Aproveitando o post anterior do meu camarada Moura, eu vinha há muito tempo querendo postar isso por aqui, mas não encontrava brecha, então, já que o assunto tá em pauta com o nobre pastor malacão chamando blogueiros de filhos do demônio e tals... resolvi deixar minha impressão sobre uma de suas "verdades": o dízimo!
Mas pra começo de conversa: O que é dízimo? Dez por cento dos seus rendimentos para os cofres da igreja? Tá, mas será que Deus ainda exige algo que estava escrito lááá na lei do Antigo Testamento, no qual foi instituído o dízimo? Isso mesmo depois do sacrifício de Jesus para remir o homem do pecado?
Já adianto que não pertenço a nenhuma igreja, mas fico puto da vida quando vejo essas pobres almas sendo enganadas de forma desonesta levando-os a crer nessa forma desvirtuada de "obrigação" feita pelos seus muitos pregadores.
Dízimo é a décima parte de qualquer coisa menos dos seus rendimentos. Sabe porquê? Porque a fração equivalente a 10% dos rendimentos chama-se dízima. Isso, com A no final.
E qual é a diferença?
Bom, não sou expert no assunto, mas vamos tentar ser racionais (isso faz um bem danado, acredite se quiser!). Se a gente voltar no tempo, lá na época em que era a lei de Moisés que tava valendo, o dízimo nunca foi dinheiro ou espécie para os cofres das igrejas.Os dízimos dos quais eram válidos na época, eram dez por cento das colheitas dos grãos, dos frutos das árvores e da procriação de animais que nasciam no campo em um determinado período, que eram direcionados aos levitas (ou descendentes de Levi) que eram sacerdotes e seus auxiliares, servidores dos tabernáculos, ou seja, aqueles que serviam de alguma forma aos lugares de culto. Resumo da ópera: Era o alimento destinado a suprir as necessidades desses servidores que não tinham parte nem herança na terra prometida.
Conforme dito em Deuteronômio 14.24-27: "E quando o lugar que escolher o Senhor teu Deus para fazer habitar o seu nome, for tão longe que não os possa levar, vende-os e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que escolher o Senhor teu Deus e compre tudo o que a tua alma desejar, e come ali perante o Senhor teu Deus, e alegre tu e tua casa. Porem, não desamparará ao levita que está dentro das tuas portas e não tem parte e nem herança contigo." Presta atenção na parte em que é evidenciado que, se o lugar que Deus escolheu para levar o dízimo, for tão longe que não se possa levar, Ele instrui que o dízimo deve ser vendido e o dinheiro atado a mão do dizimista, (observe que não é na mão de nenhuma outra pessoa). Portando, se o dízimo fosse dinheiro, não seria pedido que se vendesse o que já era espécie. Muitos pastores afirmam ser os novos levitas, pois se dedicam integralmente a igreja (mas nem sempre, alguns acabam fazendo bico de político, etc). E porque então não fazer uso disso através de mantimentos, então?
Porque com comida não se compra luxo, carros nem mansões, não é verdade? A não ser que você seja dono de um supermercadoPão de Açucar...
Hoje o dízimo está sendo direcionado para o líder ou dono da igreja, como também a cúpula de organizações religiosas, onde ninguém mais sabe a que fim se destina esse montante. E como diz convenientemente a ex-apresentadora infantil Mara Maravilha, isso já não é problema do fiel. Sei...
Na minha humilde opinião, o dízimo não foi criado para assalariar o dirigente da igreja ou para prover suas despesas pessoais, nem tão pouco para construir templos gigantescos banhados à ouro.
E pastor, paga dízimo?
Se paga, deve tirar do bolso direito para o esquerdo, certo?
Ou ele joga o dinheiro pra cima, o que Deus pegar é Dele, mas o que cair no chão...
Um amigo meu, cristão, fez certa vez uma coisa que nunca vou esquecer tamanho sua nobreza e dicernimento do correto, negou pagar o dízimo ao pastor de sua igreja (que chiou um montão), e se ofereceu a trabalhar num desses lugares que servem aquele sopão para carentes e moradores de rua. Ele passou um bom tempo lá descascando batatas e trabalhando para o bem comum. Isso é ajudar quem precisa. Isso é saber aonde estão direcionadas suas intenções. Isso é o que verdadeiramente se pede quando se fala em dízimo.
E pra terminar, um pouco de opinião polêmica (mamilos!) pra esquentar um pouco os ânimos daqueles que insistem em não serem racionais e deixam serem levados por aquele papinho 171!
O Pastor Malafaia desafiou, o Não Salvo aceitou, o O Lolco admitiu e agora é a vez do Uarevaa aceitar:
SOMOS FILHOS DO DIABO
Isso me deixou com a pulga atrás da orelha e fui questionar os meus pais, que negaram veementemente. Alguns familiares colocaram em questão o padeiro e o entregador de jornal, mas o Diabo, segundo eles, estava fora de questão. Por isso estou verificando com os blogueiros uma excursão com até o SBT para ir no Ratinho pedir DNA.
E me leva a pergunta: Se nós somos filhos do diabo, o senhor supracitado seria filho de quem?
Freud, Rafael Rodrigues, Moura, Marcelo Soares e o Ser SupremoAlex Matos chutam o balde (mas não a Santa) e fazem o PODCAST MAIS POLÊMICO DE TODOS, finalmente falando sobre RELIGIÃO!!
Ouça logo ai pois TEMPLO É DINHEIRO!!
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COMENTADO NO PODCAST
- O sósia do Moura ligando pra Universal
- O fiel que pensa que tá no programa da Xuxa
- Pastor Street Fighter
- Pastor Goku
- Padre Marcelo Rossi e os cachorros
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"Se todas as cores fossem iguais, não haveria arco-íris"
Rafael Rodrigues (pelo menos até onde eu sei ninguém famoso disse isso)
Sendo o membro (quase) declaradamente ateu do blog, achei que seria pertinente nesta semana da consciência discorrer sobre um assunto que é um dos meus objetos de estudo, tanto no âmbito pessoal quando no acadêmico: Religião.
Para falar sobre o assunto, eu vou evocar uma grande amiga minha que é Bióloga mas, graças às maravilhas de nosso sistema de ensino, precisa fazer as vezes também de professora de religião, que categoricamente inicia as aulas com a seguinte declaração: Existem dois princípios fundamentais que vocês devem conhecer desde agora: Em relação à religião, vocês tem um direito fundamental e um dever fundamental.
Todos os brasileiros, sem exceção, tem o direito de possuir e professar sua religião, caso seja assim sua vontade. Isso não é apenas um direito moral ou social, é um direito legislativo, ou seja, a liberdade de possuir uma religião é protegida por lei, mais precisamente pela Lei nº 16/2001 de 22 de junho. Isso significa que preconceito contra religião também é crime, previsto em lei. Assim, se o Rafael Rodrigues acredita firmemente no Monstro Espaguete Voador, ele tem todo o direito de dizê-lo, deixar isso claro e não ser ridicularizado por isso. Quer dizer, mais ou menos.
Eu acho (agora como opinião puramente pessoal) que existe um abismo de diferença entre ter uma religião e acreditar em algo indiscriminadamente. Do meu ponto de vista, que é de certa forma um ponto de vista “didático”, exercer uma religião é ter um conjunto de normas e rituais que fazem sentido para a pessoa, e da qual esta se dedica de forma profunda. Todos temos nossos rituais diários (eu por exemplo caminho 40 minutos a pé todos os dias para ir trabalhar, não para fazer exercício, mas para “sentir” o que acontece no mundo ao meu redor) e nossas normas de conduta (fico profundamente irritado quando as pessoas não seguem regras simples, como parar no sinal vermelho), mas no caso da religião estes elementos são, além de mais sistematizados e organizados, também tem um objetivo transcendental/metafísico. Independente de conceitualização, ter uma religião é, em suma, decidir a maneira que você quer viver sua vida. E quem sou eu para dizer como uma pessoa deve viver sua própria vida?
Tem pessoas que não pensam muito nisso e se limitam a viver seu cotidiano acreditando em algo mais vago. Este, me parece, é o status de muitas pessoas atualmente, que se encaixam nas que na verdade não tem uma religião. É como eu sempre digo: não é porque você foi batizado quando criança que você é católico. Para mim, se você não pratica a religião, não faz parte dela.
Então é bom deixar claro que me refiro àqueles que levam a religião como um modo de vida, como o caminho que elas decidiram seguir e os instrumentos e veículos que elas decidiram usar para trilhar este caminho. E isso é algo que deve ser respeitado e é o que está protegido por lei.
Por isso todos os brasileiros, sem exceção, têm também o dever de respeitar a crença alheia, já que o contrário fere exatamente a lei que também protege a sua religião. Além, é claro, de ser um consenso geral de que o respeito para com o outro é uma atitude moral e socialmente correta. Ou seja, não adianta você ficar defendendo que pode gritar uma vez por semana no seu culto e querer impedir que uma casa de umbanda seja inaugurada ao lado da sua. Se a lei vale para um, deve valer para todos, sem exceção.
Aqui cabe uma distinção que eu considero muito importante. Toda discussão saudável é válida. Quem lê o Uarévaa há um tempo e ouve os podcasts sabe que tenho um gênio difícil e sou bastante incisivo em minhas opiniões (além de ser quase patologicamente verborrágico – só perco para o Alex Matos), além de ser um crítico da religião (de fato, mais de como as pessoas interpretam a religião do que da religião propriamente dita). É o meu jeito, mas mesmo assim, vocês nunca me verão censurar ou ofender alguém porque disse algo que eu não concordo ou porque “ganhou” (se é que existe isso, acho que todos ganham no caso de) uma discussão.
Eu digo isso porque defender uma ideia, um argumento ou uma crença é muito diferente de ofender quem não pensa como você. Eu sei que muitas vezes a linha é muito tênue; as pessoas, em sua quase totalidade, tendem a levar discussões ideológicas para o lado pessoal. Eu já fui muito assim e hoje tenho sido cada vez menos. É uma batalha interior eterna, mas necessária, entender que a pessoa não está atacando você; ela está, sim, defendendo o que acredita. Assim como você.
Somos seres humanos. Erramos. Mas é preciso ter responsabilidade para admitir seu erro, e capacidade de discernimento para distinguir uma palavra mal-interpretada de uma ofensa genuína se quisermos viver em uma sociedade melhor. Se queremos encher a boca para dizer que somos superiores aos outros animais, devemos agir como tal e fazer por merecer. Não importa se você acredita que está agindo de acordo com uma lei superior, o fato é que, até você morrer, o que vale são as leis dos seres humanos e uma boa convivência em sociedade é o melhor a se fazer, pois todo mundo ganha. Devemos ser respeitados e exigir respeito, sim, mas também devemos ser tolerantes. Nem todo mundo tem o mesmo background cultural que a gente, nem passou pelas mesmas coisas, nem aprendeu as mesmas coisas. Conversar com alguém que tem uma opinião diferente é, certamente, conhecer outro ponto de vista sobre a vida, é ver que nem todo mundo, mesmo passando por situações semelhantes no seu caminho, chega às mesmas conclusões que você e, portanto, é bom repensar no caráter absoluto de suas opiniões. E se estas são inabaláveis, que sejam pelo menos humildes o bastante para coexistir lado a lado com outras, sem hierarquias.
Não é achando que nosso kung fu é melhor que o do outro só porque é nosso que vamos melhorar o mundo, e sim percebendo que, não importa quais sejam as respostas para as grandes perguntas, vamos estar sempre mais próximos de respondê-las se procurarmos juntos, mesmo que cada um contribuindo a seu modo.
Freud, Rafael, Moura e Zenon batem um papo sério (ok, pra variar, sempre tem umas besteiras no meio) sobre preconceito, intolerãncia, racismo, religião e fanatismo.
É, o assunto não é galhofa dessa vez, antes de ouvir lembre disso.
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Comentado no Podcast
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Tive a honra de ver no Theatro Municipal carioca a versão restaurada e com orquestração ao vivo de um classico da ficção ciêntifica no cinema: Metropolis. Mas antes de falar sobre o filme, vamos uma aula de história. Continua abaixo.
Bem, muitos rolos do filme estavam perdidos por aí, espalhados pelo mundo, omitindo e encurtando partes importantes da história do filme. Só que alguns anos atrás na Argentina (tenho uma teoria que Hitler levou os rolos perdidos do filme para lá) foi encontrados muitos destas partes perdidas, mas com legendas em espanhol e no formato 16mm, diferente do padrão 35mm exibidos em todos os cinemas. Mas a maioria destas partes só extendem certas partes importantes do filme, o que é interessante por causa do desenvolvimento dos atores, mas por exemplo a cena da igreja que o padre descreve o apocalipse (no mundo do filme) e a sequência de luta entre Joh Fredersen(Alfred Abel) e C. A. Rotwang (Rudolf Klein-Rogge). Mesmo com o material em pessimas condições, as partes que faltaram foram restauradas, não ao ponto de ficar perfeito, mas visivel suficiente.
Agora vamos a história: no futuro, a utopía tecnológica foi alcançada graças a Joh Fredersen e sua moderna e futuristica cidade Metropolis, que junto com os Jardins Eternos, onde o ser humano tenta alcançar sempre mais a perfeição fisica e intelectual, pavimenta os rumos da humanidade. Mas Metropolis é sustentada por um mundo subterraneo industrial, onde os trabalhadores não tem outra pespectiva de vida a não ser manter a cidade funcionando.
Dentro deste cenário, somos apresentados a Maria(Brigitte Helm), a messias do subterraneo que acredita que falta um elo entre as 3 comunidades para se que possa alcançar a verdadeira utopia.O filho de Fredersen, Freder(Gustav Fröhlich), cansado da mesmisse da vida em metropolis, se apaixona a primeira vista por Maria e decide se mudar para o subterrâneo para se aproximar de seu amor. Mas as suspeitas de uma revolução por parte dos trabalhadores faz que Fredersen recorra ao seu ciêntista principal e antigo rival pelo amor de sua mulher, C. A. Rotwang, para que arrume o jeito de confrontar esta situação. A solução dada pelo Homem da Ciência e infiltrar entre os pobres uma ciborgue que ninguem distinguirá se ela é humana ou não. Mas ninguem faz idéia dos planos de vingança de Rotwang, que pode levar a ruina de Metropolis e a morte de inumeros inocentes.
Apesar de oficialmente a ficação científica e o cinema terem nascido e andando deste então juntos, seja com os livros Guerra dos Mundos, 20.000 Leguas Submarinas e o Viagem a Lua, Metropolis trouxe um aprofundamento do gênero dentro do cinema além de explorar ao maximo até então o que os épicos da época e o expressionismo alemão eram capaz de fazer. Como fã das tecnicas antigas de efeitos, ver o filme numa tela grande é uma experiência arrasadora, e depois de tantos anos ainda dá um cacete em muito efeito em CGI por aí.
E também é utilizado como alegoria da revolução industrial e da religião, essa especialmente, e também da própria situação do país, que se recuperava da primeira guerra com avanço industrial assombroso e um começo de divisão mais brusca da sociedade.Não que o filme seja sobre a anscenção do nazismo, de forma alguma, mas seja qual for a sociedade se ela começar a crescer descontroladamente o seu proprio inimigo será ela mesma.
E neste cenário que Rotwang aparece como o homem da razão com ações movidas pelas dores do coração. Devotamente apaixonado por Hell, antiga esposa de Fredersen, ele decide criar um ciborgue para substituir seu amor falecido. Inumeras referencias ao cristianismo estão presentes no longa, usando religião como o combustivel do povo e renegado a cultura (literalmente) undergound, enquanto Sodoma e Gomorra são vendidos aos homens ricos e cultuados pelos mesmos, sem saber que aquilo so leverá a ruina. Assim como a imagem do deus (na forma de Maria) pode ser um instrumento tanto para o bem quanto para o mau, sendo que no caso a falsa Maria é uma arma da ciência que serve pro ponto de vista de Rowling o que exatamente a religião, ou o culto a qualquer coisa é no ponto de vista do ateu (vou dizer "ateu" por falta de palavra melhor no momento): uma arma de controle das massas.
A maquina é vista como o devorador de homens, um dêmonio do sacrifico para que aqueles que estão acima de nós possam viver bem. Também temos o proletáriado, tendo que viver no submundo, e ludibriado pela Falsa Maria pode condenar seus filhos e o futuro da cidade a destruição.Enquanto por outro lado a beleza e luxuria da ciborgue é utilizada para enlouquecer os homens e deixar a cidade em pecado.Engraçado como a imagem do "diado" é criado pelo homem e como a santidade tem que viver no subsolo, no frio e na escuridão, uma inversão de valores interessantes.
Aqui no Rio de Janeiro foram exibidos durante os dias 21, 22,23 e 24 de março com formato 35 mm no Theatro Municipal por preços acessiveis os lugares mais altos e mais caros nos lugares mais abaixo. Destaque também para a ótima trilha sonora feita por Gottfried Huppertz e orquestrada por Silvio Viegas, que deixou tudo mais épico, especialmente ao vivo. Um classico do cinema e da ficção ciêntifica, Metropolis ainda hoje é influência uma serie de filmes e por ter passado pelo teste do tempo e ainda gerar tanto interesse só comprova a sua força. Mas pra quem não pode estar lá no momento, relazem, o filme está em dominio publico e você pode assisti-lo aqui.
Olá Irmãos! Hoje em nosso primeiro dia de primavera venho aqui fazer uma pregação importante para vocês. Vim falar sobre algo muito perigoso, que a todos nos afeta e vem destruindo a sociedade pouco a pouco, da qual eu confesso ninguém nesse blog sagrado gosta nem um pouco. Eu estou falando de sexo!
Sim meus jovens, garotos tímidos por trás de seus computadores, seres tão fortes, tão corajosos e tão viris, que a qualquer pessoa pode ter em uma festa de fim de semana e praticar o ato vil da fornicação. Vivemos em um mundo complicado, cheio de doenças, onde precisamos nos prevenir, onde todo tipo de ser não tem o mínimo de cuidado com sua saúde.
Precisamos combater as “Evas” daninhas dessa sociedade, que com suas curvas insinuantes confundem a mente dos homens de bom coração e dos jovens de mente imaculada que visitam esse blog esplêndido.
Mas também precisamos combater o filho do cramunhão, o capetinha na garrafa, o buraco no meio das coisas, que domina a mente de nossas santas e puras mulheres e as usam para seus mais primitivos instintos macabros, deixando-as violentas quando não conseguem ter seus intentos realizados.
Devemos combater também sua influência nas que já foram, antigamente, saudáveis aventuras inocentes e puras para toda uma geração.
Por isso meus queridos fiéis, peço a vocês nessa nova primavera, nesse inicio de ciclo que juntem-se a mim na luta contra esse tipo de mazela na sociedade, e nessa noite de sexta-feira fiquem em suas casas salvos de qualquer tentação dantesca, ou se sairem, venham a Santificada Igreja Uarévaa e encontrem a cura para seus desejos pecaminosos.
Um grande abraço e volto semana que vem com mais um Momento de Reflexão Uarévaa.
“André, o mundo precisa de mais histórias felizes.”
O que acontece quando morremos? A vida acaba? Ela continua, e somos punidos por nossos pecados? Encontramos Deus? Reiniciamos um ciclo de vida eterno? Simplesmente apodrecemos? Estas são algumas das perguntas que levam as pessoas a crer na vida após a morte. E, sendo o espiritismo o assunto do momento, não é de se surpreender que Nosso Lar tenha chegado às telas com grande expectativa.
Fazer um review de uma produção como essa é algo bastante arriscado. Digo isso porque é difícil escrever algo sem se deixar levar pelas suas próprias convicções. Diferente do cristianismo que, mesmo quem não acredita teve durante sua vida (ou pelo menos sua infância) praticamente enfiados goela abaixo filmes cristãos (no caso dos ocidentais, obviamente), o espiritismo não é uma religião dominante no país. No entanto, segundo estimativas, existem atualmente cerca de 3 milhões de pessoas adeptas do espiritismo, sem contar as pessoas que, apesar de não praticantes, podem ser consideradas simpatizantes de suas doutrinas. Isso faz do Brasil a nação com maior número de espíritas no mundo inteiro e, sabendo disso, fica fácil entender o interesse dos estúdios em produções voltadas a esse público, principalmente depois do sucesso do filme sobre a vida de Chico Xavier.
Conhecendo um pouco sobre o assunto (essa é a vantagem de se estar em uma família onde cada um acredita numa coisa completamente diferente), fica fácil entender o fascínio das pessoas por esta visão de (pós) mundo. Na realidade espírita, não há imposições sem sentido com relação ao que gostar, como se vestir e o que ouvir; não existe céu ou inferno, mas sim estados de consciência para onde você vai, dependendo de suas atitudes. Além disso, o espiritismo é moderno, não só em termos cronológicos – é bastante recente se comparada às religiões “principais” – mas também no que se refere à sua flexibilidade e relação com o desenvolvimento tecnológico humano. Sendo assim, o nosso mundo, incluindo as inovações tecnológicas, nada mais são do que um reflexo do “verdadeiro” mundo, que é o mundo espiritual, um mundo muito mais avançado que o nosso (qualquer semelhança com mundos alienígenas semelhantes da ficção não é mera coincidência).
E foi justamente essa flexibilidade que me levou a assistir Nosso Lar, produção dirigida e roteirizada por Wagner de Assis baseada em um livro escrito por Chico Xavier e (supostamente) ditado pelo espírito de André Luiz, que conta sua vida no mundo espiritual e na "colônia" Nosso Lar do título. E aí é que entra a dificuldade de se manter isento na história. Primeiro porque, para os espíritas, Nosso Lar é uma descrição completa – e real – de como funciona o mundo espiritual e, neste caso, é algo que fundamenta toda a doutrina. Em outras palavras, para os espíritas, tudo aquilo que é visto na história deve ser tomado por verdade. Para quem não é espírita, no entanto, resta a boa vontade de esperar uma produção de qualidade e envolvente ou – no caso de crentes de outras religiões – simplesmente ignorar suas próprias crenças em prol de apreciar a história.
Eu sou ateu. Não costumo declarar isso aos quatro ventos porque sou minoria em um mundo que acha que vou para o inferno apenas por questionar a existência de Deus. Mas acho que, no caso dessa resenha, é necessário estabelecer meu posicionamento a respeito da história e assim justificar minhas opiniões. Como você pode imaginar, não fui assistir Nosso Lar porque para mim ele representa a verdade absoluta sobre a natureza da realidade, mas também não fui lá para ficar contestando cada cena. Fui ao cinema, assim como sempre, para assistir o que eu esperava ser um bom filme nacional de ficção científica. Infelizmente, não posso dizer que foi uma experiência recompensadora, mas acho sim que ela tem seus méritos.
Começando pelos aspectos positivos, é sempre bom ver uma produção que fuja da tradicional trinca comédia romântica – violência urbana – seca no nordeste. Sem contar que não é todo o dia que vemos produções que contem com cenários fantásticos elaborados e com efeitos especiais de empresas como a Intelligent Creatures, responsável por filmes americanos como Sr. e Sra. Smith, Babel e Watchmen, fazendo dela a produção brasileira mais cara já realizada – e, diferente de outros filmes, como Lula – O Filho do Brasil, em Nosso Lar nós conseguimos ver para onde foi todo o dinheiro. Além disso, a história conta com conceitos muito interessantes de serem explorados na ficção, uma mensagem positiva (embora um tanto piegas) e tem um visual bastante voltado para o realismo fantástico, o que torna a produção atrativa nacional e internacionalmente, mesmo para quem não é espírita.
Mas talvez este seja um dos problemas de Nosso Lar. É um filme espírita, feito para espíritas. Nem mais, nem menos (afinal, é apoiada pela FEB – Federação Espírita Brasileira). A extravagância orçamentária (20 milhões) que garantiu os efeitos visuais não muda o fato de que a produção foi desenvolvida para buscar manter a credibilidade da doutrina e, por conseguinte, validá-la. Não que isso seja realmente um problema, afinal, os cristãos fazem isso há tempos (a Globo que o diga, sempre reprisando ad infinitum aqueles filmes bíblicos sobre a Páscoa, a crucificação de Jesus entre outros) e não vejo porque deixar de assistir a uma obra bem executada, mesmo não tomando aquilo como verdade. Afinal de contas, adoro filmes de zumbis e nem por isso acredito que eles caminham por aí comendo cérebros na realidade.
Mas o contexto religioso, apesar de contar não é, nem de longe, o principal problema. Embora seja bem dirigido, conte com uma fotografia competente e efeitos visuais e cenários muito bem elaborados e bonitos, a produção carece de outros elementos que tornam difícil fazer o filme funcionar como experiência cinematográfica. Um dos pontos mais negativos é, sem dúvida, a atuação que é, usando um termo científico, ruim. Alguém precisa dizer para os atores brasileiros que atuar no nível de novela da Globo não é atuar bem. Muitos dos atores ali, especialmente os protagonistas e até alguns veteranos – que eu admiro como grandes atores, embora estejam devendo muito no filme – precisam aprender a sair de suas zonas de conforto, assistir mais filmes nacionais bons e se esforçar um pouco mais para atuar de verdade e fugir da atuação no piloto automático.
Outro grande problema, a meu ver, foram os diálogos. Além de serem extremamente piegas, são didáticos demais e servem apenas para levar a história de um ponto à outro e explicar como funciona a doutrina espírita. Não há nenhuma sensação de veracidade naquilo que sai da boca dos personagens (se bem que isso não sei se é devido aos diálogos ou à atuação medonha de alguns). Os personagens são muito rasos, não há um real desenvolvimento de suas personalidades. Não conhecemos melhor os filhos e mulher de André Luiz, que ficaram na Terra quando este morreu, o que não ajuda a nos identificarmos com eles. Eu até entendo a uniformidade nas personalidades dos personagens que vivem no Nosso Lar, mas não iria doer diferenciar um do outro com algum traço característico. Todos pareciam atores diferentes “interpretando” um mesmo personagem. Até há algumas tentativas de se aprofundar em alguns deles, mas chega a ser constrangedor ver as mudanças súbitas de atitudes apenas para tentar humanizar estes personagens de última hora. Sem contar que não existe nenhuma explicação social adequada para os defeitos do protagonista. Para todos os efeitos, o fato dele ser ateu (o que nem é explorado de forma competente no filme, resumindo-se à uma piadinha tola) é suficiente para ele ser egoísta, arrogante e "suicida inconsciente" (say what???).
Vendo o filme como ficção científica, ele tem seus problemas narrativos e de produção. Mas vendo sob o ponto de vista espiritualista também. A história me trouxe uma série de questões (que, se alguém que está lendo for espírita e tiver a boa vontade de explicar, o faça nos comentários, pois realmente quero saber), um tanto bobas é verdade mas igualmente válidas: Porque eles ainda comem e bebem no mundo espiritual? Porque ainda dormem? Porque só toca música clássica (não que eu esteja reclamando, as músicas do filme são ótimas)? Porque não existem cães ou gatos no Nosso Lar (pelo menos eu não vi, se caso apareceu e eu passei batido, podem dizer que eu sou burro)? Apenas as aves e borboletas podem ascender aos céus, enquanto outros animais não, ou mamíferos tem seus próprios “lares” separados no mundo espiritual? E os dinossauros, onde entram nessa história (tá, confesso que essa foi só para implicar)? Se eles lêem a mente um do outro, porque diabos ainda precisam falar?
Eu teria, é claro, muitas outras questões, mas elas não teriam muito a ver com o filme em si, e sim com a doutrina. Imagino que o espiritismo deva ter a resposta para tais questões mas, se tem, isso não ficou claro na produção (ou pelo menos não ficou claro para mim). No fim das contas, Nosso Lar pode ser visto de 3 formas diferentes: Para os espíritas, será uma descrição fiel do que eles consideram como verdade e, portanto provavelmente será uma experiência satisfatória; para ateus e agnósticos, que verão o filme apenas como uma história de ficção, vão ter problemas em “comprar” a história (pelos problemas técnicos que citei); e para os teístas adeptos de alguma religião será uma abominação que viola tudo aquilo que eles acreditam, e portanto, se tiverem a boa vontade de ver o filme (o que eu acho difícil), eles provavelmente questionarão tudo e tentarão boicotar o filme. Inclusive, eu fico curioso para saber o que um judeu pensaria de ver suas crenças totalmente obliteradas ao presenciar as vítimas do holocausto chegando no Nosso Lar e ouvindo um espírito engraçadinho dizer a eles “Não é o céu que vocês estavam esperando, mas vamos cuidar de vocês mesmo assim”.
Nosso Lar não é o melhor filme brasileiro já feito, longe disso. Mas denota um maior interesse no investimento de produções mais criativas e que fogem do convencional para o público comum. Se é um filme que vale a pena ver, não sei dizer ao certo. Minha mãe, por exemplo, se emocionou com o filme (levei ela para assistir também). Tudo bem que ela não tem muito critério para filmes, mas acho que ela representa bem o público que se interessará por essa produção.
Eu por outro lado, achei a mensagem bastante positiva... Embora não entenda porque esperar no pós-vida algo que pode ser conquistado em vida, com esforço, dedicação e altruísmo, enquanto a humanidade ainda existe (em matéria, pelo menos).
Porque o "nosso lar" não pode ser aqui mesmo?
Nota 5,3333333333333333333333333333333333333333333333333333... (achei adequado para este review uma dízima periódica rumo ao infinito)
P.S.: Alguém me explica porque citam o filme como “Baseado na Obra de Chico Xavier”? Afinal, o livro não foi psicografado (ditado por um espírito)? Neste caso, isso não faz do Chico Xavier apenas uma ferramenta, sendo o verdadeiro autor o (suposto) espírito de André Luiz? Não seria a mesma coisa de dizer que quem teve a idéia do nome de uma criança foi o escrivão, ao invés da mãe/pai que ditou o nome para ele?
Rafael prefere apreciar todo o filme a pular direto para o final. Talvez por isso prefira aproveitar a vida a pensar no seu desfecho.