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quarta-feira, 7 de julho de 2010

United States of Tara

Salve, salve rapaziada. O bom filho a casa torna e quem é vivo sempre aparece, não é mesmo?

Mas vamos pular os ditos populares e ir direto ao ponto.


Nesse grande intervalo que fiz aqui no Uarévaa, tive tempo de assistir uma pancada de séries, algumas que eu estava em dívida para conhecer.

Entre ela, começo com meu novo xodó.

Imagine conviver com alguém com um problema psiquiátrico grave, absurdamente insólito e ao mesmo tempo, uma pessoa adoravelmente apaixonante.

Alias uma pessoa não. Quatro. No mínimo.

Isso é “United States of Tara”.


A série fala sobre Tara. E T. E Buck. E Alice. Mostra as diferenças e mazelas entre esses quatro personagens. E a dificuldade que eles têm em conviverem visto que eles são... A mesma pessoa.

Tara Gregson tem uma doença: Transtorno Dissociativo de Personalidade, ou simplesmente, múltiplas personalidades. Ela se divide em outras três personalidades, alem de sua própria, a mãe de 35 anos, esposa compreensiva e descolada. A tresloucada, ninfomaníaca e rebelde adolescente T; o grosseiro e rude, porem de bom coração, Buck; e a dona de casa perfeitinha, estilo anos 50, controladora e pudica Alice.

O conceito, que a principio mostra uma gostosa comédia, também acaba se revelando um drama sutil e emotivo. Quando apenas vemos as transformações de Tara, elas nos arrancam algumas boas risadas. Mas, assim como na vida, tudo tem seu lado triste. A doença de Tara afeta diretamente sua família, e causa muito sofrimento a ela.


Ao seu lado, enfrentando as mazelas do distúrbio de Tara está sua família. Max, seu marido, é o ser mais compreensivo do mundo. Sempre apoiando a esposa, ele cuida da mulher com afinco, alem de lidar perfeitamente bem com suas outras personalidades. Max é o pai e marido perfeito, apoiando incondicionalmente esposa, filhos e amigos em todos os momentos. Sua filha mais velha, Kate, é a típica rebelde de 15 anos. Algumas vezes inconsequente, algumas mais madura que seus próprios pais, Kate está em busca de um rumo na vida, com qualquer adolescente. Ela tem um senso de humor ácido e hilário, sempre com tiradas geniais e absolutamente cruéis. O filho caçula, Marshal, é outro show a parte. Um garoto educado, inteligente, extremamente formal e recatado, está à procura de descobrir sua própria identidade. Interessante como ele é um dos poucos personagens abordando um tema que já está ficando batido em seriados e novelas, mas de uma forma inédita e nada estereotipada, sem julgamentos de valores ou hipocrisias. Por fim, a Irmã de Tara, e minha personagem favorita, Charmaine. Todo mundo já teve uma tia como Charmaine. Meio irresponsável, solteira, que sonha com um marido perfeito, cheia de paranóias e vive entre tapas e beijos com a Irmã.

A série aposta num humor sutil, então não espere tiradas a La Friends ou Two and a Half Men. É uma dramédia muito acima do comum nesse gênero, comparando, por exemplo, a Desperate Housewives.

Alias, eu tenho a impressão que as dramédias estão recorrendo a um subterfúgio que se tornou clichê – e vazio. Utilizar de humor negro excessivo para chocar e / ou fazer rir.


United States não cai nessa armadilha. Por mais problemas, por exemplo, que os “alters” de Tara tragam, em momento algum eles tentam nos fazer sentir enojados ou chocados com o que vemos. Tudo é levado de uma forma sensível e fala mais sobre compreensão àquilo que lhe é diferente do que qualquer outra coisa. Todos os absurdos que vemos ao longo dos episódios vão sendo assimilados naturalmente pelo elenco, e dessa forma, por osmose, por nós mesmos.

O grande trunfo é Toni Collette, que interpreta Tara. Atriz sensacional que você deve lembrar como mãe da Pequena Miss Sunshine (né, Change?) ou do menino do Sexto Sentido.

Tony, como Tara, mostra todo o vigor de quem quer se curar, assim como em determinado momento, a exaustão e o desespero que a sua condição lhe implica.


E se ela consegue fazer Tara uma mulher real, pela qual torcemos e sofremos junto, seus alters não deixam por menos. Toni dá a cada um deles uma atitude completamente diferente – e assustadoramente reconhecível. Quando ela se “transforma”, basta o abrir de olhos de Tara para, com apenas um olhar, ficar evidente qual alter está no comando.

Sobre os alters, que são a grande linha mestra do enredo, há muito que se falar. Primeiramente, é genial como os “gatilhos” para as transições acontecem. Depois de poucos episódios, você já consegue antever quem tomará conta do corpo conforma a situação que vemos acontecer, de tão condizente que a coisa é.

Sempre que Tara se vê indignada e precisando se defender, ou a sua família, o bronco Buck aparece. Buck se diz um veterano do Vietnã. Brigão e mulherengo, e muito machista, ele é o único alter masculino. Bebe e fuma como um condenado e não perde a chance de cantar uma garota bonita.

Quando Tara se sente fora do controle da situação, e não sabe como retomá-lo, Alice é quem dá as caras. Alice é ponderada, consegue manter sua postura elegante em qualquer situação e jamais perde o rebolado. O autocontrole dela é assombroso, assim como sua capacidade de manipular qualquer situação a seu favor, apenas com palavras.

E quando Tara chega ao limite da sanidade, normalmente sendo desafiada por algo que ela não tem coragem de encarar, a enlouquecida T surge. T é o lado rebelde e inconseqüente de Tara, potencializado ao máximo. T é insana, tarada, e quase incontrolável. Algumas vezes nem mesmo Max consegue frear sua fúria juvenil.


Mas na realidade percebemos que as personalidades de Tara, todas tratadas por ela e por sua família como indivíduos independentes dela mesma, como pessoas diferentes realmente, fazem o que Tara não pode – ou não tem coragem – de fazer.
E com o tempo, novas personalidades começam a se manifestar, cada uma exibindo uma faceta da personalidade de Tara. Não vou comentar mais porque a diversão está em ir conhecendo esses alters.

US of Tara tem um texto muito bem escrito, com diálogos inteligentíssimos, das mãos de Diablo Cody – a mente por trás de Juno – e é tão inteligente quanto comovente e divertida. E o produtor executivo é ninguém menos que o pai do E.T. – Mr. Spielberg.
Vale cada minuto assistido – e reassistido. Afinal, a cena final da temporada 1 – em que todos os alters surgem quase ao mesmo tempo – é épica, e uma das mais impressionante atuações que já tive o prazer de ver na vida.


Galera, Moura recomenda muito United States of Tara! Apreciem, porque é uma trama para ser apreciada, e não apenas assistida.

Fiquem com a abertura, uma animação que diz tudo sobre a série, assim como a letra da musica tema. Fala muito sobre a serie, fala muito sobre a vida.



Até o próximo episódio.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Calvin & Haroldo!


Fala molecada!
Tava pensando em começar a série de posts aqui no Tira de Letra por alguma coisa nacional e desconhecida (ou não muito desconhecida assim), até já tinha escolhido quem seria o representante, mas depois que fiquei sabendo que Bill Watterson estava fazendo aniversário neste mês, mais precisamente a dois dias atrás, tinha que fazer algo relacionado com o Calvin!
Parece que é chover no molhado falar desse persnagem tão importante pro mundo dos quadrinhos, mas não tem como deixar de ser. Curto muito as tiras do Calvin e acho que é uma das melhores, se não a maior, série de tiras de humor que existem até o momento!
E o motivo disso é muito simples.
Mas primeiro vamos aos fatos, pequeno padawan!


Calvin and Hobbes (ou Calvin e Haroldo aqui no Brasil) é uma série criada, escrita e ilustrada pelo autor norte-americano Bill Watterson e publicada em mais de 2000 jornais do mundo inteiro entre 1985 e o fatidigo dia 31 de dezembro de 1995, quando seu autor jogou a toalha, pra tristeza de muitos fãs!


Foram 10 anos de boas histórias e até hoje existem discussões sobre esse fato. Alguns acreditavam que era pura jogada de marketing, mas hoje sabemos que isso não é verdade.
Será que ele desistiu na melhor hora?
Pois toda obra é perfeita, não tendo nenhum ponto baixo. Talvez ele pensou que seria uma boa largar enquanto o time estava ganhando. Saiu sem nenhum arranhão na sua carreira. Depois, também não fez nada que chamasse a atenção. Apesar disso, suas tiras continuam a ser publicadas em vários jornais até hoje.
A série ganhou o Reuben Award (86 e 88), da Associação Nacional de Cartunistas dos EUA, na categoria "Excelência em Cartunismo do Ano" e um prêmio "Tiras de Humor" da mesma Assossiação em 88.


Calvin é um garoto de seis anos de idade cheio de personalidade e imaginação, que tem como companheiro o tigre Haroldo, um sábio e sarcástico amigo imaginário, que não passa de um bicho de pelúcia para os outros, mas para o pequeno garoto, ele está mais vivo do que todos!
De acordo com algumas visões, as fantasias mirabolantes de Calvin constituem frequentemente uma fuga à cruel realidade do mundo moderno para a personagem e uma oportunidade de explorar a natureza humana para Bill Watterson.
Inclusive, a inspiração dos nomes dos personagens é bem curiosa, pois temos dois pensadores aí, um era um religioso e outro filósofo.
O nome de Calvin foi inspirado no reformador religioso do século XVI, João Calvino, que discorreu, entre outros, acerca da depravação total do homem, ou seja, que o homem está naturalmente inclinado para promover o mal a seu próximo.
Hobbes, por sua vez, recebeu o nome de Thomas Hobbes, o filósofo inglês do século XVII que tinha aquilo que Watterson chamou de "uma visão obscura da natureza humana", sendo o autor da famosa máxima "O homem é o lobo do homem" — ou seja, cada homem é o predador de seu próximo.
De acordo com Watterson, a fonte dos dois nomes é entendida como uma piada para as pessoas que estudam ciência política e filosofia, e que poucas outras pessoas a iriam perceber.
Para alguns fãs, a tradução de Hobbes para Haroldo no Brasil, desagradou um pouco já que perdeu um pouco desse significado todo pomposo, mas nada disso compromete a essência do personagem a meu ver, já que apenas seu nome foi baseado no filósofo. Toda a filosofia e psicologia inserida nas tiras é coisa da cabeça do próprio Watterson mesmo.


Até hoje os fãs consideram Calvin como uma obra prima! Pela visão única do mundo que o protagonista tem, além de sua imaginação fértil e pelas situações insólitas que se estabelecem.
O legal é que ele agrada tanto ao público masculino como ao feminino, crianças e adultos! Enfim, todo mundo!


Calvin e Hobbes foram inicialmente concebidos quando Watterson trabalhava com publicidade, coisa que ele detestava. Era um escape nas horas vagas e acabou virando seu grande amor.
Antes de chegar nesse conceito, Watterson explorou várias idéias de tiras, mas todas foram rejeitados pelos sindicatos aos quais ele havia enviado. Só houve uma resposta positiva quando o United Features Syndicate o orientou sobre uma das tiras que ele havia mandado, nela o pequeno Calvin ainda era retratado como sendo o irmão mais novo do personagem principal. Calvin e seu tigre de pelúcia eram os mais promissores e Watterson deveria centrar suas tiras neles. Mesmo assim, ele sofreu mais algumas rejeições antes desse sindicato aceitar suas tiras.


A primeira tira foi publicada em 18 de novembro de 1985, e a série transformou-se rapidamente um fenômeno editorial.
As tirinhas de Calvin & Haroldo já figuraram em mais de 2400 jornais em todo mundo e foram impressos mais de 23 milhões de livros e, cada um dos 14 livros da coleção vendeu mais de 1 milhão de cópias no seu primeiro ano de publicação. A coletânea mais recente lançada no Brasil, "Deu "Tilt" no Progresso Científico" da Conrad Editora, dá continuidade à publicação completa por aqui de suas histórias com o sétimo título da série.



Os principais personagens da série são:

- Calvin: um menino de seis anos que vive diversas aventuras e não perde uma chance de se aventurar com sua própria imaginação.


- Haroldo: o tigre de pelúcia e maior parceiro de Calvin.

- Mãe e Pai de Calvin (nunca recebem um nome na série) responsáveis por cuidar dessa "criaturinha".

- Susie Derkins: vizinha e colega da escola de Calvin, aparentemente destinada a ter uma eterna relação de amor/ódio com ele.


- Miss Wormwood: a professora de Calvin.


- Rosalyn: a "terrível" babá de Calvin. A única na cidade disposta a fazer esse serviço!



- O valentão Moe: O moleque que vive perturbando Calvin na escola.




Ainda que obtenha recursos monetários de seus desenhos, Bill Watterson não permitiu o lançamento de qualquer merchandising, exceto alguns artigos únicos de edição limitada, como postais e pôsteres originais (que se tornaram item de colecionador), e professou seu sentimento anticapitalista quando proibiu expressamente sua editora de vender os direitos para lançar no mercado qualquer artigo baseado em seus personagens. Isso foi motivo de guerra aberta contra a Universal Press durante vários anos. Essa proibição imposta por Bill Watterson ao merchandising da série significa também que nunca será criada uma série de desenhos animados, como aconteceu com Garfield e Snoopy, por exemplo.


Apesar disso, não é nada difícil encontrar camisas estampadas, adesivos ou qualquer coisa com imagens do Calvin.
No começo, Bill não era contra o merchandising, mas tal postura foi tomada porque o autor achava que esses produtos parecia violar o espírito da tirinha, contradizendo a sua mensagem, e o afastando do trabalho que tanto amava.
Sua última tira de número 3.160, foi impressa num Domingo, dia 31 de dezembro de 1995, e não mostra nada parecido com uma despedida, como era de se esperar, apenas uma mensagem de "Vamos explorar" dita por Calvin no último quadro, talvez fazendo alusão ao sentimento de Bill Watterson em trabalhar com outras coisas, em um ritmo mais calmo e com menos compromissos artísticos.

Talvez, a lição final que Bill Watterson nos deixou é: Joguem muito Calvinbol na vida! Ou seja, tente e faça algo diferente sempre, pois segundo a única regra do jogo é que você nunca deve repetir a mesma regra duas vezes!
A vida é assim como no jogo inventado por Calvin: "Nenhum jogo de Calvinbol pode ser igual a outro"!


Mais tirinhas no incrível, Depósito do Calvin.

Se a bandeira da Holanda é branca, azul e vermelha, porque a camisa da seleção deles é laranja?

(Pergunta feita pelo leitor El Pato Vingador)

Rapaz, uma laranja incomoda muita gente, hein.... Os laranjas hoje venceram o Uruguai por 3x2 e mandaram de volta pra casa os últimos sul-americanos da copa (se bem que ainda tem o Cacau, rs...)



Mas afinal, porque laranja se a bandeira deles não é laranja?

Isso acontece porque a cor nacional dos Países Baixos é o laranja, em homenagem a Guilherme I, Príncipe de Orange e a toda a Casa de Orange-Nassau, que ainda hoje reina os Países Baixos, representada pela Rainha Beatriz. Guilherme I foi um importante líder da Revolta Holandesa (tambem conhecida como Guerra dos 80 anos) que libertou os Países Baixos da Espanha.

Mas o mais curioso é que o laranja já fez parte da bandeira, também em homenagem a Guilherme I, mas acabou substituído pelo vermelho.


A primeira bandeira adotada era tricolor horizontal de laranja, branco e azul claro. Dizem que o corante laranja tinha tendencia a ficar vermelho depois de algum tempo, assim, no século de XVII, o vermelho tornou-se a cor oficial da bandeira.

Não existe muita informação sobre o significado das cores. Outra razão apontada como provavel para essa mudança foi que o laranja e o azul claro são cores fracas e mais difíceis de distinguir que o vermelho e azul escuro, principalmente no mar.

Atualmente no dia da Rainha coloca-se a
bandeira holandesa com uma faixa cor-de-laranja.


Mas não é só a Holanda que usa cores diferentes da sua bandeira na seleção de futebol:

- A italiana, a famosa Azzura, usa o azul em homenagem à antiga casa real italiana de Savóia;

- A alemã usa camisas brancas, cor que antigamente tambem fazia parte de sua bandeira;

- A australiana usa verde e dourado, proclamadas como cores oficiais do pais em 1984 em referência à acácia, árvore considerada símbolo do país, embora a bandeira nacional seja azul, vermelha e branca;

- A japonesa usa o azul de sua federação de futebol, e com certeza devem haver outras seleções que usam uniformes com cores que não estão em suas bandeiras, embora isso não seja o mais comum.

É isso. Boa sorte para os laranjas na final contra Alemanha ou Espanha. Sem ressentimentos, afinal...

... É BEM MELHOR CHUPAR LARANJA DO QUE CAIR DE 4 NO SALSICHÃO!!!


TOMA, ARGENTINA!!! BWAHAHAHAHAHAHAAHA


AGORA SE COÇA AI E MANDA SUA PERGUNTA PRA MIM!! Basta escrever seu nominho e pergunta no formulário abaixo e clicar no botão SEND que o titio Freud tenta te responder, beleza?

Inté.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Praga da Dança - Uma história real

"Não é surpresa que a verdade seja mais estranha que a ficção. Afinal, a ficção tem que fazer sentido."
Mark Twain







Tema Macabro



No gênero de terror, estamos acostumados a lidar com as mais inusitadas e criativas histórias e situações, muitas que nos parecem bastante críveis, seja pelo realismo dos relatos ou pelas nossas próprias crenças, outros sabemos que são completamente inverossímeis, mas não menos assustadores.

Mas se tem uma coisa que aprendi por me interessar por este tipo de coisa, e principalmente depois que comecei a fazer alguns posts sobre o sobrenatural fora da ficção, foi que não são raras as vezes em que a realidade é muito mais estranha que os filmes.

Em 1518, numa cidade francesa chamada Estrasburgo, uma mulher chamada Frau Troffea começou a dançar fervorosamente sem parar. A dança durou de 4 a 6 dias, mas neste ponto, cerca de 34 pessoas haviam seguido o exemplo da mulher. Em um mês, havia mais de 400 pessoas fazendo o mesmo, muitos dos quais acabaram morrendo por desidratação, ataque cardíaco, derrame, desnutrição ou simplesmente por pura exaustão. Diz a lenda que isso até podia ser uma espécie de bloco carnavalesco involuntário, onde ninguém queria dançar, mas não conseguia parar (um flashmob reverso?)

Uma história interessante, misteriosa e bizarra, que parece ter saído da cabeça de algum roteirista muito criativo. Mas aconteceu de verdade. E, diferente de casos como o de Robbie Mannhein e o da Família Lutz, a “Praga da Dança de 1518”, como ficou conhecida possui extensa documentação histórica, registros médicos, sermões, menções na imprensa local, e até atas do conselho de Estrasburgo sobre o caso.

Mas então, o que diabos realmente aconteceu na cidade de Estrasburgo naquele ano?

Como sempre acontece nestes casos, existe muita discussão sobre o que pode ter ocorrido e, durante esses quase 500 anos, muitas explicações sobre o fenômeno foram ouvidas e debatidas. À época, foram atribuídas ao incidente causas astrológicas e sobrenaturais, mas mais recentemente alguns especialistas sérios tentaram encontrar uma causa mais plausível para o fenômeno.

Uma das causas atribuídas ao incidente pelo historiador John Waller são os chamados Distúrbios Psicogênicos em Massa (mais popularmente conhecidos como Histeria em Massa), um fenômeno curioso que começa de forma oposta ao efeito placebo (ao invés da pessoa pensar algo positivo, pensa algo negativo) e que se “espalha” para outras pessoas como se fosse uma doença transmissível, como o ocorrido em 2007 num internato próximo à cidade do México, onde cerca de 600 meninas do local passaram a ter sintomas bizarros como dificuldade para andar, febre e náuseas sem nenhuma explicação aparente.

Outros sugerem Ergotismo, um efeito do longo período de envenenamento por Ergot, um fungo encontrado no trigo e em outros tipos de cereais. Efeito semelhante ocorreu recentemente no Sudão, quando mais de 100 pessoas passaram a rir histericamente após ingerir um mesmo tipo de trigo estragado.

Já o sociologista Robert Bartholomew atribui o evento ao chamado “Êxtase religioso”, um estado de consciência alterado devido à rituais ligados à fortes crenças. Outros especialistas também atribuem à doenças como Epilepsia e Coréia, embora seja improvável que tantas pessoas tenham se tornado epilépticas do nada.

Outra “explicação” (colocado entre aspas porque, na verdade, não explica muito) é um fenômeno conhecido como “A Dança de São Vito”. Também conhecida como Coréia de Sydenham, a Dança de San Vito é um distúrbio neurológico característico da febre reumática, constituindo-se um dos critérios maiores para o seu diagnóstico. Os movimentos espasmódicos incontroláveis podem começar sua manifestação de forma lenta e gradual. É uma das “Dancing manias”, fenômenos sociais que ocorreram principalmente na Europa entre os séculos 14 e 18.

Ainda não há um consenso sobre o que realmente causou a chamada “Praga da Dança de 1518”, mas é fato que o incidente ocorreu, pois está devidamente registrado. Mas talvez nunca saibamos de verdade o que se passou. Resta apenas especularmos.

E você, o que acha?


Curiosidades:
- Após este incidente em 1518, foram documentados outros 6 casos semelhantes. O mais recente que se conhece aconteceu em Madagascar, em 1840. Todos ainda sem explicação.
- Frau Troffea, a francesa que iniciou todo o incidente, dançou de 4 a 6 dias, como foi dito no post. Mas segundo os médicos, isto seria humanamente impossível: ela já teria de estar morta depois do 3º dia. Ou seja, a menos que os registros tenham errado nos cálculos, Frau Troffea pode ter dançado por um dia ou mais já estando morta, como um zumbi.



Na próxima Madrugada:
Às vezes quando você está isolado em uma casa com um monte de desconhecidos sem saber o que está acontecendo no resto do mundo... É melhor continuar lá. Na próxima semana, Deadset.

domingo, 4 de julho de 2010

PalhetadA

Galera, ganhei da minha melhor amiga EVER, os Box do Maldito Jaspion!! Por culpa dele, (O Jaspion porra!) não teremos o PalhetadA hoje...mas sempre teremos uma piada prontinha pra isso certo?
Vamos então relembrar o vídeo que deu o que falar na época em que foi feito...
"O cara Tussiu"



Semana que vem falarei sobre o Buckethead! Quem? O.õ
Let´s Rock
Duende Amarelo.

PS: Valeu Change, sem você essa piada não teria a menor graça..aHUAHUAhuAhAUaHuAhua

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Plantão do Monitor: Mais um dia para Diana


[Monitor.jpg]
Bem,o Plantão do Monitor de hj será mais um review,especificamente da revista Wonder Woman #600 e das mudanças que ela trás para a personagem...

A revista começa com um belo texto escrito por Lynda Carter,que fez a personagem no classico seriado de TV.Depois começamos as historias muito bem acompanhados por George Perez e Gail Simone,onde trás varias heroinas do Universo DC salvando os homens da Casa Branca de serem mortos por sereias modernas,digamos assim,comandadas pelo Dr Ivo.Curto a Gail,mas não li o suficiente do material dela pra saber se todas as reclamações que fazem são de fato justas ou não(apesar de Guerra das Amazonas ser bem fraca).Mas dessa historia especificamente eu curti,mostra muito bem porque ela é uma personagem essencial dentro dos quadrinhos.Explicações mais profundas sobre isso no final.

Depois segue com uma historia desenhada e escrita por Amanda Conner(da revista da Poderosa)que mostra Diana e a Poderosa agindo simplesmente como amigas,resolvendo problemas que normalmente amigos fazem.Continuando com Firepower,escrito por Louise Simonson e desenhado por Eduardo Pansica serve para mostrar de certo modo porque ela está no mesmo nivel que Batman e seu companheiro de historia no caso,Superman.Pra finalizar temos ele,Geoff Jonhs com arte de Scott Kollings,na historia com fortes influências da fase de Perez "The Sensational Wonder Woman" que serve de preludio pra Odyssey,que é o principal tema dessa materia.

Sobre Odyssey,podemos dizer em resumo:A Mulé Magavilha que conhecemos estava agindo tranquilamente por aí,mas por algum motivo que ainda será explicado os Deuses mudaram o tempo cronologico,e assim mudando a historia de Themyscera.A ilha ficou exposta e exercitos do mundo e do sub-mundo foram guerrear contra as Amazonas.No fim das contas,muitas morreram,como por exemplo Hypolita e as outras sobreviventes fugiram levando com ela a jovem Diana.Anos depois,agindo como vigilante/sobrevivente,Diana se torna a Mulher Maravilha,e enquanto combate o crime nas grandes cidades,tenta descobrir como e porque os Deuses(e outras pessoas maléficas envolvidas) ousaram mexer no tempo e deixar as coisas como estão.

Bem,a cronologia da personagem foi modificada,mas a propria historia te avisa desde já que essa mudança será temporária.Em relação ao uniforme,realmente fica mais dinâmico pros tempos modernos.E nem chega a ser tão feio assim,mas pra mim ainda não substitui o classico.Em termos de tom me lembrou muito os filmes do Hellboy,em especial o Exercito Dourado,com o mundo considerado magico se escondendo quase como uma camuflagem dentro do mundo real.Mas se essa será uma mudança boa para a personagem ainda é cedo dizer.A primeira parte da historia te serve mais pra te situar aonde a personagem está,mas tá prometendo,por mais que lembre (bata na madeira 3 vez)One More Day (afinal,é o mesmo escritor).

No fim das contas o problema da Mulher Maravilha é o mesmo de alguns outros personagens da DC:grande potêncial,mas sem saber o que fazer com eles.Não acho que vai ser uma mudança de roupa que vai fazer a MM ser melhor,seja como personagem ou suas historias, bem vista entre o publico leitor normalmente masculino.Apesar de ainda não ter algo,seja dentro ou fora das Hqs,que representasse a força e importancia que a personagem tem de fato(o mais proximo que vi disso,alem da serie de TV,foi o filme animado da DC Universe,aquilo é bom bagarai!).Ela é o equilibrio entre a sombra(Batman) e a luz(Superman),ela é o exemplo a ser seguido como pessoa e heroina a outras mulheres,sejam elas superpoderosas ou não.Ela serve como simbolo e força mais equilibrado que Batman e Superman por ter as qualidades e defeios ambos,tornando de certo modo a mais humana entre o trio apesar de todo o misicismo que a envolve,sendo que com os caras é ao contrario,eles transcedem a ideia de ser uma pessoa pra ser um simbolo.

Assim como Lynda Carter,só existe uma Mulher Maravilha,apesar de todas as mudanças que ela pode sofrer.O importante não são bandeiras,ou mudanças de origem,ou até mesmo vendas,mas é qualidade.As histórias sendo boas,as pessoas irão comprar(ou pegar de scan ou download digital,etc).No fim das contas,a qualidade tem que prevalecer,seja a realidade que for.

Podcast Uarévaa na Copa #3


BRASIL-SIL-SIL!!! (Update: FAIL!!!)

Olhai, a seleção do Uarévaa entrando em campo junto com o Brasil!!! (Update: Deu merda isso, hein...rs...) Esse ai foi gravado logo após a vitória sobre o Chile com Freud, Marcelo Soares, Al Lock e as participações especialíssimas dos leitores Camila Téo, El Pato Vingador e Luiz Modesti!!

Confere ai essa bagunça!!

Update: Ok, se fodemos pros Laranjas, mas confere ai de qualquer jeito que tá bem legal... Um podcast de um tempo distante, quando ainda tínhamos esperança de levantar o caneco, rs....



(Clique na imagem com o botão direito do mouse
e depois em "Salvar link como..")


Comentado no Podcast

Competição de covers dos Beatles!! Escolham a pior!!



Roberto Leal com Hey Tu, um Hey Jude à portuguesa!!


VS



Willian Shatner e sua famosa versão de Lucy in the Sky with Diamonds!!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A vida em demonstração


Existem certas obras e autores que marcam para sempre nossa mente, quem pode dizer que não é um delírio ao se ler pela primeira vez um Watchmen ou qualquer obra de Alan Moore? E um Frank Miller no auge da carreira com seu Demolidor e Cavaleiro das trevas? Sem contar um Grant Morrison, Brian Bendis, Ed Brubaker, para colocar também a nova geração de autores. Pois, vem dessa nova geração o autor tema dessa postagem e que já não é de hoje falo pelas bandas uarévianas sobre: Brian Wood.

Primeira vez que li algo desse autor foi uma edição “xerocada” de uma minissérie em doze partes chamada Demo. A sinopse falava que eram versões “demo” do ser humano, no caso pessoas com dons especiais que não eram bem felizes com isso, me arrisquei a ler, também empolgado pelo belo desenho de Becky Cloonan. A série me mostrou mais do que a sinopse dizia, me mostrou uma história ousada onde o uso de poderes, tão banalizado na atualidade com filmes, seriados e milhões de revistas de super-heróis, era secundário, só um motivo, um pontapé, para contar histórias sobre pessoas, pessoas perdidas no mundo, com problemas como tantas outras, em busca de um (novo) caminho.

Demo também mostrava que no meio de um mercado de quadrinhos repleto de intermináveis sagas, era possível se deliciar com histórias fechadas em 24 páginas com tanta profundidade quanto um livro de 600 páginas. Em 12 histórias, Wood trazia emoção, sensibilidade, ação em personagens que vinham, encantavam e sumiam logo a seguir como aquele velho amigo que você conheceu e sumiu pelo mundo, sem deixar noticias, mas que para sempre lhe marcou.

Foram doze encontros: #1: NYC; #2: Emmy; #3: Bad Blood; #4: Stand Strong; #5: Girl You Want; #6: What You Wish For; #7: One Shot, Don't Miss; #8: Mixtape; #9: Breaking Up; #10: Damaged; #11: Midnight to Six; #12: Mon Dernier Jour Avec Toi (My Last Day with You). Todos em edições separadas que depois foram copiladas em um volume único.


Agora, Demo voltou, em um segundo volume com seis edições soltas. Mas, como dizem, nem sempre a segunda vez é tão boa quanto à primeira. E apesar da qualidade na construção da narrativa e da história estar lá, falta algo, falta o “ir além” da primeira leva de revistas. Demo Vol. 2 aparenta ser mais uma versão remake do primeiro volume, no estilo hollywoodiano de ser: mantemos a forma, porém, diminuímos o impacto. Uma pena. Mesmo assim, ainda recomendado se dar uma olhada,

Princesa Amazona – Parte 4

No post anterior:
De volta às suas origens, a Mulher Maravilha encontra um destino fatal nas mãos do Antimonitor em Crise Nas Infinitas Terras. No entanto, ao invés de morrer, a heroína retrocede no tempo, onde sua história pôde ser recontada de forma diferente, iniciando uma das fases mais celebradas da personagem.



“Enquanto isso, na banda desenhada...” é uma seção que traça um paralelo entre o universo real e o mundo dos quadrinhos, analisando como as duas realidades afetam uma à outra, trazendo informação e estimulando a reflexão acerca dessa 8ª arte.



As Mulheres Maravilha do passado, presente e futuro

Nos anos 90, com o advento da Image Comics – que traziam heróis mais “modernos” e adaptados aos novos tempos – tanto DC quanto a Marvel precisaram correr para se adaptar e manter as vendas. Como os heróis da Image representavam uma modernidade, mas não necessariamente qualidade das histórias, as duas maiores editoras tentaram se nivelar com a Image e acabaram dando origem a um período conturbado na história dos comics, onde o impacto visual se sobressaia às histórias e a qualidade dos comics caiu drasticamente. No caso da DC, que possuía em seus heróis mais conhecidos personagens criados nos anos 40, era difícil imaginar que esses heróis “antiquados” pudessem fazer frente a heróis mais modernos. Como a substituição de Barry Allen, morto em Crise Nas Infinitas Terras, por Wally West havia sido muito bem sucedida, a DC começou a acreditar que substituir seus personagens por versões mais “modernosas” era uma boa idéia, o que acarretou eventos como a morte do Superman, a substituição de Bruce Wayne por Azrael como um Batman muito mais violento, a transformação de Hal Jordan (Lanterna Verde) em um vilão e a subseqüente substituição do título para o inexperiente Kyle Rayner. Como era de se imaginar, a Mulher Maravilha não ficaria de fora dessa nova onda.

Após um arco de história em que as Amazonas ficaram presas num mundo demoníaco, Hipólita retornou com estranhas visões do futuro. Numa dessas visões, ela viu a Mulher Maravilha sendo morta violentamente. A fim de impedir que este destino terrível acometesse sua filha, Hipólita preparou um outro torneio para escolher uma nova Mulher Maravilha, mesmo com a reprovação de sua filha. O resultado foi a substituição de Diana por Ártemis, que tornou-se a Mulher Maravilha até ser morta cumprindo a visão de Hipólita. Após a morte de Ártemis, Diana retornou a ser a heroína.

Após Diana ficar sabendo da verdade sobre sua substituição, não perdoou sua mãe e deixou de falar com ela. Hipólita, por sua vez, devido à relação estremecida com sua filha e a finalmente ter se dado conta que mandara um inocente para a morte, decide por um auto-imposto exílio no mundo dos homens. Mais tarde, Hipólita ficou sabendo que sua filha estava em perigo, mas não conseguiu chegar a tempo de impedir que sua filha fosse morta. Por conta disso Hipólita, arrasada, mas sentindo muito remorso pela morte da filha, decide tomar o manto de Mulher Maravilha e passar a atuar no lugar da heroína.

Esse período de histórias foi importante para acertar uma série de pontas soltas da história da Mulher Maravilha que haviam ficado sem resposta até então. Durante uma aventura em que Hipólita, já atuando como Mulher Maravilha, volta no tempo, ela passa um período atuando ao lado da Sociedade da Justiça na Segunda Guerra Mundial. Isso resolveu o problema da atuação da heroína na Segunda Guerra, e também voltou a vincular a origem de Donna Troy (que fora a Moça-Maravilha, mas agora se chamava Tróia) à de Diana, revelando que a jovem heroína havia se inspirado na Mulher Maravilha dos anos 40 (que era Hipólita quando viajou no tempo).

Durante o período em que esteve morta, Diana recebeu o dom da divindade pelos Deuses Gregos, tornando-se a deusa da verdade, por seu trabalho na Terra e sua devoção às causas nobres. Eventualmente, Diana desistiu de sua divindade e voltou para o mundo dos homens, retomando o manto de Mulher Maravilha.

Após essa fase, muitos outros autores passaram pela revista da Mulher Maravilha, mas um que merece destaque é Greg Rucka. Mesmo seguindo de onde os outros autores haviam parado, Rucka renovou a Mulher Maravilha, mantendo seu conceito de Embaixadora da Paz e sua associação com os deuses, mas utilizando-os dentro de um contexto moderno. Agora víamos a tecnologia, computadores e internet junto com Mitologia Egípcia e Grega, por exemplo. Além disso, Temyschira passou a ser “parte” do mundo dos homens, ao que as Amazonas foram incumbidas de educarem e passarem para os humanos a sabedoria das amazonas. Foi uma fase muito elogiada e até hoje lembrada pelos fãs como uma grande fase da personagem.

Mas o pior ainda estava por vir.


Epílogo: Curiosidades
- O período em que Diana foi substituída por Ártemis foi desenhada pelo brasileiro Marcelo Deodato;
- A morte de Diana e sua subseqüente transformação em Deusa da Verdade não foi publicada no Brasil, assim como sua substituição por Hipólita. Como Hipólita tomou o lugar de Diana na Liga da Justiça, e esta revista era publicada aqui, a editora brasileira da época (Abril) safadamente alterou textos e cortou páginas de várias histórias a fim de fazer parecer que Diana tinha apenas mudado um pouco o uniforme;


A seguir: A mulher moderna dos novos tempos