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sexta-feira, 11 de março de 2011

CinemaScope: A Reinvenção dos Westerns


Com a chegada oficial de Rango aos cinemas brasileiros, o CinemaScope vai falar sobre a volta do gênero western ao mainstream, e o que ele está fazendo para que se torne relevante para esses dias.


O Western desde a decáda de 80 e durante os anos 90 sofreu uma dura baixa em sua produção e popularidade, tendo poucos exemplares durante este periodo.De cabeça só me vem a mente Os Imperdoavéis, Rapida e Mortal (do Sam Raimi) e a serie Adventures of Brisco County Jr. (com o rei Bruce Campbell). Mas durante a decada passada os faroestes tem voltado a ativa timidamente, até que na chegada desta decáda você voltou a ver cowboys e tiroteios novamente. Minha intenção aqui é mostrar que desde os anos 90 há um movimento de preparação para a volta do Western, e com a conectividaade que as midias tem hoje em dia permite que esse retorno pudesse chegar de forma natural para a absorção do publico, com filmes do quais certos movimentos já foram utilizados anteriormente e agora voltam com força total pronto para ser explorados em toda sua profundidade.Vamos rever num recaptula aonde de fato esta volta começou e como está a situação hoje, como essas filmes (entre outras coisas) estão fazendo para chegar ao publico.

No Começo, Havia o Cantor
El Mariachi, do diretor Robert Rodruiguez, foi o primeiro passo para um rosto mais conteporaneo ao western, fortemente influênciado pelo western spaguetti e pela nova linguagem cinematografica feita por Quentin Tarantino, ao mesmo tempo complementando os trabalhos de Quentin e criando sua própria linguagem.Na sequência A Balada do Pistoleiro a influência dos westerns fica muito mais evidente, e afirma a identidade narrativa do diretor, e a conclusão da trilogia veio com Era Uma Vez No Mexico, que no caso seria a versão do diretor para os Westerns Zapatisas (focados mais na alegoria politica) para aquele mundo, mas as muitas historias interligadas deixa o filme confuso e meio fora de foco de quem seja o personagem principal(se é o Mariachi de Antonio Banderas ou agente do FBI de Johnny Depp) deixa o filme um pouco inferior em comparação aos outros.

Matar é Amor
A volta de Quentin Tarantino com Kill Bill trouxe duas das grandes influências do diretor divido entre dois filmes: filme de kung-fu com Kill Bill Volume 1 e um faroeste modernizado no Volume 2, com um estilo similar ao de Robert Rodriguez, Sam Peckinpah e e Sergio Leone, especialmente.Misturando elementos japoneses e americanos (como o seriado de David Carradine, Kung-Fu), o clima e o estilo de faroeste (amplificado pelo tema da vingança) é bem forte aqui, tanto pelo clima quanto pelo cenário.

A Nova Geração
Hoje em dia podemos dizer que há 3 sub-tipos de faroeste: os refeitos por remake, que mantém o estilo classico, os westerns urbanos e aquilo que chamo de "western misto", por colocar outros gêneros (especialmente ficção ciêntifica) dentro do mundo do faroeste.

Na area de remakes podemos citar 3:10 to Yuma, conhecido por estas terras como os Imndomavéis, com Christian Bale e Russel Crowe, um dos primeiros westerns antigos a serem refeitos,e o mais recente Bravura Indômita, filme esse que pode nos dar a possibilidade de ver uma nova versão do classico de Sam Peckinpah: Pat Garrett & Billy the Kid.




Apesar de tanto Rodriguez quanto Tarantino terem flertado com a idéia, foi os irmãos Coen em Onde os Fracos Não Tem Vez que deu a cara para os Westerns urbanos, passados nos dias reais, seguindo mais ou menos os passos de Meu Nome é Coogan e Traga-me a Cabeça de Alfredo Garcia.O filme hoje em dia é exemplo do novo tipo de western e está gerando seus primeiros "filhos", como a serie de Tv Justified.




Os "westerns mistos" começaram a muito tempo com o filme Westworld - Onde Ninguém Tem Alma, com Yul Brynner, mas atualmente esse tipo de filme tem voltado a ativa, tendo até então seu melhor representante com o western apocaliptico O Livro de Eli. A Europa já está a algum tempo fazendo este tipo de filme, como o cartunesco Les Daltons (focado nos vilões de Lucky Luke) e a adaptação dod quadrinhos de Moebius, Blueberry - Desejo de Vingança (com Vincent Cassel). Este ano teremos mais dois desse tipo de filme: Priest e Cowboys & Aliens. Exemplos em outras midias você pode encontrar no game Red Dead Redemption, especificamente sua versão zumbi Undead Nightmare e The Walking Dead (serie de TV e HQ).




Um outro movimento que é interessante de ser observado são os westerns asiáticos, vindos da China ou Coréia, num movimento que tem de tudo para crescer.O bacana que é eles ultilizam a estrutura do western americano e spaghetti mas se mantém fiéis ao estilo da terra delas, tornando um resultado com forte influência do cinema asiático.Os principais representantes são "The Good,The Bad and The Weird" e Sukiyaki Western Django.




Parte da historia do cinema foi contruida em cima do primeiro gênero genuinamente americano, e como tudo na vida passa por altos e baixas, mas sempre arranja algum jeito de se reinventar e trazer algo novo.A ideia é mater as tradições classicas mas ao mesmo tempo abranger novas areas.Espero que com isso uma nova leva de filmes de faroestes (bons) chegue ns proximos anos.

Na proxima semana: 800 Balas!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Uaréview - Universo Marvel #10

Por Vini


Esses dias estávamos discutindo no nosso grupo de e-mails que às vezes falta um pouco de notícias de quadrinhos por aqui no Uarévaa. Bom, não chega a ser tanto, pois volte e meia tem alguma coisa para ler sobre isso, mas é bem verdade que o número de matérias, em relação a outros blogs que também falam de quadrinhos, diminuiu bastante.
Eu mesmo sinto falta, porque quando eu era apenas um leitor do Uarévaa (não por ser um redator, mas é que hoje em dia não leio mais, rs) me amarrava nas notícias e reviews quadrinescos que pintavam por aqui. Então resolvi me mexer um pouco, já que me sobrou tempo, e fazer um post analizando a revista Universo Marvel, mas especificamente da última edição que saiu nas bancas.
Então, vamos a ela!


 
 
Bom, primeiro é bom dizer que a edição gira em torno de uma história do Quarteto Fantástico, ou melhor dizendo, deveria! A fantástica capa de Alan Davis, que remete instantâneamente à maravilhosa fase do Quarteto na época de John Byrne, faz a chamada para a história onde é o dia do aniversário do agora não mais pequeno Franklin Richards que ganha como presente aquilo que mais desejava: uma visita do Homem-Aranha! Sabe, essas histórias funcionavam bem antigamente, mas hoje parecem ser não mais do que encheção de linguiça pra mim. Principalmente quando erram no desenhista da bagaça!
Geralmente, quando havia uma comemoração especial, sempre eram feras que desenhavam essas histórias. Não tô dizendo que Neil Edwards seja um péssimo desenhista, mas seu traço simplesmente não funciona em quadrinhos de super-heróis. Ou pelo menos, não nessa história.
As crianças tem cara de adultos e acabam passando por anões bizarros e o meu personagem favorito, o Coisa, tá muito esquisito (isso sem mencionar a camisa à la Fiuk que o Pedroso tá usando!). Shame on you!


Mas voltando à história, ela faz aquele guéri-guéri todo mostrando as festividades, e no meio dela já dá pra perceber que existem pistas do que virá a ser o novo projeto de Reed Richards sobre a Fundação Futuro, bem como a presença do Aranha, que já tá fazendo essas pontas para a galera ir se acostumando com a fuça dele no Quarteto que não será mais quarteto. Aliás, outra coisa que deu pra sacar é que os uniformes dessa Fundação, são muito parecidos com os que o Quarteto Futuro (aquele grupo de fedelhos que andavam com um dragão sintético) usava! Nesse interim, uma figura misteriosa e familiar (tá bom, vai, o Franklin Richards do futuro) invade o edifício Baxter para avisar Valéria que o futuro tem de ser evitado a qualquer custo! É aí que eu acho que o desenhista, ou talvez o roteirista, marcaram toca de novo. Podiam ter feito uma sequência muito mais visual e dramática aqui, mostrando o desespero dos pais ao verem os filhos em perigo. Enfim, história passável, típica história fraca que sempre tem em um mix da Panini.
 
 
E antes de falar das histórias principais de verdade, ainda temos uma do Demolidor como o chefão "modafoca" do Tentáculo, tentando estabelecer um controle cada vez maior sobre Nova York. Para isso, ele declara a Cozinha do Inferno território do seu clã de ninjas chifrudos e dá à polícia local 24 horas para sair do seu bairro. Osborn se incomoda e manda o MARTELO cuidar da situação, e como diria o tiozinho narrador da Sessão da Tarde: "No confronto entre os federais cascas-grossa e esses ninjas sinistros, esse bairro da pesada vai se transformar numa verdadeira zona de guerra!".
Andy Diggle manda muito bem nos roteiros do Diabão Destemido, mas acho que ele anda com o pé muito no freio em relação ao personagem. Se fosse nos anos 80, ele já tinha enfiado o pé na jaca e saido matando geral! O Demolidor tá muito comedido, mas cheio de posse de vilão do submundo, com troninho e tudo mais. Mas é só posse, ação que é bom nada. Tirando o discurso de Vingador Justiceiro de filme que passa no Domingo Maior e o fato dele ter pulado de peito aberto durante uma saraivada de bala do exército, acho que a série tem a chance de melhorar nos próximos capítulos.
 
 
Conseguiram fazer uma merda gigantesca com o Justiceiro: torná-lo um monstro de Frankestein. Mas apesar de tudo ir contra ele, como tomar pau do filho do Wolverine (QUE ISSO?!) e ainda por cima desenhado pelo fantástico Romitinha, não é que as histórias são boas?
E isso porque eles conseguiram dar um ar meio "Vertigo" as histórias dele. Acho que isso funciona perfeitamente num especial, mas trabalhar esses conceitos numa linha mensal é bem perigoso!
Nessa história, tentando reunir mais informações a respeito de seus mais novos alvos, Frank Castle (ou o que sobrou dele) chama seu parceiro Henry para desvendar o passado de Robert Halsgaard, o líder da Força Especial Caça-Monstros. O roteiro lembra muito algumas histórias da Era de Ouro dos quadrinhos, mas não só isso, os desenhos de Dan Brereton, artista conceituadíssimo quando o assunto é terror e pulp, também. Pra quem não sabe, ele foi o responsável pelos desenhos das histórias pulp Thrillkiller do Batman e das de terror-erótico de Vampirella. Além dele, o desenhista regular da série, Tony Moore manda muito bem nos traços dos monstrinhos.
A menção de "monstros gigantes atômicos" no Japão foi uma pusta sacada! Duvido que ninguém se lembre dos antigos e toscos seriados japoneses.
 
 
Agora sim vem o créme de la créme, as novas histórias do Hulk! Cara, faz tempo que não leio algo tão bom do Gigante Esmeralda (e do Vremêio tumêm)!
O jeito sacana e extremamente inteligente que andam retratando Bruce Banner tá foda! Na edição anterior, na luta dele contra o Dr. Destino eu só conseguia pensar: "Que foda isso!". 
Nessa edição, Ed McGuiness tá com um traço bem melhorado, apesar de umas mancadinhas como por exemplo, a cena da página 15 e o Anjo parcialmente (e desnecessariamente) todo negro à contra luz. Jeph Loeb fez aquele feijão com arroz de sempre, mas a história tá boa. Nela o grupo de vilões denominado A Intelligencia, já com Reed Richards e o Dr. Destino sob seu domínio, manda o Fantasma Vermelho até Wakanda para sequestrar T’Challa, o Pantera Negra e Hank McCoy, o Fera, levando adiante seu plano de capturar as oito pessoas mais inteligentes do mundo. O Hulk Vermelho aparece para sabotar seu plano, mas acaba enfrentando alguns X-Men!
 
Na história seguinte, Greg Pak (roteiro) e Paul Pelletier (desenhos) mostram uma treta entre a Mulher-Hulk Vermelha e alguns Vingadores, com a ajuda do Cientista Supremo (Hank Pym) e de  Amadeus Cho que vergonhosamente faz uma "gambiarra-relâmpago" na armadura do Máquina de Combate durante a batalha, o único ponto negativo da história. Ainda é mostrado a equipe que Banner monta para ir atrás de Betty Ross e salvar o mundo, com Namor, Wolverine e  Skaar, o filho de Banner, entre outros.
Um dos pontos altos de história é o próprio desenho de Pelletier que se assemelha muito ao grande mestre Alan Davis. Já virei fã desse cara!
 

Na última história, Bruce Banner sai à procura de Lyra, a filha do Hulk com Thundra (cuja existência até então era desconhecida para ele) e o Hulk Vermelho tenta ajudar a mãe da garota a voltar ao futuro ao qual pertence. Mas é apenas quando Mago, Garra Sônica e Ardiloso a atacam que o Golias Escarlate tem a oportunidade de provar de que lado está. Nesse meio tempo, ainda enfrentam a defesa "vampírica" de Destino em seu castelo, vários Nosferatus sedentos de sangue!
Tá sendo legal acompanhar as novas aventuras do Hulk depois de Planet Hulk, eu recomendo!
 
 
 
Nota geral da revista: 8
Universo Marvel #10 (PANINI)
Mensal, formato americano, 148 páginas, papel Pisa-brite, R$ 14,90

terça-feira, 8 de março de 2011

O que é um Super herói?




O senso comum dita que super Herói é alguém que usa uniformes, muitas vezes espalhafatosos, tem codinomes pomposos, solta raios pelos olhos, agüenta bala no peito, entorta ferro, controla mentes e consegue trabalhar 12 horas por dia e ainda combater o crime! Podem ter perceirinhos, equipes, bases, veículos e até mesmo mais grana do que o Roberto Justus. Alguns são mutantes, outros alienígenas, outros dotados de força mística, extremamente inteligentes, enfim acima da média humana, quase Deuses!

Mas isso define o que é um super herói?



Uma vertente acredita que um herói é aquele que põe sua vida em risco em benefício de alguém ou de uma causa. Um bombeiro se arrisca para salvar desconhecidos, como aquela tia fofoqueira do 405 que botou fogo no próprio tapete enquanto fumava seu qüinquagésimo cigarro! Isso é um herói! Agora um cara que é invulnerável ao fogo, atravessa a parede e salva a mesma bruaca não poderia ser considerado um herói, pois em nenhum momento arrisca sua vida.

Nos quadrinhos a palavra Super significa que o indivíduo tem poder, logo, quanto mais super, menos heróico. Quanto mais heróico, menos super ele é. Então o Batman é um herói de verdade enquanto o Super Homem não?

Antes de responder a essa pergunta vamos ver o que a santa wikipedia nos diz da palavra Herói:

“Herói é uma figura arquetípica que reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica. (...) O herói será tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas – liberdade, fraternidade, sacrifício, coragem, justiça, moral, paz."

Então segundo essa definição, o Super Homem é um herói por ter todos aqueles poderes e resolver sacrificar sua vida pessoal para fazer o que faz por sua moral elevada! Ele faz o que faz por que é o certo pronto e acabou! Homem Aranha também é um herói, pois sabe que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades! Todos eles procuram empregar suas grandes capacidades em benefício dos outros, podem não arriscar sua vida o tempo todo, mas sacrificam um pouco de si para fazer valer a bondade. Vejam o Demolidor, o coitado gasta suas horas vagas saindo pelas ruas combatendo o crime, se esfola toda noite para que os cidadãos possam dormir em paz. Então quem é mais herói, o Batman que não tem super poderes e mesmo assim arrisca sua vida no combate ao crime ou o Super Homem que é quase um deus? Ora, os dois são igualmente Super Heróis!


Dito isso, agora vem o real motivo por que escrevi esse artigo nesta quarta feira: para falar do Jeph Loeb! Tudo que escrevi acima foi inspirado no artigo que ele escreveu para o livro “Super-Heróis e a Filosofia”, um brilhante artigo por sinal. Esse resumo tosco nem chega aos pés do artigo de verdade, sugiro que leiam na íntegra. O cara é bom e sabe do que está falando, conhece realmente de super heróis. Então eu pergunto: por que ele escreve tanta merda? Como um cara pode acertar tanto em algumas história e cagar tanto em outras? Será a grana? Visão de mercado?




Na próxima semana: O que é um Super Vilão!

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Vingador Tóxico

“Para sua informação, todo mundo sabe que monstros preferem as loiras.”
O Vingador Tóxico





Tema Macabro




Filmes Trash. Produções pobres e toscas, feitas desta maneira propositalmente (ou não), geralmente associadas às películas de terror, neste caso incluindo bastante cenas de sangue e gore. Um filme trash é, por definição, um filme para não ser levado a sério, pois conta não só com uma produção pobre, mas com um roteiro que não se preocupa em ser bem feito, inteligente ou sequer fazer sentido. O que vale é gerar a sensação de “WTF?” nos espectadores, se não durante toda a produção, pelo menos em boa parte dela.

Mas se você quer uma definição visual e objetiva do que é trash, existem duas produções que são o próprio conceito de Trash: Fome animal e O Vingador Tóxico.

Melvin Ferd é o típico nerd estereotipado que vive e trabalha como zelador na pequena cidade de Tromaville, em Nova Jersey. Sofrendo todo o tipo de perseguição pelos valentões da cidade, Melvin acaba sofrendo um acidente ao cair em um tanque de lixo tóxico, que lhe proporcionou uma cara horrível, mas tamanho, força e resistência muito maior do que a de um ser humano comum. Melvin acaba se tornando então o defensor dos fracos e oprimidos e acabando com o crime e a maldade em Tromaville como o Vingador Tóxico




Produzido originalmente em 1985, o Vingador Tóxico (The Toxic Avenger) é um dos maiores “sucessos” da Troma Entertainment, produtora e distribuidora de filmes independentes que atua no segmento há décadas, e definitivamente um clássico do trash, que gerou, além de mais 4 sequências, adaptações para outras mídias, sem contar referências e homenagens em diversos filmes. Indispensável aos apreciadores do gênero de terror e que merece ao menos uma conferida. Não é, como a própria definição de trash alerta no início deste texto, um filme para ser levado a sério, no entanto. Assista de forma totalmente despropositada. E, se você não é do tipo que curte Carnaval (ou teve que ficar trabalhando e não teve feriado), tai uma boa pedida para esquecer disso tudo.

Curiosidades:
- Troma é o estúdio americano de filmes independentes mais antigo em atividade até hoje, tendo sido fundada em 1974;
- A Troma anunciou em 2010 que Akiva Goldsman (Uma Mente Brilhante) está encabeçando a produção de uma refilmagem PG-13 d’O Vingador Tóxico;
- O TromaDance Film Festival é um festival de cinema independente organizado pela Troma desde 1999;
- Em 1992 a Marvel lançou uma HQ do Vingador Tóxico, escrita por Doug Moench que durou 11 edições;
- Acreditem, existe um "The Toxic Avenger - O Musical";
- Existe um DJ francês cujo codinome é “The Toxic Avenger”.



Na próxima Madrugada:
Os verdadeiros heróis merecem mais de um post. Então não perca, na próxima semana, O Vingador Tóxico em Sequência.

Mutantes & Malfeitores


Hoje vamos falar de um RPG chubiduba de super heróis. Um gênero que não é muito popular lá fora e que no Brasil nunca fez muito sucesso apesar de que nerd que joga geralmente lê histórias em quadrinhos. Sem mais enrolações vamos à matéria.

Gosto muito de GURPS, é um sistema genérico muito bom que praticamente permite que se mestre qualquer tipo de cenário, bastando uma simples adaptação. O sistema é ridiculamente simples, você rola três dados, se o resultado obtivo for menor que sua perícia, você tem sucesso, do contrário, logicamente é um erro. Simples assim, não precisa explicar mais nada, um ótimo sistema. Porém para o gênero de supers não presta devido ao jogo ser voltado para a simulação de realismo, para simular os poderes do Super Homem é como imaginar um rato tentando parir um elefante e os resultados inviáveis para uma rápida sessão de jogos, muitos dados, muita conta, muito tempo perdido. Mesmo assim mestrei Gurps supers por anos.

Testei inúmeros outros sistemas para super heróis: Marvel Saga onde não se usa dados só cartas; DC Super Heroes que todo mundo que conheço gosta, mas eu detesto jogo que usa muitas tabelas; Aberrant que utiliza o sistema storyteller, apesar do cenário ser extremamente ótimo, o sistema eu comparo a uma tropa de choque marchando sobre uma ponte de papelão toda vez que temos de rolar os inúmeros dados que o jogo exige... Testei muitos outros, infelizmente nenhum me agradou.

Então conheci o Mutantes e Malfeitores. No começo torci meu nariz pois é fincado no sistema de D&D, logo pensei em classes para os super heróis, imaginei o sistema de níveis, enfim, todo o sistema D20 voltado para personagens medievais de capa e espada. Li o livro em uma tarde chuvosa, emprestado por um colega sorridente que espertamente comprou o livro e procurava um trouxa para mestrar.

Cético no início me surpreendi com o que vi, o sistema, apesar de D20 é redondinho, permite que personagens como o Lanterna Verde convivam com heróis urbanos no estilo do Batman. É ligeiramente diferente do D&D, não tem níveis, não tem pontos de vida, o dano é diferente e somente se usa um dado de vintes faces para tudo, parecido com a simplicidade do GURPS, rola o dado e se tirar maior que o número alvo você acertou, só isso!

A criação de personagens segue o esquema de pontos parecidos com Champions, Gurps e Aberrant, você tem um número x de pontos para gastar com poderes, habilidades, atributos e todos os detalhes pertinentes, mas sem complicações, direto ao ponto. Consegui fazer todos os personagens que imaginei, coisa que não foi possível com os sistemas do que testei no passado.

A apresentação do livro é extraordinária, uma homenagem aos quadrinhos e forrado de referências que um simples leitor de HQ pesca de primeira. Tudo é uma mescla de tudo de bom que o universo dos quadrinhos tem a oferecer, casa como uma luva para aventuras fantásticas, até mesmo overpower de doentes como Alan Moore, Neil Gaiman e Peter David. Não fiquei nem um pouco surpreso quando anunciaram o novo DC Heroes usando o sistema de Mutantes e Malfeitores.

O livro se preocupa em causar uma total imersão do cenário, literalmente te educando no gênero, te explicando as eras dos quadrinhos, destrinchando os pormenores de uma história e dando dicas de como se aproveitar de ganchos, tramas e vilões. Não tenho vergonha de afirmar que passei a conhecer muito mais de quadrinhos depois de ler esse livro e olha que coleciono quadrinhos desde 89! A leitura é válida até para aqueles que não gostam de RPG ou não pretendem jogar Mutantes & Malfeitores.

Encerro essa pequena matéria aconselhando os que gostam do gênero a adquirir esse livro o quanto antes, vale cada centavo, diversão garantida tanto na leitura, quanto no jogo em si. Ainda mais pela versão nacional ser barata e facilmente encontrada em livrarias.

Ficha Técnica
Título: Mutantes & Malfeitores
Autor: Steve Kenson
Editora: Jambo Editora
Formato: 21 x 28 cm, 256 páginas, brochura
Preço: R$ 39,90
Link para o site da editora.


sexta-feira, 4 de março de 2011

Podcast Uarévaa #36 - SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Parte 1


SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA!!

Hoje temos Rafael, Zenon, Alex "Al Lock" Matos e Shazam na linha de frente de batalha falando sobre a SEGUNDA GUERRA MUNDIAL.

E no Momento Uarévaa, Freud e Marcelo Soares cagam regra sobre o Oscar 2011.




(Clique na imagem com o botão direito do mouse
e depois em "Salvar link como..")


Clica ai pra assinar o RSS e passar a receber
o Podcast Uarévaa "tomáticamente"!!



E tamo até no iTunes, rapá!!!




Comentado no Podcast

Bom, o pesoal que participou do pod disse que não tem link nenhum pra botar, então só sobrou o incrível samba enredo que o Freud citou no Momento Uarévaa. Confere ai!



Comente ai no post ou mande seu e-mail (contato@uarevaa.com) com críticas, elogios, sugestões, cagações de regra e tudo mais sobre nosso podcast.


quinta-feira, 3 de março de 2011

Crise Final: Uma Análise - Parte 3


Nessa edição é podemos dizer que a trama corre, mas não de uma forma negativa, pelo contrário, ela sai pontuando momentos importantes em locais diferentes que nos levam ao próximo movimento no tabuleiro chamado Terra e no jogo entre os Deuses do Mal e os seres humanos.

Crise Final 3
Quando o inferno sobe à Terra

“Não. É o.... O céu sangra. O Inferno... Está... Está Aqui"
Mulher Superiora

Reforçando a idéia que, em um primeiro olhar, a saga é uma história de suspense regada a investigação policial,   Morrison abre a história com a S.H.A.D.E. invandindo o Clube Dark Side atrás de Renée Montoya, a Questão, que estava atrás do detetive Danny Turpin – pego pelas forças de Darkseid na edição anterior. O interessante é como o autor a cada número prepara um cenário que irá se interconectar mais a frente, com a relação de Montoya com a Shade e os planos de criação de uma força global de defesa. 

Outra coisa é o uso de um dos melhores personagens de Sete Soldados da Vitória: Frankstein. É impressionante como Morrison se sente a vontade com o personagem e a rede de espionagem que ele criou ao seu redor, pena a DC não dar um tratamento melhor a essa versão pop do monstro de Mary Shelley.

Ainda nessa seqüência nos deparamos com uma mensagem escrita na parede por um “autor fantasma” como uma profecia, lembrando muito as mensagens da Fonte para o Pai Celestial, e também as mensagens divinas na bíblia, só que com um ar mais digital, fazendo uma antecipação de fatos de um futuro próximo.

Um conceito levantado nessa história é da relação dos velocistas com a morte, haja visto que na edição anterior vimos Barry Allen, morto há décadas, voltar a vida. Contando para a família sobre o encontro com Barry, Jay Garrick aponta que “a morte não pode viajar mais rápido do que a luz”. Não sei se o que penso tem a ver com essa idéia, mas indo por uma visão científica me veio a mente o conceito de Einstein sobre viagens a velocidade da luz, onde o tempo passa de uma forma diferente e, assim, uma pessoa que saísse da Terra e fosse até outra galáxia em velocidade da luz ao voltar teriam passados décadas, ou séculos, e ele estaria exatamente igual a quando saiu, enquanto todos seus contemporâneos estariam mortos. Tornando assim a velocidade da luz uma forma de despistar a morte, em um tipo de metáfora. (caguei regra geral agora).


Outro ponto legal de se ver é como o autor retoma conceitos antigos dentro do universo criado por Jack Kirby, como o capacete dos Justificadores que o Libra coloca no Homem-Flama, nos dando a primeira mostra do que será feito com os humanos: retirar seu livre-arbítrio e liberdade, uma destruição do conceito básico criado por Deus para diferenciar os humanos dos outros seres vivos, transformando-os em puros animais domesticados. O golpe fatal vem quando Mokkari, assecla do Deus do Mal, assim como no apocalipse bíblico, espalha a “marca da besta”, ou melhor, um vírus eletrônico que leva a equação antivida para todos os sistemas de comunicação do mundo. Somos derrotados exatamente por nossa dependência tecnológica.



Crise Final ressalta algo interessante sobre as forças vigilantes dos super-heróis: sua incapacidade de prevenção, vivendo eternamente reagindo a ameaças, e, assim, não fazendo completamente seu papel, ou, até mesmo, a irresponsabilidade de sua comunidade com seus próprios membros, haja vista a falta de interesse dos “grandes heróis” em saber o que se passava com Mary Marvel, a alma pura corrompida pelo mal, a “virgem sacrificada”, que ressurge em Bludhaven para enfrentar a Mulher-Maravilha e espalhar nela um vírus genético de controle – feito para, assim como os capacetes justificadores, converter os não atingidos pela equação antivida. 



Alias, essa corrupção de Diana fecha o ciclo de simbolismos ligados a Trindade da DC: Batman, o herói do submundo, preso, Superman, o filho de Apollo, inutilizado pela sua dor, e a Mulher-Maravilha, a guerreira da alma feminina, destruída. Os Deuses Malignos vem à Terra e destroem seus Semideuses. Em poucas semanas a Terra está dominada pelas forças de Apokolips, restando para os heróis e forças governamentais preparar planos de contingência contra a guerra declarada e suas conseqüências.


Ver tal situação, mesmo sendo em uma história de aventura, me fez pensar se os humanos fossem atacados por seres externos (sejam aliens ou mesmo vindo dos infernos) se estaríamos preparados para o embate (desconsidere a viagem mental).

Assim, chegamos ao fim da terceira edição de Crise Final, com a Terra sendo dominada pelo mal, os heróis acuados e o caos imperando.

No próximo post: resistir é preciso enquanto a anti-vida justifica.

A História da História

Como todo começo tem um início, a história também!




Era uma vez um homem chamado Grunk. Sua vida se resumia entre acordar em sua caverna, caçar, comer, defecar e tentar se reproduzir. Essa última parte era difícil, pois Grunk era loiro, olhos azuis, nariz e queixo proporcional e dentes brancos alinhados e sem nenhuma marca de doença, em resumo, um péssimo partido para as mulheres da região que o consideravam delicado demais para proteger seus filhos contra os predadores. Grunk, que infelizmente era inteligente, resolveu contar sobre suas grandes caçadas para impressionar a mulherada. Nascia ali a arte de contar histórias.


Com o passar do tempo, além de se reunirem diante das grandes fogueiras para contar seus feitos, também passaram a desenhar. Os egípcios eram mestres nessa arte e emporcalhavam cada pedacinho de suas paredes com desenhos. A colheita foi boa? Bora escrever nas paredes! Por isso que as pirâmides eram tão grandes! Depois eles descobriram o papiro e pararam de fazer pirâmides... Meu professor de antiguidade chutaria minhas brancas nádegas se lesse isso! (Brincadeira viu seu Rui!)
A história sempre existiu, seja na forma de pequenos contos que exaltavam a criação do universo, os deuses e suas aventuras sexuais, às grandes epopéias megalomaníacas chinesas que exaltavam seus grandes imperadores. Mas a história como conhecemos hoje, que se desenvolve de forma linear (começo, meio e fim de forma processual), começou com um rapaz chamado Heródoto que escreveu sobre a invasão Persa na Grécia do século V antes de cristo. Portanto, foi o primeiro a gravar os acontecimentos de forma contínua.

Agora quem complicou a história, ao definir métodos para seu registro foi Tucídides. Quando resolveu contar sobre a Guerra do Peloponeso do qual participou, preocupou-se em tentar ser imparcial, procurando explicar as causas, fazendo muita pesquisa e reunindo bastante fontes. Antes desses caras, podemos chamar a história de pré-história, pois não temos muitos documentos para montar o quebra cabeça dos acontecimentos, somente vasos, estátuas e alguns rabiscos, aqui e acolá. Trabalho de arqueólogos.

Os historiadores de hoje, como toda ciência, usam toda uma metodologia, preocupados com a verdade dos fatos, usam várias fontes de informação para construir a sucessão de processos históricos: escritos, gravações, entrevistas, notinhas de supermercado, achados arqueológicos ou o google.

Essa nova coluna irá contar histórias todas as quartas feiras. Pequenas curiosidades, mistérios da humanidade, presepadas históricas e origem das coisas. Até quarta que vem!




Na próxima Quarta: Suástica, sua origem e seus mistérios!

terça-feira, 1 de março de 2011

Filme de Terror "Desalmados: Aleluia, Salvação e Glória"

Precisa de figurantes na Região de Campinas.

Um grande amigo envolvido com teatro e filmes solicitou uma força para divulgar o seu longa. Pelas imagens e pelo que conheço dos responsáveis, o filme tem tudo para ser bem Chubiduba! O pessoal do Uarevaa está negociando com o diretor para a gente poder gritar "Uarevááááá" durante o ataque dos desmortos!!!


O longa “Desalmados: aleluia, salvação e glória!” é um projeto independente desenvolvido na área do cinema, em que o roteiro retrata uma das vertentes do apocalipse, discutindo religiosidade e principalmente a diferença entre devoção e desejo.

Trata-se de um filme do gênero gore, ou seja, muito humor negro e sangue.

O roteiro e a direção são de Flavio Carnielli e o elenco é composto tanto por atores experientes quanto por amadores.

Esta produção não possui nenhum tipo de incentivo financeiro governamental, apenas algumas colaborações de pessoas interessadas no crescimento do cinema nacional e no reconhecimento do trabalho artístico da região.

A produção precisa do momento de pessoas dispostas a fazer figuração para algumas cenas, uma delas será gravada durante o carnaval.

Pedimos que os interessados entrem em contato

por email (angustia_filmes@yahoo.com.br) ou

telefone (19) 91904922

Antecipadamente gratos

http://desalmadosofilme.blogspot.com

Catfish (2010)


Vivemos dentro de um mundo hoje em dia ligado a velocidade e dinamismo da virtualidade. Em tempos de milhões de redes sociais, blogs, programas de conversação online, uma enxurrada de informações e contatos são feitos a distancia de um clique. Conhecemos pessoas vizinhas a nós ou tão distante quanto o extremo oposto do mundo, mas, uma questão sempre nos persegue: Será que a pessoa do outro lado é realmente quem se diz ser? É sobre isso que o documentário Catfish vem nos relembrar.

No filme, Nev Schulman é um fotógrafo de 24 anos de idade, que passa a receber quadros pintados de fotos suas postadas no Facebook feitos pela pequena Abby Pierce de 8 anos. Mantendo contato pela rede social ele conhece Megan, irmã de Abby, sua mãe Angêla e irmãos.Depois de um longo relacionamento online – que inclui troca de presentes e conversas ao telefone com Megan e sua mãe – Nev, e seus amigos, Ariel e Henry, decidem ir até uma fazenda no Michigan para conhecer toda a família, que até então parecia perfeita. Mas, quando um dado não “bate”, o mundo de Nev cai e ele resolve ir até o final para descobrir se realmente foi enganado por todo o tempo.

Depois de ver o filme A Rede Social imaginei ter visto no cinema a mostra definitiva sob nossa atual cultura digital, voltada para a geração de pefis, programas, intrigas e ícones, ao assistir Scott Pilgrim Contra o Mundo me vi reavaliando essa percepção ao me deparar em tela com mais uma mostra dessa realidade de interconexões (narrativamente e visualmente falando). Mas, então, em um fim de semana tedioso, me deparo com Catfish e minhas percepções novamente são abaladas.

A estética do filme se utiliza muito bem de uma montagem que procura mostrar como apreendemos as coisas sob uma tela de computador, além do uso de câmeras mais “caseiras” no decorrer do filme reforçando, assim, esse caráter de uma geração sempre filmando, fotografando, postando, algo de sua vida. Contudo, a história que traz fortíssimamente como vivemos ligando o mundo virtual ao real, seja por fotos que tiramos, postamos e outros pintam elas, ou os famosos mashups de conteúdos em recortes, colagens, reconfigurações. Num viés psicológico, a obra levanta uma questão sobre o que se passa na mente de pessoas que assumem um perfil “fake” online, porém, não para trollagem, agredir outros, mas sim se relacionar de verdade com outras pessoas, só não assumindo quem se é de verdade.

Catfish traz consigo também outra polêmica, que para mim não diminui em nada o impacto do filme e sua função social. Mas, para comentá-la irei deixar um aviso de breve SPOILER e o texto em branco para ser selecionado se você quiser saber.

Muitos acusam o documentário de não ser verdadeiro e sim um falso-documentário, isto é, um filme feito com uma estética documental, mas com uma história fictícia. Outra visão aponta que ele é um doc-fic, ou seja, um documentário com partes ficcionais: Nev teria sim sido abordado por Abby, ou a pessoa por trás dela, e uma parte do filmado era real, contudo, a jornada de ida até a cidade do ser humano por trás da tela de computador teria sido montada em alguns aspectos. Minha opinião? Acho que a segunda visão está mais próxima da realidade, afinal, tem momentos que vemos uma reação muito parecida com uma verdadeira, mas em outros momentos (como uma cena com uma caixa de correios) é muito “perfeitinha” para ser real.


Em resumo, Catfish – grande sucesso do Festival de Sundance de 2010 – vale ser visto pela reflexão que ele levanta e por ser um ótimo filme de suspense que utiliza os recursos do estilo documental “universitário”, usando de uma comparação muito da grosseira, isto é, sem os formalismos “oficiais” usados por gerações de cineastas, o que para mim não o diminui. 

E se você não sabe o que significa o titulo veja o filme e entenda em uma breve, e poderosa, explicação tanto o seu significado quanto o da existência da própria obra.