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domingo, 21 de novembro de 2010

Palhetada

Crash Test Dummies
por Zenon 


Antes de começar a falar da banda propriamente dita, vou contar porque resolvi fazer esse post.

Esses dias eu estava conversando com o Duende Amarelo e falei pra ele: " Cara, porque você não fala de Crash Test Dummies? É bacana! "
Daí ele disse: " Porque o post todo se resumiria a 'mmmm mmm mmmmm mmmm' ".

Admito que me senti desafiado e por conta disso eu venho por meio deste mostrar que essa banda tem muito mais do que uma música com um nome tao vergonha alheia de se falar. Então clica aí e aceite esse desafio!

Pois bem. A banda Canadense começou a ficar conhecida entre 89 e 90 lá em Winipeg. Seu primeiro álbum muito embora fosse um sucesso enorme em sua terra natal, era pouco conhecido no resto do mundo.
Graças a um tal de Harrison Jerry, principal porta-voz e responsável pela produção e divulgação, o álbum God Shuffled His Feet de 1993, quebrou recordes de venda no Canadá e na Europa.
O primeiro single deste álbum, "Mmm Mmm Mmm Mmm" (o nome de música mais genialmente idiota do mundo), transformou-se num hit a ser batido, no brasil tornou-se a musica mais tocada por varias semanas.

Mas voltando um pouco no tempo, em 1991 foi lançado o álbum The Ghosts That Haunt Me. Dentre essas músicas se destacam a que leva o nome do álbum ( The Ghosts That Haunt Me, caceta! ) que mistura guitarras, com gaitas no melhor estilo 'country' e a genial Superman's Song, onde Brad Roberts (vocal) compara o Superman com o Tarzan (?!).


The Ghosts That Haunt Me




Superman's Song



Menos de dez anos depois, mesmo com uma pane elétrica no carro que quase fez Brad Roberts perder o braço, a banda lançou mais quatro álbuns somando oito ao total (o último em 2004 chamado Songs of the Unforgiven) e mais um coletânea " The Best of ".

O mais legal da banda é que além da voz de barítono de Brad, tem ainda a perfeita mistura de intrumentos como gaita, piano, violino, bandolim, banjo, flauta, guitarra elétrica e acústica entre outros... essa versalidade faz as músicas variarem entre os clássicos westerns com seus violões acústicos malucos e gaitas às batidas folk com violinos, pianos e percursões. Exemplo disso é a música Afternoons and Coffeespoons perfeita pra ouvir numa bela sexta-feira indo pra um happy hour (ou fugindo de um hospital, quem sabe, rsrs) ou a tranquilaça It'll Never Leave you Alone que além de voz e violão conta com sons urbanos de fundo.




Só achei a versão de It'll Never Leave you Alone na versão da banda/orquestra. Sem muitos sons de fundo, mas mesmo assim é bacana, ó.



Sem mais delongas, se tiverem a oportunidade de ouvir algum CD da banda, tenho certeza que não vão se arrepender.
Agora me despeço de mais um Palhetada deixando com vocês mais um som dos caras.


The Unforgiven Ones




The Ballad of Peter Pumpkinhead. Trilha sonora de Debi e Lóide.



E não podia faltar a mais clássica!




Let's ROCK!!!

PS: Mais um motivo pra curtir a banda? Ellen Reid (Vocal, piano, teclados, acordeão )!!!



PS2: Chupa, maninho!!! ¬¬

PS3: Não vou fazer aquela piadinha besta do Playstation.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Podcast Uarévaa #21 - ZUMBIS


E ai, Zenon, o que cê vai fazê?

Nesse pod, Freud, Zenon, Marcelo, Rafael e Vini se preparam para enfrentar um apocalipse zumbi. E no Momento Uarévaa, quase todos voltam pra falar do trailer do Lanterna Verde.

Ouça e prepare-se voce também!!



(Clique na imagem com o botão direito do mouse
e depois em "Salvar link como..")


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E agora tamo até no iTunes, rapá!!!





Comentado no Podcast

- Série de posts no Madrugada Macabra sobre o tema: Parte 1, 2 e 3.

Gráfico comparando vários Zumbis
(clique nele pra ampliar)

- Atropele Zumbis com um triciclo de menininha: AQUI

- Zombie Hunters, quadrinho online: AQUI

- DELIVER ME TO HELL, aventura interativa: AQUI 

- E, finalmente, O QUE FAZER NUM ATAQUE ZUMBI!!




Comente ai no post ou mande seu e-mail (contato@uarevaa.com) com críticas, elogios, sugestões, cagações de regra e tudo mais sobre nosso podcast!!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

UaréTV #4 - Rio ComiCon


Sim, pessoal, acredite se quiser, o velhinho Freud aqui que vos escreve finalmente tirou a bunda do sofá e foi em algum evento.

Confiram ai a cobertura de merda que só mesmo um repórter senil de primeira convenção poderia fazer. (felizmente nosso já famoso "cara da edição", Marcelo Soares, salvou alguma coisa).


Não tem Manara, não tem gostosas (vocês já me conhecem: casado, fiel e pai de família), não tem o Laerte vestido de vovozinha, mas tá ai...

"Mas então o que tem nesse vídeo que preste?"

Nada, mas assiste essa merda assim mesmo e não enche.



Pra vocês verem como eu sou um jegue, nem fechamento de matéria eu fui capaz de fazer direito. Culpa do "Istande do MDM" (na verdade, uma mesa de boteco) que, quando encontrei, comecei a beber e não parei mais.

Aguardem para breve uma matéria contando o que achei do evento e resenhas de hqs compradas lá.


P.S.: Agradecimento especial ao amigo, leitor e argentino El Pato Vingador, que forneceu algumas fotos e o vídeo do Kevin O'Neill desenhando/autografando (sim, a única atração internacional do vídeo nem foi filmada por mim)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Morte de Ivan Ilitch


Olhai nosso "leitor Aruévaa" de volta!! Dessa vez, o Renver nos traz a resenha dum conto de Liev Tolstói, rapaz, né brincadeira não...

Confira ai e mande o seu post tambem!! Envie DJÁ seu texto e imagens pro "De fora da panela", através do e-mail contato@uarevaa.com.

A Morte de Ivan Ilitch

Dois motivos me levaram a fazer uma resenha desse conto: Primeiro, eu o terminei de ler em junho desse ano, e até hoje, me incomoda o fato de não ter feito uma resenha decente. Segundo, Liev Tolstói obriga o leitor a refletir sobre o conceito que aplicamos a felicidade.

Sobre o escritor:

Liev Tolstói, conhecido como escritor, filósofo e pacifista. E pra mim um grande personagem da humanidade. De origem russa, conhecedor profundo da historia do seu povo (diga-se de passagem, sofrida), viveu numa época conturbada na Rússia perto do fim da era dos Czares.

Esse ano eu li dois contos dele:

- A Morte de Ivan Ilitch

- Senhores e Servos

São contos simples, sem filosofias complexas e com uma narrativa dinâmica. Eu ouso dizer que Liev Tolstói é um mago com as palavras, poucos conseguem descrever a miséria humana diante da impotência do desconhecido e da amargura como esse velhinho, que por sinal teve um final triste e igualmente solitário. Vou me concentrar no primeiro (os dois contos vieram num único livro). A Morte de Ivan Ilitch.


A história:

Ambientada na Rússia no fim do século XIX. A história começa com os amigos de Ivan Ilitch sabendo da sua morte. Depois temos alguns detalhes do velório. A partir desse ponto o conto narra de forma linear à vida do protagonista. Sua infância como filho de funcionário público (algo bem visto na sociedade da época), a constituição de sua família e sua ascensão social no ramo jurídico. Paralelamente, o juiz Ivan Ilitch compartilha uma vida familiar estagnada presa a breves momentos de felicidade, uma rotina que ele aceitou e aprendeu a lidar.

Ivan Ilitch era um pai de família respeitado, um juiz eficiente (mesmo sendo apático) e um cidadão de status social invejável. Estava muito longe de ser uma pessoa má ou essencialmente egoísta, mas ao longo da sua vida deixou-se levar de acordo com os padrões de uma sociedade sustentada nas aparências. Nem mesmo o seu casamento se sucedeu por amor, mas sim, porque era conveniente a suas perspectivas de ascensão social.

Uma breve explanação. Recentemente eu li um artigo numa revista, que tinha a seguinte citação: “Sentir-se sozinho mesmo estando casado é uma das piores formas de solidão”


Voltando a resenha.

Sua vida sofre um revés, após um pequeno acidente doméstico, sorrateiramente uma terrível moléstia começa a interferir no seu cotidiano “uma dorzinha que não vai embora”... Seu estado de saúde, apesar dos esforços (e recursos) se agrava.

Aos poucos o grandioso Juiz vê os papeis se invertendo. Um médico o trata do mesmo jeito que ele tratava os seus respectivos réus (com indiferença). Sua família vive num mundo a par da sua enfermidade, não que eles não se importem, mas o tempo e a convivência burocrática criou uma distância amarga, o importante é que ele tome o remédio na hora certa e se o tratamento não está surtindo efeito é culpa de Ivan Ilitch que não o segue a risca...

Todos se negam a ver o óbvio, até mesmo Ivan Ilitch. Quando seus colegas de serviço vinham lhe visitar sua aparência de dor era recondicionada ao antigo juiz Ivan Ilitch, procedimentos/casos jurídicos eram os assuntos usados como fachada pra disfarçar sua fraqueza.

...

Ivan Ilicht teve que ficar doente pra perceber que toda sua vida foi desperdiçada. Longe de parecer uma história clichê com lição de moral. Esse conto permite ao leitor fazer uma profunda análise do que realmente consideramos importante na vida. E que algumas escolhas e pontos de vista podem nos arrastar para um limbo pessoal de ostracismo e auto piedade.

Como diz uma citação atribuída à William Shakespeare:

“O tempo é algo que não volta atrás.

Por isso plante seu jardim e decore sua alma,

Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores”

...

Eu recomendo muito a leitura desse conto de 85 páginas, que apesar dos spoilers ou não (o nome do conto é a “Morte de Ivan Ilitch”) tem muita coisa que eu deixei de citar. Inclusive se vocês quiserem uma resenha mais didática sugiro esse link:

E também que pesquisem mais sobre a vida e as filosofias de Liev Tolstói.

...

Próxima resenha de livros: Moby Dick, já aviso os filmes não chegam nem aos pés (ou nadadeiras) da grandiosidade do livro.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

John Carpenter – Terror e além

“Além do limite de nossa visão, servindo-se de nós como alimento, assentando-se sobre nós, do nascimento à morte, são nossos donos!
Nossos donos! Eles nos têm! Eles nos controlam! Eles são nossos mestres!
Acorde! Eles estão em tudo sobre você! Em tudo ao seu redor!”

Eles Vivem





Tema Macabro:




Existem muitos autores que merecem ser citados por sua contribuição ao terror. Mas alguns deles não só contribuíram para o gênero como seria difícil imaginar muitas obras atuais sem a influência deles. Um destes autores é, sem dúvida, John Carpenter.

Nascido em 1948, John Carpenter é um cineasta completo. Roteirista, diretor, produtor, ator, editor e compositor, conhece todas as nuances, detalhes, possibilidades e limitações da mídia cinema. Talvez por isso conte em seu currículo com tantos filmes clássicos, cult e populares ao longo das décadas. Despontou logo com seu primeiro trabalho cinematográfico, o curta metragem The Resurrection of Broncho Billy, onde ele foi roteirista e compositor e que ganhou o Oscar de melhor curta-metragem em 1970; a partir daí suas produções, fossem escritas, dirigidas ou apenas produzidas por ele eram sinônimo de boas histórias – e eventualmente, bilheteria.



Os grandes autores de qualquer mídia são assim chamados justamente porque não se limitam à apenas um gênero. Assim como Richard Matheson e Stephen King, John Carpenter passa do drama à sátira, passando pelo sci-fi e, é claro, o terror. Entre os clássicos fora do gênero de terror podemos citar Starman – O Homem das Estrelas, Dark Star, Fuga de Nova York e sua sequência, Fuga de Los Angeles, Memórias de um Homem Invisível, o clássico da sessão da tarde Aventureiros do Bairro Proibido e o meu preferido, que apesar de não ser muito conhecido, gosto muito, Experimento Filadélfia.



Entre os filmes de terror do autor podemos destacar À Beira da Loucura (um dos meus preferidos), O Enigma do Outro Mundo, A Cidade dos Amaldiçoados, Eles Vivem, Christine, Vampiros e sempre esteve envolvido em vários filmes da clássica cinessérie que criou, Halloween (Embora ele tenha sido diretor e roteirista de apenas alguns deles).



Embora durante a década de 90 o autor tenha experimentado um declínio na popularidade de seus filmes (muitos deles fracassos de público e de crítica), John Carpenter merece ser lembrado por suas obras, seja por elas terem contribuído com o cinema, seja por ter criado padrões que até hoje geram inspiração e são utilizados por outros cineastas.


Curiosidades:
- John Carpenter compôs a trilha sonora de praticamente todos os filmes em que esteve envolvido. Uma de suas composições mais lembradas é a trilha de Halloween;
- Os filmes de John Carpenter têm como “assinatura” o uso minimalista de luminosidade e fotografia, além da utilização de câmeras estáticas.


Na próxima semana:
Entra em cena um dos monstros clássicos mais conhecidos pelos entusiastas do Terror, o Moderno Prometeu.

PalhetadA

E ai galeeeeera!! Pensou que eu não ia aparecer né? (ok eu também pensei) Hoje o Palhetada vem para dar uma dica bacanuda na internet! Clica ai e aumenta o som!




Grooveshark, é um site com uma porrada de músicas on line de vários artistas, gêneros distintos e o melhor...inteiramente de grátis!! Oh yeah, você pode ir adicionando as suas músicas preferidas numa biblioteca, fazer a sua playlist e soltar o som. Adeus a cds no trabalho, mp3 enfiado na máquina, agora só basta ter uma conexão legal e um fone de ouvido.

Aliais já tem uma biblioteca do PalhetadA lá, clica no link

http://listen.grooveshark.com/#/playlist/Let+s+Rock/38222206

Ainda estou fazendo na medida do possível, então ta esperando o que pra fazer a sua e virar fã da minha? Hehehe...

E é isso ai meu povo, palhetada também trás umas novidades bacanas as vezes.

Let´s Rock!
Duende Amarelo.

RED- Armados e Perigosos


Uaréview
Por Monitor

O subtitulo ficou uma bosta, mas o filme é muito bom...


RED, adaptação da revista de Warren Ellis e Cully Hamner, e dirigido por Robert Schwentke(Plano de Vôo,Tatoo), trás diferenças em termos de tom, já que o filme é um comédia de ação bem diferente do clima dark politico da revista, mas o nucleo grosso da HQ e do que ela se trata estão sendo mostrados no filme: a idéia de velhiice, de substiução,de um governo usando suas agências com irresponsabilidade,além do fato de ter uma certa "vergonha" as merdas do passado.

Começamos com filme com a rotina extremamente monotona de Frank Moses (nunca vou entender a mudança do nome), feito por Bruce Willis, cuja unica amizade é com a atendente do INSS Sarah Ross (Mary-Louise Parker). Mas o que ela desconhece é que Moses já foi um hitman da CIA, e por algum motivo o mesmo governo que defenderam por tantos anos os querem ver mortos. Frank "rapta" Sarah para sua propria segurança, enquanto o jovem agente William Cooper(Karl Urban) é destacado para a tarefa de caçar e matar antigos associados do governo. Para ajudar a descobrir porque o governo os querem mortos, Moses terá a ajuda da sniper Victoria(Helen Mirren, chutando bundas), do paranóico Marvin (John Malkovich, fazendo você esquecer que esteve em Jonah Hex), o ex-agente da URSS Ivan (Brian Cox, ótimo no papel) e do seu velho amigo Joe (Morgan Freeman).

RED pega certos elementos da revista que são só citados por alto e os torna bem maiores,como por exemplo o fato de Sarah querer viajar, a ameaça a familia, até mesmo a paleta de cores para trasmitir alguma sensação nas capas. Mas certas coisas que o diretor coloca são interessantes. Primeiro, o agentes mais novos todos são meio padronizados, todos no estilo frio-com-terno-e-gravata, que se diferencia muito dos multifacetados agentes aposentados. Além do fato de estarem aposentados, eles não precisam mais manter velhas rixas do passado, e vêem tudo aquilo que passou com uma nostalgia gostosa, ou caso a amizade que sempre se manteve, olhar para aquilo que fez sem arrependimentos e curtir a honra de ter convivido entre si. Algumas desas velhas historias citadas no filme são apresentadas nas revistas spin-offs do filme (resenhadas pelo Multiverso DC), que assim como o filme, são uma ótima leitura.

RED trata sobre os seus temas de uma maneira bem subliminar, percebe-se varias cenas curtas que funcionam pra demonstrar do que o filme se trata.Você vai rir, e se você for um daqueles fanboys hardcores, dê uma chance ao filme, você vai se divertir.RED-Aposentados e Perigosos não trás exatamentes novidades revolucionárias, mas é um bom filme e fiel aos temas e ao roots da revista original.

Mas, o que a DC ganha com isso a longo prazo? Be, como todos devem saber o filme não é da Warner, mas da Summit, porém teve a DC Comics envolvida desde o começo no projeto coma presença do ex-produtor de midias da editora Greg Novalick.Tanto que quando foram fazer o filme, a Summit pediu co-produção da Warner, da qual negou porque achava que não deveria focar em "personagens menores" da editora.Bem, atualmente o filme, que custou 58 milhoes, já ultrapassou a barreira de 100 milhões mundialmente.

Co-produções seriam otímas pra DC Entertainment para focar em personagens menores e produções não tão grandiosas, mas com a editora por perto para manter a qualidade. Assim, erros cometidos como os de Jonah Hex (que os produtores não sabiam o que fazer com o personagem) e The Losers (que foi um bom filme, mas com uma divulgação de merda) não sejam mais repetidos. Mas só o futuro poderá dizer sobreessas questões, foi foi legal ver o logo da DC de novo nas telonas.Agora só em 2011!

Nota: 8,5

Um francês em caipirinha

Momento Uarévaa
Por Marcelo Soares

Patrice Kollifer (Foto: Marcelo Soares)
O suor me corria o rosto em decorrência do calor excessivo naquele ambiente que era uma loja de venda de histórias em quadrinhos, localizada em uma esquina que tinha como nome o número 200. A loja tinha em sua fachada escrita o nome Comic House, e naquela noite de quarta-feira – disposta no calendário oficial mundial como um dia chamado 03 de novembro - realmente parecia uma casa, daquelas que vive repleta de visitantes indo e vindo, apertando a mão do dono, conversando na sala de estar e bebendo uma típica caipirinha brasileira. 


Mas, contra tudo que poderia parecer, ali era uma loja e tinha um convidado muito especial hospedado nela. Sentado em uma cadeira posta detrás de um banco de corredor, vestido com uma camisa multicolorida estava Patrice Kollifer. Me deparei com o desenhista assinando, quer dizer, construindo uma assinatura em forma de desenho no livro Quando tem que ser, lançado pela Marca de Fantasia, do multi Henrique Magalhães. A cada novo livro para ser autografado, um desenho único era feito, único como o francês que ali via com um cigarro na boca, um copo de caipirinha do lado e um bom humor afiado.

Henrique Magalhães (a esquerda) e G G Carsan (a direita)
(Foto: Marcelo Soares)

Dentro da loja os visitantes proseavam sobre inúmeros assuntos. Passeando entre os indivíduos colocados entre estantes repletas do bom e velho “gibi” pude conferir um senhor de chapéu de comboy falando sobre uns desenhos em cima de uma mesa, soube logo depois se tratar de um comboy fã de outro da sua mesma espécie: G. G. Carsan, autor do livro Tex no Brasil - o Grande Herói do Faroeste, rodeado por curiosos pelos desenhos em preto em branco de tamanho gigante em suas mãos.

Do lado de fora do recinto um garoto recebia ansioso um desenho especial feito pelo francês, com ares praieiros, para ele. As unhas ruídas e os olhares curiosos. Curiosidade era muito o que se via ali, ouvidos curiosos pelos sons de um idioma francês, considerado por uns charmoso e por outros difícil de entender.

Comic House (Foto: Marcelo Soares)

A noite transcorreu entre o som de rabiscos em papel, vozes no ar entrecortando-se e um calor que me fazia escorrer suor na testa, mas não só um calor temporal, mas um calor humano, de pessoas conectadas por quadros em seqüência que contam uma história, por uma arte centenária e ao mesmo tempo tão nova que promove momentos especiais em uma noite quente de meio de semana.

PS: Resenha bem atrasada eu sei, mas logo virá uma outra sobre a noite de autografos de Daniel Galera e Rafael Coutinho, autores de Cachalote - essa tenho para pedir meu autografo (risos). Aguarde, menos dessa vez espero, e confie.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Podcast Uarévaa #20 - SUPERMAN


É um pássaro?

É um avião?

Não, é o SUPERMAAAAAN!!


Nesse pod, Zenon, Marcelo, Rafael, Moura e Vini batem um super papo sobre o Homem de Aço: Origem, Quadrinhos, Filmes, Séries e etc...


Para o pod, e avanteee!!!



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Comentado no Podcast

Volta aqui depois de ouvir que já vai ter, rs


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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Batman Inc. ou a corporativização dos heróis


Não é mais novidade para ninguém: Bruce Wayne voltou do mundo dos mortos (mais conhecido como viagem no tempo e no cigarrinho do diabo) e depois de suas experiências retornou com um novo olhar de seu legado e sua missão como vigilante noturno, abrindo ao público parte de sua relação com o herói mascarado de Gotham – como ele não é um personagem tão egocêntrico como o Tony Stark, e bem mais precavido, só disse que era financiador do Batman e não o próprio. Ainda anunciou a fundação da Corporação Batman, e mais uma vez Grant Morrison termina uma fase sobre o comando do personagem mudando todo seu status quo.


O uso de outros Batmen ao redor do mundo não é nenhuma novidade, como o próprio Morrison resgatou anos atrás no arco onde trazia à tona a existência de versões do morcego - em países tão diferentes como Japão e Argentina – foi utilizado no período pré-crise em histórias de encontros secretos entre essas versões e ele fez só reutilizar um conceito. 

Aliás, o grande mérito do escritor a frente do Cavaleiro das Trevas é como ele utiliza velhos conceitos de uma forma muito original e criativa, levando ao ápice a idéia de que “todas as histórias já foram contadas, o que se tem que fazer é reutilizá-las da melhor forma possível”.

Desde Batman R.I.P. (um exercício psicodélico sem igual) Morrison criou um novo caminho para Bruce Wayne – aquela altura com a mulher que amava sendo uma traidora, o nome da família na lama e ele desaparecido. Em Crise Final o autor selou esse caminho matando o personagem, e aí eu tenho plena certeza que ele pretendia realmente matá-lo e a inserção da cena final dele no passado foi uma forma de remediar a morte por conta de imposição editorial, só virando plot para algo novo quando se resolveu ter essa saída na revista. 

Após jogar o personagem no passado, ele usou de um “roteirismo” para ir adiantando Bruce no tempo e criar uma mitologia totalmente nova para Gotham, os Waynes e o mito do morcego (incluindo um Demônio Morcego e adoradores dele), tudo isso visto em uma mini chamada o Retorno de Bruce Wayne, que se interliga com Batman e Robin

Todo esse trabalho, com certeza criado com o passar das edições e não desde o inicio como algum fã xiita pode querer acreditar. Até ressalto um comentário de um leitor do omelete (que não sou eu para deixar claro) que deve ser bem capaz ser verdadeiro:

Marcelo (05/11/2010 20:27:01) Mas o fato é que nada disso fazia parte dos planos iniciais do Morrison. O sucesso comercial da Batman e Robin foi o fator preponderante pra mudança nos rumos. Me lembro que na época do início da série cogitou-se muito sobre um fim trágico para o Dick Grayson. Mas, como o Grayson fez sucesso se vestindo de Batman e agindo lado a lado com o Damian, muitos fãs protestaram para que o Dick não deixasse de ser um "batman". Mas o Wayne já estaria voltando, então, como legitimar dois Batmen co-existindo num mesmo universo? Eis a solução, a criação da Incorporação Batman, tendo o Bruce Wayne como financiador de vários Bat-Men agindo ao redor do Mundo. Quer dizer, o fato que isso não é nada original. Mas ele, Morrison, tinha que encontrar um jeito para juntar as amarras. Só quero ver que bicho isso tudo vai dar.

Uma empresa multinacional de vigilantismo sobre o uso de uma única marca, no fim das contas é isso que a Batman Inc. significa. Agora pensem comigo: o quanto de possibilidades, não só de ação mas, principalmente, de discussões (sociais, políticas, econômicas, heróicas) essa criação pode abrir? Em um mundo repleto de heróis que ou atuam sozinhos ou formam grupos por vontade própria, que perturbação a fundação de uma organização oficial de vigilantes traria? 

Não lembro de muitos exemplos dessa tipo de abordagem com super-heróis nos quadrinhos, só me vem a cabeça A Corporação da Vilania Comics, se alguém sabe outros exemplos deixa ai nos comentários. Me remete também um pouco ao conceito da HQ Top Ten e do ato de registro da Marvel em Guerra Civil, onde vigilantes são oficializados, treinados e financiados, mesmo assim é diferente.

Morrison em uma entrevista a revista Wired disse sobre a gênese da nova fase: 

Uma das coisas que eu quis foi capturar a atmosfera do jogo Batman: Arkham Asylum que saiu em 2009. Quando eu joguei ele, pela primeira vez na vida, consegui ter uma idéia de como é ser o Batman. Foi muito envolvente. A maneira como o jogo e a história de Paul Dini foram concebidos, da criação às câmeras, me fez sentir como se eu fosse o Batman".

Batman, Inc. é sobre isso - que todos podemos ser o Batman, se quisermos", seguiu, dizendo também que "o melhor dos games, diferente dos filmes, se bem realizados, é poder não apenas ser outra pessoa, mas criar sua própria história através de suas ações.

Olha o Morrison levando o conceito do Superman pro Batman, onde qualquer um pode ser um herói ou alguém melhor para o mundo. Espero que ele consiga fazer uma nova aventura extraordinária pelos dois anos que ainda tem a frente do personagem.

O que podemos esperar dessa nova fase do morcego? Quem sabe não veremos mais a frente uma guerra dos morcegos, quem pode dizer que não vão surgir falsos morcegos dizendo ser da Batman Inc.? E como ficará a vida de Bruce Wayne com todo mundo querendo saber dele quem é o Batman? E os outros heróis como reagem? É tudo uma critica ao corporativismo agressivo de nossos dias? Bilionários podem fazer tudo que querem ser medir as conseqüências? 

Ao mesmo tempo que adoro o Morrison o odeio por sempre vir com algo novo e me arrastar de volta aos quadrinhos de super-heróis que tanto tento deixar de lado, ele faz bem seu papel de vendedor nos dando boas cenas de ação, tramas repletas de intrigas, conspirações, reviravoltas e diversão (fazia tempo que não via uma mensal tão divertida quanto Batman e Robin com o Dick e o Damien como parceiros).Agora é esperar para ver o que insano Big M vai aprontar.