativa de público e critica, além da obrigação de não só colocar personagens em lutas sem sentido, mas, sim, dar o mínimo de profundidade a todo caos antes, durante e depois de uma batalha decisiva. Tudo isso com o controle de um diretor que só tinha realizado um filme anteriormente, sem grande sucesso de bilheteria, e que tinha no currículo boas fases pela televisão e quadrinhos. E ai é que está o diferencial de Whedon em relação a outros.

"Então, vamos falar de coisa boa?"

Advindo da TV com seus seriados Buffy e Firefly, Whedon passou por uma elogiada época na revista dos X-Men e com isso conseguiu demonstrar aos outros que conseguia desenvolver bem uma história de equipe. Logo que entrou no barco, nerd de carteirinha que é, reescreveu o roteiro já feito para Vingadores e pôs sua visão dos personagens nele.

E o que vemos na tela é impressionante de fato, poderia ate dizer que uma sinfonia onde Whedon atua como Maestro, levando sua história e seus personagens de forma harmônica para todos os lugares ao seu bel prazer. Assim, no primeiro ato da composição temos um ritmo mais lento, até arrastado, contextualizando a situação de perigo, os personagens em seu status quo atual, conduzindo-os para um único cenário onde o primeiro movimento de conflito se dará: O (impressionante) Aero Porta Aviões da Shield. É lá onde as primeiras tensões entre os membros da equipe surgem, onde o vilão é encarcerado e onde a equipe é despedaçada das mais variadas formas para que no terceiro ato saibam se reagrupar, superar as adversidades e, enfim, trabalhar como equipe.

Alias, mais um grande mérito da produção conseguir por uma equipe em ação em um grande cenário de batalha atuando de fato como equipe: com seus improvisos, combinações de ações, pensamentos rápidos e com uma pura visão heroica orgasmática para os fãs. Também não posso deixar de falar do alto grau de humor aliviante de tensões que o filme tem, chega alguns momentos até ser exagerado, mas dá bem esse tom de leveza e superaventura que tanto me agradou (Homem-Aranha podia ter feito isso bem anos atrás né?)

"Hulk enraba mulherzinha de preto!"

O roteiro apesar de ser bem simples e até raso é bem construído e lança momentos, frases, piadas que parecem soltos, mas que são bem interligados mais a frente. Whedon consegue o impressionante feito de dar espaço tanto de ação quanto de diálogos, desenvolvimento, para todos os personagens principais. Com cada um tendo seu momento "que foda!", bem, menos o Capitão América que apesar de coordenar a equipe e ter algumas boas cenas de ação merecia algo de fato surpreendente e impactante a mais do que foi feito.

Na verdade, pouca coisa me incomodou no desenvolvimento do filme, destacaria somente a aparição sem uma explicação mais detalhada de Loki já no espaço com um exercito pronto para comandar e o tal Leviathan que só serviam para levar os Chitauris e sair batendo em prédios. Se engenheiros de máquinas de guerra eu fosse, em um monstrengo desses colocaria alguns canhões de energia para mais rapidamente destruir meu inimigo.

"Festa estranha com gente esquisita"

De resto, Vingadores foi para mim, que nem sou lá tão fã da equipe, uma grande diversão bem montada e que eleva os filmes de heróis a um novo patamar, assim como seu diretor (o qual espero que agora, após adentrar de vez o hall da fama Hollywoodiano, faça mais e mais bons filmes de ação). Agora, é só esperar pelas continuações não só de Vingadores, mas também de todos os outros filmes Marvel Studios, e ter fé que esse cuidado e bom trabalho da reunião de grupo se espalhem para as obras de cada herói.

Sobre caminhos que a equipe e suas aventuras podem tomar daqui para frente, torço muito para só retornem algo mais espacial novamente lá para um terceiro filme, que no segundo seja um olhar mais terrestre e de relacionamentos entre os personagens. Adoraria ver Hank Pym e seu Ultron, sendo o vilão da história, e por consequente o Visão, para no fim ele se aliar a equipe de heróis. E que venham Espetacular Homem-Aranha e Batman Dark Knight, que sejam ótimos e se o mundo não acabar poderemos dizer que 2012 foi um grande ano para os nerds.

Nota: 9.5